quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

REPORTAGEM

IPI reduzido para automóveis termina no final de março
Indústria automobilística voltou a ganhar nos últimos meses

POR Bruno Toranzo

“Ao entrar na loja, os clientes perguntam se o preço do carro está levando em consideração o IPI baixo”, diz Marco Aurélio Cucolicchio, gerente de vendas de uma concessionária de Santo André. O governo reduziu a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados incidente nos automóveis zero quilômetro em dezembro do ano passado. Mas o desconto tem data para terminar: 31 de março.

Durante os meses de outubro e novembro, a indústria automobilística sentiu os efeitos da crise. A queda das vendas no mercado interno derrubou parte dos ganhos obtidos ao longo do ano. Como forma de amenizar o tombo, o governo tomou uma série de medidas de socorro, como a diminuição do IPI e a concessão de empréstimos para os bancos das montadoras.

A tabela da tributação foi reformulada. Os carros com motor até 1.0, gasolina, álcool e flex, ficaram isentos. Antes da mudança, tinham de contribuir com 7% do valor final. Para aqueles com motor até 2.0, movidos à gasolina, a taxação caiu pela metade, chegando aos 6,5%. Os automóveis de luxo, de potência superior a 2.1, de mesmo combustível, continuaram com alíquota de 25%. Já os de álcool e flex foram beneficiados em proporções parecidas.

“Como incentivo para a volta dos consumidores ao mercado, o novo IPI funcionou. Por essa razão, ele não pode acabar bruscamente”, defende André Beer, consultor e ex-vice-presidente da General Motors do Brasil. Segundo números da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos), dezembro apresentou recuperação de 9% das vendas. Em janeiro, nova alta, com mais de 197 mil veículos vendidos, aumento de 1,5% em relação ao mês anterior.

A alteração do imposto foi apenas um dos agentes que melhoraram as condições de venda dos automóveis. “Os bancos das montadoras diminuíram as taxas de juros e alongaram os prazos de financiamento”, lembra Francisco Funcia, professor da Universidade Municipal de São Caetano do Sul. O Banco do Brasil chegou a emprestar R$ 4 bilhões aos bancos das montadoras.

O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, quer que a redução continue por pelo menos três meses. Em troca, as montadoras se comprometeriam a manter o atual quadro de funcionários, sem demissões. Os dados atualizados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), na pesquisa de janeiro, mostram que o desemprego atingiu 8,2%, o maior patamar desde março do ano passado.

Para Carlos Alberto Bifulco, ex-presidente do Conselho Diretor do IBEF (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças) de São Paulo, a solução passa pelo corte dos tributos ligados à produção. “Em um cenário de grave crise econômica, existe espaço para diminuir imposto em todos os setores”.

De acordo com Bifulco, há uma demanda reprimida em alguns setores, com destaque para o automobilístico. “Um grande contingente de pessoas ascendeu de classe. Elas desejam comprar rapidamente carro e casa próprios”.

*Texto originalmente produzido para o Rudge Ramos Online (www.metodista.br/rronline).

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

SARCASMO DA QUARTA

FONTE: Time.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

ECONOMIA

Sem folia nos Estados Unidos
POR Bruno Toranzo

Em dias de carnaval, não há pregão na bolsa brasileira. O ritmo de festa domina o noticiário, deixando o cenário de crise para escanteio. Nos Estados Unidos, rotina normal, o que significa preocupação com as ininterruptas notícias negativas sobre o desempenho econômico.

Ontem, segunda-feira, dia 23 de fevereiro, o Índice Dow Jones chegou ao menor patamar desde 1997. A possibilidade de estatização dos bancos deixou o mercado apreensivo. O Citigroup é a bola da vez. Até agora, a participação do governo na instituição é de 7,8%. Já existem rumores de que o controle passaria para 40%, através da troca de parte das ações preferenciais por ações ordinárias, sendo que essas últimas dão poder de voto, capacidade de transformação.

