POR Bruno Victor Dela Páscoa Toranzo
Para entender o atual conflito no Oriente Médio entre uma nação, Israel, e uma organização terrorista, Hezbollah, patrocinada por dois outros governos, iraniano e sírio, é essencial retornar ao passado. Os países da região estão divididos de acordo com as duas principais seitas religiosas que surgiram após a morte de Maomé, profeta maior do islamismo. A minoria xiita – representa de 10 a 15% de todos os islâmicos do mundo – pregava que com a morte do profeta, quem assumiria como chefe político e religioso seria parente de Maomé. Por outro lado, os sunitas – representam de 85 a 90% do total de islâmicos do mundo – defendiam um chefe de Estado para ser o sucessor do profeta, eleito pelos crentes. Além dessa divergência histórica, os dois grupos diferem quanto à fonte de ensinamento. O Corão para os xiitas, e o Sunna, livro que reúne citações e atos de Maomé, para os sunitas. Todos os países muçulmanos do Oriente Médio apresentam as duas seitas religiosas entre sua população. O Irã e a Síria são de imensa maioria xiita, enquanto que o Egito e a Arábia Saudita apresentam os sunitas como dominantes. A religião de Israel, como é sabido, é a judaica, mas os sunitas têm uma considerável presença no país.
Voltando ao presente, objetivando analisar a atual situação da região cuja característica marcante é ser um verdadeiro barril de pólvora, prestes a explodir. O Hezbollah não é apenas uma organização terrorista de táticas já conhecidas por todos os países do globo, a de amedrontar a população e, na maioria das vezes, causar estragos, inclusive aos civis. É também um partido político no Líbano e conta com 23 deputados no Parlamento e dois ministros no governo. A Síria e o Irã simpatizam com o Hezbollah – já que também é de maioria xiita – e o patrocina como forma de ameaçar o território de Israel e, conseqüentemente, a influência norte-americana no Oriente Médio. É interessante atentar a uma curiosidade, se realmente podemos chamar assim. O Hamas, outra grande organização terrorista com participação política, tem os sunitas como representantes principais. Apesar do Hamas e do Hezbollah terem como objetivo a destruição do Estado de Israel e a construção de Estados teocráticos, eles são rivais religiosamente. Dessa forma, os dois grupos fundamentalistas são inimigos mortais, apesar de possuírem o mesmo ideal.
Israel é o principal aliado norte-americano, ao lado da Arábia Saudita, no Oriente Médio. Suas Forças Armadas estão entre as mais bem equipadas do cenário mundial. Os Estados Unidos sabem da importância dos grandes banqueiros judeus em sua economia e se sentem coagidos a apoiar os israelenses nos confrontos em que se envolvem na região. A capital de Israel, Tel Aviv, é comparada, ao lado da do Líbano, Beirute, às tradicionais capitais européias como Milão e Paris.
O povo israelense, sobretudo o que está na fronteira com o Líbano, sempre foi vítima dos atentados das organizações fundamentalistas islâmicas como o Hezbollah. Porém, o estopim para o confronto deu-se no dia 12 de julho, quando os guerrilheiros cruzaram a fronteira e mataram três soldados israelenses, além de seqüestrar outros dois. O grupo terrorista concentra-se ao sul do Líbano, região de notável concentração de libaneses xiitas.
Como atacar um inimigo sem pátria, sem território próprio? Essa foi a indagação do governo israelense, representado pelo primeiro-ministro Ehud Olmert. O povo libanês, cerca de 4 milhões de pessoas, mais uma vez entra em guerra por uma causa que não é sua. Na primeira vez, em 1982, Israel invadiu o Líbano atrás de uma força de resistência palestina, liderada por Yasser Arafat, e só saiu 18 anos depois. A ira de Israel nunca foi propriamente contra o Estado libanês, mas contra o poder paralelo criado pelos palestinos e, atualmente, pelo Hezbollah. O governo libanês, assim como não teve força para expulsar os palestinos de seu território, também não a tem para desarmar a organização terrorista. Quem iniciou a guerra foi o Hezbollah. Disso, o mundo não tem dúvidas. Israel está respondendo ao ato terrorista sofrido no meio do mês de julho.
O Hezbollah já usou cerca de 2300 mísseis e foguetes contra o território israelense, deixando mais de 1 milhão de pessoas desabrigadas e 52 pessoas mortas. O exército israelense reage com bombardeios aéreos a alvos estratégicos da organização terrorista como depósitos de armamentos e bases de disparo. Parte da opinião pública mundial acusa Israel de usar de força desproporcional aos ataques que vêm recebendo. A violência já vitimizou mais de 430 civis libaneses. O episódio mais triste do conflito aconteceu na madrugada de ontem, no vilarejo de Qana, sul do Líbano. Os bombardeios israelenses causaram a morte de 37 crianças entre as 56 pessoas envolvidas nesse verdadeiro “massacre”.
