IPI reduzido para automóveis termina no final de março
Indústria automobilística voltou a ganhar nos últimos meses
Indústria automobilística voltou a ganhar nos últimos meses
POR Bruno Toranzo
“Ao entrar na loja, os clientes perguntam se o preço do carro está levando em consideração o IPI baixo”, diz Marco Aurélio Cucolicchio, gerente de vendas de uma concessionária de Santo André. O governo reduziu a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados incidente nos automóveis zero quilômetro em dezembro do ano passado. Mas o desconto tem data para terminar: 31 de março.
Durante os meses de outubro e novembro, a indústria automobilística sentiu os efeitos da crise. A queda das vendas no mercado interno derrubou parte dos ganhos obtidos ao longo do ano. Como forma de amenizar o tombo, o governo tomou uma série de medidas de socorro, como a diminuição do IPI e a concessão de empréstimos para os bancos das montadoras.
A tabela da tributação foi reformulada. Os carros com motor até 1.0, gasolina, álcool e flex, ficaram isentos. Antes da mudança, tinham de contribuir com 7% do valor final. Para aqueles com motor até 2.0, movidos à gasolina, a taxação caiu pela metade, chegando aos 6,5%. Os automóveis de luxo, de potência superior a 2.1, de mesmo combustível, continuaram com alíquota de 25%. Já os de álcool e flex foram beneficiados em proporções parecidas.
“Como incentivo para a volta dos consumidores ao mercado, o novo IPI funcionou. Por essa razão, ele não pode acabar bruscamente”, defende André Beer, consultor e ex-vice-presidente da General Motors do Brasil. Segundo números da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos), dezembro apresentou recuperação de 9% das vendas. Em janeiro, nova alta, com mais de 197 mil veículos vendidos, aumento de 1,5% em relação ao mês anterior.
A alteração do imposto foi apenas um dos agentes que melhoraram as condições de venda dos automóveis. “Os bancos das montadoras diminuíram as taxas de juros e alongaram os prazos de financiamento”, lembra Francisco Funcia, professor da Universidade Municipal de São Caetano do Sul. O Banco do Brasil chegou a emprestar R$ 4 bilhões aos bancos das montadoras.
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, quer que a redução continue por pelo menos três meses. Em troca, as montadoras se comprometeriam a manter o atual quadro de funcionários, sem demissões. Os dados atualizados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), na pesquisa de janeiro, mostram que o desemprego atingiu 8,2%, o maior patamar desde março do ano passado.
Para Carlos Alberto Bifulco, ex-presidente do Conselho Diretor do IBEF (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças) de São Paulo, a solução passa pelo corte dos tributos ligados à produção. “Em um cenário de grave crise econômica, existe espaço para diminuir imposto em todos os setores”.
De acordo com Bifulco, há uma demanda reprimida em alguns setores, com destaque para o automobilístico. “Um grande contingente de pessoas ascendeu de classe. Elas desejam comprar rapidamente carro e casa próprios”.
*Texto originalmente produzido para o Rudge Ramos Online (www.metodista.br/rronline).