quinta-feira, 26 de março de 2009

SAIU NA IMPRENSA

“Temo, no entanto, que a alternativa – adequar o setor público à recapitalização – também se provará impossível. A provisão de dinheiro público aos bancos é inaceitável para um público furioso cada vez maior, enquanto a propriedade do governo sobre os bancos recapitalizados é inaceitável para os ainda influentes banqueiros. Isso parece ser um impasse.”

“A conclusão é deprimente. Ninguém tem confiança de que os Estados Unidos já têm uma solução funcional para o desastre bancário. Ao contrário, com um público furioso, um Congresso na linha de guerra, um presidente tímido e uma política do governo que depende da habilidade em colocar dinheiro público em instituições subcapitalizadas, os Estados Unidos vivem um impasse”.

Trechos do texto “Successful Bank Rescue Still Far Away”, de autoria do jornalista britânico Martin Wolf, que trabalha no jornal “Financial Times”.

“A crise econômica costuma polarizar o debate político. Usar dinheiro dos contribuintes para salvar instituições financeiras cujos banqueiros recebem bônus, enquanto deixam um punhado de vítimas na economia real, será um desafio para os políticos explicarem. Esclarecer a política econômica, encontrar soluções de longo-prazo com credibilidade e prover oportunidades igualitárias aos cidadãos são precondições para alcançar um bom futuro para todas as economias de mercado”.

Trecho do texto “A New Era of Accountable Capitalism”, de autoria do ministro da Economia da Alemanha, Karl-Theodor zu Guttenberg.

SARCASMO DA QUINTA

FONTE: Time.

terça-feira, 24 de março de 2009

REPORTAGEM

Queda de juros é mecanismo eficiente contra crise, afirmam economistas
Especialistas defendem a redução da taxa básica para recolocar o Brasil no caminho do crescimento.

BRUNO TORANZO

O Banco Central já enxerga ausência de expansão econômica neste ano. Com a divulgação, na segunda-feira (23), do relatório Focus, que considera a opinião dos analistas do mercado, o BC calcula crescimento de 0,01% do PIB (Produto Interno Bruto). A retração de 3,6%, verificada no último trimestre de 2008, fez com que o Brasil fechasse o ano passado com crescimento de 5,1%, um patamar de respeito, mas abaixo das expectativas.

“O instrumento básico para combater a crise é a rápida diminuição da taxa de juros”, definiu Rogério Mori, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP). A última reunião do Copom, comitê do Banco Central que decide sobre o futuro dos juros, derrubou a taxa básica para 11,25%. “Enquanto os países desenvolvidos estão com juros próximos a zero, o Brasil tem a vantagem de possuir uma taxa de dois dígitos para cortar”, opinou Mori.

Quando a atividade econômica esfria, o resultado imediato é uma postura de conservadorismo dos empresários. A ordem passa a ser controlar gastos. O último mês de dezembro registrou o maior número de demissões da história. Um saldo negativo superior a 650 mil pessoas.

Em fevereiro, apesar da leve melhora, com a criação de 9,1 mil postos de trabalho com carteira assinada, não há motivos para comemorações. A indústria da transformação, por exemplo, continua demitindo: 56,4 mil pessoas perderam o emprego.

Durante uma crise econômica, a primeira medida das autoridades monetárias é derrubar a taxa de juros. Em tese, com juros menores e financiamentos mais baratos, os empresários voltam a investir na ampliação do sistema produtivo. Quanto maior a capacidade de produção, maior também será o número de trabalhadores necessários para dar conta. Esse é o ciclo que faz a economia girar, o que mantém o funcionamento do próprio capitalismo.

Mas os efeitos positivos da queda dos juros não são imediatos. “O tempo padrão para que a economia sinta os efeitos varia de quatro a seis meses”, disse Antonio Corrêa de Lacerda, professor de economia da PUC-SP. Isso porque o mercado tem que se acostumar às novas regras de crédito. Para que isso aconteça, os bancos precisam tomar a dianteira com a redução dos juros nas operações de empréstimo.

Francisco Funcia, economista e professor da Universidade de São Caetano do Sul (USCS), reconhece a importância da taxa de juros para o reaquecimento da economia. Porém, disse que somente uma conjunção de fatores vai levar o país à recuperação. “Ao lado da queda dos juros, é importante que o investimento público seja feito, por meio das ações do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)”, defendeu.

