Cadastro Positivo vai alterar condições de empréstimo
Se for aprovado pelos congressistas, o banco de dados, com o histórico de pagamentos de cada cliente, reduziria os juros cobrados dos bons pagadores.
BRUNO TORANZO
O Cadastro Positivo, um banco de dados que separa os bons dos maus pagadores, está prestes a ser votado pela Câmara dos Deputados. Segundo o presidente da Casa, o deputado Michel Temer (PMDB-SP), a decisão deve sair nesta terça-feira (12).
Apesar do excesso de medidas provisórias que trancam a pauta do Congresso, Temer adotou uma nova estratégia, através da convocação de sessões extraordinárias, para votar os projetos de leis guardados há muito tempo na gaveta. As discussões em torno do cadastro começaram em agosto de 2005. Em tempos de crise financeira, o assunto voltou à tona, esperando a tão aguardada votação.
“A aprovação do Cadastro Positivo traz, para os bancos, um poderoso instrumento de diferenciação dos clientes”, ressaltou Alexandre Bassoli, ex-economista-chefe do banco HSBC no Brasil. Com informações a respeito de cada cliente, o banco teria condições de diminuir a taxa de juros aplicada nos empréstimos. “Essa mudança institucional permite maior eficiência do sistema financeiro”, garantiu.
As recentes reduções consecutivas da Selic permitiram que o Brasil deixasse o posto de maior juro real, descontando a inflação prevista para os próximos doze meses, do planeta. O Copom (Comitê de Política Monetária), ligado ao Banco Central, estabeleceu os juros reais em 5,8% ao ano. De acordo com o relatório Focus, divulgado pelo BC, a expectativa do mercado é de que, até o fim do ano, a taxa básica fique ainda menor.
A nova situação permite a queda do spread bancário, a diferença entre aquilo que o banco gasta para captar recursos e os juros cobrados para emprestar aos seus clientes. No entanto, os bancos alegam que precisam se resguardar da taxa de inadimplência trazida pelos maus pagadores. Sem informações suficientes para separar o joio do trigo, os juros são mantidos em patamares elevados.
“Caso os congressistas aprovem, os bancos terão a chance de classificar como risco baixo empréstimos para clientes confiáveis”, disse William Eid Jr., coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP). O maior benefício está na possibilidade de acessar os financiamentos anteriores de cada cliente. “O caráter do sujeito pode ser perfeitamente medido pelo histórico de pagamentos”, finalizou.
As instituições bancárias possuem um banco de dados de seus clientes. Através dele, elas percebem quais as características financeiras de cada um. “A relação de longo prazo com um banco permite que a instituição tenha acesso às condições de crédito do cliente”, disse Bassoli. As informações são sigilosas e não são compartilhadas pelos bancos. “A chegada do cadastro quebrará o monopólio das instituições sobre os dados dos clientes. O mercado inteiro terá acesso a esse conhecimento”, concluiu.
*Texto originalmente produzido para o Rudge Ramos Online (www.metodista.br/rronline).
Se for aprovado pelos congressistas, o banco de dados, com o histórico de pagamentos de cada cliente, reduziria os juros cobrados dos bons pagadores.
BRUNO TORANZO
O Cadastro Positivo, um banco de dados que separa os bons dos maus pagadores, está prestes a ser votado pela Câmara dos Deputados. Segundo o presidente da Casa, o deputado Michel Temer (PMDB-SP), a decisão deve sair nesta terça-feira (12).
Apesar do excesso de medidas provisórias que trancam a pauta do Congresso, Temer adotou uma nova estratégia, através da convocação de sessões extraordinárias, para votar os projetos de leis guardados há muito tempo na gaveta. As discussões em torno do cadastro começaram em agosto de 2005. Em tempos de crise financeira, o assunto voltou à tona, esperando a tão aguardada votação.
“A aprovação do Cadastro Positivo traz, para os bancos, um poderoso instrumento de diferenciação dos clientes”, ressaltou Alexandre Bassoli, ex-economista-chefe do banco HSBC no Brasil. Com informações a respeito de cada cliente, o banco teria condições de diminuir a taxa de juros aplicada nos empréstimos. “Essa mudança institucional permite maior eficiência do sistema financeiro”, garantiu.
As recentes reduções consecutivas da Selic permitiram que o Brasil deixasse o posto de maior juro real, descontando a inflação prevista para os próximos doze meses, do planeta. O Copom (Comitê de Política Monetária), ligado ao Banco Central, estabeleceu os juros reais em 5,8% ao ano. De acordo com o relatório Focus, divulgado pelo BC, a expectativa do mercado é de que, até o fim do ano, a taxa básica fique ainda menor.
A nova situação permite a queda do spread bancário, a diferença entre aquilo que o banco gasta para captar recursos e os juros cobrados para emprestar aos seus clientes. No entanto, os bancos alegam que precisam se resguardar da taxa de inadimplência trazida pelos maus pagadores. Sem informações suficientes para separar o joio do trigo, os juros são mantidos em patamares elevados.
“Caso os congressistas aprovem, os bancos terão a chance de classificar como risco baixo empréstimos para clientes confiáveis”, disse William Eid Jr., coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP). O maior benefício está na possibilidade de acessar os financiamentos anteriores de cada cliente. “O caráter do sujeito pode ser perfeitamente medido pelo histórico de pagamentos”, finalizou.
As instituições bancárias possuem um banco de dados de seus clientes. Através dele, elas percebem quais as características financeiras de cada um. “A relação de longo prazo com um banco permite que a instituição tenha acesso às condições de crédito do cliente”, disse Bassoli. As informações são sigilosas e não são compartilhadas pelos bancos. “A chegada do cadastro quebrará o monopólio das instituições sobre os dados dos clientes. O mercado inteiro terá acesso a esse conhecimento”, concluiu.
*Texto originalmente produzido para o Rudge Ramos Online (www.metodista.br/rronline).