A comunicação como campo estratégico político
POR Bruno Victor Dela Páscoa Toranzo
A comunicação desempenha papel fundamental em todas as atividades econômicas. Grandes empresas ou não, todas procuram organizar um eficiente departamento de comunicação. Tanto os assessores de imprensa, quanto os publicitários, adquirem importância cada vez maior entre os funcionários de uma empresa.
E na política não é diferente. A área de comunicação é estratégica para o governante. Controlá-la eficazmente significa manter uma boa imagem, frente à população, seus eleitores.
Para continuar a análise, é interessante recorrer à história. Quando o socialismo soviético estava em expansão, espalhando-se pelos países do globo, os países capitalistas temiam pelo pior. Foi o que aconteceu, por exemplo, na Alemanha. O ministro de comunicações Joseph Paul Goebbels se utilizou dessa prerrogativa de expansão da “bandeira vermelha” para trazer a população alemã para o lado do ditador sangüinário Adolf Hitler.
Goebbels criou a imagem de Hitler, classificando-lhe como o “salvador da pátria”, o único capaz de livrar os alemães das garras socialistas. Evidentemente que a população, maravilhada com a ascensão de um grande representante, um verdadeiro “Führer” (líder em alemão), apoiou a tomada do poder. Ainda mais a classe alta que não queria perder suas propriedades, enfim, sua riqueza, pretendendo, assim, que o socialismo ficasse bem longe da Alemanha.
Interessante notar que o ministro Goebbels foi o responsável pela introdução da saudação “Heil Hitler”, o que contribuiu para arraigar mais ainda essa imagem positiva de Hitler.
Claro que os veículos de comunicação foram e continuam sendo fundamentais para uma propaganda política bem feita. Os nazistas se utilizaram muito do cinema para chegar facilmente à população. Sem falar do rádio, sempre muito utilizado politicamente, e da própria televisão.
Hoje, naturalmente, é algo impensável que ocorra processo semelhante. Se bem que alguns países continuam com ditadores eternos. É o caso de Cuba. O exemplo cubano é muito interessante. O ditador Fidel Castro mantém uma boa imagem perante a maior parte da população, mesmo estando no poder há quase cinqüenta anos. Consegue sustentar o poder e a imagem devido ao passado, foi um dos poucos desafiantes que venceram a hegemonia norte-americana.
Nos países que se dizem democráticos, a maioria no contexto sóciopolítico atual, a comunicação adquire outra maneira de propagação. Considerando o caso brasileiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda mantém índices de grande aprovação de seu governo. É curioso notar que o próprio presidente é o grande responsável por isso. Pode-se até dizer que se não tivesse profissionais da comunicação em seu governo, a falta não seria notada. A facilidade com que se comunica com o povo, através de um jeito simples de falar, muitas vezes sem conhecimento sobre determinado assunto, faz com que Lula seja imbatível em carisma com parte considerável da população brasileira.
Outro exemplo é o ex-presidente Fernando Collor de Mello. Conquistou milhões de brasileiros com sua aparência incomparável. A retórica, digna de admiração, permitiu a Collor, como Lula, prender a atenção dos seus eleitores, deixando-os esperançosos com o futuro da pátria. Importante lembrar que a comunicação teve papel fundamental na eleição de Collor, não somente na manutenção de uma imagem impecável, mas na propriedade de veículos noticiosos, em Alagoas. A família Arnon de Mello sempre teve influência enorme no estado de Alagoas, nordeste do Brasil.
Chegamos a Vargas. Analisar o período de seu governo é ter uma imagem bem clara de até onde pode chegar a comunicação. Assim como Lula, Vargas sempre teve o povo brasileiro sob sua admiração. Além disso, soube se utilizar muito bem dos recursos comunicativos para literalmente entrar na casa do cidadão brasileiro. Na verdade, usou de estratégia abusiva para manter o poder. O DIP, Departamento de Imprensa e Propaganda, ficou conhecido pela censura sobre as manifestações culturais.
O samba é um grande exemplo de censura. O governo Vargas tornou o samba música nacional. E, ao invés, de exaltar a malandragem, como fazia antes, o samba passou a admirar o trabalho. Noel Rosa e Wilson Batista, dois grandes sambistas brasileiros, foram obrigados pelo DIP a mudarem seu estilo, acabando com o estilo malandro de ser, para continuarem trabalhando.
A relação de Vargas com o rádio sempre foi de tamanha intimidade. Estatizou a Rádio Nacional e fez dela o principal veículo de divulgação de seu governo. Realmente investiu demais. Trouxe os melhores músicos, cantores e radioatores para fazer da rádio a maior do Brasil. O presidente Vargas obviamente tinha o seu programa e conversava diretamente com o povo brasileiro.
Portanto, percebe-se o quanto a comunicação influencia de maneira decisiva na escolha dos governantes. É a intermediadora das relações entre o político e os seus eleitores. O tipo de intermediação depende da sociedade em que está inserida. Não só da sociedade, como do período histórico. Ela pode ser democrática, respeitando os direitos dos cidadãos, ou radical, possuindo órgão fiscalizador, como na época de Vargas.
Entender a mídia, como instrumento do órgão de comunicação, é necessário. Por meio dela, a intermediação entre vida política e cidadão é completada. A mídia desempenha papel central na vida política contemporânea. E não só na publicação de notícias institucionais.
