Um sistema carcerário em ruínas
POR Bruno Victor Dela Páscoa Toranzo
“Penitenciário”. “Penitenciária”. O que as duas palavras têm em comum? A formação delas se deu a partir de “penitência”. É justamente o conceito de “penitência” que a sociedade aplica aos não obedientes à ordem. O penitenciário é o sujeito que burlou as regras de convivência, cometeu algum delito, alguma falta grave. A penitenciária é o lugar em que cumprirá sua pena sob regime rígido e, se possível, será recuperado para ter condições de retornar ao nosso convívio.
Infelizmente, não presenciamos toda essa lógica acontecer no cotidiano carcerário do país. Desorganização, corrupção e leis retrógradas e flexíveis são fatores enraizados no sistema penitenciário brasileiro. Não é possível saber se realmente estão presos os traficantes, os corruptos e os corruptores, enfim, os criminosos, ou a população honesta e trabalhadora, obrigada a viver em uma realidade de medo e insegurança constantes.
O crime, por meio do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do Comando Vermelho, parece estar mais organizado que a própria polícia. Armas utilizadas em confrontos militares nos Bálcãs e no Oriente Médio, como o AK-47, chegam com facilidade às mãos dos delinqüentes. Crianças e adolescentes têm seu futuro completamente comprometido ao conviver com os traficantes, endeusando-os como se tivessem uma profissão digna de respeito.
Segundo porcentagem concedida pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça, cerca de 40,6% do total de presos abrigados no sistema penitenciário brasileiro estão concentrados no estado de São Paulo, o mais rico e próspero da nação. Trata-se de um número assombroso quando consideramos que a qualidade de vida paulista está entre as maiores do Brasil.
Enfocando no tratamento ao penitenciário. Como as autoridades e a própria população civil devem tratar o preso? Essa pergunta caracteriza-se pelo seu grau polêmico e complexo, sendo muitas vezes deixada para segundo plano nas discussões universitárias, políticas e sociais.
Existe o grupo de ação austera para com o preso. Banho de sol seria privilégio. Dessa forma, seria cortado da agenda do carcerário. A solitária, recinto em que o preso fica completamente desligado de qualquer forma de vida, precisaria ser restaurada.
O radical e irreverente radialista Afanázio Jazadji é o principal defensor da política de “Tolerância Zero” (aplicado pela polícia norte-americana em que o delinqüente não tem voz alguma), apoiando, desde a sua criação, o sanguinário batalhão da polícia militar, a Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar). Jazadji vibrava com as perseguições da Rota, por meio de suas Veraneios, e com os assassinatos dos “bandidos”. Na realidade, não eram “bandidos”, mas pessoas inocentes, voltando do serviço ou aproveitando a noite para se divertir.
Por outro lado, está o grupo que apóia algo mais ameno. Considera o preso um indivíduo passível de mudança, de evolução. Além disso, defende a continuação das visitas sob o argumento de que a família é fundamental no processo de recuperação. Muitos integrantes da ala mais amena consideram a dor da família que perdeu um ente querido, ocasionado pela violência desenfreada, a mesma da que tem um ente preso.
O massacre do Carandiru, ocorrido em 1992, comandado pelo coronel Ubiratan Guimarães, deixou cento e onze presos mortos. Foi, sem dúvida, a maior tragédia da história carcerária brasileira. Explicita bem o quão mal preparada é a polícia militar e o quão mal gerido são os nossos presídios.
Enquanto o sistema carcerário brasileiro não se modernizar, desenvolvendo estratégias de trabalho para o preso, evitando que os celulares funcionem dentro dos presídios, remunerando bem os funcionários para evitar a corrupção, a discussão promovida pelos dois grupos de nada servirá.
quarta-feira, 22 de novembro de 2006
CRIME ORGANIZADO
sábado, 11 de novembro de 2006
CIDADANIA
A televisão na ação social
POR Bruno Victor Dela Páscoa Toranzo
Duas emissoras televisivas brasileiras promovem grandes ações sociais todos os anos. A Rede Globo de Televisão é a responsável pelo Criança Esperança. O SBT (Sistema Brasileiro de Televisão) fica com o TELETON e contribui com a AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente).
Interromper a programação, durante horas seguidas, para arrecadar fundos para as instituições. Promover um grande show com a presença das grandes personalidades do mundo televisivo, da música, enfim, da cultura brasileira. O lema é o da união. Artistas, jornalistas, políticos, empresários e a própria população, unidos por apenas um objetivo, o de beneficiar as milhões de pessoas dependentes dos dois projetos sociais.
Esse modelo televisivo foi criado há 41 anos pelo ator Jerry Lewis e acontece em mais de 20 países da Europa, América do Norte e América do Sul. A AACD é a detentora dos direitos no Brasil sobre a marca TELETON. Desde 1998, realiza o evento.
É interessante destacar que o SBT apenas cede sua programação. O evento é patrocinado pela própria AACD. Para quem pensa que Silvio Santos investe para promover a festa, está totalmente equivocado. Acontece o inverso no caso do Criança Esperança. Por pertencer a Globo, é totalmente subsidiado pela emissora da família Marinho.
Reconhecer a importância dessas duas já tradicionais iniciativas é dever dos quase 200 milhões de brasileiros. Porém, as empresas gigantes de comunicação, como o SBT e a Globo, têm por obrigação participar de projetos assistencialistas, de direcionar parte de seus lucros para o social.

O cantor Leandro Lopes e a jornalista Ana Paula Padrão no TELETON 2006
FONTE: Foto retirada do site do SBT.
quarta-feira, 1 de novembro de 2006
terça-feira, 31 de outubro de 2006
CRÍTICA DECLARADA
Sob o discurso de "homem do povo", Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito. Será que ele é realmente um "homem do povo"?
Não vejo, como "homem do povo", um presidente com quase a metade dos ministros envolvidos em esquemas de corrupção. Isso porque só estou considerando o cargo de ministro pela grande proximidade que tem com o de presidente. Também não vejo, como "homem do povo", um presidente que considera a cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, uma "exportadora de viados", expressão que ele utilizou, em campanha à presidência dos anos anteriores. Não consigo enxergar, como "homem do povo", um presidente que enriqueceu seu filho, através de acordo escuso com a Telemar, empresa com parte significativa do governo.
Não é "homem do povo" um comandante que aumenta substancialmente os impostos para financiar projetos assistencialistas e fortemente populistas, como o "Prouni" e o "Bolsa Família". Definitivamente, não é "homem do povo" um presidente que coloca seus interesses individuais acima dos da nação. O povo trabalha, produz. O presidente não sabe o que é isso. Sempre fez greve e fugiu pela porta dos fundos. Que "homem do povo" é esse?! Talvez, seja pelas metáforas de futebol e de família que costuma fazer em seus fracos discursos. Ou pelas peladas que disputa na Granja do Torto.
O fato é que chegar à presidência, por meio desse discurso populista e nojento, causa indignação às cabeças pensantes desse país. Os que não raciocinam, sendo manipulados pela figura imposta, pelos verdadeiros bandidos petistas, de "Lula herói da nação", escolheram o número 13, no último dia 29 de outubro. Lamentável. Principalmente, quando os eleitores têm condições de escolher melhor. Quando os eleitores possuem um mínimo de conhecimento para discernir o certo do errado e o corrupto do honesto. Sem falar daqueles que estão cursando jornalismo.
Agora é esperar os próximos casos de corrupção. São mais quatro anos de roubalheira. Mais quatro anos que o governo federal servirá unicamente aos interesses da legenda petista.
quinta-feira, 26 de outubro de 2006
PARA REFLETIR
POR Bruno Victor Dela Páscoa Toranzo
A indústria do entretenimento é uma das mais rentáveis atividades comerciais do planeta. Ao mesmo tempo que leva diversão e distração ao tempo livre das pessoas, contribui para a evolução das desigualdades entre nações ricas e pobres.
A globalização aprisiona naturalmente a cultura dos países subdesenvolvidos, submetendo suas populações ao controle das grandes corporações de entretenimento. Corporações que possuem suas sedes no seleto grupo de nações desenvolvidas. Warner Brothers, FOX e SONY são exemplos clássicos de monopolização no campo do entretenimento. As duas primeiras empresas são de origem norte-americana e a terceira, japonesa.
