CPI pode prejudicar desempenho da Petrobras
Especialistas discordam sobre os prejuízos das investigações dos senadores nos negócios da multinacional brasileira.
BRUNO TORANZO
Considerada a maior empresa do Brasil, a Petrobras acumulou lucro líquido de R$ 32,988 bilhões em 2008. Desde o começo do ano até a última segunda-feira (1), as ações da petrolífera acumularam valorização de 52,62%. Os investidores classificam seus papéis como de primeiro escalão por serem responsáveis pelo direcionamento positivo ou negativo do resultado diário da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo).
Nesta terça-feira (2), o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), promete o início dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar as atividades da Petrobras. Os objetivos são averiguar a condição dos contratos, o que inclui a verificação de fraudes em licitações, investigar o superfaturamento na construção da refinaria pernambucana Abreu e Lima, além de apurar o desvio de royalties e as irregularidades em verbas de patrocínio.
O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, demonstrou preocupação com o impacto das investigações nos negócios. Em entrevista coletiva em Nova Iorque, Gabrielli garantiu que seus diretores e gerentes não são “ladrões”, mas pessoas honestas e competentes. Para ele, a disseminação das notícias sobre o assunto prejudica o desempenho da petrolífera. Depois das declarações, Gabrielli encerrou o pregão da bolsa de valores americana, oportunidade concedida para referências do universo econômico.
“A Petrobras terá dificuldades em concretizar os próximos contratos que forem assinados fora do país. Enquanto durar a CPI, os contratos serão postergados”, opinou Plínio Chapchap, diretor da Queluz Gestão de Ativos. As empresas receosas pensarão duas vezes antes de fechar uma parceria com a multinacional brasileira. Aqueles contratos firmados antes das investigações não sofrerão revés, porque a rescisão envolve cifras astronômicas. “O efeito real está sobre os investimentos futuros da Petrobras”, concluiu.
A descoberta de reservas gigantescas de petróleo na costa brasileira, na bacia de Santos e no campo de Tupi, colocou o país em evidência. Com tecnologia para explorar águas profundas e ultraprofundas, um diferencial da Petrobras, o pré-sal pode levar o Brasil ao seleto grupo dos maiores produtores do mundo. O volume estimado de petróleo, apenas no campo de Tupi, é de 5 bilhões a 8 bilhões de barris.
Antes da crise econômica, o aumento do consumo chinês, para sustentar o crescimento de sua economia, elevou para mais de cem dólares cada barril. A melhora das condições dos mercados fez com que o preço do barril voltasse, nos últimos dias, ao patamar dos US$ 60. Esse valor possibilita a retomada, com toda força, da exploração do petróleo brasileiro recém-descoberto. De acordo com um dos diretores da empresa, o projeto piloto da exploração do pré-sal, através da produção de 100 mil barris por dia, está previsto para começar em dezembro do próximo ano.
“Os investidores estrangeiros consideram o potencial de crescimento da empresa. Eles dão pouca importância aos fatores políticos”, disse Mauro Giorgi, gestor de investimentos. O capital externo, ainda segundo Giorgi, sabe das inúmeras variáveis que envolvem o jogo político. “A extensão da camada do pré-sal atrai os investidores. Por essa razão, a Petrobras não pode parar os investimentos em torno da exploração de todo esse petróleo”, finalizou.