quarta-feira, 30 de abril de 2008

ECONOMIA

Viva a elevação do grau de investimento
POR Bruno Victor Toranzo

Finalmente, atingimos o grau de investimento. O tão esperado momento chegou. Deveríamos sair às ruas para soltar rojões e fazer literamente a festa. Somos agora considerados totalmente confiáveis pelo mercado internacional.

A agência de rating Standard&Poor´s elevou o Brasil para o seleto grupo dos países com pouco risco de calote da dívida. O principal benefício está na invasão, ainda maior, do capital especulativo estrangeiro. Digamos que a Bovespa receberá uma enxurrada ainda maior de moeda estrangeira. O dólar, por exemplo, está caindo fortemente.

Os megainvestidores estrangeiros, já otimistas com as perspectivas de nossa bolsa, não hesitarão em despejar mais dinheiro por aqui. Eles vão correr para aproveitar as oportunidades do nosso rentável mercado.

A ortodoxia, tão criticada pelos petistas no passado e usada por eles mesmos atualmente, foi responsável pela nova classificação. O combate severo à inflação e a diminuição lenta, mas gradual, da dívida pública foram fatores que pesaram para a decisão.

Vou trazer todos os detalhes nos próximos dias.

terça-feira, 29 de abril de 2008

PARA REFLETIR

O futuro nebuloso de uma sociedade doente
POR Bruno Victor Toranzo

Somos surpreendidos pela violência diariamente. A criatividade dos crimes impressiona. O "pudor" virou sentimento desprovido de significado. Maldade. Perversidade. Crueldade. Esse trio domina a cena.

Claro que assassinatos sempre ocorreram. O ato de matar, seja lá por qual motivo, é considerado recurso para alguns. O grande problema é que está em vigência uma grande deturpação dos valores humanos. Além de não haver motivo para matar, a não ser o próprio prazer, conceitos considerados sagrados no passado, como a idéia de família, estão se perdendo, sumindo gradualmente. Tudo isso começa no importante período que compreende a infância e adolescência.

Uma pesquisa, realizada no Reino Unido, apontou que mais de 20% dos jovens britânicos entrevistados chegam a se autoflagelar, como forma de aliviar o estresse e amenizar os efeitos da depressão. Um exemplo do reflexo desses distúrbios sentimentais está em jovens invadindo universidades para atirar em seus colegas de classe. Ocorrido muito freqüente nos Estados Unidos.

O pior deles aconteceu, no ano passado, na Universidade de Virginia Tech. Um estudante sul-coreano matou trinta e dois alunos a tiros, antes de cometer suicídio. A dificuldade de relacionamento do jovem asiático com os outros alunos foi a maior motivação para o crime.

A sociedade americana é a mais rica, influenciadora das demais, e, ao mesmo tempo, extremamente adoecida. Não uso a palavra “doente” de forma pejorativa para desmerecer os americanos. Todos nos encontramos na mesma situação.

Apesar de termos à disposição facilidades tecnológicas e muito dinheiro em circulação pelas praças financeiras, não sabemos utilizar nada disso para o bem geral. Talvez, como defendido pela minoria, a tecnologia e o dinheiro sejam os grandes fatores de todo desvio. Não vou entrar nessa discussão. Essa é a maneira pela qual as sociedades se organizam. Temos de encarar essa estrutura e utilizá-la da melhor forma possível.

Depois do covarde assassinato da menina Isabella, outra notícia invadiu a mídia. Um pai austríaco prendeu a filha por 24 anos no porão de casa. Ela servia como escrava sexual e engravidou sete vezes do próprio pai. Alguns de seus filhos nunca saíram do porão. Eles cresceram sem ao menos ver a luz do sol. A mãe, mesmo morando no mesmo teto, pensou, durante todos esses anos, que a filha havia fugido.

Não dá para entender. A mente humana é um mistério. Algumas pessoas são capazes de atos horríveis. A grande dúvida fica por conta da influência da maneira como vivemos no universo mental das pessoas. Esses fatores modernos, destacando a pressão constante por resultados e a necessidade de adequação ao meio, poderiam potencializar a perversidade das pessoas?

Não existe resposta exata para essa pergunta. Ao mesmo tempo, também é impossível saber para onde caminhamos. Caso consideremos os diversos tristes exemplos lembrados, o futuro não nos reserva tranqüilidade. O que tenho certeza e posso afirmar é que existe algo errado. Não é normal um pai engravidar a filha, uma menina morrer surrada e um jovem atirar em seus companheiros de universidade. Estamos, sim, todos nós, alguns em maior grau, outros em menor, doentes com os efeitos da modernidade.

Caso do incesto austríaco:

http://www.nytimes.com/2008/04/29/world/europe/29austria.html?ref=world

Pesquisa com os jovens britânicos:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u395574.shtml

O crime da menina Isabella:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u396671.shtml

segunda-feira, 28 de abril de 2008

ECONOMIA

A costumeira incerteza da economia argentina
POR Bruno Victor Toranzo

A queda do ministro da economia argentino é um bom demonstrativo do período de instabilidade dos nossos vizinhos. Mergulhada em uma inflação acima de 20% ao ano, número contestado pelo próprio governo, a Argentina está, sem dúvida, em caminho tortuoso.

E a própria presidente sabe muito bem disso. Cristina Kirchner conseguiu se eleger com facilidade. Não por mérito próprio. Ela simplesmente aproveitou a popularidade de seu marido. Néstor Kirchner assumiu o comando do país, em meio à instabilidade geral, no ano de 2003. O seu maior feito, claro, foi tirar os argentinos do buraco.

A economia argentina, desde então, cresce em ritmo chinês. Sua capital, Buenos Aires, parece um canteiro de obras. O bairro de Puerto Madero é um bom exemplo. Essa região foi toda revitalizada e virou uma das principais atrações da capital. Além de ser um lugar turístico, já virou um importante centro comercial. Os edifícios moderníssimos se encontram por lá. Por falar nisso, o metro quadrado se tornou um dos mais caros do país.

Apesar da aparente pujança econômica, os argentinos estão tendo de conviver com uma inflação, no mínimo, preocupante. Como citado no primeiro parágrafo, o índice não-oficial chega aos 25%. Digo não-oficial, porque o do governo não merece credibilidade alguma. Isso porque aponta para taxa de um dígito apenas, muito longe da realidade.

Uma das razões, assim como no Brasil, deve-se à impossibilidade da produção seguir o aumento do consumo. As pessoas estão consumindo em maior quantidade do que a capacidade das empresas de produção. Os gastos públicos são apontados como outro importante motivo.

O governo argentino diz que não vai sacrificar o crescimento para reduzir a inflação. O aumento dos juros representaria uma diminuição de praticamente 2% na expectativa de crescimento para esse ano, chegando ao patamar parecido do Brasil, por volta dos 5%.