Os provedores de cultura são justamente essas grandes marcas. Com amplo e fácil domínio do mercado mundial, eles partilham a mesma ideologia, cultuando o atual sistema capitalismo/globalização como alternativa ideal. Os modos americano e europeu de ver e de lidar com a vida chegam às residências de bilhões de pessoas diariamente. Os latino-americanos e os africanos encantam-se com esse estilo de vida, levando alguns deles a abandonar sua região natal.
É fundamental destacar que o fluxo de cultura ocorre de maneira unidirecional. Os países ricos impõem sua cultura aos pobres.
Theodor Adorno, filósofo e sociólogo alemão, concentrou seus estudos justamente na relação entre mídia e público. Descobriu que a indústria cultural tinha outros objetivos, além de apenas divertir a população. O alvo principal, para Adorno, é o controle do público, reproduzindo sempre um clima conformista e dócil em uma multidão passiva. “Certamente os homens estão todos, sem exceção, sob a opressão; nenhum é ainda capaz de amar e é por isso que cada um se pensa tão pouco amado”.
quinta-feira, 19 de outubro de 2006
CITAÇÃO LITERÁRIA
“Nessa sociedade altamente mecanizada, são os homens e mulheres que devem se adaptar ao ritmo e à aceleração das máquinas, e não o contrário”.
quarta-feira, 18 de outubro de 2006
domingo, 15 de outubro de 2006
PARA REFLETIR
POR Bruno Victor Dela Páscoa Toranzo
“A corrupção não impede a cidadania. Ela é inerente à dimensão humana”. A declaração do ministro da Cultura, Gilberto Gil, isenta de responsabilidade não só o governo petista do qual faz parte mas também os congressistas acusados de corrupção. Sem dúvida que os quatro anos de presidência petista resultaram no maior processo de corrupção da história da jovem democracia brasileira.
O comportamento da população é o espelho de seus representantes políticos da Câmara Federal, do Senado e das outras instituições públicas de poder. O brasileiro encontra-se transtornado e desacreditado com a atual situação política. A falta de credibilidade do governante atingiu níveis assustadoramente negativos. Além de não acreditar mais em promessa de político, grande parte dos brasileiros generaliza, taxando a classe de corrupta e sem caráter.
Esse clima de impunidade serve apenas para criar a tão errada impressão de que o melhor caminho seja a desonestidade. O falso pensamento de que ser honesto – tendo um trabalho digno, pagando seus impostos, respeitando as leis e até ajudando as pessoas de sua comunidade – é comportamento de tolo, não sendo mais nenhuma vantagem em uma sociedade tão vazia de valores em que vivemos. O ser “esperto” é o enganar as pessoas para proveito próprio como inúmeros “representantes do povo”, vocativo que eles mesmos preferem ser chamados, costumam fazer e que cresceu no governo de um ex-metalúrgico – quem diria! – chamado Luiz Inácio Lula da Silva.
Portanto, o senhor ministro da Cultura, Gilberto Gil, poderia valorizar mais os interesses do país aos do seu partido e reformular sua idéia, destacando o que foi discutido ao longo deste artigo.
terça-feira, 10 de outubro de 2006
ELEIÇÕES 2006
O primeiro debate de segundo turno das eleições presidenciais caracterizou-se, como não poderia deixar de ser, pela tensão. Os dois candidatos à presidência, o tucano Geraldo Alckmin e o petista Luiz Inácio Lula da Silva, estavam visivelmente nervosos.
O modo como Alckmin mordia a boca e engolia a seco evidenciava o peso de ser uma das maiores surpresas dos últimos pleitos. Chegou ao segundo turno com 40 milhões de eleitores e a responsabilidade de renovar moralmente o Palácio do Planalto. Um enorme peso em seus ombros que soube carregar com maestria. A estratégia utilizada foi o ataque desde o primeiro minuto. Nos cumprimentos iniciais, provocou o adversário, dizendo que nunca comparecia aos debates. O tom agressivo, exaltando sempre a ética e criticando a corrupção, deixou Lula sem rumo, sem respostas.
O petista, sofrendo bombardeios constantes, suava e soltava pérolas da língua portuguesa. Foram raras as concordâncias verbais e as nominais acertadas pelo “candidato da força do povo”. Como não poderia deixar de ocorrer, usou suas famosas metáforas. Em uma delas, lembrou da sua mãe e citou o provérbio “cada macaco no seu galho”. Quanto aos equívocos gramaticais, é interessante destacar alguns deles. Ao referir-se ao “carro flex”, acabou dizendo “carro flexil”. Já “Sanguessuga” virou “Sanguessunga”. Sem falar que, mostrando clara instabilidade, errou a idade do PSDB ao dizer que os tucanos estão há quatro séculos no cenário político brasileiro.
As pesquisas mostraram. Os eleitores brasileiros opinaram que o candidato Geraldo Alckmin saiu vitorioso do debate. Será o começo da virada tucana rumo à presidência?
segunda-feira, 9 de outubro de 2006
sábado, 7 de outubro de 2006
OPINIÃO DO LEITOR
POR Bruno Victor Dela Páscoa Toranzo
O Blog do Toranzo publicou no dia 30 de setembro, sábado, artigo intitulado Individualidade e tecnologia. O comentário acerca do artigo chamou minha atenção. A advogada e voluntária social, Andréia Luciana Toranzo, foi a autora da brilhante consideração:
"Infelizmente, os representantes políticos não são os únicos a priorizar os seus interesses particulares, em prejuízo dos interesses universais. Vivemos numa sociedade egoísta e a reformulação e a conscientização deve ser obrigação de cada um de nós, especialmente daqueles que enxergam tal problemática, contudo, permanecem inertes, omissos, vivendo cada um a sua vidinha medíocre, preocupados tão somente com seu "bem estar". Acredito no Brasil, acredito na capacidade do ser humano de se transformar. Acontece que isso depende de nós, os "intelectuais", com formação acadêmica. As escolas, em especial as universidades da atualidade, podem ser caracterizadas pela existência de setores onde a prática científica produz conhecimentos dotados de valor apenas para o mercado de bens econômicos. Este movimento de aproximação com o mercado faz com que nós, os "intelectuais", "graduados e pós-graduados", não obstante inconformados com a indiferença de nossos governantes, nos distanciamos dos demais setores, principalmente aqueles voltados ao atendimento das demandas dos setores mais desfavorecidos da sociedade. Isto significa dizer que as existentes interações entre "nós" e os "excluídos" são em menor número do que deveriam ser. Ainda estamos apenas brincando de democracia. Esta só se consolidará quando realmente nos tornarmos atuantes, com participação ativa e direta nas questões que envolvem o nosso país, o nosso povo, deixando de ser meros espectadores da miséria, da ignorância e da corrupção. Acredito que devemos divulgar um ensino que prepare as pessoas com uma sólida formação técnica, contudo, aliada a um alto grau de consciência social. Precisamos aprender que, além de correr atrás dos nossos interesses particulares, é preciso arranjar tempo, isso significa priorizar valores pessoais, para desenvolver atividades importantes junto à sociedade brasileira, principalmente através da participação em entidades filantrópicas voltadas para o desenvolvimento social. As universidades e o ensino como um todo, desde a infância, devem primar por disciplinas de caráter humanístico e pelo desenvolvimento da pluralidade ideológica, a fim de que nós, "intelectuais", possamos desenvolver uma visão crítica, possibilitando uma compreensão da realidade que nos cerca e, efetivamente, dar respostas e soluções aos diversos problemas que a realidade impõe. Além de um conhecimento técnico de excelente nível, temos que buscar uma sensibilidade social mais apurada. Aqui, a grande contribuição das instituições de ensino, bem como dos núcleos familiares com condições econômicas e intelectuais médias, seria trazer para a discussão os grandes temas de nossa atualidade no que diz respeito aos direitos dos cidadãos, as transformações tecnológicas e seus impactos sociais, os efeitos da globalização e abertura de nossa economia, entre outros. Os processos de transformações são rápidos e suas conseqüências ao ser humano são dramáticas, exigindo que os direitos dos cidadãos sejam repensados e transformados com a mesma velocidade, para que a cidadania possa ser construída e reconstruída permanentemente. Como dito anteriormente, não basta a formação e treinamento dos profissionais, é necessária, no presente momento, uma parceria mais duradoura com as organizações da sociedade civil. Envolver-se de forma intensa no fortalecimento do Terceiro Setor é uma prioridade, pois o processo de transformação tem que ser permanente. Torna-se urgente que se forme pela união de alguns organismos financiadores um fundo voltado para a pesquisa, treinamento e assessoria de organizações sociais. Para isso acontecer, temos que descruzar os braços. Para combater a impessoalidade, devemos cultivar a solidariedade, difundir os valores filantrópicos. A tecnologia vai continuar cada dia avançando mais e nós vamos continuar cada dia mais empolgados com a modernização e com a globalização, contudo, não podemos nos esquecer de que nada substitui o calor humano de um abraço. Se isso acontecer, a humanidade será extinta, de um lado "nós" vivendo no mundo virtual, solitários e depressivos em frente a um computador, do outro, "eles", os excluídos e miseráveis, que, diga-se de passagem, já estão esquecidos desde sempre, muito antes de qualquer avanço tecnológico".
