Bastidores do debate
POR Bruno Victor Dela Páscoa Toranzo
O primeiro debate de segundo turno das eleições presidenciais caracterizou-se, como não poderia deixar de ser, pela tensão. Os dois candidatos à presidência, o tucano Geraldo Alckmin e o petista Luiz Inácio Lula da Silva, estavam visivelmente nervosos.
O modo como Alckmin mordia a boca e engolia a seco evidenciava o peso de ser uma das maiores surpresas dos últimos pleitos. Chegou ao segundo turno com 40 milhões de eleitores e a responsabilidade de renovar moralmente o Palácio do Planalto. Um enorme peso em seus ombros que soube carregar com maestria. A estratégia utilizada foi o ataque desde o primeiro minuto. Nos cumprimentos iniciais, provocou o adversário, dizendo que nunca comparecia aos debates. O tom agressivo, exaltando sempre a ética e criticando a corrupção, deixou Lula sem rumo, sem respostas.
O petista, sofrendo bombardeios constantes, suava e soltava pérolas da língua portuguesa. Foram raras as concordâncias verbais e as nominais acertadas pelo “candidato da força do povo”. Como não poderia deixar de ocorrer, usou suas famosas metáforas. Em uma delas, lembrou da sua mãe e citou o provérbio “cada macaco no seu galho”. Quanto aos equívocos gramaticais, é interessante destacar alguns deles. Ao referir-se ao “carro flex”, acabou dizendo “carro flexil”. Já “Sanguessuga” virou “Sanguessunga”. Sem falar que, mostrando clara instabilidade, errou a idade do PSDB ao dizer que os tucanos estão há quatro séculos no cenário político brasileiro.
As pesquisas mostraram. Os eleitores brasileiros opinaram que o candidato Geraldo Alckmin saiu vitorioso do debate. Será o começo da virada tucana rumo à presidência?