quarta-feira, 29 de abril de 2009

REPORTAGEM

Construção civil espera crescimento de 8% com corte do IPI
A redução do imposto que incide sobre a produção industrial também derrubou os preços dos produtos e levou os consumidores às compras.

BRUNO TORANZO

Cerca de trinta produtos da lista de materiais de construção estão de 5% a 8% mais baratos desde o final de março. O cimento, por exemplo, teve o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) zerado. A queda dos preços fez com que os consumidores aproveitassem para adiantar a reforma da casa.

“Esperamos para o mês de abril crescimento de 8% no faturamento das lojas”, disse Cláudio Conz, presidente da Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção).

Com o lançamento do programa federal de moradia popular “Minha Casa, Minha Vida”, que promete um milhão de habitações, o setor espera crescimento de 5% no faturamento de 2009. No primeiro bimestre do ano, antes das medidas de alívio fiscal, houve queda de 12% no volume de vendas. Além do estímulo do governo, segundo Conz, existe uma forte demanda reprimida no país. “A porcentagem de 67% das casas brasileiras precisa de alguma reforma. Temos de aproveitar todo esse potencial”, destacou.

A perda de arrecadação do governo federal, entre os meses de janeiro e março, chegou a R$ 6,46 bilhões. Mesmo com os efeitos da crise, o alívio fiscal foi o grande responsável pela queda. Apenas com o benefício concedido ao setor automobilístico, o governo deixou de ganhar R$ 1,1 bilhão.

Esse cálculo não leva em consideração as desonerações sobre materiais de construção e eletrodomésticos de linha branca. Ambas só terão efeito real nos resultados do segundo trimestre. O orçamento sofrerá impacto ainda maior.

“A redução do IPI, acompanhada do oferecimento de linhas de crédito facilitadas pelos bancos do governo, mostrou-se uma estratégia fiscal acertada em tempos de crise”, elogiou Pedro Galdi, analista de investimentos da SLW Corretora.

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) pode ser utilizado pelo governo como instrumento de empréstimos a juros subsidiados. Na semana passada, o banco estatal anunciou socorro aos governos estaduais. O valor oferecido chega a R$ 4 bilhões aos 27 estados da federação.

Luiz Gonzaga Belluzzo, ex-secretário de política econômica do governo Sarney, defende o caráter temporário do imposto reduzido, uma medida emergencial em dias de tormenta. “Os bens duráveis, como carros, eletrodomésticos e materiais de construção, são muito sensíveis à queda da demanda trazida pela crise econômica”, definiu. Para Belluzzo, existe dúvida se a diminuição provocaria os mesmos efeitos em outras atividades. “Em alguns setores, como têxtil e alimentação, a queda do preço final não é garantia de aumento da demanda”, concluiu.

*Texto originalmente produzido para o Rudge Ramos Online (www.metodista.br/rronline).