OPINIÃO DO LEITOR
quinta-feira, 5 de outubro de 2006
SAIU NA IMPRENSA
O mercado sem sustos
Carlos Alberto Sardenberg
"Há quatro anos, os mercados despencavam com medo de Lula. (...) Na véspera das eleições de 2002, o dólar chegou a ser negociado a R$ 4, quase o dobro da cotação registrada no início da campanha eleitoral (R$2,30, em março). O risco Brasil, no mesmo período, foi de 700 para 2400 pontos. E a Bolsa de Valores despencou da faixa dos 14.400 pontos, também em março, para 8.700 na sexta-feira antes da votação. Neste ano, foi o reverso dessa história. O dólar, desde o início da campanha, está oscilando entre R$ 2,20 e R$ 2,10, no que se pode considerar estabilidade. O risco Brasil tem variado entre 210 e 240 pontos. E a Bovespa encerrou a semana em torno dos 36.500 pontos, uma queda em relação a março, mas com ganhos em relação a janeiro. (...) Em 2002, o mundo vinha de uma seqüência de desastres econômicos e financeiros. No mundo emergente, países haviam sofrido crises no balanço de pagamentos - isto é, haviam quebrado: a Coréia do Sul (1997), a Rússia (1998), o Brasil (1999) e a Argentina (2001). No mundo desenvolvido, começando pelos Estados Unidos, a seqüência também havia sido desastrosa: em Wall Street furaram as bolhas das empresas de internet e das telecomunicações; grandes fundos de investimentos registraram perdas enormes tanto no mundo emergente quanto nos países ricos; depois, houve a crise dos balanços dos Estados Unidos, quando grandes empresas foram apanhadas roubando nas costas e forjando lucros; finalmente, os mercados paralisaram com a queda das torres do World Trade Center. (...) Em resumo, a expectativa hoje é de uma desaceleração nos Estados Unidos e no mundo, moderada, gradual e pacífica. O mundo vai crescer menos, mas ainda cresce, de modo que a influência externa continua sendo positiva para o Brasil. Mais uma demonstração de sorte de Lula. FHC pegou uma seqüência de crises internacionais, Lula, o melhor momento dos últimos 40 anos. (...) Em 2002, o mercado estava com medo de Lula. Para os investidores, sobretudo do exterior, o Brasil estava em via de se tornar uma grande Venezuela - e, o que era pior, sem petróleo. Hoje, o mercado conhece um outro Lula, o do Banco Central autônomo, na prática, e o do superávit primário para pagar juros. O mercado gosta desse Lula. Não gosta de outros aspectos, como o aumento do gasto público (e, pois, de carga tributária), o ambiente pouco propício ao investimento privado, a desastrada diplomacia e, claro, a corrupção e o aparelhamento do Estado".
terça-feira, 3 de outubro de 2006
ELEIÇÕES 2006
Segundo turno das eleições presidenciais. Momento em que os partidos definem novas estratégias de conquista do eleitor. E o objetivo maior não é conquistar o eleitor do outro candidato. As abstenções, mais de 20 milhões de votos no primeiro turno, são o alvo dos concorrentes. A pergunta-chave está em como conquistar todo esse montante. Está claro que é preciso muito mais em termos de apresentação de programas de governo, deixando claro as propostas para o futuro do Brasil, se quiserem realmente atrair esse enorme contingente de pessoas.
As negociações entre as legendas também são de extrema importância para a vitória. Os petistas e os tucanos, separados por míseros sete pontos percentuais, buscarão desesperadamente aliados potenciais.
O maior dos aliados é o PMDB. Com dezesseis senadores e a maior bancada de deputados federais na Câmara, mais de oitenta, além do expressivo número de governadores eleitos, a legenda destaca-se como a terceira ou quarta força no cenário político brasileiro. A disputa pela terceira força, em termos de importância partidária, fica mesmo entre o PMDB e o PFL, coligado à campanha de Alckmin.
Porém, é sabido que os peemedebistas apresentam pluralidade quanto aos rumos do partido e de sua política de alianças. Michel Temer, presidente nacional do partido, deve apoiar o presidenciável tucano. Enquanto que José Sarney, eleito senador no Amapá, e Renan Calheiros, também senador, devem escolher o petista. São duas as dissidências peemedebistas e, portanto, mais uma vez, o partido ficará dividido quanto ao melhor candidato à presidência do país.
Com a eleição para governador finalizada em alguns estados, é possível avaliar quais serão as prioridades de Alckmin e de Lula. A figura do governador, ainda mais aquele que venceu com folga, confere credibilidade ao presidenciável. Caso a campanha seja feita em total parceria com esse governador, é perfeitamente possível mudar a preferência do eleitor de determinado estado.
A estratégia de centrar atenção em Minas Gerais, onde Aécio Neves (PSDB) foi eleito com quase 80% dos votos, é de suma importância para os tucanos. Ainda mais, porque foram derrotados por praticamente dez pontos percentuais. O estado das Minas Gerais representa o segundo maior colégio eleitoral do país.
A surpreendente vitória de Jaques Wagner (PT) para o governo baiano deixou os petistas extasiados. Trata-se do quarto maior colégio eleitoral brasileiro. Apesar de Lula estar folgadamente na frente, mais de quarenta pontos percentuais de liderança, é importante garantir sua hegemonia entre a população do estado.
Os derrotados do primeiro turno também serão procurados pelos presidenciáveis. Heloísa Helena (PSOL) já se adiantou e negou qualquer apoio. O candidato da educação, Cristovam Buarque (PDT), ainda não se posicionou, mas, provavelmente, ficará com os pesedebistas. Espera-se essa decisão pelas ríspidas críticas feitas a Lula desde que saiu do cargo de ministro da Educação em janeiro de 2004.
Nesta terça-feira, o casal Garotinho oficializou apoio à candidatura de Geraldo Alckmin. Vale lembrar que Anthony Garotinho conseguiu mais de 10% dos votos nas eleições presidenciais de 2002 e sua esposa, Rosinha, possui boa aceitação entre o eleitorado fluminense.
A batalha pela presidência está apenas começando. A guerra das urnas coloca frente a frente dois partidos tradicionalíssimos da política brasileira. O brasileiro é o território a ser conquistado. É o motivo pelo qual a guerra está travada. O embate promete.
segunda-feira, 2 de outubro de 2006
ELEIÇÕES 2006
Final de noite do domingo. Eleição tranqüila. Consolidação do processo democrático. Resultado eleitoral confirmado. Segundo turno ocorrerá. Geraldo Alckmin e Luiz Inácio Lula da Silva travarão embate histórico na corrida para o Planalto. O candidato do PSDB conseguiu uma porcentagem espetacular (mais de 40%), surpreendendo até os mais otimistas membros da legenda. É importante lembrar que há meses atrás sua candidatura era tida como derrota certa. Sem falar da desunião, da bagunça, que os tucanos enfrentavam.
O cenário político mudou. Lula perdeu credibilidade com os escândalos de corrupção em seus quatro anos de governo. O último, o do dossiê Vedoin, caracterizou-se como uma afronta aos direitos individuais de cada cidadão garantidos pela Constituição. Objetivava acabar com a candidatura de José Serra ao governo do Estado de São Paulo através de falsas denúncias, atacando a dignidade do psedebista. Apontar o dossiê como motivo central para o segundo turno das eleições pode parecer exagero, mas é perfeitamente possível considerá-lo importante fator para a continuidade da disputa.
Quanto aos eleitores de cada candidato, há uma divisão do país. De um lado, estão o Sul, Sudeste e Centro-Oeste apoiando hegemonicamente o tucano. De outro, as regiões Norte e Nordeste conferem apoio quase que absoluto ao petista.
