sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

ECONOMIA

Americanos negam ajuda às montadoras
POR Bruno Victor Toranzo

Está no site da Time, influente revista americana. De acordo com a pesquisa realizada com os leitores (veja publicação anterior), a maioria esmagadora defende que o Estado não ajude as montadoras. Os Estados Unidos, para exatos 72% dos seis mil internautas, gastariam dinheiro à toa para tentar salvar empresas condenadas ao fracasso.

O Senado pensa o mesmo. Após aprovação na Câmara dos Representantes, sinônimo do que os brasileiros chamam de Câmara dos Deputados, o pacote de US$ 14 bilhões foi rejeitado pelos senadores. O dinheiro seria destinado à gigante GM (General Motors) e à Chrysler.

A Ford, em situação menos desesperadora, mas também em pânico, pediu uma linha de crédito especial ao governo. Os republicanos defendem que as montadoras criem maneiras próprias para sair da crise. Para eles, socorrê-las abriria o pretexto para outros segmentos exigirem a mesma atenção.

Na pesquisa, um dos poucos estados favoráveis à interferência bilionária, com 62% dos votos, foi Michigan, berço da tradicional indústria automobilística do país. Vale a pena assistir ao documentário “Roger & Eu”, do diretor Michael Moore, para perceber a importância das atividades da General Motors, ainda maior no final dos anos 80, época da gravação do filme, para a economia da cidade de Flint, localizada no estado de Michigan.

Em seu primeiro trabalho, sempre envolventes por sinal, o diretor persegue o ex-presidente da GM Roger Smith, falecido há pouco tempo, em busca de explicações para o fechamento das fábricas na cidade. É de se ressaltar que a economia da região depende, mesmo hoje, dos dólares gerados no processo de fabricação e comercialização de veículos.

A grande preocupação, em relação às montadoras, está na possível perda de milhões de empregos que o colapso de uma delas geraria. Além dos trabalhadores diretos, existem aqueles que dependem, de forma indireta, da saúde das atividades do setor automobilístico. É difícil apontar um número exato ou, pelo menos, perto da exatidão, mas milhões de pessoas seriam prejudicadas. Como no filme de Moore, cidades inteiras organizaram sua economia em função dessas fábricas.

No entanto, diferentemente do setor financeiro, o automobilístico não é vital para a manutenção de fundamentos econômicos saudáveis. Com instituições financeiras cambaleantes, receosas umas com as outras, a concessão de empréstimos tende a estagnar. Sem crédito, não há crescimento. Sem crédito, não há liquidez. Por essas razões, a preocupação das autoridades monetárias, principalmente naquele momento de quebradeira geral dos bancos, esteve relacionada ao saneamento do sistema. E não mediu esforços para isso: trilhões de dólares foram investidos na economia.

Se alguma das montadoras (GM, Ford ou Chrysler) recorrer ao capítulo 11 da Lei de Falências, as temidas conseqüências viriam em uma tacada só. Tal cenário seria avassalador para as pretensões do próximo presidente dos Estados Unidos. O tão popular Barack Obama, ovacionado até mesmo fora das fronteiras americanas, assumiria o cargo, no dia 20 de janeiro, em condições econômicas ainda mais adversas. Se não conseguir atenuar os efeitos com rapidez, tamanha popularidade pode se perder no espaço.

Razão pela qual Obama e os democratas querem, de qualquer jeito, a aprovação de um plano de resgate. A decadente (quem diria?) indústria dos automóveis americana não encontra solução a não ser acompanhar o acirrado jogo político e torcer por dias melhores.

ECONOMIA

(Clique sobre a imagem para melhor visualização)

FONTE
: Time.

SARCASMO DA SEXTA

FONTE: Time.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

PARA REFLETIR

O despertar para um novo mundo
POR Bruno Victor Toranzo

Nunca havia vivido uma crise econômica de grande magnitude. Não é daquelas experiências que você aguarda ansiosamente para acontecer. Ninguém quer perder o emprego e ver sua renda sumir. O medo de perder a própria fonte de ganho envolve todas as classes sociais.

Quando a recessão chega ou os indícios apontam para sua chegada, as pessoas imediatamente pensam em 1929. Naquele ano e nos posteriores, o mundo, principalmente os americanos, viveu um pesadelo. Alguns dos importantes investidores optaram pela morte. Era melhor o suicídio a ver o valor dos ativos virar pó.

Vivemos, a exemplo do final da década de 20 e dos anos 30, um período repleto de incertezas. O vermelho se tornou a cor predominante dos índices econômicos. Os especialistas não conseguem projetar nem mesmo o dia de amanhã. Menos ainda o ano que marcará o final da crise. Claro que o estrago de hoje é muito menor, distante dos nefastos efeitos da Grande Depressão.

No entanto, aqueles anos de prosperidade, comuns para a nova geração, chegaram ao fim. A calmaria beneficiou os países pobres, agora chamados carinhosamente de emergentes, levando os indianos, os chineses e os brasileiros a ocupar relevância inédita. Com um mercado consumidor numeroso, essas três nações passaram a ser consultadas pelo seleto grupo dos países desenvolvidos. Dessa vez, a solução para a crise passa pela conversa com o restante. Há um início de preocupação para envolver o maior número de participantes em decisões importantes.

Nas décadas de 80 e 90, coisa de poucos anos atrás, o repressor FMI (Fundo Monetário Internacional) inundava de dinheiro as desesperadas nações emergentes. Para conseguir os empréstimos, os países seguiam uma série de regulações financeiras. O Brasil cumpriu as determinações à risca, o que gerou críticas de uma esquerda radical, representada pelo presidente Lula (na versão 89), sedenta pelo calote de qualquer dívida com organismos internacionais.

Hoje, em meio às discussões de falta regulatória no coração do capitalismo, os brasileiros podem se orgulhar da saúde de seu sistema financeiro. Os bancos, por exemplo, estão longe da alavancagem verificada em outros países. Já o sistema de depósito compulsório permite ao Banco Central controlar, de forma indireta, a capacidade do mercado de ofertar crédito.

Transformações ocorrem, é verdade. Mas o novo cenário que se apresenta causa enorme surpresa. A hegemonia dos grandes diminuiu e continuará em queda. Não há mais espaço para o controle de algumas poucas nações em detrimento do prejuízo de outras tantas. O unilateralismo americano foi definitivamente enterrado no final do ano passado. O problema das hipotecas, toda aquela história do crédito podre, enfraqueceu de vez seu poder controlador.

Os Estados Unidos serão obrigados a se adequar à nova mentalidade. A eleição de um presidente negro mostra, não somente o repúdio dos americanos à administração Bush, como a vontade de um representante universal. Ou seja, um presidente que recupere a imagem positiva americana do passado, quando os outros povos simpatizavam com a cultura do país (o famoso “american way of life”). Para isso, ajudará e muito o ingresso em acordos internacionais de respeito ao meio ambiente. Bem diferente da postura republicana adotada em relação ao Protocolo de Kyoto.

O pensamento da hora prega a união. Os países em desenvolvimento, salvo exceções de rivalidades históricas entre povos, não enfrentam grandes dificuldades de atuar em conjunto. Mesmo os governantes considerados populistas e autoritários, como o venezuelano Hugo Chávez, o boliviano Evo Morales e até mesmo o iraniano Mahmoud Ahmadinejad, podem ser convencidos a colaborar depois de uma boa conversa, a velha e importante diplomacia, que andava ausente das mesas de negociação desde o fim da Guerra Fria.

Somente com essa mesma unidade, a crise econômica será vencida. Posteriormente, será imprescindível organizar uma nova maneira de produção, com respeito ao meio ambiente e às características individuais de cada povo. A exemplo do que está ocorrendo, com a aplicação de trilhões no mercado, o governo deve continuar participando ativamente do sistema. Dessa vez, ao invés de colocar recursos, o Estado terá a missão de corrigir os inúmeros erros e contradições gerados pela atividade financeira.

SARCASMO DA QUINTA

FONTE: The Economist.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

ECONOMIA

O mundo não resiste a um sistema financeiro capenga
POR Bruno Victor Toranzo

A confiança é fundamental para manter a saúde do sistema econômico. Assim como nas relações amorosas, o ato de confiar garante dias tranqüilos. Por conseqüência, em tempos de prosperidade, o princípio passa praticamente despercebido. Não existem razões para duvidar da eficiência do capitalismo, já que sua prática está gerando recordes seguidos de faturamento.

Enquanto o rendimento dos investidores está no patamar mínimo de satisfação, os participantes simplesmente fecham os olhos e cruzam os braços para qualquer exagero que possa trazer prejuízos, com reflexos na economia real, no futuro. Aproveitam o presente. Deixam o amanhã para lá. Ou, como se observa nas últimas semanas, para o governo.

Quando a bolha estoura ou, em outras palavras, a instabilidade eclode, o desespero toma conta do mercado, como se os envolvidos não soubessem de nada. Sem a confiança do passado, os bancos ficam receosos, com “a pulga atrás da orelha”. Aliás, eles são os primeiros a responder, de forma negativa, aos sinais da crise. O termômetro para medir a incerteza dos banqueiros está no crédito, mecanismo fundamental para o funcionamento da economia.

Os próprios bancos necessitam de empréstimos diariamente. Eles negociam entre si para que todos honrem os compromissos financeiros. Esse montante de dinheiro, representado no ambiente virtual, inexistente materialmente (em papel), faz com que as instituições bancárias possam emprestar para o restante da economia. Além dos correntistas comuns, como eu e você, as empresas abrem linhas de crédito facilitadas com os bancos. Isso faz a economia girar. Os comerciantes vendem. As pessoas trabalham. Os consumidores compram. Os empresários ampliam seus negócios.

A classe consumidora moderna está acostumada em dividir em muitos e muitos meses suas dívidas. Compramos algo com a intenção de finalizar o pagamento desse mesmo algo só depois de algum tempo. Dessa maneira, podemos comprar diversos algos em um único mês, sem se preocupar se o salário vai cobrir todo o gasto. São os famosos financiamentos. Pagar à vista virou coisa do passado. É ultrapassado. Nossos avós agiam assim. Essa mesma geração também guardava dinheiro embaixo do colchão.