As investidas norte-americanas no Oriente Médio renderam ótimos frutos ao Irã. Com a deposição do ditador Saddam Hussein no Iraque, os xiitas, comandados pelo líder espiritual Aiatolá Ali Sistani, chegaram ao poder através das eleições, realizada nos moldes dos países democráticos. O mesmo aconteceu no Afeganistão com a expulsão do Taleban, um potencial inimigo fronteiriço do governo iraniano. Ambos os cenários contribuíram para o crescimento da influência iraniana sobre os países árabes. Além de todas essas vantagens, Mahmud Ahmadinejad, presidente do Irã, comemora a mudança de foco da política externa mundial, não mais centrada em seu programa nuclear.
Voltando ao presente, objetivando analisar a atual situação da região cuja característica marcante é ser um verdadeiro barril de pólvora, prestes a explodir. O Hezbollah não é apenas uma organização terrorista de táticas já conhecidas por todos os países do globo, a de amedrontar a população e, na maioria das vezes, causar estragos, inclusive aos civis. É também um partido político no Líbano e conta com 23 deputados no Parlamento e dois ministros no governo. A Síria e o Irã simpatizam com o Hezbollah – já que também é de maioria xiita – e o patrocina como forma de ameaçar o território de Israel e, conseqüentemente, a influência norte-americana no Oriente Médio. É interessante atentar a uma curiosidade, se realmente podemos chamar assim. O Hamas, outra grande organização terrorista com participação política, tem os sunitas como representantes principais. Apesar do Hamas e do Hezbollah terem como objetivo a destruição do Estado de Israel e a construção de Estados teocráticos, eles são rivais religiosamente. Dessa forma, os dois grupos fundamentalistas são inimigos mortais, apesar de possuírem o mesmo ideal.
Israel é o principal aliado norte-americano, ao lado da Arábia Saudita, no Oriente Médio. Suas Forças Armadas estão entre as mais bem equipadas do cenário mundial. Os Estados Unidos sabem da importância dos grandes banqueiros judeus em sua economia e se sentem coagidos a apoiar os israelenses nos confrontos em que se envolvem na região. A capital de Israel, Tel Aviv, é comparada, ao lado da do Líbano, Beirute, às tradicionais capitais européias como Milão e Paris.
O povo israelense, sobretudo o que está na fronteira com o Líbano, sempre foi vítima dos atentados das organizações fundamentalistas islâmicas como o Hezbollah. Porém, o estopim para o confronto deu-se no dia 12 de julho, quando os guerrilheiros cruzaram a fronteira e mataram três soldados israelenses, além de seqüestrar outros dois. O grupo terrorista concentra-se ao sul do Líbano, região de notável concentração de libaneses xiitas.
Como atacar um inimigo sem pátria, sem território próprio? Essa foi a indagação do governo israelense, representado pelo primeiro-ministro Ehud Olmert. O povo libanês, cerca de 4 milhões de pessoas, mais uma vez entra em guerra por uma causa que não é sua. Na primeira vez, em 1982, Israel invadiu o Líbano atrás de uma força de resistência palestina, liderada por Yasser Arafat, e só saiu 18 anos depois. A ira de Israel nunca foi propriamente contra o Estado libanês, mas contra o poder paralelo criado pelos palestinos e, atualmente, pelo Hezbollah. O governo libanês, assim como não teve força para expulsar os palestinos de seu território, também não a tem para desarmar a organização terrorista. Quem iniciou a guerra foi o Hezbollah. Disso, o mundo não tem dúvidas. Israel está respondendo ao ato terrorista sofrido no meio do mês de julho.
O Hezbollah já usou cerca de 2300 mísseis e foguetes contra o território israelense, deixando mais de 1 milhão de pessoas desabrigadas e 52 pessoas mortas. O exército israelense reage com bombardeios aéreos a alvos estratégicos da organização terrorista como depósitos de armamentos e bases de disparo. Parte da opinião pública mundial acusa Israel de usar de força desproporcional aos ataques que vêm recebendo. A violência já vitimizou mais de 430 civis libaneses. O episódio mais triste do conflito aconteceu na madrugada de ontem, no vilarejo de Qana, sul do Líbano. Os bombardeios israelenses causaram a morte de 37 crianças entre as 56 pessoas envolvidas nesse verdadeiro “massacre”.
As investidas norte-americanas no Oriente Médio renderam ótimos frutos ao Irã. Com a deposição do ditador Saddam Hussein no Iraque, os xiitas, comandados pelo líder espiritual Aiatolá Ali Sistani, chegaram ao poder através das eleições, realizada nos moldes dos países democráticos. O mesmo aconteceu no Afeganistão com a expulsão do Taleban, um potencial inimigo fronteiriço do governo iraniano. Ambos os cenários contribuíram para o crescimento da influência iraniana sobre os países árabes. Além de todas essas vantagens, Mahmud Ahmadinejad, presidente do Irã, comemora a mudança de foco da política externa mundial, não mais centrada em seu programa nuclear.
Um acordo entre os combatentes é dado como praticamente impossível. O Hezbollah, assim como o Hamas, não aceita qualquer tipo de negociação com Israel, pretende destruir o povo judeu, enquanto o governo de Olmert se nega a conversar com um grupo terrorista que objetiva acabar com seu país.