Enquanto o perfil do eleitorado de Alckmin preza pela transparência política e pela responsabilidade fiscal, o de Lula considera apenas as pequenas melhoras, praticamente imperceptíveis, de sua condição de vida. O Bolsa Família, programa assistencialista do atual governo, é o maior responsável pela popularidade do presidente no Nordeste. Comprometer bilhões de reais do PIB ao ano para sustentar milhões de famílias carentes, como já discutido diversas vezes, não é medida eficaz para a inclusão social. Fica evidente que o interesse petista é o de conquistar a simpatia desse eleitor e, conseqüentemente, o seu voto.
Os debates serão importantes para a discussão de soluções para os problemas do país. A democracia brasileira espera que o candidato Lula compareça aos debates. Já basta o seu comportamento durante o primeiro turno. Evitando qualquer acareação com seus concorrentes.
Arriscar um palpite? O melhor a fazer agora é observar. Observar atentamente. Duas observações já são pertinentes. A primeira é a de que o candidato Geraldo Alckmin está motivado e confiante como nunca antes. Saiu de um cenário difícil, atordoado, e encontra-se agora em um esperançoso, de boas possibilidades de vitória. A segunda observação é que Lula está se afundando em seus próprios erros. Caso haja aprofundamento na investigação do dossiê Vedoin, um abismo se abrirá sob a cúpula petista.
Leitura complementar:
sábado, 30 de setembro de 2006
EM DEBATE
POR Bruno Victor Dela Páscoa Toranzo
“Além, é claro, do fato de as pessoas estarem cada vez mais indiferentes ao destino de seus próximos ou a qualquer senso de convívio, de comunidade ou de solidariedade. As pessoas vão se fechando num “nós” cada vez mais exclusivo, tendendo a se restringir num “eu” conectado numa rede infinita de circuitos virtuais. Casais que se falam por meio de secretárias eletrônicas, pais que se comunicam com os filhos pela Internet, professores que ensinam por teleconferência a alunos que respondem por e-mail. Ao redor deles, um mar de gente relegada, sucateada como máquinas obsoletas, abandonada ao relento”.
O trecho acima foi retirado da obra “A corrida para o século XXI no loop da montanha-russa”, de Nicolau Sevcenko, e sintetiza bem a tendência mundial atual, ocasionada, principalmente, pelo sistema capitalismo-globalização.
O capitalismo e a globalização intensificaram o papel da tecnologia no mundo. Isso ocorreu a partir da constante criação de facilidades tecnológicas e de sua conseqüente importância em todos os setores da vida humana. A tecnologia precisa existir para aproximar as pessoas, fazendo-as interagir positivamente, e não para afastá-las, contribuindo decisivamente para uma espantosa individualidade, nunca vista antes na história.
É importante enfatizar que um país não é um indivíduo e sua família. Um país é toda sua população, independentemente de sua classe social, cor de pele, conhecimento de vida ou religião. Pensar no conjunto, como uma massa coesa, densa, bem organizada, é elemento base para o desenvolvimento de uma nação.
Considerando o cenário brasileiro, é vital para o futuro de nossa democracia, que os candidatos a cargos políticos para a eleição de amanhã, tenham o parágrafo anterior em mente. O Congresso atual, infelizmente, prioriza o interesse particular de cada membro e esquece dos interesses universais, os da nação. Enquanto não houver reformulação dos representantes políticos, não há horizonte de progresso para o Brasil.
quarta-feira, 27 de setembro de 2006
SAIU NA IMPRENSA
Conveniência do segundo turno
POR Carlos Alberto Di Franco (diretor do Master em jornalismo, além de desempenhar as funções de diretor da Di-Franco-Consultoria em Estratégia de Mídia e de professor de Ética e doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra).
"Se nós, caros leitores, imaginávamos que nossa capacidade de indignação já tinha ultrapassado todos os limites, podemos tirar o cavalo da chuva. O PT, os assessores e amigos do presidente Lula demonstraram, mais uma vez, sua infinita capacidade de surpreender a sociedade brasileira. Eleito para moralizar a vida partidária do PT depois do terremoto do mensalão, o presidente do partido, Ricardo Berzoini, está no epicentro do maior escândalo da campanha eleitoral. (...) O presidente da República, lamentavelmente, é o grande responsável pela crise moral que devasta a política brasileira. (...) O presidente foi irresponsavelmente atirado na sua pior crise ética. O presidente Lula, ausente dos debates e da necessária acareação com a verdade, precisa mostrar sua verdadeira face. Ele deve, como presidente e candidato, inúmeras respostas à sociedade. Eleito no primeiro turno, Lula não só não responde, mas, o que é pior, canoniza a política do vale-tudo, dá um tiro de morte na ética e na cidadania. Impôe-se, por isso, o segundo turno. Caso contrário, mergulharemos no pântano do cinismo, que, certamente, não é o melhor companheiro para a viagem democrática".
sexta-feira, 22 de setembro de 2006
quinta-feira, 21 de setembro de 2006
PARA REFLETIR
“Porque o fato é que as mudanças tecnológicas, embora causem vários desequilíbrios nas sociedades mais desenvolvidas que as encabeçam, também canalizam para ela os maiores benefícios. As demais são arrastadas de roldão nessa torrente, ao custo da desestabilização de suas estruturas e instituições, da exploração predatória de seus recursos naturais e do aprofundamento drástico de suas já graves desigualdades e injustiças”.
Trechos retirados da obra "A corrida para o século XXI no loop da montanha-russa", de Nicolau Sevcenko.
terça-feira, 19 de setembro de 2006
PARA REFLETIR
POR Bruno Victor Dela Páscoa Toranzo
O século XX caracterizou-se pelo alto grau de desenvolvimento científico e tecnológico. Nomes que entraram para a história da Humanidade por contribuir para sua evolução como Bill Gates e sua criação, a Microsoft, nasceram no século que passou. Historiadores como Eric Hobsbawn, cientistas políticos como Francis Fukuyama, enfim, formuladores de conhecimento contribuíram de maneira decisiva para o entendimento e aprofundamento das questões relacionadas ao nosso cotidiano. Sem falar nos estadistas, Getúlio Vargas e Franklin Delano Roosevelt mostraram a essência de ser político.
Com o colapso do socialismo na extinta União Soviética, em 1992, e a conseqüente consolidação do capitalismo como sistema econômico único, além do assustador avanço da globalização, as grandes empresas, corporações, aumentaram seu controle sobre o mercado mundial. Um verdadeiro monopólio nas diferentes áreas de interesse humano. Cada pessoa é vista como um consumidor em potencial. Há um forte processo de desumanização cujo objetivo único é o de lucrar, o de tentar, utilizando os veículos de comunicação como a popular televisão, para o consumo.
Os bilhões de pessoas residentes nos países pobres são os maiores prejudicados pela concentração do capital. A impossibilidade dessas pessoas em consumir causa revolta com a situação vigente, levando muitas delas a tentar a vida nos países ricos.
Um bom exemplo de combate ao monopólio foi o que José Serra realizou quando ministro da Saúde do governo Fernando Henrique Cardoso. A quebra de patente dos remédios de combate a AIDS, por meio do desenvolvimento de uma indústria local, nacional, foi estratégia aplaudida pelo mundo inteiro.
segunda-feira, 18 de setembro de 2006
FATO DA SEMANA
POR Bruno Victor Dela Páscoa Toranzo
Quando discutimos a identidade cultural dos países do globo, devemos analisar o bloco dos desenvolvidos diferentemente do dos pobres e emergentes. A globalização aprisiona naturalmente a cultura dos países subdesenvolvidos, submetendo suas populações ao controle das grandes corporações de entretenimento do mundo. Corporações que possuem suas sedes no seleto grupo de nações desenvolvidas. Warner Brothers, FOX e SONY são exemplos clássicos de monopolização no campo do entretenimento. As duas primeiras empresas são de origem norte-americana e a terceira, japonesa.
Os provedores de cultura são justamente essas grandes marcas. Com amplo e fácil domínio do mercado mundial, eles partilham a mesma ideologia, cultuando o atual sistema capitalismo/globalização como alternativa ideal. Os modos americano e europeu de ver e de lidar com a vida chegam às residências de bilhões de pessoas diariamente. Os latino-americanos e os africanos encantam-se com esse estilo de vida, levando alguns deles a abandonar sua região natal.
O fluxo da cultura ocorre de maneira unidirecional, da região Norte do planeta, predomínio de economias fortes e desenvolvidas, para a região Sul, economias em desenvolvimento.