Vivemos dilema parecido. O Banco Central optou pelo aumento dos juros. Competente opção. A inflação é uma praga que pode arrasar a futura colheita do desenvolvimento.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

VÍDEOS



Sucesso do YouTube. Milhares de visualizações para esse vídeo do jornalista Arnaldo Jabor. Ele descreve o significado do sexo ao longo do tempo, considerando os fatores sociais e econômicos. Quando chega aos nossos dias, o comentário fica ainda mais engraçado. Um bom humor sempre inteligente e bem preparado.


FONTE: YouTube

quinta-feira, 24 de abril de 2008

A POLÍTICA COM BOM HUMOR

A constante metamorfose de Lula
POR Bruno Victor Toranzo

O recém-eleito presidente do Paraguai, Fernando Lugo, concentrará sua atenção, como um dos primeiros objetivos de seu governo, na renegociação do preço da energia elétrica direcionada para o mercado brasileiro.

Em 2007, o Brasil pagou US$ 340 milhões aos paraguaios. De acordo com o tratado de Itaipu assinado pelos dois países, em 1973, paraguaios e brasileiros são donos da usina e têm direito a 50% cada um da energia produzida. Porém, nosso vizinho usa apenas 5% dessa cota, vendendo o restante para nós.

Sem dúvida que o bispo Lugo tem seu mérito ao ter tirado os colorados da presidência, uma direita retrógrada e perversa que se mantinha há impressionantes 61 anos seguidos no comando do país.

E não é surpresa alguma a intenção energética de Fernando Lugo. Tal comportamento virou moda no continente. A exemplo da Bolívia com o gás natural e da Venezuela, com o petróleo e a PDVSA, os paraguaios não deixariam de embarcar nessa. A diferença, por enquanto, é que Lugo não ameaçou suspender o fornecimento de energia elétrica para nosso país. Menos mal. Talvez, ele não trabalhe com esse tipo de possibilidade. Espero que continue assim. A discussão do contrato em vigência não é pecado algum, mas rasgá-lo e desconsiderá-lo por completo é uma agressão imperdoável.

Aliás, é incrível como a América do Sul deixou para trás a tradição direitista para embarcar definitivamente no outro lado da corrente. Isso mostra o quanto o modelo neoliberal de Estado, com enxugamento completo dos gastos e prejuízo para a população, falhou nos países da região. É possível, sem maiores questionamentos, considerar a ascensão dos líderes populistas, encabeçados por Chávez, uma resposta à ortodoxia de Washington.

Diria que não uma resposta, mas a busca por um sistema verdadeiramente justo e eficaz, algo que simplesmente não existe e nunca vai existir. Tanto é que essa escolha até agora não justificou a esperança depositada pelo povo sul-americano. Evo Morales, Hugo Chávez e Rafael Correa se mostraram ineficientes com interesses voltados exclusivamente para si mesmos. Uma pena.

E Lula? Não esqueci dele não. Classificar o comportamento de Lula é um desafio. Não se parece com nenhum dos elementos citados acima. Ao mesmo tempo, também não tem o conservadorismo de Álvaro Uribe. O presidente do Brasil não tem estilo definido. Ele se metamorfoseia, como na obra de Franz Kafka, conforme a maré. Esse é seu diferencial. Durante os comícios, retorna aos tempos de operário. Em reuniões internacionais ou festas glamurosas, adota posicionamento de empresário, apesar de suas deficiências educacionais não permitirem a completa transformação nesses casos.

Sem falar das épocas de crise do governo. Aquelas protagonizadas por mensaleiros e sanguessugas. O silêncio predomina no comportamento do presidente. O gato literalmente engole sua língua. Nos raros momentos de conversa, ele diz que não sabe de nada. Por outro lado, as pesquisas de aprovação do governo mudam radicalmente sua personalidade. Com os sempre excelentes números (gerando minha perplexidade), não há quem segure o presidente e as suas conseqüentes bobagens. Feliz e satisfeito, as pérolas saem com facilidade.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

VÍDEOS



Com estilo bem conhecido de opinião, fundamentado no bom humor e em doses de ironia, o jornalista Arnaldo Jabor comenta a forma de governar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dotado de grande aprovação, o presidente Lula deita e rola em seu governo. No jornal da Globo, do dia 28 de março deste ano, Jabor descreve as últimas peripécias do presidente e tenta explicá-las.


FONTE: YouTube

terça-feira, 22 de abril de 2008

SOBRE A IMPRENSA

Morte aos juros nominais
POR Bruno Victor Toranzo

A revista Veja dessa semana trouxe um artigo muito interessante de autoria do experiente administrador Stephen Kanitz. Localizado mais precisamente na seção Ponto de Vista, o texto explora um erro comum do jornalismo econômico. Partindo desse tão presente equívoco, discute toda cobertura econômica da grande imprensa.

Um marco da história. Essas foram as palavras de Kanitz em relação à manchete do dia 19 de março deste ano do jornal Folha de S. Paulo. “Juro real dos EUA fica negativo com o sexto corte seguido”. Apesar de bem observado, houve um engano. Na verdade, o jornalista Carlos Alberto Sardenberg, durante o Jornal da Globo do dia anterior, destacou, em um simpático gráfico, a situação dos juros negativa. A palavra “marco” implica necessariamente “pioneirismo”. Dessa maneira, Sardenberg foi o verdadeiro autor do marco.

Aliás, publiquei esse mesmo vídeo, um trecho do referido jornal da Rede Globo de Televisão, na quinta-feira passada, como forma de explicar a crise dos Estados Unidos e destacar o agora famoso juro real negativo.

Compreendo que não deve estar entendendo quase nada, meu leitor. Explicarei melhor. A maior parte da imprensa erradamente sempre traz para você um valor correspondente à taxa de juros chamado pelos economistas de nominal. Sua principal característica é não considerar o índice de inflação.

Vou dar um exemplo. O Banco Central aumentou os juros em 0,5%, chegando aos 11,75% ao ano. Uma rentabilidade para os investidores que aparenta ser muito maior do que a realidade. Caso a inflação seja descontada, por volta de 4,75%, chegamos aos 7%, ainda assim muito interessante para a compra de títulos públicos.

Explicação adicional é mais do que necessária. A dívida pública é calculada em função da taxa básica de juros (essa daí que estamos falando). O governo transforma sua dívida em vários e vários títulos que serão negociados com a taxa de juros determinada pelo Banco Central.

Paralelamente, analisemos a situação dos Estados Unidos. Os juros estão caindo e muito por lá. Desde a explosão da crise, um dos mecanismos de tentativa de contenção da instabilidade é a redução dos juros. Hoje, o valor nominal encontra-se em 2,25%. Atente-se para o nominal, por favor. Vamos agora subtrair a inflação dos últimos 12 meses, de 2,3%, para chegarmos ao valor negativo de 0,05%. Exatamente. Um valor negativo de juros. Lanço a seguinte pergunta de dificílima resposta: vale a pena comprar títulos públicos americanos?

