As histórias são do ano de 1977
O senador José Sarney já se explicava em plenário, enquanto a população chilena vivia a terrível ditadura comandada por Pinochet.
O senador José Sarney já se explicava em plenário, enquanto a população chilena vivia a terrível ditadura comandada por Pinochet.
POR Bruno Toranzo
Como combinamos, continuo analisando o poeirento livro que enumera os acontecimentos mais relevantes do ano de 1977.
Começo com o estado dos Sarney, o Maranhão. Foram essas terras que fizeram a fortuna da família. O presidente do Senado, José Sarney, que estava prestes a cair, renúncia impedida pelos interesses eleitorais de Lula para 2010, aparece na tribuna do Senado em uma fotografia da Agência do Jornal do Brasil (veja na publicação abaixo). Adivinha sobre o que argumenta? Acertou quem respondeu crise. Desde os primórdios, o senador, de filiação arenista no passado, tem de explicar sua conduta política. E olha que o Brasil era ainda menos transparente naqueles anos.
“Em outubro, divergência entre o Secretário de Segurança, coronel Carlos Alberto Dualibe, e o governador do Estado (do Maranhão) culminou com exoneração daquele. A decisão relacionou-se com a invasão, por mais de cem homens, da fazenda Maguari, no município de Santa Luzia, de propriedade do senador arenista José Sarney, adversário do governador. Este, pouco antes, ao depor na CPI do sistema fundiário, apontara irregularidades na ocupação da área pela fazenda.”
Ou seja, o senador Sarney, hoje filiado ao PMDB, repleto de representantes investigados pela justiça, já apresentava, de acordo com o ex-governador do Maranhão Nunes Freire, irregularidades quanto à ocupação daquela área. Cabe ressaltar que Sarney tem várias fazendas Maguari em terras maranhenses. Não é exagero afirmar que o ex-presidente manda e desmanda no Maranhão.
Viro algumas folhas e busco a letra C. A página 131 revela os tristes episódios da ditadura chilena, provavelmente a mais sangrenta das Américas. O grande responsável pela desordem foi Augusto José Ramón Pinochet Ugarte, o general Pinochet, que se tornou presidente, depois de um golpe militar, em setembro de 1973. Durante 17 anos, liderou a mais longa ditadura da história do Chile.
“A junta chilena comemorou em setembro de 1977 o seu quarto ano do governo, mantendo pleno controle sobre o país e com poucas perspectivas de qualquer mudança importante num futuro próximo. O estado de sítio continuou em vigor, e o toque de recolher foi mantido. Em março, a junta dissolveu os partidos políticos remanescentes e, em julho, anunciou um plano a longo prazo para o retorno ao poder civil, com o objetivo declarado de preservar os partidos não-marxistas do que o atual governo chileno considera como vícios das velhas facções políticas.”
(...)
“A 8 de setembro, durante as cerimônias da assinatura do tratado sobre o canal do Panamá, o general Pinochet e o presidente Jimmy Carter tiveram um encontro pessoal. Apesar da distensão nas relações oficiais com os EUA, o Chile continuou a ter uma imagem bastante prejudicada no restante do mundo, devido à questão dos direitos humanos.”
(...)
“Prosseguiu a lenta recuperação da economia, atingindo, globalmente, os níveis dos últimos anos da década de 1960. A política econômica ortodoxa do governo reduziu o déficit orçamentário em quase 10% da despesa. A taxa de inflação, ao que se contava, caíra cerca de 60% em 1977, com esperanças de uma redução de 25% em 1978. O PIB deverá crescer de 8% a 9% em 1977.”