sexta-feira, 4 de julho de 2008

ESPECIAL

Help us, clamam as automobilísticas
POR Bruno Victor Toranzo

O setor automobilístico americano acumula perdas seguidas com as vendas constantemente em baixa. As grandes montadoras suplicam por ajuda do governo para continuar as atividades.

Pode-se conferir ao petróleo o grande responsável pela derrocada das automobilísticas. Diferentemente do Brasil, a alta do preço do barril acaba sendo repassado para o consumidor. Com o combustível caro na bomba, o americano está evitando a utilização do veículo.

Ao lado da gasolina elevada, existe o temor dos americanos com dias ainda mais difíceis. Apesar do FED, o banco central dos Estados Unidos, sinalizar a continuação da política de juros baixos, a população continua receosa em consumir. Essa combinação está prejudicando a tradicional indústria automobilística americana.

Se os setores econômicos em geral não vivem bons dias, o de automóveis convive com um horizonte estarrecedor. Basta analisar os números para perceber. Segunda maior produtora de automóveis estadunidense, a Ford viu mais de 30% das vendas desintegrarem entre junho de 2007 e o mesmo mês desse ano.

Não muito atrás está a Chrysler, terceira maior fabricante. Com queda de 36% da procura por seus modelos, os analistas financeiros já cogitam pedido de moratória pela companhia.

Na quarta-feira (2 de julho), os investidores se assustaram com mais uma péssima notícia da indústria de automóveis. O Banco Merrill Lynch já trabalha com a possibilidade da GM, também conhecida como General Motors, seguir os mesmos passos da Chrysler. Isso porque as vendas caíram mais de 18% no mês passado (junho) na comparação com 2007.

Susto justificado. O poderio americano se representa em marcas como a GM. Detentora da maior fatia do mercado de automóveis dos Estados Unidos e maior montadora do planeta, a General Motors vendeu 9,2 milhões de veículos (carros e caminhões) no ano passado. Em termos de representatividade, a GM controla 13,3% do mercado internacional. No Brasil, de acordo com cálculo de 2007, exatos 20,3% estão nas mãos da automobilística americana.

Por falar em Brasil, a situação por aqui é completamente diferente. De acordo com os dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), disponibilizados nesta sexta-feira (4 de julho), a venda de veículos novos de janeiro a junho desse ano atingiu valor recorde.

Uma expansão de 27,2% no primeiro semestre, em relação ao mesmo período de 2007, demonstrou o excelente momento vivido pelo setor. Isso significa 2,4 milhões de novas unidades circulando pelas tranqüilas e calmas vias brasileiras.

Os melhores retornos financeiros, quando comparados ao gigante americano, mostram outra vez o quanto os países antes considerados irrelevantes passaram a desempenhar papel fundamental para a estratégia corporativa de qualquer grande empresa.

Quem diria que as subsidiárias dos emergentes, com destaque para a brasileira, apresentariam resultados superiores aos países fundadores. Pena que Henry Ford não está vivo para ver.