segunda-feira, 31 de julho de 2006

FATO DA SEMANA

O PCC SERIA O HAMAS DO FUTURO?
POR Bruno Victor Dela Páscoa Toranzo

O PCC (Primeiro Comando da Capital) tem o projeto de eleger em outubro um deputado federal e outro estadual para defender seus interesses de acordo com a lei. Trata-se de uma afronta aos cidadãos de bem, honestos, que pagam seus impostos em dia e trabalham por um país melhor.

Nas últimas eleições parlamentares palestinas, o Hamas saiu vitorioso, desbancando a principal força política da AP (Autoridade Palestina), o Fatah. O grupo palestino e o PCC possuem semelhanças, guardadas as devidas proporções. O PCC configura-se como uma facção criminosa, formada, principalmente, pelos bandidos e seus familiares, enquanto que o Hamas constitui uma diretriz política extremista, com o objetivo de destruir o Estado de Israel.

A primeira observação é que o PCC utiliza a mesma estratégia do Hamas para conquistar adeptos. Por meio de obras sociais aos que se tornarem associados. Com projetos de ajuda como o fretamento de ônibus para visitas de presos no interior, distribuição de cestas básicas, compra de brinquedos para filhos de detentos em época de festas, financiamento de festas nos presídios e apoio às famílias, o marginal se sente seguro e confia plenamente na organização criminosa.

A manipulação dos associados contra a ordem vigente é outro ponto em comum entre os dois grupos. Os "cabeças" do PCC, os mais intelectualizados, especialistas em táticas de guerra, estimulam seus subordinados a criticar o Estado e a forma de organização da sociedade. Reivindicam por regalias aos presos, em especial ao líder da facção, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. O Hamas, por sua vez, quer o fim do Estado de Israel e a tomada do território que julga ser palestino.

O financiamento a atos terroristas e criminosos de grande porte caracteriza a conduta de ambos. Através do medo e da insegurança, pretendem conseguir tudo o que querem. O PCC, por meio das 80 rebeliões simultâneas e os constantes ataques à sociedade em geral, mostrou a maneira como a qual deve agir para que as autoridades ouçam suas reivindicações.
Quais seriam os eleitores do PCC? A facção conta com 130 mil homens nos presídios, além dos 10 mil nas ruas. Computando os parentes dos presos, conseguiria tranqüilamente 390 mil votos, o suficiente para eleger deputados.

Hoje, o PCC deve ser considerado uma empresa. Tem arrecadação mensal de 700 mil reais, conseguida por meio do tráfico de drogas e dos empréstimos para quadrilhas, cobrando juros e correção monetária. A dignidade de policiais também é comprada. Há um valor fixo para o pagamento de suborno todos os meses.

A ordem internacional não aceita organizações extremistas como o grupo terrorista palestino no poder. Pressões internacionais pedem a volta do controle do Fatah. Ajudas de custo foram cortadas e os palestinos devem passar por maiores dificuldades.

Para finalizar, destaco um dos chamados de guerra do PCC, exemplo do crime organizado, com um futuro que se revela promissor. "Se tiver que amar, amaremos, se tiver que matar, mataremos".