Para reordenar o sistema, os Estados Unidos, com a liderança do secretário do Tesouro, Henry Paulson, que desempenha a mesma função do ministro Guido Mantega, estão investindo maciçamente no setor privado. Já foram utilizados quase US$ 6 trilhões para dar um fim na bagunça financeira.

São três as frentes principais de combate: compra de títulos podres (os famosos “subprimes”, créditos hipotecários com alto risco de inadimplência), compra de ações preferenciais das instituições prejudicadas e concessão de empréstimos em dinheiro vivo. Ressalta-se que, em momentos de emergência, o crédito vem do Estado mesmo. O último pacote, de US$ 800 bilhões, destina cerca de US$ 600 bilhões para reativar o crédito no país.

Resta saber se os esforços, não só americanos, como japoneses, chineses e europeus, vão reverter o cenário originado pela irresponsabilidade dos agentes financeiros. Não há alternativa para as autoridades a não ser o socorro do sistema. Mesmo que os erros tenham sidos do próprio capitalismo, com grau de especulação desordenado, o mundo não consegue sobreviver com um sistema financeiro capenga. A economia precisa de instituições internacionais sólidas o bastante para garantir o eterno crescimento da geração de riquezas.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

SARCASMO DA QUARTA


FONTE: The Economist.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

ECONOMIA

O estrago do pacote que não veio
POR Bruno Victor Toranzo

Pregão interrompido. Por volta das três horas da tarde, a Bolsa de Valores de São Paulo teve de interromper, por trinta minutos, a sessão. Em mais um dia de estômago em processo avançado de corrosão, o investidor testemunhou um fato histórico. A queda, em um único dia, passou dos 10%. O mecanismo, chamado de "circuit breaker", também aplicado em outras bolsas do mundo, parou o pregão para evitar uma tragédia ainda maior.

A surpresa desagradável veio do Congresso americano. Os deputados americanos rejeitaram o plano anti-crise, orçado em 700 bilhões de dólares, considerado a esperança contra o monstro da instabilidade. Esse capital seria utilizado para retirar de circulação os chamados títulos podres – ativos hipotecários de alto risco de calote.

Com a anuência de Bush, havia certa unanimidade de opinião em relação à aprovação do plano. Restava saber quais regras seriam impostas para o setor financeiro. Os concorrentes presidenciáveis Obama e McCain afirmavam, mesmo timidamente, a necessidade do aporte bilionário. O ambiente de terror que envolvia Wall Street parecia estar com os dias contados.

No entanto, a imprensa não ouviu os cientistas políticos. Ou, se entrevistaram, foram aqueles estudiosos desinformados. A completa ausência de unidade política do Partido Republicano transpareceu em um período de proximidade das eleições presidenciais. Dentre os 228 votos contrários ao plano, exatos 133 vieram dos republicanos. No grupo dos democratas, “apenas” 95 fizeram a mesma escolha. Desde o começo da crise, é impossível saber o que o futuro, por mais próximo que seja, venha a reservar. Agora que a política resolveu entrar, de verdade, no jogo, a arte de prever foi para o buraco.

A expectativa se transfere para o Senado. Um novo projeto deve ser elaborado. Os republicanos e democratas devem se reunir novamente para conversar. Algumas mudanças talvez sejam incluídas. Cabe dizer que Europa e Japão estão cada vez mais enfraquecidos. É necessário que não somente os Estados Unidos ajam. Enfatiza-se que o mercado não se caracteriza pela paciência, ainda mais em tempos de urso faminto à solta.

Desempenho final do Ibovespa
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou o dia em 9,36% negativos. No ano, a desvalorização já chegou à casa dos 27%. Além de sofrer com a saída do capital estrangeiro, menos atraído pelo risco, a queda do preço das commodities prejudica as blue chips, com destaque para Petrobras e Vale.

O petróleo negociado em Nova Iorque, por exemplo, começou a sessão desta segunda-feira aos US$ 107,05. Com o encerramento dos negócios, o preço ficou em US$ 96,07. A variação de cerca de onze dólares para baixo está longe do normal: fruto da instabilidade reinante. O movimento recente do ouro negro acompanha a variação do dólar. Quanto mais forte a moeda americana, menor o preço da commodity.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

ECONOMIA

Por hora, Bernanke é o homem
POR Bruno Victor Toranzo

Com a saída da presidência de Alan Greenspan, depois de 18 anos à frente do FED, o Banco Central dos Estados Unidos, Ben Bernanke assumiu sem o devido rebuliço. A brilhante história de Greenspan, descrita em seu livro alguns meses depois, ofuscou a nomeação do não menos competente Bernanke, formado em economia pela conceituada Universidade de Harvard. O mercado estava em dúvidas, no começo de 2006, se o novo presidente tinha experiência suficiente para agüentar as surpresas do cargo.

No segundo semestre do ano passado, a instabilidade, gerada pelo setor hipotecário americano, começou a dar sinais de que poderia virar uma verdadeira crise global. Seria redundante explicar a tão comentada história do subprime, também conhecido como crédito de alto risco, empréstimo largamente concedido sem necessidade de comprovação de renda.

Esses créditos foram transformados em ativos, um processo chamado de securitização, para que fossem negociados com os chamados bancos de investimentos. O contágio não demorou. O vírus rapidamente se espalhou. Em alguns meses, o sistema todo estava infectado. A instabilidade virou uma crise de verdade. Há muito, a economia não vivia tempos difíceis. Era o início da prova de fogo para Bernanke, mesmo que ele ainda não pudesse calcular o inferno que estava por vir.

As variações positivas e negativas se mesclavam com o passar dos pregões. Foram vários dessa maneira. Alguns pensavam que não existia mais crise. Outros diziam que nunca houve uma crise. A preocupação, no entanto, continuava para o FED e as instituições sérias de análise.

E as últimas semanas mostraram a face da crise. Ela resolveu aparecer com força máxima. A preocupação tomou conta dos relatórios financeiros. Bernanke precisava agir e rápido. Para ser presidente do FED, não bastam conhecimentos macroeconômicos, incluindo a famosa teoria fundamentalista e o conhecimento técnico da área, é preciso uma boa dose de paciência e jogo de cintura para vencer as inúmeras dificuldades.

Ao lado do secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, a dupla dinâmica teve de lidar com uma Wall Street completamente enfraquecida, bem diferente do charme que sempre a envolveu. O pânico instaurado remetia à época da Grande Depressão, no fatídico ano de 1929. Uma parte, inclusive, chegou a comparar a crise atual com a passada. Ledo engano ou maldoso palpite. A distância é muito grande entre elas pelo seguinte aspecto: as autoridades financeiras “modernas” contam com uma série de mecanismos para controlar a crise e transformá-la, no máximo, em um período conturbado.

Munido desses ajustes, a dupla Ben e Henry, ao lado dos principais Bancos Centrais, com destaque para Europa e Japão, colocaram bilhões e bilhões de dólares para, primeiro, manter a liquidez dos mercados. Ou seja, o dinheiro do governo garantiria a continuação dos negócios. Paralelamente, uma série de empréstimos foi concedido para as cambaleantes instituições financeiras americanas.

Estratégia inicialmente criticada por alguns membros do partido democrata, que argumentavam a impossibilidade de usar dinheiro do contribuinte para arcar com erros cometidos pela ganância do próprio sistema capitalista. A ânsia de ganhar mais é característica inerente do capitalismo. Quanto mais der para lucrar, melhor. É por isso que a estipulação de regras, inibidoras dos exageros, precisam ser tomadas pelos governos. Espera-se que essa lição, ao menos, o setor financeiro tenha aprendido.

Por enquanto, o capitão Bernanke e, por conseqüência, os marinheiros Paulson e o restante das autoridades monetárias, estão se saindo bem. Resta saber se o problema não se mostrará maior que a capacidade deles resolverem. Mesmo com o alívio da situação da renda variável, os Estados Unidos vêem os índices econômicos piorarem a cada divulgação. O crescimento do PIB não consegue repetir o desempenho do passado recente. Naquela época, era impossível imaginar que os Estados Unidos se afundariam e, ao mesmo tempo, o Brasil trilharia firme e forte o caminho do desenvolvimento.

SARCASMO DA SEXTA


FONTE: Time.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

PARA REFLETIR

O futebol dos milhões
POR Bruno Victor Toranzo

A contratação de Robinho pelo Manchester City chamou atenção pelos bastidores do negócio. Vendido por cerca de 100 milhões de reais, o jogador da seleção brasileira deixou o poderoso Real Madrid para disputar o inglês em uma equipe considerada, no máximo, mediana.

Na primeira entrevista depois da conclusão da transação, o orgulhoso (será mesmo?) Robinho disse que o projeto ambicioso do novo clube para os próximos anos fez com que trocasse os campos espanhóis pelos gramados reais.

Essas intenções ambiciosas foram trazidas pelo fundo árabe de investimentos Abu Dhabi United Group. Levando o United do rival da cidade de Manchester no nome, o grupo virou de cabeça para baixo a rotina dos torcedores do City. Acostumados com derrotas vexaminosas nos últimos anos – o time esteve na terceira divisão inglesa – os torcedores estão extasiados com os planos mirabolantes de tornar o time azul o maior do mundo.

No domingo, dia 31 de agosto, Sulaiman Al-Fahim, uma espécie de maior investidor do grupo, gastou 247 milhões de euros para comprar o Manchester City de seu antigo dono, o antigo primeiro-ministro tailandês Thaksin Shinawatra. Vale lembrar que Shinawatra é acusado de corrupção e se exilou no Reino Unido para fugir da justiça de seu país.

