Crescimento das vendas no varejo divide opinião de economistas
Para especialistas, apesar da melhora nos indicadores, o momento ainda é de incerteza econômica.
BRUNO TORANZO
Os números do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgados na última sexta-feira (13), vão na contramão dos intensos efeitos negativos que a economia brasileira vem passando nos últimos meses. O desempenho do varejo, em janeiro, teve alta de 1,4% na comparação com dezembro. Em relação ao mesmo mês do ano passado, houve crescimento de 6%.
As vendas de automóveis e atividades relacionadas, como o mercado de peças e acessórios, apresentaram o melhor resultado (11,1%), ainda em comparação com dezembro. A diminuição do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para os carros novos atraiu os consumidores para as concessionárias.
Atrás dos veículos, o comércio de livros, jornais, revistas e papelaria registrou alta de 7,6%. O retorno às aulas, período marcado pela compra de material escolar, fez com que a porcentagem alcançasse o segundo lugar. Na terceira posição, com expansão de 7,1%, a pesquisa do IBGE aponta os móveis e eletrodomésticos.
"Esses números do varejo são uma indicação de que a economia parou de cair. O primeiro trimestre de 2009 será melhor do que o anterior", disse Antonio Corrêa de Lacerda, professor da PUC de São Paulo. Para Corrêa, com a diminuição da taxa de juros, o governo tem mais dinheiro para ampliar os investimentos públicos. "A queda da taxa básica de juros diminui o custo de financiamento da dívida do país", observou.
A professora da FGV (Fundação Getúlio Vargas) Eliana Cardoso, ex-economista do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), não analisa o desempenho do varejo como o início de uma recuperação da economia. "Fica muito difícil apontar um fator isolado como indício de recuperação. A maioria dos indicadores ainda é muito ruim", afirmou.
Eliana garante que a redução da taxa de juros, ocorrida na metade da semana passada, não fará milagre. "A diminuição drástica do crédito externo atrapalha demais. Reverter essa situação não depende das autoridades brasileiras", explicou. Antes do início da crise financeira, as empresas brasileiras conseguiam, com mais facilidade, financiamento externo.
O comerciante Eduardo Figueiredo conta como foi afetado pelas dificuldades trazidas pela instabilidade econômica. Dono de uma revistaria em Santo André, Figueiredo está insatisfeito com os três primeiros meses do ano. "Até agora, em março, tive queda de 20% das vendas", disse.
*Texto originalmente produzido para o Rudge Ramos Online (www.metodista.br/rronline).
*Texto originalmente produzido para o Rudge Ramos Online (www.metodista.br/rronline).