Mesmo abaixo dos 50%, os investidores estão receosos quanto ao crescimento do poder estatal. Mais governo representa maior influência política sobre as decisões da empresa. Alerta para os altos executivos com seus salários ainda fora da realidade. Os contribuintes americanos, com razão, pressionam pela queda da remuneração há um bom tempo.

O preocupante mesmo, de uma forma geral, está na velha história da ineficiência marcada pela troca de favores. Em outras palavras, o temor de que o Citigroup venha a se tornar, em última instância, um “cabide de empregos”. Os cargos da instituição se tornariam fator de negociação entre os dirigentes do país.

Independentemente dessa conversa, o que se percebe é a brusca e relevante queda das ações das companhias. Destaco os grandes nomes diretamente envolvidos em todo esse imbróglio. Uma redução verdadeiramente assustadora.

Bank of America (Estados Unidos)
Banco
Dia 24/03/2008: US$ 43,46;
HOJE: US$ 4,73.

Citigroup (Estados Unidos)
Banco
Dia 28/04/2008: US$ 27,35;
HOJE: US$ 2,60.

Morgan Stanley (Estados Unidos)
Banco
Dia 24/03/2008: US$ 51,80;
HOJE: US$ 22,07.

Aareal Bank (Alemanha)
Banco
Dia 06/05/2008: US$ 38;
HOJE: US$ 4,85.

Hypo Real Estate (Alemanha)
Banco
Dia 22/02/2007: € 49,49;
Dia 22/02/2008: € 17,92;
HOJE: € 1,27.

UBS (Suíça)
Banco
Dia 28/04/2008: US$ 33,38;
HOJE: US$ 9,210.

AIG (American International Group) / Estados Unidos
Seguradora
Dia 27/02/2008: US$ 52,25;
HOJE: US$ 0,41.

Fortis (Bélgica)
Seguradora e banco
Dia 21/04/2008: US$ 27,87;
HOJE: US$ 1,37.

Fannie Mae (Estados Unidos)
Instituição de Crédito Hipotecário
Dia 23/02/2007: US$ 59,49;
Dia 22/02/2008: US$ 28,72;
HOJE: US$ 0,50.

Freddie Mac (Estados Unidos)
Instituição de Crédito Hipotecário
Dia 22/02/2007: US$ 65,69;
Dia 22/02/2008: US$ 26,61;
HOJE: US$ 0,54.

Observação: Com exceção da alemã Hypo Real Estate, sediada na Bolsa de Frankfurt, todas as outras empresas estão cotadas na americana Dow Jones.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

REPORTAGEM

Queda da produção preocupa setor industrial
Diminuição do spread bancário vira prioridade para governo e BC.

POR Bruno Toranzo

Desde o segundo semestre do ano passado, em meados de setembro, com a quebra do tradicional banco americano Lehman Brothers, o sistema econômico mundial respira por aparelhos. A imediata consequência desse clima de permanente incerteza, ainda não solucionada, de difícil resolução, foi uma espécie de seca na concessão de créditos. Os empréstimos se tornaram muito mais caros. As empresas têm dificuldades para financiar suas atividades.

Até pouco tempo, os brasileiros eram meros espectadores da hecatombe financeira. O próprio presidente Lula chegou a dizer que a crise passaria por aqui como se fosse tão somente uma “marolinha”. Não foi o que aconteceu. Os números ruins rechaçaram tal otimismo do governo. Já existem rumores de que o crescimento da economia neste ano possa ficar abaixo de 2%.

Na última quarta-feira (11), a Fundação Getúlio Vargas, conhecida como FGV, divulgou o SPI, que funciona como sinalizador da produção física industrial no estado de São Paulo. O recuo em janeiro de 2009, na comparação com o mesmo mês do ano passado, atingiu 14,9%. “A expectativa é de que a produção da indústria caia 20% neste ano”, afirma o economista Giancarlo Pereira, também professor da Universidade Mackenzie.