Mas, principalmente, na crítica, na capacidade de julgar o trabalho dos políticos, de mostrar o aperfeiçoamento da sociedade. Esse tipo de mídia precisa manter distanciamento com os meandros políticos, devendo apenas reportar os acontecimentos do momento.
E na política não é diferente. A área de comunicação é estratégica para o governante. Controlá-la eficazmente significa manter uma boa imagem, frente à população, seus eleitores.
Para continuar a análise, é interessante recorrer à história. Quando o socialismo soviético estava em expansão, espalhando-se pelos países do globo, os países capitalistas temiam pelo pior. Foi o que aconteceu, por exemplo, na Alemanha. O ministro de comunicações Joseph Paul Goebbels se utilizou dessa prerrogativa de expansão da “bandeira vermelha” para trazer a população alemã para o lado do ditador sangüinário Adolf Hitler.
Goebbels criou a imagem de Hitler, classificando-lhe como o “salvador da pátria”, o único capaz de livrar os alemães das garras socialistas. Evidentemente que a população, maravilhada com a ascensão de um grande representante, um verdadeiro “Führer” (líder em alemão), apoiou a tomada do poder. Ainda mais a classe alta que não queria perder suas propriedades, enfim, sua riqueza, pretendendo, assim, que o socialismo ficasse bem longe da Alemanha.
Interessante notar que o ministro Goebbels foi o responsável pela introdução da saudação “Heil Hitler”, o que contribuiu para arraigar mais ainda essa imagem positiva de Hitler.
Claro que os veículos de comunicação foram e continuam sendo fundamentais para uma propaganda política bem feita. Os nazistas se utilizaram muito do cinema para chegar facilmente à população. Sem falar do rádio, sempre muito utilizado politicamente, e da própria televisão.
Hoje, naturalmente, é algo impensável que ocorra processo semelhante. Se bem que alguns países continuam com ditadores eternos. É o caso de Cuba. O exemplo cubano é muito interessante. O ditador Fidel Castro mantém uma boa imagem perante a maior parte da população, mesmo estando no poder há quase cinqüenta anos. Consegue sustentar o poder e a imagem devido ao passado, foi um dos poucos desafiantes que venceram a hegemonia norte-americana.
Nos países que se dizem democráticos, a maioria no contexto sóciopolítico atual, a comunicação adquire outra maneira de propagação. Considerando o caso brasileiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda mantém índices de grande aprovação de seu governo. É curioso notar que o próprio presidente é o grande responsável por isso. Pode-se até dizer que se não tivesse profissionais da comunicação em seu governo, a falta não seria notada. A facilidade com que se comunica com o povo, através de um jeito simples de falar, muitas vezes sem conhecimento sobre determinado assunto, faz com que Lula seja imbatível em carisma com parte considerável da população brasileira.
Outro exemplo é o ex-presidente Fernando Collor de Mello. Conquistou milhões de brasileiros com sua aparência incomparável. A retórica, digna de admiração, permitiu a Collor, como Lula, prender a atenção dos seus eleitores, deixando-os esperançosos com o futuro da pátria. Importante lembrar que a comunicação teve papel fundamental na eleição de Collor, não somente na manutenção de uma imagem impecável, mas na propriedade de veículos noticiosos, em Alagoas. A família Arnon de Mello sempre teve influência enorme no estado de Alagoas, nordeste do Brasil.
Chegamos a Vargas. Analisar o período de seu governo é ter uma imagem bem clara de até onde pode chegar a comunicação. Assim como Lula, Vargas sempre teve o povo brasileiro sob sua admiração. Além disso, soube se utilizar muito bem dos recursos comunicativos para literalmente entrar na casa do cidadão brasileiro. Na verdade, usou de estratégia abusiva para manter o poder. O DIP, Departamento de Imprensa e Propaganda, ficou conhecido pela censura sobre as manifestações culturais.
O samba é um grande exemplo de censura. O governo Vargas tornou o samba música nacional. E, ao invés, de exaltar a malandragem, como fazia antes, o samba passou a admirar o trabalho. Noel Rosa e Wilson Batista, dois grandes sambistas brasileiros, foram obrigados pelo DIP a mudarem seu estilo, acabando com o estilo malandro de ser, para continuarem trabalhando.
A relação de Vargas com o rádio sempre foi de tamanha intimidade. Estatizou a Rádio Nacional e fez dela o principal veículo de divulgação de seu governo. Realmente investiu demais. Trouxe os melhores músicos, cantores e radioatores para fazer da rádio a maior do Brasil. O presidente Vargas obviamente tinha o seu programa e conversava diretamente com o povo brasileiro.
Portanto, percebe-se o quanto a comunicação influencia de maneira decisiva na escolha dos governantes. É a intermediadora das relações entre o político e os seus eleitores. O tipo de intermediação depende da sociedade em que está inserida. Não só da sociedade, como do período histórico. Ela pode ser democrática, respeitando os direitos dos cidadãos, ou radical, possuindo órgão fiscalizador, como na época de Vargas.
Entender a mídia, como instrumento do órgão de comunicação, é necessário. Por meio dela, a intermediação entre vida política e cidadão é completada. A mídia desempenha papel central na vida política contemporânea. E não só na publicação de notícias institucionais.
Mas, principalmente, na crítica, na capacidade de julgar o trabalho dos políticos, de mostrar o aperfeiçoamento da sociedade. Esse tipo de mídia precisa manter distanciamento com os meandros políticos, devendo apenas reportar os acontecimentos do momento.