É evidente constatar que cultura virou comércio. A OMC, organização que regula as relações comerciais no mundo, tem como tema de pauta a cultura e a comunicação nos dias de hoje. Dessa forma, a cultura através da utilização do rádio, da televisão, do jornal e de outros veículos de comunicação deixou de ser estratégia do Estado para garantir sua hegemonia. Pelo contrário, o Estado torna-se refém do capital externo que entra por meio das multinacionais.
O restrito acesso à comunicação é problema grave. A informação está disponível, mas apenas uma pequena parcela da população mundial tem condições de consumi-la. A parca presença da Internet e da televisão a cabo nas nações pobres comprova o caráter restritivo da comunicação.
Os brasileiros enfrentam situação delicada. Convivem com a hegemonia hollywoodiana em âmbito mundial e com o controle de determinadas famílias como a Marinho, a Macedo e a Mesquita sobre os veículos de comunicação. São raros os programas que abordem os costumes e tradições nacionais. A Rede Globo de Televisão promove o Big Brother (de origem holandesa) uma vez ao ano. Podemos perfeitamente classificar como aculturados programas como esse. O SBT é a emissora que mais utiliza esse material já pronto, advindo dos países de Primeiro Mundo, em sua grade diária de programação.
A maior cooperação entre os países latino-americanos é forma acertada de combater a forte presença cultural dos países desenvolvidos, encabeçados pelos Estados Unidos. Se o Mercosul não estivesse em frangalhos, com diversos confrontos internos, teria condições de promover transações culturais a exemplo do que é feito economicamente.
quarta-feira, 13 de setembro de 2006
segunda-feira, 11 de setembro de 2006
SAIU NA IMPRENSA
Acompanhe a seguir alguns trechos, retirados da Revista Veja dessa semana:
"Para que não pairem dúvidas: ... (o) Presidente e seu partido (ou deveria dizer ex-partido?) são, inquestionavelmente, os responsáveis por deixar que os piores setores da política ocupem a cena principal, expondo o país às misérias a que todos assistimos indignados".
"Pagar mensalão é crime e como crime deve ser tratado. No caso do mensalão a fonte foi pública. Isso é roubo do dinheiro do povo".
"O próprio Presidente, que é responsável pelos ministros, não tendo atuado para demiti-los nem depois do fato sabido, é passível de crime de responsabilidade. E, mais do que simplesmente corromper pessoas, corrompeu-se uma instituição, o Congresso Nacional. Isso não quer dizer que o sistema eleitoral vigente seja bom ou que não precise ser mudado. Entretanto, apenas culpar 'o sistema' e escapar da responsabilidade pessoal é um sofisma que nada tem a ver com comportamento moral".
"Nós do PSDB não fomos suficientemente firmes na denúncia política de todo esse descalabro no momento adequado. Não será agora, durante a campanha eleitoral, que conseguiremos despertar a população. Mas, para nos diferenciarmos da podridão reinante, temos a obrigação moral de não calar".
quarta-feira, 6 de setembro de 2006
segunda-feira, 4 de setembro de 2006
FATO DA SEMANA
GLOBALIZAÇÃO EXPLICITADA PELA VARIEDADE DE MARCAS E OPÇÕES PARA O CONSUMIDOR
FONTE: Buscador GOOGLE.
Leia na edição dessa semana: A IMIGRAÇÃO REALMENTE EXISTE NO SISTEMA CAPITALISTA GLOBALIZADO DO MUNDO DE HOJE?
FATO DA SEMANA
Em que medida e em que condições seria positivo ou negativo o retorno do imigrante que mora nos grandes centros urbanos à sua cultura?
O retorno a sua terra da população pós-guerra, originária de Papua Nova Guiné, país localizado na Oceania, constitui fato que chamou a atenção da opinião pública mundial. Insatisfeitos com a vida que levavam nos grandes centros urbanos, especialmente em Nova Iorque, essas pessoas resolveram voltar para o modo de vida tranqüilo, sem o controle do tempo, característica principal das grandes nações capitalistas. Pescar, plantar, caçar, enfim, aproveitar da natureza para o equilíbrio mental e físico, caracterizam o dia-a-dia de Papua.
O que leva um imigrante a retornar à sua cultura? No caso do exemplo já dado, o modo de vida completamente oposto ao que levavam influenciou na decisão. Saíram de uma terra com a quase inexistência de recursos tecnológicos, de completa interação com a natureza, para uma de ritmo frenético, de cimento para todos os lados. “Na cidade, somos escravos”. “O dinheiro é secundário para nós”. Esses são exemplos de depoimentos que justificam o retorno à Papua Nova Guiné.
Acontecimentos como esse são cada vez mais improváveis no mundo de hoje. A globalização unificou as culturas, fazendo muitas delas perderem a identidade. As fronteiras entre os países praticamente perderam a razão de existir. Podemos até discutir se realmente existe “imigrante” nos dias de hoje. Reconhecidamente, as pessoas que saem de sua cultura para residir e trabalhar em outra são imigrantes. Mas até que ponto o capitalismo não tornou todos nós imigrantes?
Tomemos como exemplo a parte econômica da história. A mão-de-obra em um país, sobretudo no desenvolvido, é cada vez mais diversificada em termos de nacionalidade. Uma multinacional em que sua matriz fica em alguma grande cidade européia. Porém, por ser uma multinacional, possui filiais em muitos países do globo. O que dizer de seu quadro de funcionários? Apresenta heterogeneidade quanto à nacionalidade. A empresa nomeará trabalhadores para atuar em cada uma dessas filiais. E não vai considerar onde esse trabalhador nasceu. Dessa forma, podemos considerar que o fato de ser imigrante ou não pouco ou nada influi no mercado econômico atual. O importante para as empresas é a contribuição que o trabalhador pode oferecer.
Outra razão que desmascara esse conceito de imigrante é a consolidação dos grandes blocos econômicos no mundo. A União Européia é o mais bem sucedido bloco de comércio entre as nações. Com mais de 30 países, de relações comerciais intensas, com uma moeda única, é impensável dizer a palavra imigrante. Pouco importa se o alemão está vendendo salsichas na França. Ou se o francês está morando e residindo na Itália. O que importa é a interação entre os países para o desenvolvimento de toda região.
Exceção a isso é o caso dos imigrantes de outros continentes do globo. O fato dos turcos procurarem oportunidades de emprego na economia alemã. Ou os argelinos na francesa. Esse tipo de imigração é condenado nas nações desenvolvidas, sob a justificativa de roubar os empregos do povo da localidade, e até existe uma palavra que define essa repulsa aos estrangeiros: xenofobia.
Portanto, imaginar a questão colocada em debate é impossível. Grandes levas de imigrantes jamais retornariam a suas terras, ao seu modo de vida, por estarem intrínsecos ao sistema capitalismo/globalização, a não ser que esses imigrantes fossem de nações menos conhecidas, menos importantes, fora do modelo internacional, praticamente tribais, como é o caso de Papua Nova Guiné.
quarta-feira, 30 de agosto de 2006
ESTATUTO DO PCC
Seus membros devem lealdade ao partido "acima de tudo";
Criminosos em liberdade e boa situação financeira que se "esquecerem" de contribuir com a facção "serão condenados à morte sem perdão;
A prioridade da organização continua sendo aquela que motivou sua fundação: a desativação do Anexo da Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, a que o documento se refere como "campo de concentração";
A facção se compromete, em "coligação com o Comando Vermelho (do Rio de Janeiro), a revolucionar o país dentro das prisões" e tornar-se "o terror dos poderosos, opressores e tiranos que usam o Anexo de Taubaté e o Bangu I do Rio de Janeiro como instrumento de vingança da sociedade na fabricação de monstros".
segunda-feira, 28 de agosto de 2006
FATO DA SEMANA
Watergate. Esquema PC. O que esses dois casos têm em comum? Os dois escândalos foram determinantes para que os presidentes caíssem e ocorreram nos últimos anos.
Richard Milhous Nixon. Presidente dos Estados Unidos de 1969 até 1974. Foi determinante para a retirada das tropas norte-americanas do Vietnã. Os jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein, por meio do jornal The Washington Post, começaram a investigar o assalto do dia 17 de junho de 1972 à sede do Comitê Nacional Democrático, no edifício Watergate, localizado na capital dos Estados Unidos. Os dois repórteres perceberam ligações entre a Casa Branca e o assalto. Hipótese confirmada por uma pessoa conhecida na época como Garganta Profunda (Deep Throat), cuja identidade veio à tona recentemente, trata-se do ex-vice presidente do FBI W. Mark Felt. Garganta Profunda confirmou que aquilo não era um assalto, mas um ato de espionagem do Partido Republicano e que Nixon sabia de tudo. O caso Watergate derrubou o presidente em 1974. O republicano renunciou para não sofrer o processo de impeachment.
