Tempos de turbulência no mercado financeiro
POR Bruno Victor Dela Páscoa Toranzo
As bolsas de valores do mundo inteiro estão em um período complicado, de muita instabilidade. Acompanhando a crise do setor imobiliário estadunidense, o mercado acionário está sofrendo fortes variações.
A Bolsa de Valores de São Paulo está com cinco dias consecutivos de quedas acentuadas. Optar pelas ações para investir o dinheiro está ficando arriscado demais. Muitos brasileiros andam confiando suas economias nas ações nos últimos tempos. O número de investidores aumentou, mas ainda é pouco quando comparado aos países desenvolvidos.
O mercado imobiliário tem uma importância enorme para a economia dos Estados Unidos, figurando como uma das atividades mais rentáveis. As pessoas sempre tiveram o costume de emprestar dinheiro dos bancos para reformar suas casas ou comprar uma nova. Porém, essa situação está mudando. A venda de casas caiu nos últimos meses. Sem falar da inadimplência dos estadunidenses que está deixando os bancos preocupados. Dessa maneira, muitas casas foram hipotecadas e os bancos estão receosos de emprestar dinheiro. Isso gera menos compradores, o que agrava mais a crise. Os Estados Unidos são os maiores consumidores do planeta, mantendo relações comerciais com muitos países. Portanto, um esfriamento interno de sua economia pode diminuir seu comércio com o restante do mundo.
Todo esse contexto obviamente assusta os investidores, levando-os a procurar maior estabilidade, vendendo os papéis relacionados às construtoras estadunidenses. Assim, a bolsa dos Estados Unidos cai, levando as outras para o mesmo buraco.
Risco de recessão? Segundo os economistas e estudiosos do mercado, uma recessão global não vai acontecer. Há abundância de dinheiro no cenário internacional. Os Bancos Centrais dos países desenvolvidos estão injetando por dia bilhões de dólares, como maneira de aumentar a liquidez (compra e venda de ações) do mercado. O FED (Banco Central dos Estados Unidos) está ajudando os bancos do país que sofrem com a inadimplência para evitar que a crise se agrave.
Outra importante razão que afasta o risco da recessão está na maior estabilidade dos países emergentes, em desenvolvimento. É o caso brasileiro que conta com uma importante reserva internacional para os tempos de incertezas.