Um dia depois, primeiro de setembro, o City fechou a contratação de Robinho, nas últimas horas permitidas para transferência. A rapidez do processo impressiona. De um dia para o outro, o antigo primo pobre de Manchester trocou de proprietário e, ainda, fechou com um dos jogadores mais requisitados do mercado. O alvo agora é o português Cristiano Ronaldo, craque do inimigo Manchester United e cogitado para ganhar a eleição de melhor do mundo, em uma transação que pode passar dos 165 milhões de euros.

Não é novidade o investimento de bilionários no futebol. O exemplo emblemático é do russo Roman Abramovich, proprietário do também inglês Chelsea. Quando chegou, causou, a exemplo de Al-Fahim, tremenda repercussão, inflacionando o preço dos jogadores. Depois de muito prejuízo, apesar dos títulos nacionais obtidos, a montanha de dinheiro aplicada conseguiu levar o Chelsea, na última temporada, à final da Copa dos Campeões da Europa. No entanto, o título não veio com frustrante derrota nas cobranças de pênaltis.

Os milhões de dólares, euros ou libras repentinos também conquistaram os corintianos. Por pouquíssimo tempo. A parceria com a MSI, fundo de investimentos nebulosos comandado por um iraniano misterioso, terminou como um triste episódio da história quase centenária corintiana.

Um futebol cada vez mais caro é a realidade dos novos tempos. Sem os milhões, independentemente de onde venham, fica quase impossível ganhar títulos. Se isso é bom ou ruim, não se pode dizer. Os torcedores do Manchester City nunca foram tão felizes.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

SARCASMO DA TERÇA


FONTE: Time.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

ATENÇÃO

Leia a reportagem sobre as melhores ações small e mid caps publicada no Guia de Investimentos Pessoais da EXAME 2008. Depois de ouvir a análise de trinta especialistas, selecionamos os papéis mais indicados para o investidor apostar. Vale a pena conferir:

http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0925/investimentospessoais2008/m0166283.html

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

ATENÇÃO

Deixo o link da minha reportagem publicada pela EXAME desta quinzena. Os dirigíveis voltaram e estão sendo usados para o turismo. Apesar de indicar a leitura virtual, destaco que a visualização da matéria na revista impressa é muito melhor.

http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0925/consumo/m0166149.html

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

POLÍTICA

O Pré-sal é Nosso
POR Bruno Victor Toranzo

As discussões em torno da criação de uma nova estatal para a exploração do petróleo pré-sal se acaloraram. Por ficar abaixo de uma camada extensa de sal, o recém-encontrado tipo de petróleo, localizado nas bacias do Espírito Santo, Campos e Santos, teria uma qualidade superior aos demais.

Só a título de lembrança para o leitor: o campo de Tupi, aquele mesmo que fez as ações da Petrobras subirem bastante no final do ano passado, está abaixo de todo esse sal. Como não poderia deixar de ser, o governo comemorou as novas estimativas de produção trazidas pelo Tupi. O comentário geral da época dizia que o Brasil poderia, inclusive, integrar os países da OPEP, o cartel dos maiores exportadores de petróleo do mundo.

É de olho no retorno financeiro da commodity em regiões profundas que os governistas lançaram a campanha: “O Pré-sal é nosso”. A exemplo de Getúlio Vargas, em 1953, com a criação da genuinamente verde-amarela Petrobras, Lula e seus amigos querem deixar sob responsabilidade federal as operações de uma nova empresa petrolífera.

São dois os argumentos utilizados. Ambos não convencem. Um deles chega ao absurdo. Seria fundamental criar uma nova estatal para não deixar a Petrobras se fortalecer ao ponto de tramar um golpe de Estado. Não consigo imaginar uma multinacional tão respeitada tentando derrubar qualquer que seja o presidente brasileiro.

Os desavisados vão encher o peito para dizer: a PDVSA quase tirou Hugo Chávez do poder. A resposta é simples: o Brasil não é uma Venezuela. Apesar dos constantes casos de corrupção, as instituições democráticas já se fortaleceram o suficiente para não aceitar um movimento desse tipo. Como exemplo de amadorismo político dos nossos vizinhos, peço que se lembre do controle chavista sobre o legislativo, fiel escudeiro das aventuras do comandante antiamericano.

A segunda razão para o controle estatal está no futuro uso desse dinheiro na melhora da vergonhosa educação nacional. Mais uma vez, os governistas se comprometem a melhorar os serviços básicos desde que as receitas aumentem. A possível criação da CSS (Contribuição Social para a Saúde) é um exemplo. Esquecida por causa das eleições municipais, a contribuição resolveria o problema crônico da saúde.

O mesmo raciocínio se aplica aos lucros gerados pelo ouro negro. Os níveis educativos só seriam melhorados consideravelmente se a receita advinda do rentável petróleo tipo pré-sal fosse para a União. É de se perguntar quando o governo deixará de inventar novas receitas para cumprir promessas do tempo de D. João VI.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

PARA REFLETIR

Cadê o espírito olímpico na Ossétia do Sul?
POR Bruno Victor Toranzo

Depois de um tempo sem publicar, volto a escrever por aqui. Não foi possível dar atenção ao blog nos últimos dias. Nada melhor do que destacar um trecho da música do cantor Lulu Santos para comemorar o retorno: “(Que) Eu tô voltando pra casa”.

Ainda não comentei sobre as Olimpíadas nestas páginas virtuais. Como sempre, em época de jogos, só se fala no tal espírito olímpico. Dentre os valores lembrados, o mais emblemático diz respeito à igualdade e fraternidade entre os povos.

No entanto, essa adequação à diversidade só existe no país-sede do evento (quando não ocorre algum atentado terrorista como visto nos jogos de Munique em 1972). Basta observar o conflito entre Rússia e Geórgia pelo controle da Ossétia do Sul para comprovar a permanente tensão entre os países dentro do barril de pólvora chamado Terra.

Os georgianos aproveitaram a atenção mundial, voltada para a gloriosa competição internacional, para invadir o pequeno país, com cerca de 100 mil habitantes, que conseguiu a independência da mesma Geórgia dezesseis anos atrás. A Rússia mantinha tropas na Ossétia do Sul, sob o argumento de manutenção da paz, e respondeu, de forma imediata, à investida do exército da ex-república soviética.

O principal interesse dos russos, na verdade, é enfraquecer economicamente a Geórgia, que vive um período de forte crescimento. Por outro lado, os georgianos pretendem incorporar novamente ao seu território a região da Ossétia do Sul. O que move ambos os povos é o sentimento de rivalidade étnica presente há milhares de anos.

Ao mesmo tempo, elevado costumeiramente à mesma importância do conflito militar abordado, não se pode esquecer que o Brasil aparece na modesta trigésima oitava posição no quadro de medalhas olímpico. O judô foi responsável pelas três medalhas heróicas de bronze obtidas até agora.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

ATENÇÃO

Leia a reportagem de minha autoria sobre o mercado milionário dos carros customizados. Os fiéis e endinheirados clientes escolhem exatamente como os estúdios automobilísticos vão construir suas poderosas máquinas. Vá à banca mais próxima e compre a nova revista EXAME (Edição 924 - 13/08/2008).

Confira a reportagem digitalizada no seguinte link:
http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0924/consumo/m0165406.html.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

SAIU NA IMPRENSA

"Um relatório do banco de investimentos Morgan Stanley, divulgado no final de junho, concluiu: 'Para nossa grande surpresa, nós descobrimos que 50 dos 190 ou mais países do mundo estão sofrendo com a inflação de dois dígitos'. Isso significa dizer que mais da metade da população do planeta já está passando pela experiência de aumento médio alarmante dos preços".

"Essa combinação de baixo crescimento com alta inflação castigou o Ocidente três décadas atrás e representaria uma completa reversão dos bons ventos trazidos pela era de ouro da globalização".

Trechos da reportagem “Up, Up and Away...” publicada pela revista americana Newsweek (2 de agosto de 2008).

SARCASMO DA QUARTA

FONTE: Time.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

RÁPIDAS

Purificação para uns, poluição para muitos outros

O rio Spree, que atravessa a cidade de Berlim, capital da Alemanha, passará por processo de purificação. Serão necessários três anos de investimentos para a despoluição de suas águas. A exemplo de outros países desenvolvidos, os alemães tentam recuperar os recursos naturais mal utilizados no passado.

Os paulistas são especialistas quando o assunto é rio morto. Basta observar dois exemplos: Pinheiros e Tietê. O cheiro insuportável chega a incomodar as regiões próximas. Nos dias sem chuva, a situação fica ainda pior. Sem falar da frustração de não poder utilizá-los. Por enquanto, apenas algumas corajosas capivaras permanecem fiéis ao uso do nosso lastimável tipo de rio.

E tem candidato com proposta de cobrir água com laje como solução do transporte. Proposta, aliás, que causaria enorme impacto ambiental.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

ECONOMIA

Bolsa tem outro dia preocupante
POR Bruno Victor Toranzo

Mais uma vez, os investidores estrangeiros podem ser responsabilizados pela desvalorização significativa da Bovespa. O primeiro dia da semana reservou perdas de 3,51% do Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira.

A história se repete em meio à nova realidade de instabilidade crescente gerada pela saída maciça do capital estrangeiro dos negócios voltados para o clube dos emergentes. Os grandes fundos de investimento preferem movimentos menos arriscados em períodos tensos, como os títulos públicos americanos. Em época de crise, o melhor é recorrer à cautela.

Ao lado do Brasil, a Argentina também teve um pregão péssimo. O Índice Merval perdeu 3,78%, deixando os argentinos em pânico. Sem considerar o tamanho de cada uma das bolsas, a brasileira é infinitamente maior, o mercado acionário dos dois países se assemelha.

Além das bolsas serem dependentes do capital externo, as commodities têm papel fundamental na valorização de seus índices. Se a retração geral das economias realmente chegar, as conseqüências, como sempre, serão graves para os emergentes. Inclua o Brasil neles, apesar da aparente estabilidade econômica. Não se esqueça de que quanto menor o crescimento econômico mundial, menor o consumo das commodities.

