terça-feira, 7 de julho de 2009

POLÍTICA

Os britânicos estão “de saco cheio” dos seus políticos
A população brasileira não está sozinha no sentimento de aversão aos homens públicos.

POR Bruno Toranzo

Com escândalos consecutivos, crises políticas intermináveis, o Congresso está em baixa com os brasileiros. A estrutura antiquada, que favorece a corrupção, é responsável pelo descrédito da população. Não adianta, apesar de ser necessário para servir de exemplo, trocar uma peça pela outra. O problema está na maneira de pensar e agir da classe política.

Os britânicos sentem o mesmo carinho pelos seus representantes. Sob outro regime político, o parlamentarismo, o pessoal do Reino Unido precisa se contentar com os candidatos de apenas dois partidos. De um lado, estão os conservadores, contrários à presença de estrangeiros em suas terras. De outro, ficam os trabalhistas, partido do antigo e conhecido primeiro-ministro Tony Blair, ferrenho defensor da política do indigesto George W. Bush.

As recentes reportagens do jornal “The Daily Telegraph” destruíram a boa reputação que o partido dos trabalhadores gozava. Os repórteres destacaram diversos casos de corrupção de ambas as siglas, todas giram em torno do uso ilegal de verbas do parlamento. A exemplo do Brasil, os congressistas possuem uma série de vantagens, como verba de gabinete e direito à moradia, todas bancadas, é claro, pelos constituintes.

A consequência direta da corrupção foi a renúncia do presidente da Câmara dos Comuns, o mesmo que Câmara dos Deputados para nós, o excelentíssimo deputado trabalhista Michael Martin. No lugar dele, os parlamentares escolheram o conservador John Bercow.

De nada adiantou. Os britânicos estão profundamente insatisfeitos com a classe política. Sinal amarelo para os trabalhistas. Depois da saída da Câmara, eles podem ser obrigados a deixar o cargo de primeiro-ministro ocupado por Gordon Brown. Uma eleição pode perfeitamente ser adiantada. O regime parlamentarista permite que tal processo seja feito.

A jornalista Polly Toynbee, vinculada ao “The Guardian”, manifestou seu repúdio no blog “A New Politics” (“Uma Nova Política”), ligado ao jornal britânico. O título do post deixa bem claro o conteúdo do texto: "Fed up with politics? Don´t just sit there." Em palavras traduzidas para o português: "De saco cheio dos políticos? Não fique aí sentado."

Leia os principais trechos da publicação:

“Only reforming the electoral system can free political parties to stand for clear principles. If ever there was a time for radical change, it´s now, when public disgust for british politics has never been greater.”

Tradução:

“Apenas a reforma do sistema eleitoral deixará livre partidos políticos para apoiar princípios transparentes. Nunca houve um tempo tão apropriado para mudanças radicais, quando o repúdio do público pelos políticos britânicos chegou a nível sem precedente.”

“Come and fill the hall to bursting: the Vote for a Change campaign needs the support of anyone sick of the way the two old parties carve up power between them, blocking any chance of fresh political life springing up.”

Tradução:

“Venha e se inscreva para romper essa lógica: a campanha do Voto pela Mudança precisa do apoio das pessoas cansadas da maneira como os dois partidos antigos repartem o poder, bloqueando qualquer chance de uma política renovada florescer.”