sexta-feira, 4 de julho de 2008

ECONOMIA

CNI não concorda com insuficiência produtiva
POR Bruno Victor Toranzo

Estou cansado de ouvir que estamos vivendo o mal da inflação em dose dupla. O aumento excessivo da demanda é a razão em comum. Mesmo em dobro, ambas estão devidamente controladas, bem distantes dos números zimbabuenses ou mesmo dos brasileiros de alguns anos atrás.

A primeira delas é muito conhecida. Chegou à fama por aumentar o preço dos alimentos no mundo inteiro. Explicação básica: os emergentes, encabeçados pelos chineses e indianos, passaram a comer mais. Seria uma excelente notícia se a produção de alimentos tivesse acompanhado o ritmo.

Ao mesmo tempo, o outro efeito inflacionário, exclusividade brasileira, acontece pela falta de capacidade produtiva para atender a sede consumista da população. Simplesmente faltam indústrias e condições de fabricação.

O aumento do preço por demanda acontece quando a oferta não dá conta da procura. Muita gente com intenção de comprar para limitada capacidade industrial ou agrícola produtiva. Trata-se de uma idéia básica de mercado. Quando não há produto suficiente para atender o consumo, a tendência é de aumento dos preços.

No entanto, a CNI (Confederação Nacional da Indústria), em relatório divulgado ontem, quinta-feira (3 de julho), contesta a insuficiência da capacidade produtiva industrial. Para a confederação, apenas o setor automobilístico e os dependentes (exemplo: autopeças) não estão conseguindo atender toda a procura de maneira eficiente.

O restante da indústria não se encontra no limite da capacidade. Pelo contrário: está sofrendo desaquecimento. A CNI deixa claro que os seguidos aumentos da taxa de juros foram desnecessários. O controle rígido da concessão de crédito bastaria para diminuir a venda de veículos.

Ainda de acordo com os industriais brasileiros, o indicador, que sustenta a inexistência de saturação produtiva, vem da medição do número de horas trabalhadas. Em maio, esse número foi apenas 2,7% superior ao mesmo mês do ano passado. Essa variação ficou bem abaixo dos 6,7% verificados nos quatro primeiros meses desse ano, em comparação ao mesmo período de 2007.