quinta-feira, 5 de junho de 2008

ECONOMIA

Nossa Caixa é estratégica para o BB
POR Bruno Victor Toranzo

Como constantemente noticiado, o Banco do Brasil está interessado na Nossa Caixa. A transação envolveria R$ 10 bilhões com a compra da totalidade de ações do banco estadual. Não se trata de uma mera negociação: um interessado em comprar e o outro procurando vender. Questões políticas parecem estar por trás de tudo isso.

O governador de São Paulo, José Serra, e o presidente Lula teriam um acordo traçado. O estado escolheria o BB como comprador da Nossa Caixa e, em troca, o governo federal agiria para viabilizar a privatização da Cesp (Companhia Energética de São Paulo).

O procedimento esperado seria a realização de um leilão. Quem oferecesse o melhor preço, levaria para casa. A lógica da oferta pública é fazer com que o público se beneficie ao máximo com a venda. Em outras palavras, o famoso conceito da maximização dos lucros.

Mesmo que o acordo político não seja verdade, o leilão não poderia ocorrer por uma determinação da lei. Os depósitos judiciais são os valores que estão sendo disputados na justiça. Esse dinheiro só pode ficar nos cofres dos bancos estatais. A Nossa Caixa possui R$ 16 bilhões nesse tipo de depósito.

É por essa razão que alguns analistas do mercado financeiro não cogitam a possibilidade de leilão. O Banco do Brasil será o comprador e ponto final. O objetivo do BB é consolidar definitivamente a primeira posição entre os bancos brasileiros. Para isso, terá de aumentar sua participação no estado de São Paulo. Nada melhor do que comprar o banco paulista que tem mais de R$ 51 bilhões em ativos.

Caso o negócio se concretize, o banco federal passará a ter R$ 443,98 bilhões em ativos. Vale a pena lembrar que o Bradesco, segundo colocado, possui R$ 355,51 bilhões. A diferença que era grande ficará ainda maior.