O que se percebe, principalmente no último caso, é a facilidade de confusão entre nominal e real. Seria mais fácil, inclusive, abortar a taxa nominal. Ela atrapalha, não serve para nada, a não ser que exista o objetivo irresponsável de tapear o leitor.

Quero outra comparação. Tenho certeza que facilita a compreensão. Considere, mais uma vez, o valor nominal da taxa de juros dos Estados Unidos. Os títulos públicos a 2,25% não constituem mau negócio, já que são conhecidos pela excelente liquidez (facilmente transacionáveis) no mercado.

Por outro lado, os juros reais, realmente verdadeiros, apontam para o pior dos negócios. Simplesmente o investidor estará financiando a dívida de um país sem cobrar juros. Pior do que isso: a cada mês, mantida a taxa atual, exato 0,05% do patrimônio investido também virará pó.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

ECONOMIA

Ixi! Os juros subiram. E agora?
POR Bruno Victor Toranzo

Apesar da alta de 0,5% na taxa básica de juros, durante reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) realizada anteontem, o mercado não se voltou tão raivosamente aos poderosos do Banco Central. Só se viu de verdade alguns estudantes, em Brasília, pedindo o não aumento. O que se observou foi uma aceitação representativa da decisão, de caráter claramente ortodoxa, pelos diretamente envolvidos, desde economistas e outros profissionais da área até a própria bancada política.

O fato é que o grupo, comandado pelo presidente do BC, Henrique Meirelles, não titubeou para adicionar meio ponto percentual de uma só vez. A expectativa era de metade disso. Agora, os juros nominais estão em 11,75% ao ano ou, caso prefira, considere a inflação para chegar ao valor real de 7%. Em termos reais, o Brasil tem a maior taxa básica de juros do planeta. Caso a inflação seja desconsiderada, a Venezuela, com 17,8%, e a Turquia, com 15,3%, tomam o posto.

Como sabido, a inflação foi a grande razão para o aumento após três anos consecutivos de cortes. O temor ao risco de sua volta fez com que o próprio crescimento ficasse em segundo plano. Preocupação muito válida. Não podemos deixar o vilão inflacionário se agigantar. Se isso ocorresse, o crescimento sustentável ficaria seriamente comprometido por anos a fio. Sem dúvida que a elevação dos juros é o único remédio imediato disponível. Não há problema em aumentá-lo para afastar qualquer ameaça.

Obviamente a melhor saída está no aumento da capacidade produtiva. Porém, essa é uma solução estrutural e não emergencial como os juros. Uma alternativa que precisa de muito mais tempo. Construir uma fábrica não acontece de um dia para o outro. Aliás, nem existe garantia efetiva do aumento da capacidade de produção. As empresas automobilísticas, por exemplo, estão receosas em expandir suas instalações. Temem que seja apenas um pequeno surto de crescimento, como aconteceu em outros momentos do passado brasileiro.

A grande questão se relaciona com as mudanças que a nova taxa de juros traz para o país. Além do combate ao risco inflacionário, comentado anteriormente, ela motivará a entrada do capital estrangeiro especulador.

George Soros, Warren Buffett e outros grandes investidores direcionarão seu capital para o mercado brasileiro. Uma das alternativas será comprar os famosos títulos públicos e lucrar com os altos juros praticados por aqui. O capital deles também poderá tirar período de férias na pulsante bolsa brasileira, apostando (por que não?) nos papéis dos bancos, com excelente previsão de crescimento da concessão de créditos.

Os dólares, ao entrar no país, serão convertidos em reais, fortalecendo ainda mais nossa moeda. Verdadeiro pesadelo para os exportadores. Dessa maneira, a balança comercial continuará em movimento de desequilíbrio, com maior destaque para o crescimento das importações e a queda dos valores referentes às exportações.

Essa é uma visão do que provavelmente acontecerá com o cenário macroeconômico. Quanto aos investidores comuns, como eu e você, poucas alterações devem acontecer. Além dos empréstimos ficarem mais caros, devemos evitar as ações relacionadas ao varejo, queda relacionada à redução, mesmo que tímida, do crédito, bem como algumas empresas exportadoras, a exemplo da Embraer. Não vale a pena também direcionar a maior parte dos investimentos para os famosos fundos DI de renda fixa, aqueles cuja rentabilidade acompanha a taxa de juros. A razão para não apostar neles está na provável valorização, ao longo desse ano, de mais de 30% do Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

SAIU NA IMPRENSA

Carlos Alberto Sardenberg comenta a crise econômica no Jornal da Globo, do dia 18 de março. Apesar de relativamente antigo, o experiente jornalista resume bem toda situação. Além disso, ele destaca, por meio de gráficos, a queda acentuada da taxa de juros norte-americana. Descontada a inflação, considerando, portanto, os juros reais, percebe-se índice negativo. Isso explicaria a fuga de capitais dos Estados Unidos para a Europa (não diminuiu os juros com medo da inflação) e os emergentes.


Veja o vídeo:
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM804789-7823-SARDENBERG+COMENTA+A+CRISE+AMERICANA,00.html

VÍDEOS



Último vídeo do jornalista Marcelo Tas em terras chinesas. O assunto agora é a pirataria desenfreada existente por lá. Algo que os chineses têm a capacidade de exportar. É só verificar a quantidade de contrabandistas do gigante oriental atuando por aqui. Acompanhe a reportagem repleta de bom humor, característica notável do flexível Tas.


FONTE: YouTube

quarta-feira, 16 de abril de 2008

ITÁLIA

O gigante desafio de Berlusconi
POR Bruno Victor Toranzo

Não dei nos dias anteriores, mas Silvio Berlusconi é o novo premiê italiano. O bilionário de direita venceu as eleições e cumprirá seu terceiro mandato (1994-1995/2001-2006) com a promessa de colocar a economia nos eixos.

E precisará de muito trabalho. Os italianos sofrem com uma taxa de desemprego de 6%, referente ao ano passado, mesmo que seja considerada média na comparação com os outros países da União Européia. Os alemães, só a título de comparação, possuem 8,4% da população economicamente ativa desempregada. A Grécia tem quase a mesma porcentagem, também acima dos 8%.

Todos os dados citados até aqui e os que virão foram retirados do relatório World Economic Outlook divulgado, semana passada, pelo Fundo Monetário Internacional.

Porém, a maior preocupação dos italianos está no pífio crescimento do PIB. Com variações que não passam da casa do 1%, nos últimos anos, a crise econômica geral deve recuá-lo, em 2008, para próximo de zero. Dessa maneira, como nunca antes, os esforços de Berlusconi precisam se voltar efetivamente para a melhora das condições de vida do país.

Isso porque o influente empresário, nas duas vezes anteriores que ocupou o almejado cargo de primeiro-ministro, só se preocupou com seus próprios interesses. Que ele não se concentre excessivamente na tentativa de contratação do brasileiro Ronaldinho Gaúcho, em péssima fase, para seu time, o AC Milan.

