segunda-feira, 2 de outubro de 2006

ELEIÇÕES 2006

Novas projeções para o segundo turno
POR Bruno Victor Dela Páscoa Toranzo

Final de noite do domingo. Eleição tranqüila. Consolidação do processo democrático. Resultado eleitoral confirmado. Segundo turno ocorrerá. Geraldo Alckmin e Luiz Inácio Lula da Silva travarão embate histórico na corrida para o Planalto. O candidato do PSDB conseguiu uma porcentagem espetacular (mais de 40%), surpreendendo até os mais otimistas membros da legenda. É importante lembrar que há meses atrás sua candidatura era tida como derrota certa. Sem falar da desunião, da bagunça, que os tucanos enfrentavam.

O cenário político mudou. Lula perdeu credibilidade com os escândalos de corrupção em seus quatro anos de governo. O último, o do dossiê Vedoin, caracterizou-se como uma afronta aos direitos individuais de cada cidadão garantidos pela Constituição. Objetivava acabar com a candidatura de José Serra ao governo do Estado de São Paulo através de falsas denúncias, atacando a dignidade do psedebista. Apontar o dossiê como motivo central para o segundo turno das eleições pode parecer exagero, mas é perfeitamente possível considerá-lo importante fator para a continuidade da disputa.

Quanto aos eleitores de cada candidato, há uma divisão do país. De um lado, estão o Sul, Sudeste e Centro-Oeste apoiando hegemonicamente o tucano. De outro, as regiões Norte e Nordeste conferem apoio quase que absoluto ao petista.

Enquanto o perfil do eleitorado de Alckmin preza pela transparência política e pela responsabilidade fiscal, o de Lula considera apenas as pequenas melhoras, praticamente imperceptíveis, de sua condição de vida. O Bolsa Família, programa assistencialista do atual governo, é o maior responsável pela popularidade do presidente no Nordeste. Comprometer bilhões de reais do PIB ao ano para sustentar milhões de famílias carentes, como já discutido diversas vezes, não é medida eficaz para a inclusão social. Fica evidente que o interesse petista é o de conquistar a simpatia desse eleitor e, conseqüentemente, o seu voto.

Os debates serão importantes para a discussão de soluções para os problemas do país. A democracia brasileira espera que o candidato Lula compareça aos debates. Já basta o seu comportamento durante o primeiro turno. Evitando qualquer acareação com seus concorrentes.

Arriscar um palpite? O melhor a fazer agora é observar. Observar atentamente. Duas observações já são pertinentes. A primeira é a de que o candidato Geraldo Alckmin está motivado e confiante como nunca antes. Saiu de um cenário difícil, atordoado, e encontra-se agora em um esperançoso, de boas possibilidades de vitória. A segunda observação é que Lula está se afundando em seus próprios erros. Caso haja aprofundamento na investigação do dossiê Vedoin, um abismo se abrirá sob a cúpula petista.

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