sábado, 7 de outubro de 2006

OPINIÃO DO LEITOR

Uma opinião de relevância
POR Bruno Victor Dela Páscoa Toranzo

O Blog do Toranzo publicou no dia 30 de setembro, sábado, artigo intitulado Individualidade e tecnologia. O comentário acerca do artigo chamou minha atenção. A advogada e voluntária social, Andréia Luciana Toranzo, foi a autora da brilhante consideração:

"Infelizmente, os representantes políticos não são os únicos a priorizar os seus interesses particulares, em prejuízo dos interesses universais. Vivemos numa sociedade egoísta e a reformulação e a conscientização deve ser obrigação de cada um de nós, especialmente daqueles que enxergam tal problemática, contudo, permanecem inertes, omissos, vivendo cada um a sua vidinha medíocre, preocupados tão somente com seu "bem estar". Acredito no Brasil, acredito na capacidade do ser humano de se transformar. Acontece que isso depende de nós, os "intelectuais", com formação acadêmica. As escolas, em especial as universidades da atualidade, podem ser caracterizadas pela existência de setores onde a prática científica produz conhecimentos dotados de valor apenas para o mercado de bens econômicos. Este movimento de aproximação com o mercado faz com que nós, os "intelectuais", "graduados e pós-graduados", não obstante inconformados com a indiferença de nossos governantes, nos distanciamos dos demais setores, principalmente aqueles voltados ao atendimento das demandas dos setores mais desfavorecidos da sociedade. Isto significa dizer que as existentes interações entre "nós" e os "excluídos" são em menor número do que deveriam ser. Ainda estamos apenas brincando de democracia. Esta só se consolidará quando realmente nos tornarmos atuantes, com participação ativa e direta nas questões que envolvem o nosso país, o nosso povo, deixando de ser meros espectadores da miséria, da ignorância e da corrupção. Acredito que devemos divulgar um ensino que prepare as pessoas com uma sólida formação técnica, contudo, aliada a um alto grau de consciência social. Precisamos aprender que, além de correr atrás dos nossos interesses particulares, é preciso arranjar tempo, isso significa priorizar valores pessoais, para desenvolver atividades importantes junto à sociedade brasileira, principalmente através da participação em entidades filantrópicas voltadas para o desenvolvimento social. As universidades e o ensino como um todo, desde a infância, devem primar por disciplinas de caráter humanístico e pelo desenvolvimento da pluralidade ideológica, a fim de que nós, "intelectuais", possamos desenvolver uma visão crítica, possibilitando uma compreensão da realidade que nos cerca e, efetivamente, dar respostas e soluções aos diversos problemas que a realidade impõe. Além de um conhecimento técnico de excelente nível, temos que buscar uma sensibilidade social mais apurada. Aqui, a grande contribuição das instituições de ensino, bem como dos núcleos familiares com condições econômicas e intelectuais médias, seria trazer para a discussão os grandes temas de nossa atualidade no que diz respeito aos direitos dos cidadãos, as transformações tecnológicas e seus impactos sociais, os efeitos da globalização e abertura de nossa economia, entre outros. Os processos de transformações são rápidos e suas conseqüências ao ser humano são dramáticas, exigindo que os direitos dos cidadãos sejam repensados e transformados com a mesma velocidade, para que a cidadania possa ser construída e reconstruída permanentemente. Como dito anteriormente, não basta a formação e treinamento dos profissionais, é necessária, no presente momento, uma parceria mais duradoura com as organizações da sociedade civil. Envolver-se de forma intensa no fortalecimento do Terceiro Setor é uma prioridade, pois o processo de transformação tem que ser permanente. Torna-se urgente que se forme pela união de alguns organismos financiadores um fundo voltado para a pesquisa, treinamento e assessoria de organizações sociais. Para isso acontecer, temos que descruzar os braços. Para combater a impessoalidade, devemos cultivar a solidariedade, difundir os valores filantrópicos. A tecnologia vai continuar cada dia avançando mais e nós vamos continuar cada dia mais empolgados com a modernização e com a globalização, contudo, não podemos nos esquecer de que nada substitui o calor humano de um abraço. Se isso acontecer, a humanidade será extinta, de um lado "nós" vivendo no mundo virtual, solitários e depressivos em frente a um computador, do outro, "eles", os excluídos e miseráveis, que, diga-se de passagem, já estão esquecidos desde sempre, muito antes de qualquer avanço tecnológico".