terça-feira, 22 de julho de 2008

ECONOMIA

Pobres contra Ricos
POR Bruno Victor Toranzo

As dificuldades de conciliação dos interesses dos países pobres e ricos fazem com que a Rodada de Doha não avance. Lançada há sete anos por iniciativa da OMC (Organização Mundial do Comércio), as conversas não conseguem unir os objetivos dos dois grandes blocos.

Os desenvolvidos (alternativa de denominação para "ricos"), representados pelos Estados Unidos e a União Européia, insistem na continuação da injusta política de subsídios agrícolas. Importante atividade econômica dos países em desenvolvimento (outra denominação para "pobres”), encabeçados por Brasil, China e Índia, a agricultura é, muitas vezes, a grande responsável pela geração de riqueza.

Tradicionalmente, o preço dos alimentos dos países pobres é praticamente imbatível. Os ricos saem perdendo quase sempre. Com a prática dos subsídios, a lógica se inverte. Os produtos agrícolas do mundo desenvolvido passam a competir diretamente, algumas vezes com preço inferior, com aqueles advindos dos países pobres.

O governo utiliza de algumas práticas para reduzir esse preço. Os agricultores são beneficiados com o financiamento de parte da produção e também recebem, em alguns casos, isenção ou redução de impostos. É o velho e famoso protecionismo voltando à cena.

Os Estados Unidos se comprometeram a estabelecer novo limite para o pagamento de subsídios. Esse máximo passaria a ser de US$ 15 bilhões. A União Européia fez melhor proposta. A redução das tarifas agrícolas chegaria a 60% do valor atual.

Infelizmente, nenhuma proposta de acabar com esse mecanismo. Se isso acontecesse, presenciaríamos verdadeira redução dos índices de pobreza. Não há solução mágica para diminuir a quantidade de famintos. Basta que os ricos deixem os pobres atuarem em sua especialidade: a atividade agrícola. Melhor dizendo: a agropecuarista.

Em troca de abrir mão de parte do protecionismo, os países pobres deverão expor, sem maiores questionamentos, os setores industrial e de serviços ao capital do Primeiro Mundo. A eliminação das tarifas alfandegárias sobre os artigos industriais é o maior pedido.

Para que tudo isso vire realidade, os 152 membros da OMC precisam concordar com as propostas. A julgar pela troca de farpas entre o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e Susan Schwab, representante comercial dos Estados Unidos, as negociações não têm data para terminar.