Estratégias para a guerra das urnas
POR Bruno Victor Dela Páscoa Toranzo
Segundo turno das eleições presidenciais. Momento em que os partidos definem novas estratégias de conquista do eleitor. E o objetivo maior não é conquistar o eleitor do outro candidato. As abstenções, mais de 20 milhões de votos no primeiro turno, são o alvo dos concorrentes. A pergunta-chave está em como conquistar todo esse montante. Está claro que é preciso muito mais em termos de apresentação de programas de governo, deixando claro as propostas para o futuro do Brasil, se quiserem realmente atrair esse enorme contingente de pessoas.
As negociações entre as legendas também são de extrema importância para a vitória. Os petistas e os tucanos, separados por míseros sete pontos percentuais, buscarão desesperadamente aliados potenciais.
O maior dos aliados é o PMDB. Com dezesseis senadores e a maior bancada de deputados federais na Câmara, mais de oitenta, além do expressivo número de governadores eleitos, a legenda destaca-se como a terceira ou quarta força no cenário político brasileiro. A disputa pela terceira força, em termos de importância partidária, fica mesmo entre o PMDB e o PFL, coligado à campanha de Alckmin.
Porém, é sabido que os peemedebistas apresentam pluralidade quanto aos rumos do partido e de sua política de alianças. Michel Temer, presidente nacional do partido, deve apoiar o presidenciável tucano. Enquanto que José Sarney, eleito senador no Amapá, e Renan Calheiros, também senador, devem escolher o petista. São duas as dissidências peemedebistas e, portanto, mais uma vez, o partido ficará dividido quanto ao melhor candidato à presidência do país.
Com a eleição para governador finalizada em alguns estados, é possível avaliar quais serão as prioridades de Alckmin e de Lula. A figura do governador, ainda mais aquele que venceu com folga, confere credibilidade ao presidenciável. Caso a campanha seja feita em total parceria com esse governador, é perfeitamente possível mudar a preferência do eleitor de determinado estado.
A estratégia de centrar atenção em Minas Gerais, onde Aécio Neves (PSDB) foi eleito com quase 80% dos votos, é de suma importância para os tucanos. Ainda mais, porque foram derrotados por praticamente dez pontos percentuais. O estado das Minas Gerais representa o segundo maior colégio eleitoral do país.
A surpreendente vitória de Jaques Wagner (PT) para o governo baiano deixou os petistas extasiados. Trata-se do quarto maior colégio eleitoral brasileiro. Apesar de Lula estar folgadamente na frente, mais de quarenta pontos percentuais de liderança, é importante garantir sua hegemonia entre a população do estado.
Os derrotados do primeiro turno também serão procurados pelos presidenciáveis. Heloísa Helena (PSOL) já se adiantou e negou qualquer apoio. O candidato da educação, Cristovam Buarque (PDT), ainda não se posicionou, mas, provavelmente, ficará com os pesedebistas. Espera-se essa decisão pelas ríspidas críticas feitas a Lula desde que saiu do cargo de ministro da Educação em janeiro de 2004.
Nesta terça-feira, o casal Garotinho oficializou apoio à candidatura de Geraldo Alckmin. Vale lembrar que Anthony Garotinho conseguiu mais de 10% dos votos nas eleições presidenciais de 2002 e sua esposa, Rosinha, possui boa aceitação entre o eleitorado fluminense.
A batalha pela presidência está apenas começando. A guerra das urnas coloca frente a frente dois partidos tradicionalíssimos da política brasileira. O brasileiro é o território a ser conquistado. É o motivo pelo qual a guerra está travada. O embate promete.