Lá fora, as principais praças financeiras tiveram perdas reduzidas. A japonesa registrou maior queda: -1,23%. Logo atrás, veio a americana Nasdaq, que desvalorizou 1,10%.

SARCASMO DA SEGUNDA


FONTE: Newsweek.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

POLÍTICA

Análise do primeiro debate municipal
POR Bruno Victor Toranzo

"Há mais de trinta anos não chove em São Paulo". Essas palavras estiveram entre as primeiras pronunciadas pelo intermediador Boris Casoy do debate pela prefeitura de São Paulo, realizado nos estúdios da Rede Bandeirantes de Televisão.

Em uma desatenção, o experiente jornalista trocou "dias" por "anos" e só conseguiu se desculpar pelo erro depois do atual prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, Gilberto Kassab, apresentar-se ao público. A noite de ontem serviu para dar aos eleitores a primeira impressão de cada pretendente ao cargo de gestor da cidade.

A ausência de chuva abriu o encontro para alertar sobre os altos índices de poluição. Desde o começo das medições, o mês de julho de 2008 foi o mais seco de todos os tempos. O índice pluviométrico paulistano apontou preocupante zero milímetro. Isso mesmo. Não choveu um pingo de água o mês inteiro. Quem tem doenças respiratórias, como a maldita rinite, sofre demais com esse ar poluído.

Ao lado do problema ambiental, as questões do trânsito, a exemplo da qualidade do transporte público, também receberam atenção especial. Vale a pena lembrar que a prefeitura restringiu, recentemente, o tráfego de caminhões na tentativa de aliviar os congestionamentos.

Para demonstrar a simpatia pela construção das ciclovias, possibilitando a substituição do uso do carro, a candidata do PPS Soninha Francine pedalou nove quilômetros para chegar ao compromisso eleitoral. Com as bochechas vermelhas e visivelmente cansada, a jornalista tentou disfarçar, diante das câmeras, o desgaste físico. Ficou claro que os aclives e declives paulistanos não permitem que façamos grandes distâncias com uma bicicleta.

O candidato Ivan Valente, do PSOL, defende o subsídio estatal na totalidade do valor das passagens do transporte coletivo. Apesar da nobre intenção do ex-petista, isso não tem chances de acontecer. Mesmo que Valente chegasse ao poder, ele não conseguiria colocar em prática tal medida. Não é possível, em termos de orçamento, que a prefeitura arque com o transporte a custo zero.

Ao mesmo tempo, Valente tem razão em dizer que as passagens estão caras. A passagem dos ônibus municipais custa dois reais e trinta centavos. A do metrô e dos trens chegam a dois reais e quarenta centavos. Os preços não são justificados quanto ao conforto para o usuário. Muito pelo contrário. As pessoas ficam amontoadas, quase sem espaço para respirar, nos ônibus, trens e metrôs da cidade.

Já Paulo Maluf aposta, outra vez, em um projeto faraônico. Batizado de "freeway", o candidato do PP pretende cobrir de laje, com seis pistas adicionais para as marginais, os rios Pinheiros e Tietê. Como lembrou Soninha, a conseqüência imediata seria o aumento da temperatura paulistana. Uma verdadeira catástrofe ambiental.

Os primeiros colocados das pesquisas, a petista Marta Suplicy, o tucano Geraldo Alckmin e o democrata Gilberto Kassab, disseram que investirão no sistema metroviário e construirão outros corredores exclusivos de ônibus na capital. O empresário Renato Reichmann, do PMN, seguiu a mesma linha de pensamento dos três anteriores.

A falta de ataques pessoais marcou o primeiro encontro entre os possíveis prefeitos. Mesmo assim, as discussões não passaram do "morno". Há de se ressaltar o tempo reduzido para cada candidato expor suas idéias. A quantidade elevada de presentes evitou que as propostas fossem melhores detalhadas.

Estratégia garantida, como de hábito, esteve na citação dos polêmicos números. Não há problema em mostrá-los para complementar a fala ou comprovar uma realização. A estranheza fica por conta deles nunca serem os mesmos entre os candidatos: quantos milhões em caixa cada partido deixou para o sucessor, por exemplo. Na política, lamentavelmente, a matemática não costuma seguir o princípio da exatidão.

PARA OS OUVIDOS

O jornalista econômico Carlos Alberto Sardenberg, através da análise do último índice divulgado de inflação (IGP-M – Índice Geral de Preços do Mercado – produzido pela Fundação Getulio Vargas), comenta, durante programa da Rádio CBN, a desaceleração inflacionária. O resultado do IGP-M seria uma indicação de que o pico de elevação dos preços passou.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

SARCASMO DA QUINTA

FONTE: Newsweek.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

ECONOMIA

Vale e o urso enjaulado
POR Bruno Victor Toranzo

A Freeport-McMoran está entre as mais importantes mineradoras especializadas na extração de cobre. Um de seus complexos de mineração, o de Grasberg, localizado na Indonésia, possui a maior reserva de cobre recuperável do mundo. Qual a razão de começar a publicação com essa americana praticamente desconhecida entre os brasileiros?

Algumas fontes do mercado me disseram que a Vale está muito interessada na compra da Freeport. O capital obtido com a emissão primária de ações, pouco mais de R$ 18 bilhões, seria utilizado na aquisição. Claro que esse dinheiro não é suficiente para comprar a mineradora. O resto viria da contração de dívidas e cessão de ações para os investidores da Freeport.

O impacto inicial da compra seria muito menor do que a aquisição de uma Anglo American ou de uma Xstrata, duas mineradoras muito maiores. Essa seria a razão dos investidores compreenderem melhor o negócio. Com as contas organizadas, mantendo o grau de investimento, o patamar das ações da Vale deve continuar, na média, em alta.

As ações da Vale fecharam o dia com valorização próxima dos 7%. Um belo desempenho depois de dias ruins seguidos. Os resultados trimestrais extremamente positivos da ArcelorMittal, maior siderúrgica do planeta, foram importantes. Vale observar que as siderúrgicas, com destaque para as brasileiras CSN e Usiminas, estão em franco processo de crescimento.

Por conseqüência, a Bovespa, pelo menos nesta quarta-feira, enjaulou o urso: valorização de 3,37%. Resta saber se o animal, nada bem-vindo nas bolsas, continuará preso.

terça-feira, 29 de julho de 2008

POLÍTICA

Breve panorama das eleições municipais
POR Bruno Victor Toranzo

O candidato à prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin, saiu do hospital, nesta manhã, depois de uma intoxicação alimentar. De acordo com a última pesquisa, realizada pelo Datafolha, Alckmin está empatado tecnicamente com a petista Marta Suplicy na primeira posição.

Enquanto isso, Gilberto Kassab, atual prefeito de São Paulo, enfrenta saia-justa na fase inicial de disputa eleitoral. O democrata enviou e-mail a 26 subprefeitos paulistanos com a intenção de alterar os resultados do recente levantamento do Datafolha. Os partidários do prefeito tentariam influenciar os eleitores nas áreas de realização da pesquisa.

Ainda de acordo com o Datafolha, Kassab aparece na terceira posição, bem atrás dos primeiros colocados. A estratégia da campanha do DEM é explorar a imagem do governador José Serra, provável candidato tucano para a disputa da presidência em 2010. O problema está no sumiço de Serra, que parece ter esquecido do apoio político concedido nos tempos da convenção.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

ECONOMIA

Acordo distante
POR Bruno Victor Toranzo

O imbróglio da Rodada de Doha continua. Já se passaram duas semanas desde o recomeço das conversas. Ainda não foi possível encontrar o tão perseguido meio-termo entre os interesses dos países ricos e aqueles considerados em desenvolvimento.

Quando as conversas pareciam caminhar para um acordo, a Índia lembrou de um tal mecanismo internacional que permite aumentar o protecionismo em torno da economia. Ao mesmo tempo, o Mercosul, principalmente os argentinos, acusa os brasileiros de traidores. Isso porque o Brasil estaria tentando estipular, com os países ricos, uma taxa de importação inferior ao considerado justo pelos vizinhos do continente.

Conclusão: é provável que nada seja resolvido em mais uma rodada de negociações promovida pela OMC (Organização Mundial do Comércio).

sexta-feira, 25 de julho de 2008

RÁPIDAS

O urso está solto

Outro fechamento negativo da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo). Alguns economistas afirmam que estamos vivendo período de “bear market”. Isso significa dizer que o mercado acionário apresenta tendência de baixa. Qual a relação entre a figura do urso e a renda variável? O urso ataca de cima para baixo, mesmo movimento das ações nos últimos tempos.

Independentemente da analogia, o investidor precisa manter a calma diante dos maus resultados. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, deve fechar na faixa dos 80 mil pontos no final do ano.


quinta-feira, 24 de julho de 2008

SARCASMO DA QUINTA

FONTE: Newsweek.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

CONSUMO

Quanto desembolsar para morar em cada cidade

Os valores a seguir foram conseguidos através da média de preço dos apartamentos de 120 metros quadrados.

Preço, em dólares, por metro quadrado:

- Mônaco, Principado de Mônaco: US$ 56.588

- Londres, Reino Unido: US$ 29.508

- Moscou, Rússia: US$ 20.721

- Tóquio, Japão: US$ 15.851

- Paris, França: US$ 15.476

- Nova Iorque, Estados Unidos: US$ 14.898

- Buenos Aires, Argentina: US$ 1.833

- São Paulo, Brasil: US$ 1.000

FONTE: Global Property Guide.

terça-feira, 22 de julho de 2008

ECONOMIA

Pobres contra Ricos
POR Bruno Victor Toranzo

As dificuldades de conciliação dos interesses dos países pobres e ricos fazem com que a Rodada de Doha não avance. Lançada há sete anos por iniciativa da OMC (Organização Mundial do Comércio), as conversas não conseguem unir os objetivos dos dois grandes blocos.