No mesmo dia, os secretários do desenvolvimento das sete cidades do Grande ABC se reuniram para discutir os efeitos da crise. Os principais setores industriais da região são o automotivo e a construção civil. Duas das atividades que são atingidas em cheio pelo encarecimento do crédito e pelo corte de gastos das famílias. Pode-se esperar o quanto for preciso para trocar o carro ou comprar uma nova residência.

De acordo com os últimos números levantados pelo Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior, as exportações de São Bernardo caíram 14,47% no último mês de 2008 em relação ao mesmo período do ano anterior. Os andreenses tiveram queda de 7,63%, ao mesmo tempo em que São Caetano diminuiu as vendas em 38,69%.

Por ter apresentado mais de US$ 4,5 bilhões em exportações, número quase sete vezes maior que Santo André, a segunda colocada nesse quesito dentre as cidades que compõem o ABC, o município de São Bernardo sente de forma acentuada qualquer alteração negativa na balança comercial. “A falta de mercado para os produtos é a grande dificuldade das indústrias. Pode-se dizer que a demanda, principalmente externa, despencou”, afirma Shotoku Yamamoto, diretor-titular do Ciesp Santo André.

Em meio à repetição dos índices vermelhos e do domínio da preocupação, o maior desafio do governo e do Banco Central chama-se spread. Essa palavra de origem inglesa significa, ao pé da letra, propagar. Ou seja, propagar o dinheiro que os bancos captam, normalmente a juros por volta de 13%, para os empresários e consumidores.

O problema está nos juros que são cobrados pelas instituições bancárias: uma média de 45,1%. “O spread baixo é fundamental para reativar a economia. Quanto maior estiver, pior para o ambiente econômico em geral”, analisa Marcos Crivelaro, consultor financeiro e professor da FIAP. A diferença entre os juros de captação e aqueles posteriormente cobrados serve para cobrir os custos das operações, depositar o compulsório na conta do BC, pagar impostos, cobrir o risco de inadimplência e, claro, gerar lucro.

As autoridades financeiras pressionam pela queda do spread. O BC passou a divulgar, em seu site, os juros cobrados pelos bancos do país. Trata-se de uma tabela, atualizada constantemente, com a intenção de incentivar a concorrência entre eles. “A transparência ficou maior, mas os efeitos para a diminuição, até agora, foram mínimos”, diz o professor Pereira.

A intenção é fazer com que os bancos de capital estatal diminuam as taxas de juros. O Banco do Brasil, mesmo tendo uma parcela de acionistas particulares, tem condições de inaugurar uma onda de quedas. “Se os bancos do governo diminuíssem primeiro, os privados seriam obrigados a seguir o mesmo caminho”, completa Crivelaro.

*Versão completa do texto originalmente produzido para o Rudge Ramos Online (www.metodista.br/rronline).

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

SARCASMO DA QUINTA

FONTE: Time.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

ECONOMIA

Isolamento não é solução
POR Bruno Toranzo

A suposta agressão sofrida pela advogada brasileira na Suíça, com a consequente perda da criança, esteve e continua presente nas páginas dos jornais. Depois de perceberem a língua estrangeira, três militantes do Partido do Povo Suíço (SVP em inglês), de extrema direita, contrários à vinda de imigrantes, teriam resolvido atacar. Uma versão posterior, cogitada pela polícia local, considera a possibilidade da brasileira ter praticado a automutilação.

Seja como for, o importante não é o acontecido. É preciso chamar a atenção para a xenofobia da legenda envolvida na história. A imagem de um cartaz, identificada com a sigla SVP, com três ovelhas brancas expulsando uma negra de cima da bandeira da Suíça, circulou pelos veículos de informação. A negação do estrangeiro faz parte da história da Europa. Parcela dos europeus considera que os imigrantes atrapalham, geram problemas, ficando com os cada vez mais escassos empregos disponíveis.