Em publicações futuras, trarei com mais detalhes a atual situação econômica italiana. Não percebi devida cobertura da grande imprensa sobre o tema. É importante destacar a decadência que se instalou causada, em grande parte, pela completa instabilidade política aparentemente enraizada. Mais de 60 governos diferentes passaram desde o período da Segunda Guerra Mundial.

Editorial do The New York Times:

terça-feira, 15 de abril de 2008

SOBRE A IMPRENSA

Jornalistas: Por que não conversar sobre ética?
POR Bruno Victor Toranzo

O jornalista Eugênio Bucci discute os meandros da profissão, com linguagem fácil e atraente, no livro “Sobre Ética e Imprensa”. Através de uma análise minuciosa da imprensa, o ex-presidente da Radiobrás, agência que opera as emissoras de rádio e televisão ligadas ao governo federal, evidencia os pecados e vícios comuns da atividade jornalística.

Esse conhecimento aprofundado da imprensa é de interesse da sociedade. O jornalismo só funciona se existir verdadeira interação entre os profissionais da área e a população. Aliás, a função de nós, jornalistas, é fiscalizar quem quer que seja, buscando sempre um ambiente de interação social mais justo e equilibrado.

Tal transparência costuma ser esquecida. É justamente nesse esquecimento que reside um dos principais pontos da obra. Bucci relembra a clássica divisão entre Igreja e Estado nas relações entre o campo publicitário e o universo jornalístico. Quando analisados somente do ponto de vista teórico, esses dois objetos são facilmente diferenciados. Porém, na vida real, não é bem assim que funciona.

O maior pecado de um veículo de comunicação é não separar essas duas áreas. A exemplo dos países modernos, com exceção de alguns orientais, os veículos devem se manter laicos. A credibilidade do veículo e a conseqüente fidelidade do leitor estão relacionadas com essa divisão bem clara. Sem interferência da publicidade no conteúdo jornalístico, o veículo sai ganhando até mesmo com o aumento das propagandas. Uma empresa só vinculará sua imagem se o veículo apresentar conceituado grau de respeitabilidade.

Outro ponto interessante da obra está nos princípios éticos que norteiam (ou não) a profissão. Como não há um código que aborde esses princípios (impossível que exista um aplicável para todos), cada jornalista age conforme seus valores. É justamente nessa moral individual que reside um dos maiores perigos da ocorrência de equívocos.

De acordo com o pensamento de Bucci, a arrogância na prática do jornalismo é originada pela auto-suficiência que alguns profissionais atribuem a si mesmos. Eles estão literalmente acima do bem e do mal. Consideram-se aptos, por exemplo, a decidir o que fere ou não a reputação das pessoas e instituições. Além disso, evitam o assunto ética, considerado sem importância e fator de perda de tempo.

Quando, na verdade, mostra-se necessário que existam debates sobre o assunto entre os próprios jornalistas, sejam eles iniciantes ou experientes. Essa troca de experiências é importante para evitar erros futuros. Ainda mais quando erros crassos, como o da escola do casal Shimada (tema de uma das publicações anteriores), não são nenhuma novidade na grande imprensa brasileira.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

NOVAS E NOVAS

Decote sonegador ingere cédula eleitoral em megacampo de petróleo
POR Bruno Victor Toranzo

Começo da semana. Primeiro dia da nova semana. Destaco, inicialmente, as aventuras, agora na internet, dos orientais do Stand Center.

Provavelmente, muitos de vocês, queridos leitores, não lembraram desse lugar de língua inglesa. Estou certo que lembrarão depois dessa dica: aquela galeria, paraíso do consumo e da sonegação, voltada para a venda de produtos com origem duvidosa. Ainda não lembraram? Essa galeria fica em plena Avenida Paulista, uma das regiões que simbolizam o poderio econômico brasileiro.

Depois da interdição do lugar pela prefeitura, com alegação de oferecer riscos de desabamento ou algo do tipo, os muambeiros se mudaram para a rede mundial de computadores. Mesmo que tenha sido por necessidade, eles mostraram verdadeira visão de negócio, com modernização do comércio de bugigangas. A festa da sonegação continua. Uma verdadeira isenção do pagamento de impostos.

Digo “isenção”, porque seria ingenuidade pensar no não envolvimento de membros do poder público. Os dignos comerciantes, ao contrário de nós, estão isentos da contribuição, já que uma propina aqui e ali resolve toda situação. Aliás, é curioso que o crime de sonegação não tenha contribuído no fechamento do prédio. Nem sequer foi citado. Os adeptos do maior contrabandista chinês Law Kin Chong, solto recentemente, estão se dando muito bem em terras brasileiras.

http://oglobo.globo.com/sp/mat/2008/03/16/law_kin_chong_deixa_penitenciaria_em_tremembe-426257861.asp

Ao mesmo tempo, no continente europeu, mais precisamente na Itália, existe eleitor com fome de cédula eleitoral. O empresário Ciro D´Esposito engoliu o papel de votação, depois de cortá-lo em vários pedaços.

Na verdade, o eloqüente eleitor teve a intenção de manifestar seu repúdio aos candidatos disponíveis. Os italianos escolhem, entre outros cargos, o próximo premiê, nas eleições que começaram ontem e continuam nesta segunda-feira. Mais uma vez, o franco favorito é o poderoso Silvio Berlusconi, dono de um dos times de futebol da capital Milão.

Veja detalhes das eleições italianas:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u391571.shtml

O que também chamou atenção foi o decote da chanceler alemã Angela Merkel. Pela primeira vez, ela surpreendeu o público com um modelito bem audacioso. E foi durante a inauguração do novo edifício da Ópera de Oslo, na fria e monótona Noruega. Naturalmente, virou alvo dos fotógrafos e de alguns poucos olhos masculinos.

Por aqui, além dos sonegadores orientais, a Petrobras parece ter encontrado mais um megacampo de petróleo, cinco vezes maior que o recém-descoberto de Tupi. A revelação do diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo), Haroldo Lima, levou as ações ordinárias da petrolífera às alturas, atingindo os quase 7% de valorização.

http://portalexame.abril.com.br/ae/economia/m0156983.html

sexta-feira, 11 de abril de 2008

VÍDEOS



Outro vídeo de Marcelo Tas em território chinês. A grande curiosidade fica por conta de um hábito nada comum. Não vou revelar esse costume considerado, no mínimo, deselegante na realidade ocidental. Quero que se surpreenda com essa parte do vídeo. Outro ponto engraçado fica por conta da dificuldade da língua chinesa, com palavras de sons muito parecidos.


FONTE: Vídeos do UOL

ECONOMIA

Breve relato da desordem econômica
POR Bruno Victor Toranzo

Como já dito milhares de vezes, o epicentro da crise foi o mercado imobiliário norte-americano. Mais precisamente, os negócios que envolvem hipotecas. A hipoteca é resumidamente pegar dinheiro emprestado e deixar um imóvel como garantia do pagamento. Prática de negociação comum, sem novidade para o leitor. Aliás, as pessoas não têm necessariamente apenas um imóvel. Algumas possuem maior número deles, por razões mil, que englobam comodidade e diversão. Outras consideram estratégia de investimento altamente rentável.