Fernando Collor de Mello. Presidente do Brasil durante dois anos até sofrer o impeachment em 1992. Paulo César Farias, o PC, tesoureiro de Collor, era seu principal aliado na arrecadação de dinheiro. Segundo a revista Veja: "No governo, PC usava sua influência junto ao presidente para vender favores. Em troca de milhões de dólares, facilitava a vida de empresas em licitações de obras públicas. Firmas fantasmas foram criadas para emitir notas fiscais frias. O esquema movimentou algo por volta de 350 milhões de dólares". Pedro Collor foi decisivo para a denúncia da corrupção envolvendo seu irmão, depois de desentendimento entre eles.
sábado, 26 de agosto de 2006
PARA REFLETIR
"Ele (Lula) nunca me convidou para tomar um café, o que deveria ter feito, em benefício dos bons costumes políticos (...) O Lula não é uma pessoa de gestos que demonstrem publicamente generosidade política. E ele é muito competitivo, muito mais que eu. Quer ser o primeiro sempre. Eu não tenho nenhum sentimento de raiva e inimizade em relação a ele - talvez ele possa ter comigo -, mas não o qualificaria de amigo. É exagerado". (ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em entrevista à revista PLAYBOY do mês de agosto).
sexta-feira, 25 de agosto de 2006
ESMIUÇANDO A ECONOMIA
QUASE 50% DO PIB DE IMPOSTOS
POR Bruno Victor Dela Páscoa Toranzo
A carga tributária do Brasil alcançou incríveis 37,37% do PIB no ano passado, chegando a mais de 724 bilhões de reais. Trata-se de uma afronta aos cidadãos brasileiros. O volume de impostos em nosso país compara-se ao dos desenvolvidos como a Suíça. Mas há uma enorme diferença. Por lá, nas nações ricas, a população conta com excelentes sistemas de saúde, de educação, de transporte. Ou seja, o montante do imposto é revertido em melhorias para os habitantes.
Uma possível Reforma Tributária visa justamente atacar esse entrave ao desenvolvimento do país. A burocracia enorme existente gerada, principalmente, pela grande quantidade de impostos dificulta a sobrevivência das grandes empresas e a criação de novas.
quinta-feira, 24 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006
POR Bruno Victor Dela Páscoa Toranzo
As eleições estão chegando. Milhões de brasileiros vão às urnas em outubro para escolher seus representantes no comando do país. Os cargos de governador de Estado, deputado estadual e federal, senador e o de maior representatividade da nação, o de presidente, passarão pelo processo democrático.
O povo brasileiro sempre apresentou como característica principal a inconstância no que tange ao interesse político. Ao longo da história de nosso país, variações de interesse são normais. Considero que o ápice da adesão popular a um governo foi durante o de Getúlio Vargas. Adesão que começou tímida em 1930, com a chegada de Vargas ao poder. Porém, o carisma do presidente e suas práticas reconhecidamente populistas conquistaram a confiança da grande maioria dos brasileiros. O brasileiro aprendeu o que é participação na vida política da nação neste período, apesar das gerações posteriores terem esquecido o significado.
A ditadura militar com seus dois partidos “rivais”, o MDB e a ARENA, foi extremamente prejudicial na evolução participativa dos brasileiros na política. A repressão à liberdade de expressão e a redução, anulação em dados momentos, dos direitos individuais assegurados pela Constituição caracterizaram o período. Considerados rebeldes pelo governo da época, José Serra, Luis Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso, entre tantos outros, brilhariam anos depois nos mais importantes cargos políticos do país.
A era da democracia foi inaugurada com a eleição de Fernando Collor de Mello. Pode se dizer que a era da frustração também. O primeiro presidente eleito de forma direta, após anos de ditadura, mostrou-se incapaz de realizar um bom trabalho e junto com seu braço direito, PC Farias, organizaram um bem estruturado esquema de corrupção. A opinião pública exigiu o processo de impeachment, aprovado pelo Congresso em 1992. Os adolescentes de rosto pintado com as cores do Brasil, exigindo o impeachment, foram um dos símbolos da queda de Collor.
Itamar Franco assumiu a presidência. O ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, começou a escrever seu nome na história econômica brasileira. O Plano Real, lançado por ele, mostrou-se um sucesso, recuperando a credibilidade nacional no mundo inteiro. O antídoto contra a alta inflação, pesadelo constante dos brasileiros no começo da década de 90, funciona com primor até os dias atuais, de governo Lula.
Os dois governos de Fernando Henrique Cardoso contaram com boa aceitação popular. No primeiro, essa popularidade foi evidente. Conseqüentemente, com a aprovação da reeleição pelo Congresso, os eleitores apostaram em FHC mais uma vez, dado o excelente trabalho realizado no campo da economia e da responsabilidade fiscal, reconhecido pelos grandes nomes da geopolítica mundial.
Eleições de 2002. Vitória petista. Luis Inácio Lula da Silva subiu a rampa do Planalto, prometendo uma verdadeira revolução social através da diminuição do poder dos banqueiros, dos grandes investidores, e da desigualdade social. Mera ilusão. O ex-metalúrgico apenas se adequou ao cenário econômico internacional, seguindo a brilhante conduta econômica dos tucanos. E a ilusão não parou por aí. Casos e mais casos de corrupção como o mensalão e os sanguessugas baixaram a credibilidade do Congresso Nacional ao nível mais baixo da curta história de nossa democracia. Pelo menos, toda essa tragédia serviu para que os cidadãos se conscientizassem muito mais politicamente, a exemplo do que ocorreu no processo de impeachment em 1992.
Vejamos realmente se o eleitorado aprendeu a exercer o direito do voto com mais responsabilidade. É necessário saber sobre o passado político de determinado candidato, fiscalizando se não tem nenhum envolvimento com a ilegalidade como fraudes e esquemas escusos. Suas propostas durante o mandato também são de extrema importância. Elejamos representantes idôneos e com vontade política para que nossa democracia possa vigorar saudavelmente.
Leitura adicional:
quarta-feira, 23 de agosto de 2006
ESMIUÇANDO A ECONOMIA
Ben Bernanke ocupa posição de destaque no cenário econômico internacional. Ele é o presidente do Banco Central dos Estados Unidos (FED - Federal Reserve). Como sucessor do lendário Alan Greenspan, ícone do capitalismo selvagem norte-americano, Bernanke é o responsável pelas altas e baixas das Bolsas de Valores do mundo inteiro.
Vale lembrar que, diferentemente de nosso país, o FED tem autonomia em relação à federação. O Banco Central brasileiro sofre influência direta do governo federal, é uma instituição pública.
Comandar uma economia tão poderosa como a dos Estados Unidos não é tarefa das mais simples. Qualquer mudança nos planos econômicos do FED, é sentida por todos os países do globo, principalmente os emergentes como o Brasil. Um equívoco na política econômica ocasiona efeitos de crise financeira graves em âmbito mundial. Nas últimas semanas, a expectativa esteve enorme em relação à estipulação da nova taxa de juros dos Estados Unidos. Rumores sobre a mudança deixam o mercado financeiro em pânico, em especial os países de economia mais frágil. Um aumento da taxa significa menor investimento nos países emergentes, os investidores preferirão poupar o dinheiro como forma de se proteger de uma possível recessão.
NOTA: O experiente economista Alan Greenspan ficou por quase vinte anos na presidência do FED. Chegou ao cargo no governo de Ronald Reagan em 1987 e ficou até sua aposentadoria em janeiro deste ano.
segunda-feira, 21 de agosto de 2006
FATO DA SEMANA
A China e a Índia abandonaram o subdesenvolvimentismo e caminham para integrar o seleto grupo dos países de Primeiro Mundo. A expectativa de alguns anos atrás era que o Brasil também estaria nas possíveis economias que se equipariam às dos grandes. No entanto, as crises financeiras, com alto índice de inflação e diminuição da renda do trabalhador, e a instabilidade política atrapalharam o processo.