Paralelamente, o protecionismo econômico virou alternativa de última hora de alguns governos para combater a crise. Sem novas soluções, eles se voltaram para a escolha errada. A proteção da indústria nacional, por meio da taxação maior dos produtos estrangeiros, apaga a maturidade alcançada, nas últimas décadas, em relação às transações comerciais. Outra maneira de proteção é privilegiar a produção interna e deixar de lado os outros países, sem, contudo, a utilização de subsídios.

Através da temida cláusula “Buy American”, presente no pacote recentemente sancionado por Obama, os Estados Unidos vão recorrer exclusivamente aos produtores nacionais para construir as grandes obras públicas prometidas, voltadas, em larga medida, para a melhora da infra-estrutura, com o objetivo de gerar emprego, aumentar a renda e fazer a economia voltar a girar.

A junção de protecionismo e xenofobia desperta uma desnecessária rivalidade de volta. Sem falar das recordações sombrias que as duas palavras trazem. Na II Grande Guerra, os alemães espalharam medo e terror utilizando essa mesma fórmula. O maior benefício da globalização é colocar os países em uma arena de competição com quase igualdade de condições. Mesmo sem ter acabado com os desequilíbrios, o sistema encontrou uma maneira de dividir, nem que seja aos poucos, de maneira gradual, a riqueza dos países mais poderosos.

Só será possível sair do ambiente de crise se houver disposição para atuar em conjunto. A existência de trilhões de dólares em ativos tóxicos, que nada valem nos dias de hoje, demanda uma ação enérgica por parte dos Bancos Centrais de todos os continentes. Os Estados Unidos lançaram um plano ambicioso para isolar todo esse montante doente. Não dá para saber se a decisão surtirá efeito. A única certeza é de que o isolamento vai trazer dias ainda mais negros, com chance real de depressão, o que levaria a muitos anos de decadência.

ECONOMIA


- O cartaz do partido suíço que defende a xenofobia.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

RETOMADA

Transcrevendo o pensamento
POR Bruno Toranzo

Depois de alguns meses, volto a escrever no espaço virtual chamado blog. Resultado da popularização da internet, além da rapidez e agilidade da mesma, esse tipo de interação foi criada por gente que precisa escrever. Não basta falar com as pessoas de sempre, aquelas que fazem parte do nosso dia-a-dia. Ao contrário da voz, as palavras têm o poder de atingir uma massa, um contingente enorme de cabeças, distribuída pelos mais diferentes e inusitados países.

Quem acessa este blog sabe que vai encontrar assuntos relacionados à economia. Textos normalmente repletos de números e análises do mercado. Para deixá-los mais atraentes, entra o trabalho do repórter. O jornalismo deixa as informações estritamente técnicas de lado para humanizar a reportagem, deixando-a mais próxima do universo do leitor comum.

Quando digo “comum”, não estou fazendo nenhum julgamento de caráter intelectual. De maneira alguma, digo que esse leitor não teria capacidade de compreender. Trata-se apenas de uma classificação direcionada para a maior parte das pessoas, seja ela advogada, policial ou motorista de ônibus, que não tem a obrigação de saber sobre a totalidade dos assuntos a fundo. Cada profissional detalha a área de sua atribuição. Não importa a do outro.

Por sinal, uma característica marcante do mundo globalizado. Somos incitados à especialização desde o começo da vida adulta. O jovem, logo aos 17 anos ou menos, tem de escolher o que vai fazer ao longo da vida.

Ninguém sabe tudo. Não há como ser engenheiro e obstetra ao mesmo tempo. É por isso que confiamos sempre em alguém. O médico cuida de nossa saúde. O advogado dos imbróglios judiciais que nos metemos. O contador fica responsável por seguir todas as regras do Fisco. E o jornalista tem a obrigação de informar bem, com diversidade de fontes e aprofundamento dos fatos.

Toda essa discussão começou sem um norte claro. Simplesmente reproduzi o caminho do meu pensamento. Talvez por essa razão a primeira publicação termine assim: sem pé e muito menos cabeça.