*Texto originalmente produzido para o Rudge Ramos Online (www.metodista.br/rronline).

quarta-feira, 18 de março de 2009

REPORTAGEM

Crescimento das vendas no varejo divide opinião de economistas
Para especialistas, apesar da melhora nos indicadores, o momento ainda é de incerteza econômica.

BRUNO TORANZO


Os números do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgados na última sexta-feira (13), vão na contramão dos intensos efeitos negativos que a economia brasileira vem passando nos últimos meses. O desempenho do varejo, em janeiro, teve alta de 1,4% na comparação com dezembro. Em relação ao mesmo mês do ano passado, houve crescimento de 6%.

As vendas de automóveis e atividades relacionadas, como o mercado de peças e acessórios, apresentaram o melhor resultado (11,1%), ainda em comparação com dezembro. A diminuição do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para os carros novos atraiu os consumidores para as concessionárias.

Atrás dos veículos, o comércio de livros, jornais, revistas e papelaria registrou alta de 7,6%. O retorno às aulas, período marcado pela compra de material escolar, fez com que a porcentagem alcançasse o segundo lugar. Na terceira posição, com expansão de 7,1%, a pesquisa do IBGE aponta os móveis e eletrodomésticos.

"Esses números do varejo são uma indicação de que a economia parou de cair. O primeiro trimestre de 2009 será melhor do que o anterior", disse Antonio Corrêa de Lacerda, professor da PUC de São Paulo. Para Corrêa, com a diminuição da taxa de juros, o governo tem mais dinheiro para ampliar os investimentos públicos. "A queda da taxa básica de juros diminui o custo de financiamento da dívida do país", observou.

A professora da FGV (Fundação Getúlio Vargas) Eliana Cardoso, ex-economista do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), não analisa o desempenho do varejo como o início de uma recuperação da economia. "Fica muito difícil apontar um fator isolado como indício de recuperação. A maioria dos indicadores ainda é muito ruim", afirmou.

Eliana garante que a redução da taxa de juros, ocorrida na metade da semana passada, não fará milagre. "A diminuição drástica do crédito externo atrapalha demais. Reverter essa situação não depende das autoridades brasileiras", explicou. Antes do início da crise financeira, as empresas brasileiras conseguiam, com mais facilidade, financiamento externo.

O comerciante Eduardo Figueiredo conta como foi afetado pelas dificuldades trazidas pela instabilidade econômica. Dono de uma revistaria em Santo André, Figueiredo está insatisfeito com os três primeiros meses do ano. "Até agora, em março, tive queda de 20% das vendas", disse.

*Texto originalmente produzido para o Rudge Ramos Online (www.metodista.br/rronline).

sábado, 14 de março de 2009

Mercado Verde

Uma visão da feira além dos eternos protótipos
POR Bruno Toranzo

Fora os carros inéditos, também encontrados no estande da Volkswagen, o visitante pode descobrir uma idéia simples, mas eficiente, ainda relacionada ao setor automobilístico (não deixe de ler a publicação anterior). Apelidado de Start/Stop, a engrenagem possibilita economia de combustível ao motorista e consequente redução da emissão de dióxido de carbono de até 8%.

Quando o carro para, no semáforo ou no trânsito, o sistema identifica e, em questão de segundos, desliga automaticamente o motor. Se o motorista quiser andar novamente, basta acionar a embreagem para voltar a ligar o motor. Os europeus já podem adaptar seus carros com esse recurso. Os brasileiros terão de esperar.

A construção sustentável virou realidade fora do Brasil. Por aqui, está começando. As “ilhas de calor”, lugares específicos da cidade com temperaturas superiores à média, podem ser reduzidas com os chamados empreendimentos ecoeficientes. Sem falar da contribuição estética trazida pelo modelo eco: os prédios deixam de ser aqueles monstros negros que dominam a paisagem cinza da cidade.

O simples ato de pintar o telhado de branco gera redução da temperatura do edifício, fazendo com que as pessoas utilizem menos o ar condicionado. Produzimos um link, termo técnico da televisão usado para designar o momento da entrada ao vivo, para um dos telejornais da Globo News sobre o assunto. Em países tropicais, de calor intenso, a utilização de cores claras na pintura das paredes externas também ajuda a reduzir a temperatura média do ambiente.

