POR Bruno Victor Dela Páscoa Toranzo
Quando discutimos a identidade cultural dos países do globo, devemos analisar o bloco dos desenvolvidos diferentemente do dos pobres e emergentes. A globalização aprisiona naturalmente a cultura dos países subdesenvolvidos, submetendo suas populações ao controle das grandes corporações de entretenimento do mundo. Corporações que possuem suas sedes no seleto grupo de nações desenvolvidas. Warner Brothers, FOX e SONY são exemplos clássicos de monopolização no campo do entretenimento. As duas primeiras empresas são de origem norte-americana e a terceira, japonesa.
Os provedores de cultura são justamente essas grandes marcas. Com amplo e fácil domínio do mercado mundial, eles partilham a mesma ideologia, cultuando o atual sistema capitalismo/globalização como alternativa ideal. Os modos americano e europeu de ver e de lidar com a vida chegam às residências de bilhões de pessoas diariamente. Os latino-americanos e os africanos encantam-se com esse estilo de vida, levando alguns deles a abandonar sua região natal.
O fluxo da cultura ocorre de maneira unidirecional, da região Norte do planeta, predomínio de economias fortes e desenvolvidas, para a região Sul, economias em desenvolvimento.
É evidente constatar que cultura virou comércio. A OMC, organização que regula as relações comerciais no mundo, tem como tema de pauta a cultura e a comunicação nos dias de hoje. Dessa forma, a cultura através da utilização do rádio, da televisão, do jornal e de outros veículos de comunicação deixou de ser estratégia do Estado para garantir sua hegemonia. Pelo contrário, o Estado torna-se refém do capital externo que entra por meio das multinacionais.
O restrito acesso à comunicação é problema grave. A informação está disponível, mas apenas uma pequena parcela da população mundial tem condições de consumi-la. A parca presença da Internet e da televisão a cabo nas nações pobres comprova o caráter restritivo da comunicação.
Os brasileiros enfrentam situação delicada. Convivem com a hegemonia hollywoodiana em âmbito mundial e com o controle de determinadas famílias como a Marinho, a Macedo e a Mesquita sobre os veículos de comunicação. São raros os programas que abordem os costumes e tradições nacionais. A Rede Globo de Televisão promove o Big Brother (de origem holandesa) uma vez ao ano. Podemos perfeitamente classificar como aculturados programas como esse. O SBT é a emissora que mais utiliza esse material já pronto, advindo dos países de Primeiro Mundo, em sua grade diária de programação.
A maior cooperação entre os países latino-americanos é forma acertada de combater a forte presença cultural dos países desenvolvidos, encabeçados pelos Estados Unidos. Se o Mercosul não estivesse em frangalhos, com diversos confrontos internos, teria condições de promover transações culturais a exemplo do que é feito economicamente.