POR Bruno Victor Toranzo
A popularização do mercado de ações é realidade. Muito se fala a respeito dos benefícios de entrar na renda variável. Basta comprar uma parcela de ações para se tornar sócio de uma grande empresa. O número de investidores classificados como pessoa física só aumenta no Brasil. Quase 500 mil contas estão inscritas na CBLC (Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia).
Se o momento é bom para as ações, melhor ainda é a fase dos produtos agrícolas negociados nas bolsas de valores – chamados de commodities. A valorização deles ficou bem acima do Ibovespa, o principal índice da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), que traz o comportamento médio dos sessenta papéis mais negociados.
Os fundos de investimento da administradora Sparta englobam uma gama de commodities, com destaque para o boi, o milho e a soja. A rentabilidade desses fundos atingiu os 106% até agora no ano, porcentagem praticamente doze vezes superior ao Ibovespa.
As negociações de caráter agrícola são feitas na BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros). A grande diferença para as ações fica por conta do mecanismo denominado ajuste diário. Os investidores ganham ou perdem todos os dias. O dinheiro é sacado ou depositado automaticamente. Trata-se, portanto, de operações financeiras de alto risco.
Vamos a um exemplo. Você determina no contrato que o preço de alguma commodity será de X para o final de outubro. Caso o preço fique, no dia seguinte, abaixo do X estipulado, você perderá o valor proporcional à queda. O caminho inverso obviamente acontece com os ganhos. Se ficar acima, você leva para casa o aumento correspondente.
O futuro aponta para a continuidade da valorização dos produtos agrícolas. Como não poderia deixar de ser, a China motiva tal comportamento. A demanda chinesa para sustentar o crescimento de dois dígitos continuará muito alta.
Sorte do Brasil. Grande exportador de produtos primários e, por conseqüência, um dos maiores beneficiários da alta dos preços das commodities, o governo precisa aproveitar o bom momento para, entre outros avanços, consolidar, de fato, a economia no disputado cenário internacional.