Por hora, Bernanke é o homem
POR Bruno Victor Toranzo
Com a saída da presidência de Alan Greenspan, depois de 18 anos à frente do FED, o Banco Central dos Estados Unidos, Ben Bernanke assumiu sem o devido rebuliço. A brilhante história de Greenspan, descrita em seu livro alguns meses depois, ofuscou a nomeação do não menos competente Bernanke, formado em economia pela conceituada Universidade de Harvard. O mercado estava em dúvidas, no começo de 2006, se o novo presidente tinha experiência suficiente para agüentar as surpresas do cargo.
No segundo semestre do ano passado, a instabilidade, gerada pelo setor hipotecário americano, começou a dar sinais de que poderia virar uma verdadeira crise global. Seria redundante explicar a tão comentada história do subprime, também conhecido como crédito de alto risco, empréstimo largamente concedido sem necessidade de comprovação de renda.
Esses créditos foram transformados em ativos, um processo chamado de securitização, para que fossem negociados com os chamados bancos de investimentos. O contágio não demorou. O vírus rapidamente se espalhou. Em alguns meses, o sistema todo estava infectado. A instabilidade virou uma crise de verdade. Há muito, a economia não vivia tempos difíceis. Era o início da prova de fogo para Bernanke, mesmo que ele ainda não pudesse calcular o inferno que estava por vir.
As variações positivas e negativas se mesclavam com o passar dos pregões. Foram vários dessa maneira. Alguns pensavam que não existia mais crise. Outros diziam que nunca houve uma crise. A preocupação, no entanto, continuava para o FED e as instituições sérias de análise.
E as últimas semanas mostraram a face da crise. Ela resolveu aparecer com força máxima. A preocupação tomou conta dos relatórios financeiros. Bernanke precisava agir e rápido. Para ser presidente do FED, não bastam conhecimentos macroeconômicos, incluindo a famosa teoria fundamentalista e o conhecimento técnico da área, é preciso uma boa dose de paciência e jogo de cintura para vencer as inúmeras dificuldades.
Ao lado do secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, a dupla dinâmica teve de lidar com uma Wall Street completamente enfraquecida, bem diferente do charme que sempre a envolveu. O pânico instaurado remetia à época da Grande Depressão, no fatídico ano de 1929. Uma parte, inclusive, chegou a comparar a crise atual com a passada. Ledo engano ou maldoso palpite. A distância é muito grande entre elas pelo seguinte aspecto: as autoridades financeiras “modernas” contam com uma série de mecanismos para controlar a crise e transformá-la, no máximo, em um período conturbado.
Munido desses ajustes, a dupla Ben e Henry, ao lado dos principais Bancos Centrais, com destaque para Europa e Japão, colocaram bilhões e bilhões de dólares para, primeiro, manter a liquidez dos mercados. Ou seja, o dinheiro do governo garantiria a continuação dos negócios. Paralelamente, uma série de empréstimos foi concedido para as cambaleantes instituições financeiras americanas.
Estratégia inicialmente criticada por alguns membros do partido democrata, que argumentavam a impossibilidade de usar dinheiro do contribuinte para arcar com erros cometidos pela ganância do próprio sistema capitalista. A ânsia de ganhar mais é característica inerente do capitalismo. Quanto mais der para lucrar, melhor. É por isso que a estipulação de regras, inibidoras dos exageros, precisam ser tomadas pelos governos. Espera-se que essa lição, ao menos, o setor financeiro tenha aprendido.
Por enquanto, o capitão Bernanke e, por conseqüência, os marinheiros Paulson e o restante das autoridades monetárias, estão se saindo bem. Resta saber se o problema não se mostrará maior que a capacidade deles resolverem. Mesmo com o alívio da situação da renda variável, os Estados Unidos vêem os índices econômicos piorarem a cada divulgação. O crescimento do PIB não consegue repetir o desempenho do passado recente. Naquela época, era impossível imaginar que os Estados Unidos se afundariam e, ao mesmo tempo, o Brasil trilharia firme e forte o caminho do desenvolvimento.