Os desenvolvidos (alternativa de denominação para "ricos"), representados pelos Estados Unidos e a União Européia, insistem na continuação da injusta política de subsídios agrícolas. Importante atividade econômica dos países em desenvolvimento (outra denominação para "pobres”), encabeçados por Brasil, China e Índia, a agricultura é, muitas vezes, a grande responsável pela geração de riqueza.

Tradicionalmente, o preço dos alimentos dos países pobres é praticamente imbatível. Os ricos saem perdendo quase sempre. Com a prática dos subsídios, a lógica se inverte. Os produtos agrícolas do mundo desenvolvido passam a competir diretamente, algumas vezes com preço inferior, com aqueles advindos dos países pobres.

O governo utiliza de algumas práticas para reduzir esse preço. Os agricultores são beneficiados com o financiamento de parte da produção e também recebem, em alguns casos, isenção ou redução de impostos. É o velho e famoso protecionismo voltando à cena.

Os Estados Unidos se comprometeram a estabelecer novo limite para o pagamento de subsídios. Esse máximo passaria a ser de US$ 15 bilhões. A União Européia fez melhor proposta. A redução das tarifas agrícolas chegaria a 60% do valor atual.

Infelizmente, nenhuma proposta de acabar com esse mecanismo. Se isso acontecesse, presenciaríamos verdadeira redução dos índices de pobreza. Não há solução mágica para diminuir a quantidade de famintos. Basta que os ricos deixem os pobres atuarem em sua especialidade: a atividade agrícola. Melhor dizendo: a agropecuarista.

Em troca de abrir mão de parte do protecionismo, os países pobres deverão expor, sem maiores questionamentos, os setores industrial e de serviços ao capital do Primeiro Mundo. A eliminação das tarifas alfandegárias sobre os artigos industriais é o maior pedido.

Para que tudo isso vire realidade, os 152 membros da OMC precisam concordar com as propostas. A julgar pela troca de farpas entre o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e Susan Schwab, representante comercial dos Estados Unidos, as negociações não têm data para terminar.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

SARCASMO DA SEGUNDA

FONTE: Time.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

PARA REFLETIR

Fila cheira a cigarro
POR Bruno Victor Toranzo

Não agüento mais ficar com cheiro de cigarro por ter de estar atrás de um fumante, ou na frente dele, nas filas dos transportes metropolitanos. Para quem conhece o sistema Ponte Orca, aquele microônibus que liga as estações de trem Cidade Universitária e de metrô Vila Madalena, sabe do que estou falando.

A necessidade de se organizar em filas para esperar a chegada do microônibus obriga os não-fumantes a exalar constantemente a fumaça tóxica do cigarro. Deixo bem claro que nada tenho contra os fumantes. Se essa turma quer se matar, o problema não é meu. Mas, a partir do momento que estou sendo importunado pela fumaça, preciso me manifestar.

Defendo a criação de um decreto, com validade imediata, proibindo o ato de fumar em todas as filas, indianas ou não, espalhadas pelo Brasil. Apesar de ser simpático à regulação, duvido que resolva. As indicações para não fumar são claras, por exemplo, nas estações de trem. Mesmo assim, as pessoas insistem em acender a droga.

Além da fumaça me deixar fedendo à nicotina, fico com uma terrível rinite para o resto do dia. É difícil conviver com a perigosa mistura gerada pelo tempo seco, há dias sem chover em São Paulo, e as emissões das ainda comuns chaminés humanas.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

ECONOMIA

Sem as commodities, a Bovespa não sobrevive
POR Bruno Victor Toranzo

Ficou bem clara a dependência da bolsa brasileira em relação às commodities no pregão desta quinta-feira. Ao contrário das principais praças financeiras do mundo, a Bolsa de Valores de São Paulo apresentou queda de mais de 3%. Resultado, sem dúvida, assustador para os investidores comuns classificados como pessoa física.

Aliás, são eles que estão reduzindo as perdas do mercado acionário brasileiro. Apesar de serem poucos frente ao universo da população nacional, os investidores físicos aplicaram cerca de 9 bilhões de reais até agora no ano. Por outro lado, os investidores estrangeiros, representados ou não pelos grandes fundos de investimentos, saíram em massa.

Retomo agora o assunto principal da publicação. A China, maior consumidora mundial de commodities, pode diminuir as importações de produtos primários para os próximos anos. A redução indicaria uma natural desaceleração econômica, depois de anos seguidos de crescimento voraz. Essa possibilidade já figura na boca dos analistas do mercado. A diminuição da demanda chinesa traz preocupação para a Vale, o que determinou queda das ações ordinárias de 5,41% e perda de 5,40% do valor das preferenciais.

O barril de petróleo cru, negociado pela Bolsa Mercantil de Nova Iorque, caiu mais de US$ 17 desde o recorde atingido na última sexta-feira, dia 11 de julho. A última máxima do ouro negro foi de US$ 147,27. Como conseqüência, a Petrobras sofreu expressiva desvalorização dos papéis: -4,95% (PN) e -4,23% (ON).

quarta-feira, 16 de julho de 2008

SARCASMO DA QUARTA


FONTE: Newsweek.

terça-feira, 15 de julho de 2008

POLÍTICA

O muçulmano Obama
POR Bruno Victor Toranzo

A tradicional (criada em 1925) revista americana The New Yorker, uma espécie de Piauí, trouxe polêmica sátira do candidato presidenciável Barack Obama na capa. Como você pode perceber (figura abaixo), Obama é reproduzido como muçulmano, acompanhado de Michelle, sua mulher, armada, além da presença de um retrato, pendurado na parede, de Osama bin Laden.

Evidentemente que o desenho teve enorme repercussão no disputado ambiente político das próximas eleições. Até mesmo o republicano John McCain, adversário da disputa, considerou a capa de mau gosto. A verdade é que aproveitou a situação para se promover, deixando a ilusão de que nunca citou a falta de patriotismo, bem como a simpatia pelo oriente, do oposicionista até agora na campanha.

Por falar nisso, a revista justificou a sátira pelo que constantemente dizem os republicanos. Nenhuma invenção. Mera constatação dos discursos do partido de Bush. Esteja certo que McCain e seus partidários comemoraram e deram boas gargalhadas com a edição histórica.



FONTE (imagem): The New Yorker.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

PARA REFLETIR

Luciana Gimenez e “dança do créu”: duas aberrações
POR Bruno Victor Toranzo

Sexta-feira à noite. Sexta-feira passada. Mudando de canal na eterna tentativa de encontrar algo interessante. Ao sintonizar o canal 9, atual RedeTV!, antiga Manchete, tive de parar para assistir.

Não. Nada disso. Não encontrei nada que merecesse minha audiência. Muito pelo contrário. Fiquei perplexo, completamente indignado, com o programa da fenomenal apresentadora Luciana Gimenez. Tema da noite: “dança do créu”. Essas aspas já dizem tudo.

Muito longe de um ritmo musical, o “créu” é de extremo mau gosto por vulgarizar, a todo momento, o ato sexual. A insinuação é clara para os adultos e, naturalmente, desconhecida para o público infantil. As crianças são vítimas de tamanha aberração por reproduzirem os movimentos na mais completa ingenuidade.

Lamentavelmente, as “dançarinas” não percebem o papel ridículo e humilhante desempenhado. Para elas, mexer o quadril rapidamente, com a calcinha visível, é uma habilidade digna de reconhecimento. Verdadeiro atentado contra as mulheres defensoras e sabedoras de seus direitos na sociedade. Ameaça às seguidas tentativas de diminuir qualquer influência machista ainda existente.

É inacreditável que a emissora tenha concedido tanto espaço. Não deveria importar o ibope que dá ou deixa de dar. Essa aberração não pode estar na TV. A RedeTV! não contribui para o enriquecimento da vida cultural do brasileiro com o "créu".

Aproveito para ressaltar o amadorismo de Luciana Gimenez. Com erros comuns e grotescos de português, Gimenez é outro mal terrível para a televisão. Ao lado da falta de domínio da língua, a mulher do dono da emissora não domina os assuntos. Mal sabe do que está falando. Para finalizar, deixo uma das sugestões dadas pela brilhante apresentadora à “dançarina” chamada de Jaca:

“Nossa! Você poderia escrever um livro de como fazer para dançar o créu!”

Peço que deixem, ao menos, os livros de fora, por favor.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

POLÍTICA

Surpreendido por um eleitor
POR Bruno Victor Toranzo

Abri a revista. Exatamente na metade. Comecei a ler. A matéria falava sobre as eleições nas cidades do Grande ABC, incluindo Diadema, Mauá e Ribeirão Pires. Veículo informativo tradicional da região. De repente, a surpresa veio do meu companheiro de trem, logo ao lado. O homem apontou para um dos candidatos e disse com entonação exagerada, típica do castelhano: “Voto nele”. Tamanha confiança política não poderia ser em vão.

Tirei o fone do ouvido direito para saber o que teria para dizer. Quando o homem proferiu as primeiras palavras, o fone do lado esquerdo deixou naturalmente o orifício do ouvido. “Ele prometeu lutar pelo direito do meu filho de pagar metade no cinema”. O que o inquieto eleitor tinha para dizer parecia interessante.

Como muitos outros brasileiros, o homem luta para que seja ouvido. Apesar de ter freqüentado o gabinete de algumas autoridades, principalmente de políticos, o cidadão não teve seu pedido atendido. No entanto, com as eleições municipais se aproximando, as esperanças reacendem em torno da vitória do candidato e a realização do prometido.

Não disse até agora a razão da manifestação para que o filho tenha direito de pagar metade. “Deficiência mental leve”, respondeu o homem quando perguntei. Mesmo assim, o pai orgulhoso diz que o filho se destaca intelectualmente entre os colegas da ONG, que funciona aos moldes de uma escola especial. Além de gostar de teatro, o rapaz, de 20 anos, é vidrado em cinema.

