Todo mundo virou flexPOR
Bruno Victor Toranzo Um tipo de motor genuinamente brasileiro. Essa pode ser a mais simples definição da tecnologia flex desenvolvida pela indústria nacional. Desde 2003, o consumidor tem a vantagem de decidir entre o álcool e a gasolina na hora de encher o tanque.
Já em 2004, um quinto dos carros novos vendidos pelas montadoras nacionais tinha motor flexível. A participação aumentou ao longo do tempo e atingiu 86% no ano passado, o que significa mais de 2 milhões de unidades vendidas. Em julho, a expectativa é que o Brasil contabilize a venda de 6 milhões de veículos bicombustíveis.
Os Estados Unidos têm cerca de 5 milhões de carros flex. Apesar de parecer muito, esse número representa pouco mais de 2% dos 214 milhões de veículos que rodam por lá. Diferentemente do Brasil, que utiliza nos motores a totalidade de álcool, os americanos colocam 85% de etanol, proveniente do milho, beterraba e grãos, misturados aos 15% de gasolina. Outros países adicionam até 20% do produto da cana-de-açúcar à gasolina.
A recepcionista Renata Oliveira, 18, tem na ponta da língua a razão de ter adotado a tecnologia flex. “Baixo custo. Com o carro flex, posso optar pelo álcool, que está sempre mais barato na comparação com a gasolina.”
No entanto, é difícil saber exatamente qual o preço médio dos combustíveis nos postos. A razão está na possibilidade de os revendedores trabalharem com preços diferentes, seguindo apenas um valor mínimo combinado. Atualmente, o preço do litro do álcool está R$ 1 mais barato que o da gasolina.
Com o preço do barril de petróleo disparando no mercado internacional, o governo brasileiro, por meio da Petrobras, aumentou o preço do combustível. Mas, no caso da gasolina, diminuiu a Cide (Contribuição da Intervenção do Domínio Econômico), imposto cobrado sobre a comercialização dos combustíveis, para evitar o repasse para o consumidor. Mesmo assim, alguns postos aumentaram o preço do produto.
Janaina Acquesta Canal, 25, mudou recentemente para o álcool. A advogada faz o trajeto de São Bernardo ao centro de Santo André todos os dias. Quando a gasolina era a única opção, Janaina percebeu que os gastos com combustível estavam muito além daquilo que gostaria de pagar. “Estava gastando quase R$ 400 todos os meses para me locomover.” Depois de escolher o álcool, o valor caiu pela metade. “O álcool, além de ser mais barato, também tem um excelente rendimento”, afirmou.
Quem ainda não optou pelo flex, está de olho nessa alternativa. A médica Lilian Regina Gonçalves, 38, já está procurando um modelo com motor flexível. Lilian aponta a praticidade como principal motivador da decisão. “É prático variar entre o consumo de álcool e gasolina. Para isso, preciso saber melhor as características de cada um deles.”