A maneira Hobsbawm de compreender o mundo
POR Bruno Toranzo
Com uma capacidade de encontrar respostas no passado para os desafios do presente, o historiador Eric Hobsbawm possui uma habilidade de análise das relações entre os países, sejam elas políticas, econômicas ou culturais, somente vista nos escritores considerados fora de série.
Em “Globalização, Democracia e Terrorismo”, publicado no Brasil pela Companhia das Letras, o autor egípcio mostra ao leitor as características dos novos tempos trazidos pelo fenômeno da globalização. De maneira prática, privilegiando a objetividade, Hobsbawm deixa de lado os detalhes históricos para mergulhar no tortuoso contexto em que estamos inseridos.
Leia alguns trechos do livro a seguir:
"Deixando de lado a Espanha do século XVI e talvez a Holanda do século XVII, a Grã-Bretanha, de meados do século XVIII a meados do século XX, e os Estados Unidos, a partir de então, são os únicos exemplos de impérios genuinamente globais com horizontes políticos globais, e não meramente regionais, o mesmo valendo para seus recursos de poder – a supremacia naval para a Grã-Bretanha do século XIX e a supremacia aérea para os Estados Unidos do século XXI –, ambos apoiados por uma forte rede mundial de bases operacionais."
(...)
"Também ambos dominaram como modelos econômicos, como pioneiros técnicos e organizacionais, como indicadores de tendências e ainda como os centros do sistema mundial de fluxos financeiros e de produtos comerciais e como os países cujas políticas financeiras e comerciais determinavam em grande medida as características desses fluxos."
(...)
"Um dos maiores trunfos do imperialismo ocidental, formal ou informal, era o de que, na sua primeira acepção, a ‘ocidentalização’ era a única forma pela qual as economias atrasadas podiam modernizar-se e os países fracos podiam fortalecer-se."
(...)
"Contudo, a globalização da economia industrial internacionalizou a modernização. A Coreia do Sul tem pouco a aprender dos Estados Unidos, que importa seus técnicos em computação da Índia e exporta o trabalho feito por eles para o Sri Lanka, enquanto o Brasil produz não só café mas também jatos executivos. Os asiáticos podem acreditar ainda na utilidade de mandar seus filhos para estudar no Ocidente, onde com frequência têm como professores acadêmicos asiáticos emigrados, mas a presença dos ocidentais nos seus países, para não falar do exercício da influência e do poder político local, já não é necessária para a modernização de suas sociedades."
POR Bruno Toranzo
Com uma capacidade de encontrar respostas no passado para os desafios do presente, o historiador Eric Hobsbawm possui uma habilidade de análise das relações entre os países, sejam elas políticas, econômicas ou culturais, somente vista nos escritores considerados fora de série.
Em “Globalização, Democracia e Terrorismo”, publicado no Brasil pela Companhia das Letras, o autor egípcio mostra ao leitor as características dos novos tempos trazidos pelo fenômeno da globalização. De maneira prática, privilegiando a objetividade, Hobsbawm deixa de lado os detalhes históricos para mergulhar no tortuoso contexto em que estamos inseridos.
Leia alguns trechos do livro a seguir:
"Deixando de lado a Espanha do século XVI e talvez a Holanda do século XVII, a Grã-Bretanha, de meados do século XVIII a meados do século XX, e os Estados Unidos, a partir de então, são os únicos exemplos de impérios genuinamente globais com horizontes políticos globais, e não meramente regionais, o mesmo valendo para seus recursos de poder – a supremacia naval para a Grã-Bretanha do século XIX e a supremacia aérea para os Estados Unidos do século XXI –, ambos apoiados por uma forte rede mundial de bases operacionais."
(...)
"Também ambos dominaram como modelos econômicos, como pioneiros técnicos e organizacionais, como indicadores de tendências e ainda como os centros do sistema mundial de fluxos financeiros e de produtos comerciais e como os países cujas políticas financeiras e comerciais determinavam em grande medida as características desses fluxos."
(...)
"Um dos maiores trunfos do imperialismo ocidental, formal ou informal, era o de que, na sua primeira acepção, a ‘ocidentalização’ era a única forma pela qual as economias atrasadas podiam modernizar-se e os países fracos podiam fortalecer-se."
(...)
"Contudo, a globalização da economia industrial internacionalizou a modernização. A Coreia do Sul tem pouco a aprender dos Estados Unidos, que importa seus técnicos em computação da Índia e exporta o trabalho feito por eles para o Sri Lanka, enquanto o Brasil produz não só café mas também jatos executivos. Os asiáticos podem acreditar ainda na utilidade de mandar seus filhos para estudar no Ocidente, onde com frequência têm como professores acadêmicos asiáticos emigrados, mas a presença dos ocidentais nos seus países, para não falar do exercício da influência e do poder político local, já não é necessária para a modernização de suas sociedades."