O planejamento ecoeficiente leva em conta todas as questões referentes à melhora da relação do homem com a natureza. Isso começa com a escolha de materiais que não prejudiquem o meio ambiente. A infra-estrutura das instalações utiliza coletores solares de energia, sistema próprio de geração energética, além do desenvolvimento de um padrão de iluminação de alto rendimento.

Um estudo da consultoria Roland Berger revela que, durante a próxima década, a expectativa de crescimento do mercado verde ficará em 6,5% ao ano. Em 2020, o novo setor deve atingir um volume total financeiro de US$ 4 trilhões. Como se pode perceber, o sustentável virou um grande negócio.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Indústria Automobilística

Vitória parcial do petróleo
POR Bruno Toranzo

Nos dois dias anteriores, estive concentrado na cobertura da Ecogerma 2009, uma feira de negócios voltada para a responsabilidade ambiental, promovida pela Câmara de Comércio Brasil-Alemanha. Diversas empresas, em setores variados, desde o químico, passando pelo automobilístico, até o alimentício, estiveram presentes no Expo Center Transamérica, em São Paulo.

Os estandes da indústria automobilística revelam a preocupação dos executivos quanto à viabilidade das atividades no futuro. Com dias difíceis trazidos pela crise, o setor foi obrigado a repensar a forma de produzir. Para receber as bilionárias ajudas do governo americano, as montadoras têm de diminuir o nível de poluição, bem como encontrar soluções para reduzir o consumo de petróleo.

Medidas que foram adiadas por anos. Investir em pesquisa de novas tecnologias não é tarefa fácil. Consome milhões de dólares. E muitas vezes a alternativa mais eficiente encontrada esbarra na questão do lucro. O mercado já conhece o melhor caminho, mas o retorno financeiro não é suficiente para bancar a produção em série.

Por essa razão, as montadoras costumam lançar protótipos. Uma unidade que sirva de exemplo para o mundo inteiro. Em época de discussão ambiental, nada mais previsível do que criar um carro que obedeça todos os requisitos de respeito ao meio ambiente.

Os executivos sempre dizem que a idéia é de produzir em série após uma fase inicial de testes. Período que, na maior parte dos casos, nunca chega ao final. A Audi, por exemplo, expôs o modelo A1 na Ecogerma. O objetivo é colocá-lo no mercado até 2014. Quem passa despercebido pelo estande da montadora, fica impressionado com a beleza do carro.

Mas não se trata da característica mais atrativa dele. O diferencinal está na matriz energética. Através da eletricidade, armazenada na bateria de lítio, o carro consegue circular por até 100 km. Basta que o motorista deixe o veículo ligado à tomada de casa por aproximadamente três horas, tempo suficiente para carregar a energia, da mesma maneira como fazemos com o celular.

Há muito tempo, insistimos na necessidade de automóveis que utilizem fontes alternativas de energia, consideradas limpas, com destaque para a eletricidade, para o hidrogênio e para a geração solar. Afinal de contas, os escapamentos veiculares são um dos maiores emissores de dióxido de carbono, um dos gases responsáveis pelo aquecimento global.

Resta saber se os pacotes temporário recheados de dólares de Obama e, em menor quantidade, da União Europeia, como forma de combater a crise, vão se sobrepor aos interesses da indústria do petróleo, consolidada e atuante até mesmo nos rincões do planeta.

Só para alertar o leitor: o protótipo da Audi conta com um segundo tipo de motor, movido à gasolina. De acordo com o executivo, a existência dele aumenta a potência do carro em situações que possibilitem ao motorista pisar fundo no acelerador. Resultado temporário do embate: vantagem para os interesses do petróleo, placar de um a zero para as petrolíferas.

quinta-feira, 12 de março de 2009

SARCASMO DA QUINTA

FONTE: The Economist.
(clique sobre a imagem para visualizar com nitidez)

quarta-feira, 11 de março de 2009

REPORTAGEM

Intercâmbio de estudantes brasileiros cresce 30% em 2008
Países da América do Sul são opções mais baratas diante da crise global.

BRUNO TORANZO

Agências de viagem, nacionais e estrangeiras, reuniram-se no Salão do Estudante, no último fim de semana (7 e 8), em São Paulo, para apresentar ao público seus pacotes de intercâmbio. Segundo levantamento do salão, 140 mil pessoas fizeram intercâmbio em 2008, um aumento de 30% na comparação com o ano anterior. Apesar da situação econômica, as agências de viagem esperam resultados ainda melhores neste ano.

