quinta-feira, 26 de outubro de 2006

PARA REFLETIR

O monopólio do entretenimento
POR Bruno Victor Dela Páscoa Toranzo

A indústria do entretenimento é uma das mais rentáveis atividades comerciais do planeta. Ao mesmo tempo que leva diversão e distração ao tempo livre das pessoas, contribui para a evolução das desigualdades entre nações ricas e pobres.

A globalização aprisiona naturalmente a cultura dos países subdesenvolvidos, submetendo suas populações ao controle das grandes corporações de entretenimento. Corporações que possuem suas sedes no seleto grupo de nações desenvolvidas. Warner Brothers, FOX e SONY são exemplos clássicos de monopolização no campo do entretenimento. As duas primeiras empresas são de origem norte-americana e a terceira, japonesa.

Os provedores de cultura são justamente essas grandes marcas. Com amplo e fácil domínio do mercado mundial, eles partilham a mesma ideologia, cultuando o atual sistema capitalismo/globalização como alternativa ideal. Os modos americano e europeu de ver e de lidar com a vida chegam às residências de bilhões de pessoas diariamente. Os latino-americanos e os africanos encantam-se com esse estilo de vida, levando alguns deles a abandonar sua região natal.

É fundamental destacar que o fluxo de cultura ocorre de maneira unidirecional. Os países ricos impõem sua cultura aos pobres.

Theodor Adorno
, filósofo e sociólogo alemão, concentrou seus estudos justamente na relação entre mídia e público. Descobriu que a indústria cultural tinha outros objetivos, além de apenas divertir a população. O alvo principal, para Adorno, é o controle do público, reproduzindo sempre um clima conformista e dócil em uma multidão passiva. “Certamente os homens estão todos, sem exceção, sob a opressão; nenhum é ainda capaz de amar e é por isso que cada um se pensa tão pouco amado”.