Essas transações imobiliárias tradicionalmente são responsáveis pela atividade econômica mais lucrativa dos Estados Unidos. Procedimento relativamente usual, por exemplo, é um americano comprar outra casa com dinheiro advindo da hipoteca de sua própria residência. O investimento é feito em diferentes imóveis devido ao retorno interessante que sempre proporcionou. Na época de abundância, de muito dinheiro em circulação, os financiamentos antigos chegaram a ser recalculados com taxas de juros menores.

Por falar nisso, os bancos, companhias de seguro e outras instituições financeiras, otimistas com a enxurrada de capital, deixaram de lado os financiamentos de imóveis confiáveis para apostar nos subprimes. Agora, de fato, você entenderá o que isso significa. Esses subprimes são créditos concedidos sem que o perfil do tomador do empréstimo seja levado em consideração. O perigo começa justamente nessa total ausência de fiscalização. Milhões de americanos tomaram empréstimos, através do crédito subprime, sem terem reais condições de arcar com a dívida.

E qual foi a vantagem dos bancos comerciais e outras instituições de empréstimos na liberação, com os olhos fechados, do dinheiro? Eles cobravam mais pelos juros, valor duas ou três vezes superior ao crédito convencional. Portanto, não havia erro, a ordem era emprestar à vontade.

As autoridades monetárias já sabiam dessa situação. Não foi novidade quando vieram à tona os danos dessa conduta completamente irresponsável. O mercado previa a possibilidade de aumento da inadimplência, mas não esperava que a crise resultante deflagrasse tamanha inconstância nos mercados.

O processo de contaminação, de disseminação da doença, ocorreu quando esses empréstimos foram transformados em títulos passíveis de venda aos investidores. Aliás, qualquer ativo financeiro ou não financeiro pode ser transformado em título para negociação, conversão chamada de securitização. Extremamente rentáveis, devido inicialmente às altas taxas de juros cobradas, esses títulos atraíram os grandes bancos de investimento. Os maiores compradores são conhecidos e tradicionais no mercado em uma lista que reúne Morgan Stanley, Goldman Sachs, Merril Lynch, Lehman Brothers e Bear Stearns.

Algum tempo depois, no segundo semestre do ano passado, a inadimplência explodiu, o que, obviamente, causou esfriamento, praticamente congelamento, das atividades imobiliárias. Casas recém-construídas não eram mais compradas. Novas aquisições aconteciam com bem menos freqüência. O Bear Stearns, citado no parágrafo anterior, não agüentou e sucumbiu à crise, trazendo grande pessimismo e temor aos mercados. O resultado foi sua venda, a preço de banana, para o banco JP Morgan.

Conseqüência natural da instabilidade foi o clima de precaução internacional. A hora é de estudo do mercado para evitar maiores prejuízos. As instituições financeiras perceberam o enorme erro que cometeram com a política do “crédito à revelia”. O desafio do FED, banco central norte-americano, e dos outros bancos centrais, principalmente europeus, se inverteu. Ao invés de controlar o crédito exacerbado, algo que não fizeram no momento oportuno, precisam, hoje, motivar a concessão de empréstimos, não deixando que o mecanismo simplesmente evapore. Caso ele se perca no espaço, as conseqüências serão ainda mais nefastas.

Isso porque um dos principais responsáveis para a funcionalidade da economia é justamente a possibilidade de tomar dinheiro emprestado. Seja ele para adquirir determinado produto ou aumentar o tamanho do empreendimento pessoal. Algumas economias são ainda mais dependentes desse indispensável recurso. O grande motor do crescimento da economia norte-americana sempre esteve ancorado nas possibilidades de crédito. E crédito farto e fácil.

A maior preocupação dos últimos dias é que essa crise de crédito se expanda para outras atividades econômicas. Segundo o último World Economic Outlook (relatório das publicações anteriores), do Fundo Monetário Internacional, as chamadas dívidas do consumo, contraídas pelo cartão de crédito e débito, cresceram em uma média anual de 5%, entre os anos de 2002 e 2006, enquanto as dívidas hipotecárias atingiram 12%. Tal índice continua baixo se comparado ao nível observado durante o esfriamento da economia dos mesmos Estados Unidos, ocasionado pelos atentados terroristas de 2001, mas é sempre bom ficar de olhos bem abertos.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

ECONOMIA

Explicando a crise com simplicidade
POR Bruno Victor Toranzo

A crise econômica está aí. O processo de recessão está a caminho. Mas muita gente ainda não se deu conta de nada disso. Apesar dos números horríveis que aparecem regularmente, nas maiores praças financeiras, o brasileiro não viu nenhuma mudança em sua vida. Não sentiu diferença alguma até agora.

O bom momento vivido por aqui foi reconhecido até mesmo pelo Fundo Monetário Internacional em relatório explorado nas publicações anteriores. Esse reconhecimento veio por meio da reavaliação para cima da projeção de crescimento econômico brasileiro neste ano. Saiu de 4,5% para chegar aos 4,8%, taxa 1,1% acima que a estimativa média de crescimento mundial.

Trata-se, sem dúvida, de uma excelente nova. A ortodoxia sempre foi marca do FMI desde sua criação, no final da Segunda Guerra Mundial. O órgão agora explora o exemplo de sucesso brasileiro (deixou de ser devedor para virar credor) para motivar a política econômica de outros emergentes a tomar o mesmo rumo.

Responsabilidade fiscal e enxugamento dos gastos públicos são duas características fundamentais dessa política. Sem falar do crescente acúmulo de reservas externas. Medidas ainda mais fundamentais, segundo o Fundo, em época de instabilidade dos mercados, como a que estamos vivendo em 2008.

Talvez, pela permanência do bom comportamento da economia nacional, muitos brasileiros não tenham idéia do que efetivamente está ocorrendo. Eles têm uma breve noção da instabilidade nas economias dos grandes, mas interpretam apenas, como fator de preocupação daqueles homens vestidos de terno e gravata, sempre apressados, com dinheiro em papéis que nunca sentiram a textura.

