terça-feira, 9 de junho de 2009

REPORTAGEM

Economia brasileira não vai crescer em 2009, estima BC
No melhor dos cenários, especialista de banco aponta ausência de crescimento do PIB neste ano.

BRUNO TORANZO

A contração da economia brasileira deve chegar a 0,71% neste ano. Para 2010, o PIB (Produto Interno Bruto), a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, deve retomar o caminho do crescimento, com o registro de 3,5%. Essas são as estimativas do relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, com periodicidade semanal, na última segunda-feira (8), que leva em consideração a opinião dos analistas do mercado.

“Esperamos ausência de crescimento em 2009”, ressaltou Cristiano Souza, economista do Santander. Sem a consistência dos indicadores econômicos, Souza acredita que o mundo vai passar por um período de crescimento moderado antes de voltar a avançar a todo vapor. “A preocupação é ficarmos, a exemplo do que ocorreu com o Japão, por um bom tempo no fundo do poço”, destacou.

Após a crise do seu sistema financeiro, os japoneses amargaram anos consecutivos de estagnação. Os economistas consideram, do ponto de vista do crescimento, a década de 90 perdida na história da economia japonesa. Para completar, a crise recente fez com que o PIB do quarto trimestre do ano passado registrasse queda de 12,7%, a pior contração desde 1974.

“O competente trabalho do Banco Central garante uma condição macroeconômica sólida para o Brasil”, garantiu Ricardo Della Santina Torres, professor de finanças internacionais da Brazilian Business School. Essa atuação do BC, segundo Torres, contribui para a criação de uma blindagem que resguardou e continua protegendo o país dos efeitos devastadores da crise.

Nesta terça-feira (9), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgará os números que confirmam o desempenho negativo da economia. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, durante evento realizado pela Globo News, disse que espera retração no primeiro trimestre. Dois trimestres consecutivos de PIB negativo, o último do ano passado e o primeiro de 2009, significam, na linguagem do mercado, recessão.

*Texto originalmente produzido para o Rudge Ramos Online (www.metodista.br/rronline).

terça-feira, 2 de junho de 2009

REPORTAGEM

CPI pode prejudicar desempenho da Petrobras
Especialistas discordam sobre os prejuízos das investigações dos senadores nos negócios da multinacional brasileira.

BRUNO TORANZO

Considerada a maior empresa do Brasil, a Petrobras acumulou lucro líquido de R$ 32,988 bilhões em 2008. Desde o começo do ano até a última segunda-feira (1), as ações da petrolífera acumularam valorização de 52,62%. Os investidores classificam seus papéis como de primeiro escalão por serem responsáveis pelo direcionamento positivo ou negativo do resultado diário da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo).

Nesta terça-feira (2), o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), promete o início dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar as atividades da Petrobras. Os objetivos são averiguar a condição dos contratos, o que inclui a verificação de fraudes em licitações, investigar o superfaturamento na construção da refinaria pernambucana Abreu e Lima, além de apurar o desvio de royalties e as irregularidades em verbas de patrocínio.

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, demonstrou preocupação com o impacto das investigações nos negócios. Em entrevista coletiva em Nova Iorque, Gabrielli garantiu que seus diretores e gerentes não são “ladrões”, mas pessoas honestas e competentes. Para ele, a disseminação das notícias sobre o assunto prejudica o desempenho da petrolífera. Depois das declarações, Gabrielli encerrou o pregão da bolsa de valores americana, oportunidade concedida para referências do universo econômico.

“A Petrobras terá dificuldades em concretizar os próximos contratos que forem assinados fora do país. Enquanto durar a CPI, os contratos serão postergados”, opinou Plínio Chapchap, diretor da Queluz Gestão de Ativos. As empresas receosas pensarão duas vezes antes de fechar uma parceria com a multinacional brasileira. Aqueles contratos firmados antes das investigações não sofrerão revés, porque a rescisão envolve cifras astronômicas. “O efeito real está sobre os investimentos futuros da Petrobras”, concluiu.

A descoberta de reservas gigantescas de petróleo na costa brasileira, na bacia de Santos e no campo de Tupi, colocou o país em evidência. Com tecnologia para explorar águas profundas e ultraprofundas, um diferencial da Petrobras, o pré-sal pode levar o Brasil ao seleto grupo dos maiores produtores do mundo. O volume estimado de petróleo, apenas no campo de Tupi, é de 5 bilhões a 8 bilhões de barris.

Antes da crise econômica, o aumento do consumo chinês, para sustentar o crescimento de sua economia, elevou para mais de cem dólares cada barril. A melhora das condições dos mercados fez com que o preço do barril voltasse, nos últimos dias, ao patamar dos US$ 60. Esse valor possibilita a retomada, com toda força, da exploração do petróleo brasileiro recém-descoberto. De acordo com um dos diretores da empresa, o projeto piloto da exploração do pré-sal, através da produção de 100 mil barris por dia, está previsto para começar em dezembro do próximo ano.

“Os investidores estrangeiros consideram o potencial de crescimento da empresa. Eles dão pouca importância aos fatores políticos”, disse Mauro Giorgi, gestor de investimentos. O capital externo, ainda segundo Giorgi, sabe das inúmeras variáveis que envolvem o jogo político. “A extensão da camada do pré-sal atrai os investidores. Por essa razão, a Petrobras não pode parar os investimentos em torno da exploração de todo esse petróleo”, finalizou.

*Texto originalmente produzido para o Rudge Ramos Online (www.metodista.br/rronline).