A gravação do trem anuncia que estamos próximos. Quase chegando à estação da Luz. Último destino da linha férrea para aqueles que saem das cidades do ABC. Cada um de nós continuará a vida. Apesar de termos conversado, a relação chegou ao fim ali mesmo. Desejo que consiga o que está perseguindo. Talvez nos vejamos em alguma outra viagem.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

DICA CULTURAL

Vá ao teatro e morra de rir
POR Bruno Victor Toranzo

De rolar de rir. Essa é a melhor definição da atração Clube da Comédia exibida todas as quartas-feiras no agradável teatro Procópio Ferreira. Caso vá a pé, ao sair da estação Consolação do metrô, não caia na besteira de descer a Augusta no sentido da sala Unibanco de cinema. É do outro lado. O mesmo lado do Conjunto Nacional. Desça em direção à charmosa Oscar Freire.

Só a presença dos humoristas Oscar Filho, também chamado de "Pequeno Pônei” pelo grande Marcelo Tas, e Danilo Gentili, o famoso repórter inexperiente do CQC (Custe o Que Custar), já valeria a compra dos ingressos. Ao lado deles, ainda está o “zorrista total” Marcelo Mansfield, além da atriz Marcela Leal. O jornalista Rafinha Bastos é outro que faz parte do grupo de comediantes, mas, pelo que pude perceber, não está participando das apresentações do Procópio.

Apenas banquinho e microfone no palco. Sem qualquer outro recurso, seja ele visual ou sonoro. Roupa normal: sem representação alguma. Diria que se parece muito com uma conversa informal. Amplamente conhecido nos Estados Unidos, esse tipo de teatro se chama stand-up. O grande desafio para os atores é conquistar a atenção do leitor e, mais importante, fazê-lo rir, contando apenas com a criatividade no detalhamento das situações. Em alguns momentos, a platéia é convidada para interagir.

A grande habilidade dos humoristas fica por conta da observação atenta dos fatos rotineiros e a produção de humor a partir deles. Importante: humor inteligente e criterioso. O dia-a-dia corrido faz com que não estejamos atentos às situações naturalmente engraçadas que ocorrem ao nosso redor. Quando o público se sente representado ou lembra da exata situação abordada no palco, fica impossível controlar o riso – maior motivo do merecido sucesso do grupo.

terça-feira, 8 de julho de 2008

RÁPIDAS

Farol amarelo para a Siemens

A tradicionalíssima Siemens, multinacional alemã de tecnologia, anunciou a demissão de pouco mais de 16.500 trabalhadores. Cerca de cinco mil postos de trabalho deixarão de existir na Alemanha. Os resultados ruins do segundo trimestre motivaram a redução das despesas. O lucro líquido caiu 67% no período em comparação ao ano passado.

É o tão comentado sinal de tempestade que ameaça devastar o ambiente econômico internacional. Na verdade, o mau tempo já começou. Leitor, sugiro que encontre refúgio e se proteja dos preocupantes dias que virão.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

SAIU NA IMPRENSA

O brutal regime de Robert Mugabe no Zimbábue

"Enquanto já foram computadas 80 mortes geradas pelo conturbado processo eleitoral zimbabuense, outras milhares de pessoas sofreram com algum tipo de violência. Ativistas dos direitos humanos apontam para 500 desaparecidos que podem entrar na quase já centenária lista de mortos. No entanto, a política do governo parece ser a de propagar a violência sem matar os oposicionistas. Quando um manifestante está apanhando com o uso de barras de aço e cassetetes pelas forças governistas, matá-lo seria fácil. Porém, preservá-lo vivo gera um forte sentimento de propósito detido ou reprimido para as vozes contrárias ao totalitarismo de Mugabe".

Trecho da reportagem “Let´s Kill The Baby” (Revista Newsweek, 3 de julho de 2008).

SARCASMO DA SEGUNDA


FONTE: Time.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

ESPECIAL

Help us, clamam as automobilísticas
POR Bruno Victor Toranzo

O setor automobilístico americano acumula perdas seguidas com as vendas constantemente em baixa. As grandes montadoras suplicam por ajuda do governo para continuar as atividades.

Pode-se conferir ao petróleo o grande responsável pela derrocada das automobilísticas. Diferentemente do Brasil, a alta do preço do barril acaba sendo repassado para o consumidor. Com o combustível caro na bomba, o americano está evitando a utilização do veículo.

Ao lado da gasolina elevada, existe o temor dos americanos com dias ainda mais difíceis. Apesar do FED, o banco central dos Estados Unidos, sinalizar a continuação da política de juros baixos, a população continua receosa em consumir. Essa combinação está prejudicando a tradicional indústria automobilística americana.

Se os setores econômicos em geral não vivem bons dias, o de automóveis convive com um horizonte estarrecedor. Basta analisar os números para perceber. Segunda maior produtora de automóveis estadunidense, a Ford viu mais de 30% das vendas desintegrarem entre junho de 2007 e o mesmo mês desse ano.

Não muito atrás está a Chrysler, terceira maior fabricante. Com queda de 36% da procura por seus modelos, os analistas financeiros já cogitam pedido de moratória pela companhia.

Na quarta-feira (2 de julho), os investidores se assustaram com mais uma péssima notícia da indústria de automóveis. O Banco Merrill Lynch já trabalha com a possibilidade da GM, também conhecida como General Motors, seguir os mesmos passos da Chrysler. Isso porque as vendas caíram mais de 18% no mês passado (junho) na comparação com 2007.

Susto justificado. O poderio americano se representa em marcas como a GM. Detentora da maior fatia do mercado de automóveis dos Estados Unidos e maior montadora do planeta, a General Motors vendeu 9,2 milhões de veículos (carros e caminhões) no ano passado. Em termos de representatividade, a GM controla 13,3% do mercado internacional. No Brasil, de acordo com cálculo de 2007, exatos 20,3% estão nas mãos da automobilística americana.

Por falar em Brasil, a situação por aqui é completamente diferente. De acordo com os dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), disponibilizados nesta sexta-feira (4 de julho), a venda de veículos novos de janeiro a junho desse ano atingiu valor recorde.

Uma expansão de 27,2% no primeiro semestre, em relação ao mesmo período de 2007, demonstrou o excelente momento vivido pelo setor. Isso significa 2,4 milhões de novas unidades circulando pelas tranqüilas e calmas vias brasileiras.

Os melhores retornos financeiros, quando comparados ao gigante americano, mostram outra vez o quanto os países antes considerados irrelevantes passaram a desempenhar papel fundamental para a estratégia corporativa de qualquer grande empresa.

Quem diria que as subsidiárias dos emergentes, com destaque para a brasileira, apresentariam resultados superiores aos países fundadores. Pena que Henry Ford não está vivo para ver.

ESPECIAL

Números da General Motors

Market Share (Participação de Mercado):

Mundo:
2005: 14,1%
2006: 13,5%
2007: 13,3%

Estados Unidos:
2005: 25,9%
2006: 24,2%
2007: 23,5%

Europa:
2005: 9,4%
2006: 9,2%
2007: 9,5%

Brasil:
2005: 21,3%
2006: 21,3%
2007: 20,3%

China:
2005: 11,6%
2006: 12,3%
2007: 12,1%

FONTE: Relatório Anual da GM 2007.

ECONOMIA

CNI não concorda com insuficiência produtiva
POR Bruno Victor Toranzo

Estou cansado de ouvir que estamos vivendo o mal da inflação em dose dupla. O aumento excessivo da demanda é a razão em comum. Mesmo em dobro, ambas estão devidamente controladas, bem distantes dos números zimbabuenses ou mesmo dos brasileiros de alguns anos atrás.

A primeira delas é muito conhecida. Chegou à fama por aumentar o preço dos alimentos no mundo inteiro. Explicação básica: os emergentes, encabeçados pelos chineses e indianos, passaram a comer mais. Seria uma excelente notícia se a produção de alimentos tivesse acompanhado o ritmo.

Ao mesmo tempo, o outro efeito inflacionário, exclusividade brasileira, acontece pela falta de capacidade produtiva para atender a sede consumista da população. Simplesmente faltam indústrias e condições de fabricação.

O aumento do preço por demanda acontece quando a oferta não dá conta da procura. Muita gente com intenção de comprar para limitada capacidade industrial ou agrícola produtiva. Trata-se de uma idéia básica de mercado. Quando não há produto suficiente para atender o consumo, a tendência é de aumento dos preços.

No entanto, a CNI (Confederação Nacional da Indústria), em relatório divulgado ontem, quinta-feira (3 de julho), contesta a insuficiência da capacidade produtiva industrial. Para a confederação, apenas o setor automobilístico e os dependentes (exemplo: autopeças) não estão conseguindo atender toda a procura de maneira eficiente.

O restante da indústria não se encontra no limite da capacidade. Pelo contrário: está sofrendo desaquecimento. A CNI deixa claro que os seguidos aumentos da taxa de juros foram desnecessários. O controle rígido da concessão de crédito bastaria para diminuir a venda de veículos.

Ainda de acordo com os industriais brasileiros, o indicador, que sustenta a inexistência de saturação produtiva, vem da medição do número de horas trabalhadas. Em maio, esse número foi apenas 2,7% superior ao mesmo mês do ano passado. Essa variação ficou bem abaixo dos 6,7% verificados nos quatro primeiros meses desse ano, em comparação ao mesmo período de 2007.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

SARCASMO DA QUINTA


FONTE
: The Economist.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

ECONOMIA

Ações viram motivo de preocupação
POR Bruno Victor Toranzo

Péssimo dia para a Bovespa. Como de costume nos últimos meses, o Ibovespa voltou a cair. Dessa vez, os investidores tiveram de engolir uma queda superior aos 3,5%.

Claro que as principais praças financeiras fecharam no vermelho. Os indícios de inflação estão fazendo com que os bancos centrais de diversos países aumentem a taxa de juros. Tal comportamento desestimula o investimento na renda variável. Os títulos públicos se tornam o alvo dos grandes investidores.