O bom desempenho da balança comercial, a valorização de nossa moeda frente ao dólar, os índices controlados de inflação e a expectativa de um crescimento econômico razoável este ano despontam como fatores para colocar o Brasil, de volta, aos trilhos do progresso. A comparação Brasil-Índia-China é inevitável por serem os três países mais promissores na atual conjectura econômica mundial.
A população da China equivale a um quinto dos habitantes da Terra, 1,3 bilhão de pessoas. A maioria vive no campo, são camponeses. Desde 1980, o país tem um crescimento econômico de 10%. Já é o quarto maior exportador mundial. O PIB chinês ultrapassa 1,5 trilhão de dólares. O imenso mercado consumidor configura-se como um dos atrativos aos investidores. A mão-de-obra abundante é a responsável pelos baixos salários pagos no país. "As montadoras nos EUA pagam 37 dólares por hora trabalhada, enquanto que na China a hora de um operário do mesmo setor vale 2 dólares", informação retirada do Almanaque Abril. A moeda nacional (yuan) é muito desvalorizada frente ao dólar: a cotação mais recente indica que para comprar 1 dólar é necessário quase 8 yuans. Essa desvalorização torna os produtos chineses mais baratos, tornando-os praticamente imbatíveis no mercado global. Os Estados Unidos e a União Européia entraram com processos na OMC (Organização Mundial do Comércio), acusando a China de medidas protecionistas como manter a moeda desvalorizada para vender cada vez mais sua produção. Desde a chegada do Partido Comunista Chinês (PCCh), liderados por Mao Tsé-tung, ao poder em 1949, o regime autoritário é o vigente no país. As pessoas não têm liberdade para se manifestar e o governo é acusado de violações dos direitos humanos.
O trecho a seguir, retirado da entrevista da revista Veja com o economista indiano Vinod Thomas, datada de 26 de abril deste ano, analisa a situação chinesa: "Parte do sucesso da China tem a ver com o fato do país ainda possuir um regime autoritário, o que facilita a implementação de projetos de nível nacional com grande disciplina. Essa situação, no entanto, é insustentável a médio prazo. Para participar do mercado internacional você tem de ter práticas aceitáveis no resto do mundo".
A Índia, a exemplo da China, também ultrapassou a barreira de 1 bilhão de habitantes. A economia cresce cerca de 6% ao ano e o motivo principal é a força do seu mercado de alta tecnologia, destacando-se como o maior exportador de softwares do mundo. O PIB (dados de 2003) indiano corresponde ao montante de 570 bilhões de dólares. A educação, através do investimento apenas na educação superior, é a principal justificativa para o grande desenvolvimento. A fórmula de investir apenas na melhoria do ensino superior foi importante na geração de mão-de-obra para as empresas de alta tecnologia, porém não contribui em nada para a melhora da educação como um todo, não combatendo a essência do problema, o analfabetismo. Com uma renda per capita baixíssima (440 dólares) e uma taxa de analfabetismo assustadora (na casa de 40%), o grande desafio para chegar à classificação de potência é a inclusão social. Inclusão de 250 milhões de pobres, um Brasil inteiro de miseráveis.
Thomas, quando indagado sobre o porquê do otimismo com o Brasil, revelou: "China e Índia terão de fazer revoluções para implantar a democracia e erradicar a pobreza. Os desafios do Brasil são muito mais simples".
O Brasil possui realmente menores desafios para chegar ao tão sonhado seleto grupo. Investimento maciço na educação como fez a Coréia do Sul é imprescindível. O Ministério da Educação precisa se conscientizar que ensino de qualidade não é só para o ensino superior e dividir mais igualmente o investimento. A inclusão digital nas escolas com professores treinados para utilizar os recursos virtuais em suas aulas, facilitando o ensino, é uma boa estratégia para a melhora da educação. As Reformas Política, Previdenciária e Tributária precisam ser votadas no Congresso. A Reforma Política traria mais transparência às nossas já sólidas instituições públicas, eliminando males enraizados como o caixa 2 e os privilégios parlamentares, aperfeiçoando os mecanismos democráticos. A Reforma Previdenciária seria importante, entre outros fatores, para diminuir o déficit que atinge 5% do PIB do país. A Reforma Tributária aliviaria a carga de impostos sobre os brasileiros e diminuiria a burocracia, a lerdeza em abrir uma empresa, por exemplo. A diminuição do tamanho do Estado, controlando e cortando os gastos, contribuiria para o controle da dívida interna. A concentração de renda seria combatida, não por projetos de ajuda social, mas por uma política de crescimento sustentado da economia, criando milhões de empregos e possibilitando que cada pessoa conquiste seu espaço na sociedade.
sábado, 19 de agosto de 2006
PARA REFLETIR
"Erradicar a pobreza custa pouco e traz vantagens para o País. Em 20 anos completaremos dois séculos de independência. Quando os americanos comemoraram o bicentenário, já tinham mandado 12 homens à Lua, vencido guerras, eram a maior economia do mundo, tinham educado quase todas as crianças, não havia fome". (Cristovam Buarque).
sexta-feira, 18 de agosto de 2006
ESMIUÇANDO A ECONOMIA
O antagonismo das duas classificações desafia os estudiosos a definir qual o melhor caminho a ser seguido por uma nação. A resposta não existe. Talvez, nunca apareça solução para essa dúvida.
A lógica capitalista atual orienta-se pela visão ortodoxa/associada. Associada ao capital externo. O capitalismo liberal ortodoxo transforma em dogma as regras do capitalismo clássico. Defende a não intervenção do Estado na economia, ou seja, aprova, entre outros pontos, a desestatização. A livre-iniciativa é o regime motor do progresso. A política do Banco Central brasileiro de manter a taxa de juros SELIC alta, não gastar mais do que arrecada e procurar diminuir o tamanho do Estado, controlando as despesas e os investimentos, são medidas ortodoxas. O ortodoxo (conservador) não adota medidas de cunho nacionalista. O nacionalismo econômico é prejudicial por afastar os investidores. Os liberais não querem populistas no governo por representarem uma ameaça aos seus interesses. O populista tem o povo em suas mãos, além de desrespeitar as regras do capitalismo internacional. Em nome de estabilidade econômica (controle da inflação, menos risco de uma crise econômica grave), países em desenvolvimento como o Brasil, sacrificam os investimentos na parte social, ocasionando concentração de renda e miséria. O principal beneficiado dessa linha econômica são os bancos, com lucros recordes todos os anos. Considerando o histórico de desenvolvimento dos países do globo, é interessante notar que o capitalismo ortodoxo só obteve êxito em países desenvolvidos, já que os em desenvolvimento precisam do Estado para dirigir o investimento.
Por outro lado, estão os heterodoxos/nacionalistas. Aceitam o capital estrangeiro, mas sob certas restrições. Os setores básicos precisam ser estatais, precisam receber investimento estatal. Para investir, o Estado naturalmente interfere na economia, ferindo assim o neo-liberalismo. A Petrobras foi criada em 1953, pelo governo Vargas, e é um exemplo clássico de estatal. A riqueza que países em desenvolvimento como o Brasil produzem não se reduzem ao capital estrangeiro que se instala em suas terras. Os grandes investidores que concentram seu dinheiro em países em desenvolvimento já encontram um grande mercado consumidor como o indiano, mão-de-obra barata e abundante como o chinês e matéria-prima à vontade como a brasileira.
A classe média brasileira apóia os liberais por temer governos semi-ditatoriais como o de Chávez na Venezuela, e o de Morales na Bolívia. Teme também a volta da inflação e das crises cambiais. Com um contingente maior que a população do Chile ou do Uruguai, o posicionamento da classe média é fundamental no Brasil. Ela é responsável pelos resultados das eleições, apontada como a principal consumidora e a mais formadora de opinião entre as classes sociais.
No Brasil, a política econômica não varia. O governo de Luis Inácio Lula da Silva é o maior exemplo disso. O PT defendia, na década de 80, medidas extremamente heterodoxas como o fim do pagamento da dívida externa. Porém, quando chegou ao poder não pôde colocar em prática sua visão heterodoxa para a economia do país. A principal justificativa para a estagnação de propostas novas, no que tange as estratégias de desenvolvimento econômico, está na imposição do mercado internacional de um mesmo modelo para todos os países do planeta. Esse modelo é facilmente visualizado nos países de Terceiro Mundo, visto que as monstruosas dívidas externas e a necessidade das multinacionais aprisionam o governo, levando-o a aceitar quaisquer exigências dos grandes investidores.
quinta-feira, 17 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006
Proíbe o uso de outdoors para propaganda eleitoral;
Proíbe a distribuição de bonés, camisetas e brindes pelos políticos;
Não permite mais showmícios para promover candidatos;
Há a obrigatoriedade de divulgar ao público gastos e recursos da campanha. Esta prestação de contas deve ser divulgada pela internet;
Doação em dinheiro está proibida. Deve ser por cheque cruzado e nominal ou transação eletrônica;
Candidato é responsável pela veracidade dos dados financeiros de sua campanha.