É por essa razão que tentarei explicar, na publicação de amanhã (11 de abril), da forma mais simples e objetiva toda essa bagunça em curso. Os termos utilizados pela mídia, na cobertura da crise, são realmente de difícil entendimento. Mercado hipotecário? Subprime? Securitização? Crédito de risco? Retração do crédito?

quarta-feira, 9 de abril de 2008

ECONOMIA

Dados interessantes da crise


Como disse, na publicação anterior, li o relatório quase que integralmente. Além das informações textuais, os gráficos foram muito importantes para entender melhor todo cenário. Publicarei alguns desses dados nos próximos dias. Disponibilizo os primeiros números a seguir:


Perdas com as subprimes antes de 3 de março de 2008
(em bilhões de dólares)

Bancos
2005: - 8,8
2006: - 62,8
2007: - 28,8

Companhias de seguro
2005: - 1,6
2006: - 20,8
2007: - 15,1

Fundos HEDGE
2005: - 6,7
2006: - 26,9
2007: - 20,4

Disponibilidade de crédito
(até 3 de março de 2008)


Crescimento do crédito privado (ano a ano)

Argentina
37%


Brasil
28,5%

Chile
20,8%

China
19,5%

Índia
21,7%

Rússia
51%

Venezuela
72,5%

ECONOMIA

FMI divulga análise econômica

O FMI, Fundo Monetário Internacional, divulgou, nesta quarta-feira, extenso relatório que aborda a grave situação financeira internacional. Esse levantamento é divulgado a cada seis meses e descreve minuciosamente as condições econômicas do período.

Dessa vez, o enfoque ficou por conta, como não poderia deixar de ser, do cenário de instabilidade que vivemos, causado pela crise hipotecária norte-americana. Destaco alguns dos trechos do World Economic Outlook (April 2008):

“O que começou com justa deterioração, em partes do mercado subprime norte-americano, converteu-se em severos deslocamentos voltados para o enxugamento do crédito que agora colocam em risco o cenário macroeconômico dos Estados Unidos e do mundo”.

A projeção de crescimento médio das economias globais é de 3,7%, neste ano de 2008. Caso o crescimento fique abaixo dos 3%, esse índice indicaria uma realidade de recessão.

Essa crise internacional levou o montante de US$ 945 bilhões até março deste ano. Mais de 50% disso, o equivalente a US$ 565 bilhões, foram prejuízos ocasionados pelos empréstimos e seguros residenciais.

Os bancos perderam US$ 720 bilhões em valor de mercado. Ao mesmo tempo, as companhias de seguros tiveram desvalorização entre US$ 105 e US$ 130 bilhões.

“... em muitos países latino-americanos, maior parte do financiamento para o crescimento do crédito interno, nos últimos anos, veio da expansão do depósito doméstico (o mesmo que poupança)”.

“No Brasil, o desenvolvimento desse canal de crédito é evidente na expansão do dinheiro em circulação entre os bancos que se mantiveram estáveis, apesar do descontrole global”.

Os mercados emergentes estão respondendo bem, de forma consistente, à instabilidade do mercado. Porém, ainda existem vulnerabilidades macroeconômicas que os tornam susceptíveis aos malefícios da crise.

“Em muitos países emergentes, os programas de estabilização macroeconômica ajudaram e continuam ajudando a eliminar distorções e a reduzir desequilíbrios externos, fazendo com que o mercado doméstico fique menos vulnerável aos choques externos”.

“Países vulneráveis aos choques financeiros internacionais, com alto índice de inflação, precisam se ajustar à nova condição de aperto do sistema financeiro internacional. Para isso, devem adotar políticas para diminuir as repercussões domésticas dessa desordem financeira”.

Leia o relatório completo do FMI:
http://www.imf.org/external/pubs/ft/weo/2008/01/weodata/index.aspx

ATENÇÃO

Errei

O dever do jornalista, muitas vezes não cumprido, é reconhecer os erros que venham a ocorrer no exercício de informar. Na publicação “De português pai para filho” (3 de abril), escrevi, por distração, um aposto com informação histórica equivocada. Conforme observou atento leitor, a primeira capital do Brasil foi efetivamente Salvador.

Peço desculpas pelo erro e agradeço a observação.

terça-feira, 8 de abril de 2008

VÍDEOS



Mais um vídeo de Marcelo Tas na China. Ele explora a questão da ausência de liberdade de expressão. Apesar de contar com uma economia aberta e pujante, o Partido Comunista continua ditando as regras no campo político. Grande parte da população obedece sem questionamentos.

FONTE: Vídeos do UOL.

NOVAS E NOVAS

Nem os robôs venceriam a dengue
POR Bruno Victor Toranzo

O futuro da mão-de-obra japonesa estará na utilização de robôs. No melhor estilo dos filmes hollywoodianos, as máquinas substituirão os homens em tarefas comuns do dia-a-dia, como cuidar das crianças e limpar o banheiro.

Até 2025, cerca de 40% da população japonesa terá mais de 65 anos. A conseqüência nefasta e maior disso é a queda da força de trabalho, motor para o crescimento econômico.

Qual a solução encontrada pelos nipônicos? Fabricar robôs. Nada de incentivar a chegada de trabalhadores advindos dos países de Terceiro Mundo. Talvez eles considerem que esse pessoal subdesenvolvido não tenha a mesma capacidade das máquinas multiuso. Aliás, os robôs ocupariam os postos de trabalho de 3,5 milhões de japoneses.

E não são aqueles robozinhos que freqüentemente competem naqueles jogos esportivos entre universidades. São quase andróides, com altura e características realmente humanas. O perigo fica por conta de algum deles possuir desenvolvido espírito sindical. Caso apareça o Lula das origens, teremos de chamar Will Smith para colocar ordem na casa.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u390097.shtml

Aqui, no Brasil, nem o uso dos andróides daria conta do problema da dengue. O estado do Rio de Janeiro é o mais atingido pela epidemia. Já são 68 mortes relacionadas à doença.

Médicos e mais médicos estão chegando para mudar a situação (torço para que seja ainda possível). Cadê os repelentes? Sumiram dos estabelecimentos comerciais. A procura é tanta que não há mais disponível. Os únicos beneficiados com a epidemia, por falar nisso, são os fabricantes de repelentes. Nunca venderam tanto!

Tamanha movimentação não seria necessária se a doença tivesse sido combatida com antecedência pelas autoridades. Claro que a própria população também tem culpa nisso. O mínimo que poderia fazer é cuidar de suas próprias moradas, verificando regularmente os possíveis pontos de risco. O combate eficiente à doença exige integração, união de todos pela causa. Não adianta minha casa estar protegida, se a vizinha estiver abandonada, uma verdadeira morada para os mosquitos.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u389837.shtml

segunda-feira, 7 de abril de 2008

NOVAS E NOVAS

Mau cheiro do sovaco vira arma política
POR Bruno Victor Toranzo

Mau cheiro como arma política. Sovaco suado como argumento de qualidade. Essa é a idéia do senador Mário Couto (PSDB-PA) para fazer com que suas reivindicações sejam atendidas. Ele ficará sem tomar banho por tempo indeterminado.

“Vou ficar fedorento mesmo no Senado”, afirma o orgulhoso gambá da política nacional.

O projeto desse gambá refere-se ao reajuste dos benefícios e pensões dos aposentados e pensionistas do INSS. A exemplo do ex-governador Garotinho, Couto utilizará do famoso mecanismo populista, o que inclui greve de fome e a recém-criada de banho, para atingir determinado objetivo. Parte do eleitorado, sem consciência de qual seja o verdadeiro significado da palavra "política", sensibiliza-se com a causa e, por incrível que pareça, apóia esses tantos infelizes.

