Venda de caminhões despenca mais de 16% no primeiro trimestre
Em março, alta de 33,54% nos emplacamentos de caminhões garantiu desempenho satisfatório.
BRUNO TORANZO
Mesmo com a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), as vendas de caminhões, nos três primeiros meses do ano, amargaram queda de 16,62%, em relação ao primeiro trimestre de 2008. Os números foram divulgados, na última sexta-feira (3), pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores). Ao considerar o mês passado, na comparação com fevereiro, o setor registrou aumento de 33,54%.
“O faturamento das empresas de transporte caiu 30% no primeiro trimestre deste ano”, lamentou Newton Gibson, vice-presidente da CNT (Confederação Nacional do Transporte). Com a produção industrial em queda, os caminhões não têm o que transportar. Como resultado, as transportadoras adiam o desejo de renovar ou aumentar a frota.
Para piorar, o aperto da crise econômica provocou retração dos investimentos públicos. Segundo Gibson, o governo diminuiu a velocidade das obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), voltadas para a expansão da infraestrutura, que demandam esforços do setor logístico. “Estamos encaminhando um pedido de ajuda ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) como forma de impedir uma onda de demissões”, disse.
Roberto Nasser, diretor-comercial de uma rede de concessionárias de caminhões, sediada em Santo André, discorda que o ambiente de negócios esteja desfavorável. “Desde janeiro, sentimos melhora nas vendas. O desempenho já está acima daquele verificado em 2007”, revelou.
Além da atuação do governo, Nasser destaca os financiamentos mais baratos concedidos pelos bancos das montadoras. Ainda assim, a possibilidade de diminuir o preço, através da margem deixada pela redução do IPI, mostrou-se o grande fator facilitador. “A redução de 5% no preço final dos caminhões atraiu os clientes”, finalizou.
Já para os automóveis, o alívio fiscal não deixou dúvidas. Foram vendidos 527.867 carros no primeiro trimestre, alta de 3,30% em relação ao mesmo período do ano passado. Quando se levam em conta os veículos, ou seja, automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motos e implementos rodoviários, o balanço é ainda melhor. O emplacamento de 418.435 veículos bateu recorde para um mês de março. Em comparação com fevereiro, houve crescimento de 34,05%.
Os resultados positivos fizeram com que o governo prorrogasse a perda de arrecadação até o final de junho. Só que dessa vez motocicletas, por meio da isenção da COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), e materiais de construção, com a diminuição do IPI nos moldes dos automóveis e caminhões, também serão contemplados. Para compensar a diminuição no orçamento federal, houve aumento dos impostos para a indústria do cigarro.
*Texto originalmente produzido para o Rudge Ramos Online (www.metodista.br/rronline).