Pior será se os Estados Unidos seguirem o mesmo caminho. Para o alívio do mercado acionário, a última reunião do banco central americano manteve os juros em 2% ao ano. O que impede Bernanke, presidente do FED, e sua turma de aumentarem os juros é a necessidade de aquecer a maior economia do planeta urgentemente. Uma tarefa que se mostra, com o passar dos dias, assim como a recuperação das ações, praticamente impossível.

terça-feira, 1 de julho de 2008

SARCASMO DA TERÇA


FONTE: Newsweek.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

ECONOMIA

Não vá, investidor estrangeiro
POR Bruno Victor Toranzo

A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) registrou saída recorde de investimento estrangeiro em um único mês. Foram R$ 7,4 bilhões dizendo adeus para a bolsa brasileira em junho (até o dia 24).

Esse é o principal motivo das perdas constantes do Ibovespa (Índice Bovespa) registradas nos últimos tempos. Mesmo com a obtenção do grau de investimento, os reflexos da crise, iniciada com o subprime, ainda não foram embora. Para piorar, a inflação apareceu no horizonte e tem grandes chances de se agigantar nos próximos meses.

O aumento dos juros americanos poderia tornar esse cenário ainda mais nebuloso. Com juros maiores, os investidores vão preferir a estabilidade dos títulos públicos dos Estados Unidos à incerteza da, seja lá onde for, renda variável.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

SAÚDE

O privilégio da saúde paga

Apenas 20% dos brasileiros têm condições de contar com um plano de saúde privado. Isso representa quase 40 milhões de pessoas. Só a título de comparação: os Estados Unidos têm 85% de sua população incluída em algum plano médico particular.

Mesmo assim, os americanos, assim como os brasileiros, precisam melhorar muito para chegar ao nível de saúde dos países europeus. O serviço público é péssimo, e o particular deixa muito a desejar. Veja a divisão entre as regiões brasileiras quanto ao acesso à saúde privada:


Sudeste:
32,3%

Sul:
18,8%

Centro-Oeste:
13%

Nordeste:
9,1%

Norte:
7,2%

FONTE: Agência Nacional de Saúde Suplementar e relatório do mercado financeiro.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

RÁPIDAS

Rumo aos US$ 170

Petróleo a US$ 170. Quem disse foi o próprio presidente do cartel da commodity, conhecido como OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), Chakib Khelil. O preço parece percorrer esse caminho. Durante a sessão desta quinta-feira, o barril chegou a ultrapassar a barreira dos US$ 140. No entanto, esse valor não se manteve e fechou ainda assim com a cotação recorde de US$ 139,64.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

RÁPIDAS

Taxa de juros americana

O Banco Central dos Estados Unidos, conhecido como FED, decidiu manter a taxa de juros em 2% ao ano. A expectativa do mercado estava no aumento dos juros. Isso porque a pressão inflacionária, a exemplo de todos os outros países, está crescendo. Além dos alimentos estarem mais caros, o combustível anda assustando os consumidores americanos. A gasolina aumentou consideravelmente e já está no patamar dos US$ 4.


Uma eleição para “relaxar e gozar”?

Os eleitores paulistanos preferem Marta Suplicy a Geraldo Alckmin ou Gilberto Kassab para assumir a prefeitura. A pesquisa Setcesp/Ibope aponta a candidata do PT com 31% das intenções de voto, deixando Alckmin para trás com 25%. Kassab, atual prefeito de São Paulo, aparece com 13% na terceira posição. Até agora, a ex-ministra do Turismo está “relaxando e gozando” na liderança da corrida municipal.


Mais gastos para o governo com o Bolsa-Família

O governo vai reajustar em 8% os benefícios do Bolsa Família. A medida objetiva compensar a alta dos alimentos causada pela inflação a nível mundial. Apesar da boa intenção, repleta delas em época de proximidade eleitoral, tal decisão pode elevar ainda mais a taxa inflacionária.

Vale lembrar que um dos grandes responsáveis pelo aumento dos preços por aqui é o próprio governo. Os gastos públicos não param de crescer. A solução é simples de enunciar, mas difícil, pelo que se vê, de colocar em prática: corte de gastos para diminuir o tamanho monstruoso do Estado.

HOMENAGEM

Acima de tudo uma verdadeira cidadã

A primeira publicação dessa quarta-feira homenageia a ex-primeira-dama Ruth Cardoso. Aos 77 anos, faleceu vítima de uma arritmia cardíaca. Mulher de destaque intelectual, nunca se aproveitou do status de ser a esposa do presidente. Muito pelo contrário. A generosa Ruth se interessava pelas questões sociais e sempre procurou ajudar as pessoas. Uma grande e fiel companheira para Fernando Henrique Cardoso. Uma grande cidadã brasileira. Vá em paz, Dona Ruth.

terça-feira, 24 de junho de 2008

EDUCAÇÃO

Menos de 2 livros por ano

Não é novidade o fato do Brasil ser considerado atrasado em termos de padrão educacional. As escolas públicas definitivamente não apresentam uma boa qualidade de ensino. Ao mesmo tempo, por conseqüência, o brasileiro não tem o hábito da leitura. Acompanhe, logo abaixo, os números que mostram, em cada país, a quantidade de obras lidas por ano:

Japão: 11 livros;

Estados Unidos: 9 livros;

França: 7 livros;

Espanha: 6 livros;

Reino Unido: 5 livros;

Itália: 5 livros;

Brasil: 1,8 livro.

FONTE: relatório do mercado financeiro.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

RÁPIDAS

Festa Junina e Pizza: tudo a ver

O recesso branco chegou. Uma semana sem trabalhar. Por quê? Dizem que a razão é a convenção partidária. Mentira. É hora dos parlamentares aproveitarem as quermesses do período de festa junina. Que delícia! Há de tudo: quentão, vinho quente, cachorro-quente, espetinho, fogazza... Mas nenhum desses quitutes encanta tanto quanto a pizza. Brasília não fica sem. A própria parada dos nossos brilhantes políticos já configura uma grande pizza.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

SARCASMO DA SEXTA

FONTE: Newsweek.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

NOVAS E NOVAS

Protesto com cheiro de bolor
POR Bruno Victor Toranzo

Cerca de mil e quinhentos manifestantes estiveram em frente ao Banco Central, em Brasília, para protestar. Os recentes aumentos dos juros motivaram tal protesto. A UNE (União Nacional dos Estudantes), além do MST (Movimento Sem-Terra), estava por lá. Os alunos chegaram a sujar com tinta os vidros do prédio do BC.

Só não dá para entender o porquê do protesto. A maldita inflação voltou. Mesmo que fraca, seu potencial de crescimento é enorme. Por anos seguidos, sentimos na pele esse mal. Não tenha dúvida, portanto, que o protesto é obra da senhora Redpast (cuja cor favorita é vermelho). A velha não agüentou ficar longe dos holofotes e deu o ar da graça.

Com pensamento ultrapassado ligado àquela esquerda embolorada, os estudantes não concordam com a política de aumento dos juros. Poderiam, ao menos, propor uma solução melhor. Quando alguém discorda, esse mesmo alguém sugere uma alternativa. Mas eles não têm. Talvez os estudantes queiram a volta dos preços tabelados.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

ECONOMIA

Exportações para os Estados Unidos (em bilhões)

Os números mostram a enorme diferença entre brasileiros e chineses quando o assunto é exportação para os americanos. O Brasil, nos últimos anos, diversificou seus parceiros comerciais, enquanto a China enfocou os americanos para despejar seus produtos.

Qual das apostas mostrou-se mais acertada? A julgar pela crise da economia de Alan Greenspan, a brasileira parece ter sido a vencedora. Por outro lado, o mercado americano oferece vultuosos ganhos, além da segurança de pagamento, aos investidores.

2000:
Brasil: US$ 13,7
China: US$ 99,5

2001:
Brasil: US$ 14,4
China: US$ 102

2004:
Brasil: US$ 21,1
China: US$ 196,1

2005:
Brasil: US$ 24,3
China: US$ 242,6

2006:
Brasil: US$ 26,1
China: US$ 287

FONTE (números): United States International Trade Comission.

SARCASMO DA QUARTA


FONTE: Time.

VÍDEOS



As entrevistas feitas pelo repórter inexperiente do CQC (Custe o que Custar) chegaram ao fim. O jornalista Roberto Cabrini (“Cabreiro” para o personagem do comediante Danilo Gentili) foi vítima da mais engraçada delas. Nada melhor do que relembrá-la.


FONTE: YouTube

terça-feira, 17 de junho de 2008

ECONOMIA

Aposte nas commodities se for capaz
POR Bruno Victor Toranzo

A popularização do mercado de ações é realidade. Muito se fala a respeito dos benefícios de entrar na renda variável. Basta comprar uma parcela de ações para se tornar sócio de uma grande empresa. O número de investidores classificados como pessoa física só aumenta no Brasil. Quase 500 mil contas estão inscritas na CBLC (Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia).

Se o momento é bom para as ações, melhor ainda é a fase dos produtos agrícolas negociados nas bolsas de valores – chamados de commodities. A valorização deles ficou bem acima do Ibovespa, o principal índice da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), que traz o comportamento médio dos sessenta papéis mais negociados.

Os fundos de investimento da administradora Sparta englobam uma gama de commodities, com destaque para o boi, o milho e a soja. A rentabilidade desses fundos atingiu os 106% até agora no ano, porcentagem praticamente doze vezes superior ao Ibovespa.

As negociações de caráter agrícola são feitas na BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros). A grande diferença para as ações fica por conta do mecanismo denominado ajuste diário. Os investidores ganham ou perdem todos os dias. O dinheiro é sacado ou depositado automaticamente. Trata-se, portanto, de operações financeiras de alto risco.

Vamos a um exemplo. Você determina no contrato que o preço de alguma commodity será de X para o final de outubro. Caso o preço fique, no dia seguinte, abaixo do X estipulado, você perderá o valor proporcional à queda. O caminho inverso obviamente acontece com os ganhos. Se ficar acima, você leva para casa o aumento correspondente.