"Os viajantes estão trocando os destinos europeus pelos sul-americanos, cujos pacotes de estudos saem muito mais em conta", diz Luhana Madeira, gerente de marketing da BMI (Business Marketing International), empresa organizadora do Salão do Estudante.

Em vez de estudar espanhol, com duração de quatro semanas, em Madri, por R$ 4.500, o estudante pode escolher Buenos Aires, por exemplo, mantendo as mesmas características do curso, e diminuir a conta para R$ 2.370. Uma economia superior a R$ 2.000. Os valores destacados não consideram os custos com passagem aérea. Além da vantagem de pagar menos, os países da América do Sul permitem uma adaptação rápida aos brasileiros por ter um modo de vida próximo ao nosso.

No resto do mundo, os destinos mais baratos são Austrália, Canadá, Irlanda e Reino Unido. A moeda deles se desvalorizou frente ao dólar desde a intensificação da crise. "Percebemos, na preferência dos jovens, uma troca de Estados Unidos por Canadá. As atrações canadenses se consolidaram como uma das escolhas mais populares", revela Luhana.

Para aqueles que queiram viajar para alguns países da Europa, como Alemanha e França, além dos Estados Unidos, personagens envolvidos diretamente na crise, algumas precauções devem ser tomadas. A maior delas está na reserva de uma quantia maior de dinheiro para gastar durante a viagem. Se tiver de comer fora, opte pelos restaurantes que sigam o estilo por quilo. Dessa maneira, você escolhe a quantidade de comida e paga um preço justo por ela.

Quanto às sonhadas compras, o viajante deve fechar a mão nas duas primeiras semanas. Nada de comprar os famosos artigos da cultura local no começo da viagem. É preferível gastar com passeios a torrar o dinheiro com presentes. Deixe para comprar no final da estada, quando estiver certo de que fez tudo o que tinha para fazer.

A moradora de Santo André Andressa Guimarães viajou pouco antes de a crise estourar e sentiu, com o passar dos dias, os efeitos da explosão. "Fiquei na casa de uma americana. Ela comentava que as coisas tinham ficado difíceis", destaca Andressa. A viajante também percebeu algumas mudanças pelos lugares que passava. "Quando cheguei, a quantidade de mendigos era muito menor. A crise aumentou o número de pessoas sem casa", observou.

*Texto originalmente produzido para o Rudge Ramos Online (www.metodista.br/rronline).

quarta-feira, 4 de março de 2009

SOBRE A IMPRENSA

Não há regime democrático sem jornalismo de qualidade
POR Bruno Toranzo

Ao longo do documentário “A Revolução Não Será Televisionada”, percebem-se os interesses dos políticos, sejam eles chavistas ou oposicionistas, em se aproveitar da cobertura jornalística. Na Venezuela ou em qualquer outro lugar do mundo, o modo de pensar de parte da classe política é a mesma. Jornalista, para essa parcela, só serve para divulgar notícias positivas da administração. Apontar os erros jamais.

Há uma clara distribuição dos veículos de comunicação na Venezuela. Os cinco canais privados, como o documentário enfatizou, reproduzem o discurso da elite, contrária ao governo Chávez.

Por outro lado, o Canal 8 tem a programação completamente voltada para o governo. Existe até mesmo um programa conduzido por Hugo Chávez que conversa, por telefone, com os venezuelanos. Não existe, portanto, a mínima preocupação com imparcialidade e isenção. A imprensa existe como apoio das classes políticas. Uma forma de mostrar apenas o que interessa.

Com essa estrutura, a participação da imprensa em um processo de eleição ou de derrubada de um presidente fica muito mais nítida. O jornalismo deixa de desempenhar o papel de observador, através do olhar crítico apurado, para se tornar participante do processo.

A RCTV (Radio Caracas Televisión), por exemplo, principal rede de televisão oposicionista, fez campanha maciça para a queda de Chávez. O documentário destacou que personagens chavistas jamais apareceriam na programação de qualquer emissora privada. Um dos princípios norteadores da profissão de jornalista é ouvir todas as pessoas envolvidas em um problema, independentemente da opinião ou visão ideológica de cada uma delas.