Ainda, não serão colocados em prática nas eleições do final do ano:
É proibida a divulgação de resultados de pesquisa de intenção de voto a partir de 15 dias antes da eleição e até as 18 horas do dia de votação;
Lei estabelece limite de gastos de campanha. Todos os partidos terão o mesmo limite de gastos de campanha.
quarta-feira, 16 de agosto de 2006
"ESTATUTO DA DESIGUALDADE RACIAL"
- PARA SABER MAIS: Leia a matéria abaixo sobre o Estatuto da Igualdade Racial.
"ESTATUTO DA DESIGUALDADE RACIAL"
A escravidão acabou por volta de 1888, as pessoas mudaram, o pensamento mudou, a forma de organização tornou-se democrática. Não podemos culpar a população brasileira atual pelos erros cometidos por uma minoria detentora do poder no passado. O Apartheid na África do Sul e Leis Raciais na Alemanha nazista e nos Estados Unidos são exemplos trágicos dessa política de promoção racial.
Como de praxe, o governo procura a forma mais fácil e imediata para a resolução dos problemas. Apresentamos profunda desigualdade de renda, temos milhões de crianças analfabetas ou semianalfabetas, a pobreza reina absoluta em determinados cantos, tudo isso é verdade, mas a adoção de medidas como o Estatuto não combate efetivamente os males ao longo do território brasileiro.
Espero o bom senso dos deputados na refutação desse projeto de lei que poderia muito bem ser chamado de "Estatuto da Desigualdade Racial".
segunda-feira, 14 de agosto de 2006
FATO DA SEMANA
AS DROGAS E AS CRIANÇAS DE RUA
FONTE: Livro de Gilberto Dimenstein. Foto de Paula Simas. A GUERRA DOS MENINOS - ASSASSINATO DE MENORES NO BRASIL.- Leia a reportagem do FATO DA SEMANA: O desigual sistema capitalismo/globalização.
FATO DA SEMANA
UMA VIDA COMPROMETIDA
FONTE: Livro de Gilberto Dimenstein. Foto de Paula Simas. A GUERRA DOS MENINOS - ASSASSINATO DE MENORES NO BRASIL.FATO DA SEMANA
POR Bruno Victor Dela Páscoa Toranzo
Para abordar o contexto da globalização, é fundamental que deixemos claro sua relação de intimidade com o capitalismo. Capitalismo e globalização caminham juntos e influenciam de maneira diferente os três grandes blocos de países do mundo. Classifico conforme o poderio financeiro, o tamanho da economia e a importância dela no mercado mundial. São três os blocos: o dos países ricos, desenvolvidos, o dos emergentes, em desenvolvimento, e o dos pobres.
De acordo com o dicionário Houaiss da língua portuguesa, globalização é o “processo pelo qual a vida social e cultural nos diversos países do mundo é cada vez mais afetada por influências internacionais em razão de injunções políticas e econômicas”. É importante destacar que o seleto grupo de nações desenvolvidas impõe, em razão de sua força econômica, seu modo de vida, seus valores, enfim, sua cultura, aos países pobres e emergentes como o Brasil. A globalização, portanto, parte dos países ricos, passando pelos em desenvolvimento e chegando aos pobres, determinando o grau de dependência entre os próprios governos.
O discurso consumista integra o sistema capitalismo/globalização, excluindo parcela significativa da população mundial por não ter poder de compra. A conseqüência dessa exclusão é imperceptível nos países de Primeiro Mundo como os Estados Unidos, o Japão e a Alemanha, pois a população tem condições de consumir as novidades tecnológicas, trazidas pelas importantes corporações. Fato que não ocorre nos países considerados pobres e emergentes cuja parcela considerável dos habitantes mal tem o que comer. E aqui reside o principal problema da globalização. Essa agrava a desigualdade social e contribui para o aumento da violência.
Tomemos como exemplo nosso país para representar o quanto as nações, fora daquele seleto grupo já mencionado, sofrem. Uma pequena porcentagem de brasileiros tem condições financeiras de alimentar o mercado globalizado, adquirindo os últimos lançamentos do mercado. Porém, as propagandas sobre esses novos produtos estão em toda parte. Na televisão, nos jornais, nas revistas, nos outdoors, onde quer que você esteja, será tentado para comprar. A obsessão por consumir, trocando com regularidade o carro ou comprando o maior número de calçados possíveis, passa a ser prioridade na vida em sociedade.
No documentário “Falcão – Meninos do tráfico” (retrata a vida dos jovens das favelas brasileiras que trabalham no tráfico de drogas), é facilmente perceptível, através dos depoimentos das crianças, um dos principais motivos pelos quais ingressam na vida do crime. Como a sociedade não dá boas oportunidades a eles, chances de progredir, os meninos utilizam esse argumento para entrar na criminalidade. Não entendem o porquê de não poderem ter aquele tênis, aquela moto ou aquela camisa que aparece todos os dias nas propagandas no horário nobre da televisão. Portanto, o objetivo principal da globalização, o de “educar” a pessoa desde criança a consumir o que de mais novo há, não faz parte do cotidiano de milhões de brasileiros.
Não é possível afirmar com convicção que em países socialistas essa tentação da globalização não ocorre. Considerando como exemplo o modelo socialista combalido de Cuba, ainda que Fidel Castro mantenha seu povo longe das investidas capitalistas, muitos cubanos renderam-se à vida democrática, repleta das tentações nas quais estamos acostumados. Grande parte deles reside hoje em Miami nos Estados Unidos, desfrutando de uma vida confortável, longe do controle castrista.
Como o sistema capitalismo/globalização está intrínseco à ordem mundial atual, os países pobres e emergentes precisam criar condições como a educação de qualidade e a geração de empregos, por meio do crescimento sustentado da economia, para que a população, ainda não inserida nesse contexto consumista, possa entrar rapidamente nele. O sistema capitalismo/globalização não tem planos para os que não têm poder de compra, condições de consumir, estão interessados apenas nos lucros exorbitantes que atingem em esfera global todos os dias.
sábado, 12 de agosto de 2006
PARA REFLETIR
"Todas as nossas sondagens apontam que o crescimento brasileiro dificilmente será superior a 3,5%. E o mundo de novo vai andar na casa de 5%, enquanto os emergentes saltaram para 7%. A China já bateu em 11%. No Brasil, a política de juros é responsável pela valorização cambial, que rouba a nossa competitividade. Esse câmbio nos castiga". (Paulo Skaf, em entrevista à revista ISTOÉ Dinheiro).
sexta-feira, 11 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006
PARCA PRESENÇA POLÍTICA FEMININA
POR Bruno Victor Dela Páscoa Toranzo
Analisando o cenário político das Américas, percebemos a quantidade de mulheres que desempenham um papel de destaque em seus países. A secretária de segurança Condoleezza Rice, braço direito de Bush, é a responsável, entre outras tarefas, pelas negociações de paz no Oriente Médio. A senadora Cristina Fernández de Kirchner, esposa do presidente argentino, galga, já para as próximas eleições, o cargo de maior relevância na hierarquia política, a presidência. Enquanto que a socialista moderada Michelle Bachelet já conseguiu esse objetivo e é a representante maior do povo chileno.
Quando pensamos na participação da mulher na atual vida política brasileira, lembramos prontamente da candidata à presidência, Heloísa Helena. No segundo momento, nomes como a juíza e deputada federal Denise Frossard, a ex-governadora de São Paulo Luisa Erundina, além da governadora do Rio de Janeiro Rosinha Garotinho, vêm facilmente à cabeça.
Porém, nas eleições de outubro, as mulheres serão minoria na concorrência pelos cargos públicos. Na disputa por uma vaga para deputado federal, apenas 12% de cerca de 5000 candidatos são mulheres. O gráfico abaixo, retirado da revista VEJA de algumas semanas atrás, aborda justamente essa fraca participação feminina:
















