POR Bruno Victor Toranzo
Com a saída da presidência de Alan Greenspan, depois de 18 anos à frente do FED, o Banco Central dos Estados Unidos, Ben Bernanke assumiu sem o devido rebuliço. A brilhante história de Greenspan, descrita em seu livro alguns meses depois, ofuscou a nomeação do não menos competente Bernanke, formado em economia pela conceituada Universidade de Harvard. O mercado estava em dúvidas, no começo de 2006, se o novo presidente tinha experiência suficiente para agüentar as surpresas do cargo.
No segundo semestre do ano passado, a instabilidade, gerada pelo setor hipotecário americano, começou a dar sinais de que poderia virar uma verdadeira crise global. Seria redundante explicar a tão comentada história do subprime, também conhecido como crédito de alto risco, empréstimo largamente concedido sem necessidade de comprovação de renda.
Esses créditos foram transformados em ativos, um processo chamado de securitização, para que fossem negociados com os chamados bancos de investimentos. O contágio não demorou. O vírus rapidamente se espalhou. Em alguns meses, o sistema todo estava infectado. A instabilidade virou uma crise de verdade. Há muito, a economia não vivia tempos difíceis. Era o início da prova de fogo para Bernanke, mesmo que ele ainda não pudesse calcular o inferno que estava por vir.
As variações positivas e negativas se mesclavam com o passar dos pregões. Foram vários dessa maneira. Alguns pensavam que não existia mais crise. Outros diziam que nunca houve uma crise. A preocupação, no entanto, continuava para o FED e as instituições sérias de análise.
E as últimas semanas mostraram a face da crise. Ela resolveu aparecer com força máxima. A preocupação tomou conta dos relatórios financeiros. Bernanke precisava agir e rápido. Para ser presidente do FED, não bastam conhecimentos macroeconômicos, incluindo a famosa teoria fundamentalista e o conhecimento técnico da área, é preciso uma boa dose de paciência e jogo de cintura para vencer as inúmeras dificuldades.
Ao lado do secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, a dupla dinâmica teve de lidar com uma Wall Street completamente enfraquecida, bem diferente do charme que sempre a envolveu. O pânico instaurado remetia à época da Grande Depressão, no fatídico ano de 1929. Uma parte, inclusive, chegou a comparar a crise atual com a passada. Ledo engano ou maldoso palpite. A distância é muito grande entre elas pelo seguinte aspecto: as autoridades financeiras “modernas” contam com uma série de mecanismos para controlar a crise e transformá-la, no máximo, em um período conturbado.
Munido desses ajustes, a dupla Ben e Henry, ao lado dos principais Bancos Centrais, com destaque para Europa e Japão, colocaram bilhões e bilhões de dólares para, primeiro, manter a liquidez dos mercados. Ou seja, o dinheiro do governo garantiria a continuação dos negócios. Paralelamente, uma série de empréstimos foi concedido para as cambaleantes instituições financeiras americanas.
Estratégia inicialmente criticada por alguns membros do partido democrata, que argumentavam a impossibilidade de usar dinheiro do contribuinte para arcar com erros cometidos pela ganância do próprio sistema capitalista. A ânsia de ganhar mais é característica inerente do capitalismo. Quanto mais der para lucrar, melhor. É por isso que a estipulação de regras, inibidoras dos exageros, precisam ser tomadas pelos governos. Espera-se que essa lição, ao menos, o setor financeiro tenha aprendido.
Por enquanto, o capitão Bernanke e, por conseqüência, os marinheiros Paulson e o restante das autoridades monetárias, estão se saindo bem. Resta saber se o problema não se mostrará maior que a capacidade deles resolverem. Mesmo com o alívio da situação da renda variável, os Estados Unidos vêem os índices econômicos piorarem a cada divulgação. O crescimento do PIB não consegue repetir o desempenho do passado recente. Naquela época, era impossível imaginar que os Estados Unidos se afundariam e, ao mesmo tempo, o Brasil trilharia firme e forte o caminho do desenvolvimento.