Caso o retorno demore ou não venha, o gambá faz uma promessa:

“Lula será o primeiro cara que vou abraçar se ficar 40 dias sem banho”.

O presidente deveria se sentir orgulhoso. Terá o privilégio de abraçar o congressista que criou a mais revolucionária técnica de convencimento político. Aprove o projeto ou tenha contato com o meu cheiro real, verdadeiramente natural.

Além da política, no Brasil, já feder indiretamente, com os casos sanguessuga e mensalão, existe a possibilidade desse desagradável cheiro também habitar o interior dos ternos. Exatamente. Se o hábito se espalhar, o cheiro putrefato da corrupção pode se misturar ao dos sovacos dos parlamentares.

A diferença é que o mero uso de um desodorante solucionaria o problema dos fedorentos políticos. Por outro lado, com dificílima resolução, a corrupção exige mudança de mentalidade e maior maturidade da sociedade, principalmente da classe dirigente. Parece que esse fedor, de característica estrutural, continuará a infestar o ar sem perspectiva da presença de incenso ou de fragrância francesa.

Saiu na Folha de S. Paulo:

sexta-feira, 4 de abril de 2008

VÍDEOS



O jornalista Marcelo Tas visitou a China e mostrou detalhes do país. No comando do CQC (Custe o que Custar), programa tema de uma das publicações anteriores, Tas é, sem dúvida, um grande nome do jornalismo brasileiro. Sempre muito bem-humorado, mostrará, neste vídeo, o caótico trânsito da nação mais populosa do mundo. Vale a pena conferir.

FONTE: Vídeos do UOL.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

HISTÓRIA

De português pai para filho
POR Bruno Victor Toranzo

A vinda da família real para o Brasil é tratada brilhantemente na obra de Laurentino Gomes intitulada 1808. Dom João VI e sua corte, além da nobreza portuguesa, vieram para a então colônia explorada sem dó por séculos. Todos eles fugiam de Napoleão Bonaparte, ardoroso inimigo do absolutismo, representante maior da burguesia.

Depois de passar rapidamente por Salvador, a caravela de D. João rumou para a “cidade maravilhosa”. As diferenças com Lisboa foram notadas logo na chegada. Além de verdadeiro paraíso tropical, com montes verdejantes e águas límpidas, os cariocas tinham costumes bem diferentes dos portugueses.

Antes da transferência governamental de continente, o Rio de Janeiro representava apenas mais uma das capitanias da colônia. A comunicação entre as regiões brasileiras mal acontecia. Transações comerciais raramente eram feitas. As capitanias viviam isoladas, situação semelhante aos feudos da Idade Média. Mesmo assim, já existia uma cultura própria, verdadeiramente brasileira, fragmentada pela falta de comunicação inter-regional.

Todas as mudanças foram radicais para os portugueses fugitivos. Com medo de ser arrasado pelo impiedoso, apesar de baixinho, general Bonaparte, Dom João VI não titubeou e saiu correndo para sua mais importante colônia. O povo português, incluindo a nobreza restante, foi literalmente abandonado pela figura maior, o monarca absolutista. Os fujões saíram do continente europeu, de uma cidade considerada ultrapassada para os padrões da época, mas que oferecia melhores condições de vida quando comparada a qualquer colônia do império português.

A escravidão corria solta por aqui desde trinta anos após o descobrimento. Muitos africanos desembarcavam na costa brasileira todos os dias. O Rio de Janeiro era uma capitania que recebia grande parte deles. Os traficantes de escravos lucravam horrores com essa atividade fundamental para o funcionamento da economia colonial. Sem essa força de trabalho abundante e barata (os donos gastavam apenas na compra e sustento, na maior parte das vezes, precário do escravo), a frágil economia nada produziria.

Quando Dom João VI, sua mãe Maria Louca, sua mulher Carlota Joaquina, o restante da corte, além de uma pequena parcela da nobreza que vivia em Portugal, colocaram os pés por aqui, sabiam que adaptações seriam obrigatórias. O desafio era transformar uma colônia de exploração e, bota exploração nisso, em um lugar no estilo europeu.

E realmente houve uma transformação significativa na antiga colônia, elevada para o grau de Reino Unido de Portugal rapidamente. Em apenas catorze anos, o Brasil deixou de ser um hospedeiro do parasita Portugal para atingir um grau de modernização que permitiu, inclusive, a própria forjada independência. Durante mais de trezentos anos, vivemos em função dos interesses da metrópole portuguesa, fornecendo, principalmente, as riquezas advindas da terra, como pau-brasil, ouro e prata.

Paralelamente, os acontecimentos mais do que ferviam em Portugal. A Revolução do Porto, em 1820, fez com que os portugueses dessem um ultimato para a corte fugida ainda instalada no Brasil. A ameaça francesa há muito tinha deixado de existir. O exemplar conhecedor das táticas de guerra estava preso há cinco anos na Ilha de Santa Helena. A verdade é que Dom João VI gostou da região tropical e não queria voltar. Porém, a população portuguesa estava, inclusive, preparada para tomar o poder, caso o rei seguisse sua vontade.

Apesar de não ter ficado, D. João VI deixou seu filho por aqui. Em 7 de setembro de 1822, Dom Pedro I declarou a independência brasileira. Aliás, nenhuma novidade. As pessoas sabiam que esse seria o processo natural. Na prática, o poder passou das mãos do português pai para o português filho. Uma mera transferência de poder. Uma hipocrisia com cheiro de bacalhau.

Foi assim que surgiu o Brasil como terra independente. Sem dúvida que história interessantíssima, repleta de fatores curiosos. Diferentemente de outros países, como os Estados Unidos, não ocorreu união dos brasileiros em nome da independência. Não houve confronto, guerra ou algo do tipo. Na prática, uma independência falseada de Portugal, liberdade comandada por um português, passando para as mãos da tão presente influência inglesa.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

VÍDEOS



O CQC (Custe o que Custar) estreou recentemente na rede Bandeirantes de televisão. Já conhecido em outros países, como a Argentina, o programa não dá sossego para os políticos e outras personalidades brasileiras. Além disso, o principal fator diferenciador está no fato de discutir a própria mídia e mostrar os bastidores da atividade jornalística com um jeito bem-humorado e irreverente. O repórter inexperiente é a grande atração do CQC. Assista ao vídeo em que o desastrado repórter entrevista o padre Marcelo Rossi.

SAIU NA IMPRENSA

China: dados da realidade

Apenas demonstrando melhor a revolução chinesa comentada algumas publicações atrás:

(Informações destacadas da reportagem THE LAST EMPIRE: CHINA POLLUTION PROBLEM GOES GLOBAL, da revista estadunidense MotherJones)

Em apenas duas décadas e meia, a China acordou da estagnação maoísta para se tornar a fábrica do mundo. Dentre as cento e noventa e três nações do planeta, é agora a primeira em produção de carvão, aço, cimento e dez tipos de metal.

