quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

ECONOMIA

Isolamento não é solução
POR Bruno Toranzo

A suposta agressão sofrida pela advogada brasileira na Suíça, com a consequente perda da criança, esteve e continua presente nas páginas dos jornais. Depois de perceberem a língua estrangeira, três militantes do Partido do Povo Suíço (SVP em inglês), de extrema direita, contrários à vinda de imigrantes, teriam resolvido atacar. Uma versão posterior, cogitada pela polícia local, considera a possibilidade da brasileira ter praticado a automutilação.

Seja como for, o importante não é o acontecido. É preciso chamar a atenção para a xenofobia da legenda envolvida na história. A imagem de um cartaz, identificada com a sigla SVP, com três ovelhas brancas expulsando uma negra de cima da bandeira da Suíça, circulou pelos veículos de informação. A negação do estrangeiro faz parte da história da Europa. Parcela dos europeus considera que os imigrantes atrapalham, geram problemas, ficando com os cada vez mais escassos empregos disponíveis.

Paralelamente, o protecionismo econômico virou alternativa de última hora de alguns governos para combater a crise. Sem novas soluções, eles se voltaram para a escolha errada. A proteção da indústria nacional, por meio da taxação maior dos produtos estrangeiros, apaga a maturidade alcançada, nas últimas décadas, em relação às transações comerciais. Outra maneira de proteção é privilegiar a produção interna e deixar de lado os outros países, sem, contudo, a utilização de subsídios.

Através da temida cláusula “Buy American”, presente no pacote recentemente sancionado por Obama, os Estados Unidos vão recorrer exclusivamente aos produtores nacionais para construir as grandes obras públicas prometidas, voltadas, em larga medida, para a melhora da infra-estrutura, com o objetivo de gerar emprego, aumentar a renda e fazer a economia voltar a girar.

A junção de protecionismo e xenofobia desperta uma desnecessária rivalidade de volta. Sem falar das recordações sombrias que as duas palavras trazem. Na II Grande Guerra, os alemães espalharam medo e terror utilizando essa mesma fórmula. O maior benefício da globalização é colocar os países em uma arena de competição com quase igualdade de condições. Mesmo sem ter acabado com os desequilíbrios, o sistema encontrou uma maneira de dividir, nem que seja aos poucos, de maneira gradual, a riqueza dos países mais poderosos.

Só será possível sair do ambiente de crise se houver disposição para atuar em conjunto. A existência de trilhões de dólares em ativos tóxicos, que nada valem nos dias de hoje, demanda uma ação enérgica por parte dos Bancos Centrais de todos os continentes. Os Estados Unidos lançaram um plano ambicioso para isolar todo esse montante doente. Não dá para saber se a decisão surtirá efeito. A única certeza é de que o isolamento vai trazer dias ainda mais negros, com chance real de depressão, o que levaria a muitos anos de decadência.