No Brasil, um país com instituições políticas consolidadas, apesar da praga da corrupção ser uma constante ameaça, a relação entre jornalismo e política está em processo avançado de maturidade. Diferentemente da Europa, com alguns jornais de posição ideológica aberta para a sociedade, os brasileiros não têm preferência política. A exemplo dos Estados Unidos, a grande imprensa procura analisar o comportamento de todos os partidos.

O modo de fazer jornalismo tem, por conseqüência, diferenças profundas em relação ao venezuelano. A entrevista do senador peemedebista Jarbas Vasconcelos à revista Veja mostrou as características nefastas do partido aliado ao governo.

Jarbas afirmou que a estratégia do PMDB é não ter plataforma de governo. Não existe interesse do partido em lançar um candidato à presidência, já que a aliança com a situação permite que adquira importantes cargos federais. Tal posicionamento gera perpetuação no poder. As vitórias de Sarney, no Senado, e de Temer, na Câmara, deixam tudo isso muito evidente.

Seja como for, as más línguas dizem que o senador só aceitou falar, porque deseja se candidatar para o Executivo novamente. Ou seja, seria uma forma de se tornar uma espécie de “combatente dos marajás”, como Fernando Collor representou na campanha vitoriosa para presidente.

A dinâmica, no Brasil, é justamente essa. Os políticos só se avaliam quando existe um interesse maior por trás. Aconteceu o mesmo com Roberto Jefferson, então deputado federal do PTB. Só aceitou entregar todo mundo por ter sido o primeiro a cair.

Cabe ao jornalista filtrar as denúncias efetivamente importantes para a sociedade daquelas que visam tão somente a promoção política do denunciante. Quando a notícia tem relevância para a manutenção de um ambiente democraticamente estável, com o confronto de idéias, de forma pacífica, entre as classes sociais, os jornalistas precisam transmitir a informação. Deve-se deixar, em segundo plano, o autor da denúncia, visto que, em muitos casos, seu interesse maior não é beneficiar a democracia.

Veja, na publicação abaixo, a primeira parte do documentário.

VÍDEOS



FONTE: YouTube.

segunda-feira, 2 de março de 2009

REPORTAGEM

Investidor pessoa física chega a 33% dos negócios da Bovespa
Por outro lado, capital estrangeiro continua saindo.

POR Bruno Toranzo

Mesmo com a crise econômica, os investidores continuam apostando no mercado de ações. De acordo com os últimos números divulgados pela Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), a participação de pessoas físicas chegou a 33,46% do volume de transações, ou seja, compra e venda de ações, no primeiro mês de 2009. Isso significa dizer que um a cada três negócios realizados envolveu o investidor pessoa física.

“Esse aumento é uma tendência que vem de dois anos para cá. No entanto, apesar das campanhas de popularização do investimento em ações, o número de investidores ainda é pequeno”, afirma Alcides Leite, professor da Trevisan Escola de Negócios. Em janeiro, existiam quase 538 mil contas de investidores comuns registradas na bolsa, sendo que 47% delas estavam no estado de São Paulo.

Quem está fora, tem vontade de entrar. É o caso do corretor de seguros Ary Beraldo de Oliveira. Morador do Bairro Assunção, em São Bernardo do Campo, Oliveira, como a maior parte dos brasileiros, deixa suas economias na poupança. “Gostaria de comprar ações para aproveitar as oportunidades que a crise traz”.

Se a participação nacional aumenta, a estrangeira está em queda. Desde a intensificação da crise, em setembro do ano passado, com a quebra do banco americano Lehman Brothers, o capital estrangeiro deixa o mercado brasileiro em busca de investimentos mais seguros, como os títulos da dívida pública americana.

“A crise mais forte fora do país fez com que os investidores estrangeiros tirassem o dinheiro daqui para honrar os compromissos lá fora”, diz Leite. Em janeiro, a debandada totalizou pouco mais de R$ 646 milhões, o que fez a participação cair para 34,10%. Quando comparada a 1994, primeiro ano de medição, a contribuição externa cresceu quase 13%.

Estima-se que o mês de fevereiro tenha apresentado melhor desempenho do capital estrangeiro na bolsa de valores. Segundo a assessoria de imprensa da Bovespa, os números atualizados serão liberados até o dia 6 de março.

*Texto originalmente produzido para o Rudge Ramos Online (www.metodista.br/rronline).