Economia brasileira não vai crescer em 2009, estima BC
No melhor dos cenários, especialista de banco aponta ausência de crescimento do PIB neste ano.
BRUNO TORANZO
A contração da economia brasileira deve chegar a 0,71% neste ano. Para 2010, o PIB (Produto Interno Bruto), a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, deve retomar o caminho do crescimento, com o registro de 3,5%. Essas são as estimativas do relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, com periodicidade semanal, na última segunda-feira (8), que leva em consideração a opinião dos analistas do mercado.
“Esperamos ausência de crescimento em 2009”, ressaltou Cristiano Souza, economista do Santander. Sem a consistência dos indicadores econômicos, Souza acredita que o mundo vai passar por um período de crescimento moderado antes de voltar a avançar a todo vapor. “A preocupação é ficarmos, a exemplo do que ocorreu com o Japão, por um bom tempo no fundo do poço”, destacou.
Após a crise do seu sistema financeiro, os japoneses amargaram anos consecutivos de estagnação. Os economistas consideram, do ponto de vista do crescimento, a década de 90 perdida na história da economia japonesa. Para completar, a crise recente fez com que o PIB do quarto trimestre do ano passado registrasse queda de 12,7%, a pior contração desde 1974.
“O competente trabalho do Banco Central garante uma condição macroeconômica sólida para o Brasil”, garantiu Ricardo Della Santina Torres, professor de finanças internacionais da Brazilian Business School. Essa atuação do BC, segundo Torres, contribui para a criação de uma blindagem que resguardou e continua protegendo o país dos efeitos devastadores da crise.
Nesta terça-feira (9), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgará os números que confirmam o desempenho negativo da economia. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, durante evento realizado pela Globo News, disse que espera retração no primeiro trimestre. Dois trimestres consecutivos de PIB negativo, o último do ano passado e o primeiro de 2009, significam, na linguagem do mercado, recessão.