sábado, 30 de setembro de 2006

EM DEBATE

Individualidade e tecnologia
POR Bruno Victor Dela Páscoa Toranzo

“Além, é claro, do fato de as pessoas estarem cada vez mais indiferentes ao destino de seus próximos ou a qualquer senso de convívio, de comunidade ou de solidariedade. As pessoas vão se fechando num “nós” cada vez mais exclusivo, tendendo a se restringir num “eu” conectado numa rede infinita de circuitos virtuais. Casais que se falam por meio de secretárias eletrônicas, pais que se comunicam com os filhos pela Internet, professores que ensinam por teleconferência a alunos que respondem por e-mail. Ao redor deles, um mar de gente relegada, sucateada como máquinas obsoletas, abandonada ao relento”.

O trecho acima foi retirado da obra “A corrida para o século XXI no loop da montanha-russa”, de Nicolau Sevcenko, e sintetiza bem a tendência mundial atual, ocasionada, principalmente, pelo sistema capitalismo-globalização.

O capitalismo e a globalização intensificaram o papel da tecnologia no mundo. Isso ocorreu a partir da constante criação de facilidades tecnológicas e de sua conseqüente importância em todos os setores da vida humana. A tecnologia precisa existir para aproximar as pessoas, fazendo-as interagir positivamente, e não para afastá-las, contribuindo decisivamente para uma espantosa individualidade, nunca vista antes na história.

É importante enfatizar que um país não é um indivíduo e sua família. Um país é toda sua população, independentemente de sua classe social, cor de pele, conhecimento de vida ou religião. Pensar no conjunto, como uma massa coesa, densa, bem organizada, é elemento base para o desenvolvimento de uma nação.

Considerando o cenário brasileiro, é vital para o futuro de nossa democracia, que os candidatos a cargos políticos para a eleição de amanhã, tenham o parágrafo anterior em mente. O Congresso atual, infelizmente, prioriza o interesse particular de cada membro e esquece dos interesses universais, os da nação. Enquanto não houver reformulação dos representantes políticos, não há horizonte de progresso para o Brasil.