O futuro aponta para a continuidade da valorização dos produtos agrícolas. Como não poderia deixar de ser, a China motiva tal comportamento. A demanda chinesa para sustentar o crescimento de dois dígitos continuará muito alta.

Sorte do Brasil. Grande exportador de produtos primários e, por conseqüência, um dos maiores beneficiários da alta dos preços das commodities, o governo precisa aproveitar o bom momento para, entre outros avanços, consolidar, de fato, a economia no disputado cenário internacional.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

RÁPIDAS

Sem CSS e Gilberto, por favor

A discussão em torno da CSS (Contribuição Social para a Saúde) cansou. E não por ela. Mas pelo histórico que traz. O governo é tão insistente na recriação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) quanto o técnico da seleção em escalar o perna-de-pau do Gilberto na lateral-esquerda.

Espero que o Senado dê um final feliz para a novela, com a não aprovação da CSS. A decisão, segundo o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, deve ocorrer até o final da semana. Quanto ao Gilberto, não há prazo para que ele saia do time titular brasileiro.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

PARA OS OUVIDOS



O jornalista econômico Carlos Alberto Sardenberg comenta a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). A expectativa é que os juros básicos continuem subindo até chegar aos 14% no final do ano. O motivo, claro, fica por conta do ameaçador ressurgimento do vilão inflacionário.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

ECONOMIA

A crescente dependência econômica do valioso petróleo (em milhões de barris por dia)

2000:
Estados Unidos: 19,7
China: 4,7
Restante do mundo: 52,1

2001:
Estados Unidos: 19,6
China: 4,9
Restante: 52,8

2002:
Estados Unidos: 19,7
China: 5,1
Restante: 53,1

2006:
Estados Unidos: 20,6
China: 7,2
Restante: 56,7

2007:
Estados Unidos: 20,6
China: 7,5
Restante: 57,1

2008:
Estados Unidos: 20,4
China: 8
Restante: 57,9

2009 (projeção):
Estados Unidos: 20,5
China: 8,4
Restante: 58,7

FONTE: Departamento de Energia dos Estados Unidos.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

SARCASMO DA QUARTA

O alto preço da gasolina é um dos sinais inflacionários da economia americana.

FONTE: Newsweek.

terça-feira, 10 de junho de 2008

POLÍTICA

O agora candidato Maluf e sua deprimente biografia
POR Bruno Victor Toranzo

Outra vez. De novo. Para infelicidade de muitos. Inclusive minha. O veterano Paulo Maluf voltará a concorrer pela prefeitura de São Paulo. A convenção do PP (Partido Progressista) preferiu o nada confiável Maluf ao eterno coadjuvante Celso Russomanno.

É preciso lembrar que Maluf recebeu o maior número de votos, em 2006, quando concorreu à vaga de deputado federal. O apoio passou dos 730 mil paulistas para minha incredulidade. Se bem que tal número significou pouco mais de 3% dos votos totais do estado. Por isso, procuro agora, depois de algum tempo, analisar de forma otimista: 97% dos eleitores não votaram nele. Espero que a mesma porcentagem se repita nas eleições municipais.

Ao saber da nova candidatura de Maluf, tive vontade de buscar algumas informações do seu belo passado político. Claro que recorri ao maravilhoso e dinâmico Google. Facilmente, consegui acessar os arquivos antigos. O principal deles remonta ao período em que esteve à frente da mesma prefeitura, entre os anos de 1993 e 1996. A acusação gira em torno do desvio de US$ 210 milhões dos cofres públicos. O destino, como sempre em operações ilegais desse tipo, teria sido os paraísos fiscais, como as ilhas Jersey.

Quem não lembra que o próprio também está sendo acusado pela justiça americana? O motivo se relaciona ao envio de US$ 11,5 milhões de dólares, de forma ilegal, do Brasil para um banco americano. Para o promotor Robert Morgenthau, todos esses dólares vieram de obras públicas de São Paulo.

Não satisfeito em concorrer à prefeitura, Maluf acaba de lançar um escrito (definitivamente não podemos chamar de livro e, muito menos, de obra) de caráter biográfico. Um dos objetivos é explicar todas as polêmicas políticas que se envolveu. No texto de resumo do escrito, o candidato à prefeitura diz que cansou de apanhar da imprensa. Naturalmente, o doutor Paulo reivindica um pouco de liberdade para exercer aquilo que faz de melhor.

É claro que os mensaleiros e sanguessugas se interessaram pela biografia. Virou sucesso. Arrisco dizer que já compraram. Veja, com seus próprios olhos, tal escrito:

http://www.ediouro.com.br/templates/ediourolivros/catalogo/catalogo.asp?Codigo=14579&AreaSite=2

segunda-feira, 9 de junho de 2008

ECONOMIA

Todo mundo virou flex
POR Bruno Victor Toranzo

Um tipo de motor genuinamente brasileiro. Essa pode ser a mais simples definição da tecnologia flex desenvolvida pela indústria nacional. Desde 2003, o consumidor tem a vantagem de decidir entre o álcool e a gasolina na hora de encher o tanque.

Já em 2004, um quinto dos carros novos vendidos pelas montadoras nacionais tinha motor flexível. A participação aumentou ao longo do tempo e atingiu 86% no ano passado, o que significa mais de 2 milhões de unidades vendidas. Em julho, a expectativa é que o Brasil contabilize a venda de 6 milhões de veículos bicombustíveis.

Os Estados Unidos têm cerca de 5 milhões de carros flex. Apesar de parecer muito, esse número representa pouco mais de 2% dos 214 milhões de veículos que rodam por lá. Diferentemente do Brasil, que utiliza nos motores a totalidade de álcool, os americanos colocam 85% de etanol, proveniente do milho, beterraba e grãos, misturados aos 15% de gasolina. Outros países adicionam até 20% do produto da cana-de-açúcar à gasolina.

A recepcionista Renata Oliveira, 18, tem na ponta da língua a razão de ter adotado a tecnologia flex. “Baixo custo. Com o carro flex, posso optar pelo álcool, que está sempre mais barato na comparação com a gasolina.”

No entanto, é difícil saber exatamente qual o preço médio dos combustíveis nos postos. A razão está na possibilidade de os revendedores trabalharem com preços diferentes, seguindo apenas um valor mínimo combinado. Atualmente, o preço do litro do álcool está R$ 1 mais barato que o da gasolina.

Com o preço do barril de petróleo disparando no mercado internacional, o governo brasileiro, por meio da Petrobras, aumentou o preço do combustível. Mas, no caso da gasolina, diminuiu a Cide (Contribuição da Intervenção do Domínio Econômico), imposto cobrado sobre a comercialização dos combustíveis, para evitar o repasse para o consumidor. Mesmo assim, alguns postos aumentaram o preço do produto.

Janaina Acquesta Canal, 25, mudou recentemente para o álcool. A advogada faz o trajeto de São Bernardo ao centro de Santo André todos os dias. Quando a gasolina era a única opção, Janaina percebeu que os gastos com combustível estavam muito além daquilo que gostaria de pagar. “Estava gastando quase R$ 400 todos os meses para me locomover.” Depois de escolher o álcool, o valor caiu pela metade. “O álcool, além de ser mais barato, também tem um excelente rendimento”, afirmou.

Quem ainda não optou pelo flex, está de olho nessa alternativa. A médica Lilian Regina Gonçalves, 38, já está procurando um modelo com motor flexível. Lilian aponta a praticidade como principal motivador da decisão. “É prático variar entre o consumo de álcool e gasolina. Para isso, preciso saber melhor as características de cada um deles.”

sexta-feira, 6 de junho de 2008

RÁPIDAS

Petróleo nas alturas e continua subindo

Outro dia de recorde do preço do petróleo. No pregão de hoje, o petróleo atingiu os US$ 139 e fechou a sessão em US$ 138,54. Ninguém segura o “ouro negro”. Aliás, essa expressão nunca foi tão verdadeira. Bom para Chávez e os OPEPeiros. Péssimo para o restante do mundo. Quanto maior a cotação, multiplicada fica a preocupação com a alta generalizada dos alimentos. É a inflação que se fortalece com o petróleo subindo.


SARCASMO DA SEXTA


FONTE: Newsweek.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

ECONOMIA

Nossa Caixa é estratégica para o BB
POR Bruno Victor Toranzo

Como constantemente noticiado, o Banco do Brasil está interessado na Nossa Caixa. A transação envolveria R$ 10 bilhões com a compra da totalidade de ações do banco estadual. Não se trata de uma mera negociação: um interessado em comprar e o outro procurando vender. Questões políticas parecem estar por trás de tudo isso.

O governador de São Paulo, José Serra, e o presidente Lula teriam um acordo traçado. O estado escolheria o BB como comprador da Nossa Caixa e, em troca, o governo federal agiria para viabilizar a privatização da Cesp (Companhia Energética de São Paulo).

O procedimento esperado seria a realização de um leilão. Quem oferecesse o melhor preço, levaria para casa. A lógica da oferta pública é fazer com que o público se beneficie ao máximo com a venda. Em outras palavras, o famoso conceito da maximização dos lucros.

Mesmo que o acordo político não seja verdade, o leilão não poderia ocorrer por uma determinação da lei. Os depósitos judiciais são os valores que estão sendo disputados na justiça. Esse dinheiro só pode ficar nos cofres dos bancos estatais. A Nossa Caixa possui R$ 16 bilhões nesse tipo de depósito.

É por essa razão que alguns analistas do mercado financeiro não cogitam a possibilidade de leilão. O Banco do Brasil será o comprador e ponto final. O objetivo do BB é consolidar definitivamente a primeira posição entre os bancos brasileiros. Para isso, terá de aumentar sua participação no estado de São Paulo. Nada melhor do que comprar o banco paulista que tem mais de R$ 51 bilhões em ativos.

Caso o negócio se concretize, o banco federal passará a ter R$ 443,98 bilhões em ativos. Vale a pena lembrar que o Bradesco, segundo colocado, possui R$ 355,51 bilhões. A diferença que era grande ficará ainda maior.