O repórter Jacques Leslie, autor da matéria, também mostra que metade das câmeras produzidas no mundo e cerca de um terço dos televisores saem das fábricas chinesas. Em 2015, pode virar também a maior produtora de carros. Há fábricas chinesas que podem acomodar o incrível número de 200 mil trabalhadores.

Atenção: a China gera um terço do lixo mundial. Perto de 70% de todos os computadores e equipamentos eletrônicos descartados vão para lá.

Curiosidade: São mais de 2 trilhões de cigarros produzidos anualmente, sendo que 360 milhões de chineses fumam.

A grande fonte de poluição está na utilização de bilhões de toneladas de carvão por ano, montante que corresponde à soma do consumo de todas as nações desenvolvidas.

Essas informações servem para aliviar a curiosidade do leitor e reafirmar as rápidas e importantes mudanças ocorridas na China. Essa velocidade de crescimento econômico também trouxe graves problemas ambientais, como comentado brevemente pela primeira reportagem desta publicação.

(Informações advindas do The New York Times, mais precisamente da reportagem de título: AS CHINA ROARS, POLLUTION REACHES DEADLY EXTREMES)

Quase 500 milhões de pessoas têm difícil acesso às fontes de água seguras para consumo. Os habitantes de algumas cidades industriais raramente vêem o sol, tamanha a poluição que domina o ambiente. Crianças morrem por fatores relacionados à sujeira do ar, da terra e da água.

Grande parte da poluição que atinge Los Angeles se origina na China. O gigante asiático pode passar, até 2010, os Estados Unidos para assumir a liderança de emissão de gases causadores do efeito estufa.

Um estudo do Banco Mundial apontou o número de mortes prematuras. Ele está entre 350 mil e 450 mil por ano quando a poluição do ar é a razão. Outras 60 mil pessoas morrem por causa de doenças como diarréia e câncer de estômago.

PARE E PENSE

Senhora Redpast e Freddy Krueger
POR Bruno Victor Toranzo

Depois da publicação de segunda-feira, fiquei mais aliviado. Demonstrei minha perplexidade e assombramento com a possível volta ou ressurreição das senhoras vermelhas representadas pela mais famosa delas: a velhinha Redpast.

A exemplo de Freddy Krueger que se aproveitava dos sonhos para invadir a mente das pessoas, a senhora Redpast utiliza a falta de informação e completo desinteresse pelos assuntos relevantes, relacionados à política e economia, para invadir os já pouco desenvolvidos cérebros de muitos jovens.

Essa repugnante velhinha, muito espertamente, aproveita-se de propostas demagogas, relacionadas ao bem comum e ao final das classes sociais, para convencer os coitados. Fico mais do que indignado quando percebo que esses coitados também envolvem os estudantes de jornalismo.

Não! Não pode ser. Logo a profissão de jornalista. O mínimo que se espera do jornalista é o desenvolvimento de uma visão de mundo própria, alheia ao posicionamento dos malfeitores, de intenções reconhecidamente manipuladoras. Essa maturidade não acontece pela falta de informação extrema dos estudantes e futuros profissionais. Apesar de ter a principal função de informar, muitos jornalistas são mal informados.

Fique longe de todos nós, senhora Redpast! Estou certo que sobre mim e outros competentes colegas de profissão você nunca chegará perto. Temos uma proteção natural. Contamos com opinião própria. Aliás, o maior alicerce do indivíduo, ainda mais do jornalista, está em sua palavra, na maneira pela qual enxerga as relações sociais, e interage com o meio.

Apesar da saúde debilitada, a senhora Redpast adquire um ânimo a mais com a completa ignorância, não só de muitos acadêmicos e jornalistas, como de parte da população, englobando todas as profissões, a exemplo de médicos, advogados, engenheiros, psicólogos e assistentes sociais. Peço, mais uma vez, que não deixem a senhora Redpast se propagar, com a geração de discípulas nas tão freqüentes mentes desprovidas de informação e conhecimento.

terça-feira, 1 de abril de 2008

ANALISANDO

O promissor mercado de banda larga brasileiro
POR Bruno Victor Toranzo

Ontem, em evento realizado na região paulistana dos Jardins, a Telefônica lançou o serviço de banda larga de alta velocidade advinda da malha de fibra óptica. É realmente de altíssima velocidade. A conexão é cerca de 30 vezes mais rápida que a padrão. O preço também é bem superior ao convencional.

Apenas alguns bairros privilegiados da capital, os de maior consumo e renda anual, terão, inicialmente, acesso à tecnologia. Porém, segundo palavras do presidente da operadora, Antônio Carlos Valente, conferidas pessoalmente, o objetivo é de expansão da internet a jato para o interior do estado, com destaque para Campinas, Ribeirão Preto e, até mesmo, a região do ABC.

A Brasil Telecom também oferece o mesmo serviço. São três condomínios, em Curitiba e Brasília, que estão conectados com a FTTH (Fiber to the Homes – fibra para as residências). Aliás, não poderia deixar de citar a título de informação, a Oi está muito próxima de comprar a BrT.

Essa veloz internet tem futuro por aqui? Caso consideremos o perfil do internauta brasileiro, a resposta é simples e objetiva: NÃO. Pelo menos, esse ainda não é o momento. A maior parte dos conectados nacionais objetivam apenas checar e-mails, abrir algumas fotos, visitar os perfis dos vizinhos e colegas no Orkut, além de visualizar vídeos, muitos de caráter bizarro, do YouTube.

Mesmo o usuário de maior poder aquisitivo, alvo imediato do grupo espanhol, não utilizará toda essa capacidade disponibilizada. Isso porque ninguém, no país, possui televisão transmitida via banda larga ou protocolo de internet (o famoso IP). O nome desse tipo de televisão é IPTV. Isso! Simples assim, até meio poético.

Nada poética está a briga, no Congresso, entre as operadoras de telecomunicações e as emissoras de televisão. As telefônicas querem transmitir a programação dos canais abertos em dispositivos como celulares, palmtops e televisores. Essa é a briga. Em outros países, principalmente os asiáticos, isso já não existe. As operadoras telefônicas não enfrentam problemas em transmitir a grade programacional dos canais abertos.

É o caso da França. Outro exemplo fica por conta de Hong Kong, região administrativa especial chinesa, apesar de tratada como outra nação. Apenas reiterando se não ficou claro: as operadoras de telecomunicações não podem transmitir a IPTV nos moldes internacionais, com programas da rede aberta, naqueles dispositivos que aceitam o sinal.

Mais de oito milhões de brasileiros têm acesso banda larga em seus computadores. Dessa maneira, cento e setenta e seis milhões estão fora desse mercado, com acesso via modem ou não incluídos interneticamente. Trata-se de contingente promissor, com possibilidade de real ingresso nos próximos meses ou anos, devido à melhora das condições macroeconômicas. As operadoras, sem dúvida, estão de olho na eventual entrada de mais consumidores dos seus serviços.