POR Bruno Victor Toranzo
Pregão interrompido. Por volta das três horas da tarde, a Bolsa de Valores de São Paulo teve de interromper, por trinta minutos, a sessão. Em mais um dia de estômago em processo avançado de corrosão, o investidor testemunhou um fato histórico. A queda, em um único dia, passou dos 10%. O mecanismo, chamado de "circuit breaker", também aplicado em outras bolsas do mundo, parou o pregão para evitar uma tragédia ainda maior.
A surpresa desagradável veio do Congresso americano. Os deputados americanos rejeitaram o plano anti-crise, orçado em 700 bilhões de dólares, considerado a esperança contra o monstro da instabilidade. Esse capital seria utilizado para retirar de circulação os chamados títulos podres – ativos hipotecários de alto risco de calote.
Com a anuência de Bush, havia certa unanimidade de opinião em relação à aprovação do plano. Restava saber quais regras seriam impostas para o setor financeiro. Os concorrentes presidenciáveis Obama e McCain afirmavam, mesmo timidamente, a necessidade do aporte bilionário. O ambiente de terror que envolvia Wall Street parecia estar com os dias contados.
No entanto, a imprensa não ouviu os cientistas políticos. Ou, se entrevistaram, foram aqueles estudiosos desinformados. A completa ausência de unidade política do Partido Republicano transpareceu em um período de proximidade das eleições presidenciais. Dentre os 228 votos contrários ao plano, exatos 133 vieram dos republicanos. No grupo dos democratas, “apenas” 95 fizeram a mesma escolha. Desde o começo da crise, é impossível saber o que o futuro, por mais próximo que seja, venha a reservar. Agora que a política resolveu entrar, de verdade, no jogo, a arte de prever foi para o buraco.
A expectativa se transfere para o Senado. Um novo projeto deve ser elaborado. Os republicanos e democratas devem se reunir novamente para conversar. Algumas mudanças talvez sejam incluídas. Cabe dizer que Europa e Japão estão cada vez mais enfraquecidos. É necessário que não somente os Estados Unidos ajam. Enfatiza-se que o mercado não se caracteriza pela paciência, ainda mais em tempos de urso faminto à solta.
Desempenho final do Ibovespa
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou o dia em 9,36% negativos. No ano, a desvalorização já chegou à casa dos 27%. Além de sofrer com a saída do capital estrangeiro, menos atraído pelo risco, a queda do preço das commodities prejudica as blue chips, com destaque para Petrobras e Vale.
O petróleo negociado em Nova Iorque, por exemplo, começou a sessão desta segunda-feira aos US$ 107,05. Com o encerramento dos negócios, o preço ficou em US$ 96,07. A variação de cerca de onze dólares para baixo está longe do normal: fruto da instabilidade reinante. O movimento recente do ouro negro acompanha a variação do dólar. Quanto mais forte a moeda americana, menor o preço da commodity.

