POR Bruno Victor Toranzo
A contratação de Robinho pelo Manchester City chamou atenção pelos bastidores do negócio. Vendido por cerca de 100 milhões de reais, o jogador da seleção brasileira deixou o poderoso Real Madrid para disputar o inglês em uma equipe considerada, no máximo, mediana.
Na primeira entrevista depois da conclusão da transação, o orgulhoso (será mesmo?) Robinho disse que o projeto ambicioso do novo clube para os próximos anos fez com que trocasse os campos espanhóis pelos gramados reais.
Essas intenções ambiciosas foram trazidas pelo fundo árabe de investimentos Abu Dhabi United Group. Levando o United do rival da cidade de Manchester no nome, o grupo virou de cabeça para baixo a rotina dos torcedores do City. Acostumados com derrotas vexaminosas nos últimos anos – o time esteve na terceira divisão inglesa – os torcedores estão extasiados com os planos mirabolantes de tornar o time azul o maior do mundo.
No domingo, dia 31 de agosto, Sulaiman Al-Fahim, uma espécie de maior investidor do grupo, gastou 247 milhões de euros para comprar o Manchester City de seu antigo dono, o antigo primeiro-ministro tailandês Thaksin Shinawatra. Vale lembrar que Shinawatra é acusado de corrupção e se exilou no Reino Unido para fugir da justiça de seu país.
Um dia depois, primeiro de setembro, o City fechou a contratação de Robinho, nas últimas horas permitidas para transferência. A rapidez do processo impressiona. De um dia para o outro, o antigo primo pobre de Manchester trocou de proprietário e, ainda, fechou com um dos jogadores mais requisitados do mercado. O alvo agora é o português Cristiano Ronaldo, craque do inimigo Manchester United e cogitado para ganhar a eleição de melhor do mundo, em uma transação que pode passar dos 165 milhões de euros.
Não é novidade o investimento de bilionários no futebol. O exemplo emblemático é do russo Roman Abramovich, proprietário do também inglês Chelsea. Quando chegou, causou, a exemplo de Al-Fahim, tremenda repercussão, inflacionando o preço dos jogadores. Depois de muito prejuízo, apesar dos títulos nacionais obtidos, a montanha de dinheiro aplicada conseguiu levar o Chelsea, na última temporada, à final da Copa dos Campeões da Europa. No entanto, o título não veio com frustrante derrota nas cobranças de pênaltis.
Os milhões de dólares, euros ou libras repentinos também conquistaram os corintianos. Por pouquíssimo tempo. A parceria com a MSI, fundo de investimentos nebulosos comandado por um iraniano misterioso, terminou como um triste episódio da história quase centenária corintiana.
Um futebol cada vez mais caro é a realidade dos novos tempos. Sem os milhões, independentemente de onde venham, fica quase impossível ganhar títulos. Se isso é bom ou ruim, não se pode dizer. Os torcedores do Manchester City nunca foram tão felizes.