Vitória parcial do petróleo
POR Bruno Toranzo
Nos dois dias anteriores, estive concentrado na cobertura da Ecogerma 2009, uma feira de negócios voltada para a responsabilidade ambiental, promovida pela Câmara de Comércio Brasil-Alemanha. Diversas empresas, em setores variados, desde o químico, passando pelo automobilístico, até o alimentício, estiveram presentes no Expo Center Transamérica, em São Paulo.
Os estandes da indústria automobilística revelam a preocupação dos executivos quanto à viabilidade das atividades no futuro. Com dias difíceis trazidos pela crise, o setor foi obrigado a repensar a forma de produzir. Para receber as bilionárias ajudas do governo americano, as montadoras têm de diminuir o nível de poluição, bem como encontrar soluções para reduzir o consumo de petróleo.
Medidas que foram adiadas por anos. Investir em pesquisa de novas tecnologias não é tarefa fácil. Consome milhões de dólares. E muitas vezes a alternativa mais eficiente encontrada esbarra na questão do lucro. O mercado já conhece o melhor caminho, mas o retorno financeiro não é suficiente para bancar a produção em série.
Por essa razão, as montadoras costumam lançar protótipos. Uma unidade que sirva de exemplo para o mundo inteiro. Em época de discussão ambiental, nada mais previsível do que criar um carro que obedeça todos os requisitos de respeito ao meio ambiente.
Os executivos sempre dizem que a idéia é de produzir em série após uma fase inicial de testes. Período que, na maior parte dos casos, nunca chega ao final. A Audi, por exemplo, expôs o modelo A1 na Ecogerma. O objetivo é colocá-lo no mercado até 2014. Quem passa despercebido pelo estande da montadora, fica impressionado com a beleza do carro.
Mas não se trata da característica mais atrativa dele. O diferencinal está na matriz energética. Através da eletricidade, armazenada na bateria de lítio, o carro consegue circular por até 100 km. Basta que o motorista deixe o veículo ligado à tomada de casa por aproximadamente três horas, tempo suficiente para carregar a energia, da mesma maneira como fazemos com o celular.
Há muito tempo, insistimos na necessidade de automóveis que utilizem fontes alternativas de energia, consideradas limpas, com destaque para a eletricidade, para o hidrogênio e para a geração solar. Afinal de contas, os escapamentos veiculares são um dos maiores emissores de dióxido de carbono, um dos gases responsáveis pelo aquecimento global.
Resta saber se os pacotes temporário recheados de dólares de Obama e, em menor quantidade, da União Europeia, como forma de combater a crise, vão se sobrepor aos interesses da indústria do petróleo, consolidada e atuante até mesmo nos rincões do planeta.
Só para alertar o leitor: o protótipo da Audi conta com um segundo tipo de motor, movido à gasolina. De acordo com o executivo, a existência dele aumenta a potência do carro em situações que possibilitem ao motorista pisar fundo no acelerador. Resultado temporário do embate: vantagem para os interesses do petróleo, placar de um a zero para as petrolíferas.
POR Bruno Toranzo
Nos dois dias anteriores, estive concentrado na cobertura da Ecogerma 2009, uma feira de negócios voltada para a responsabilidade ambiental, promovida pela Câmara de Comércio Brasil-Alemanha. Diversas empresas, em setores variados, desde o químico, passando pelo automobilístico, até o alimentício, estiveram presentes no Expo Center Transamérica, em São Paulo.
Os estandes da indústria automobilística revelam a preocupação dos executivos quanto à viabilidade das atividades no futuro. Com dias difíceis trazidos pela crise, o setor foi obrigado a repensar a forma de produzir. Para receber as bilionárias ajudas do governo americano, as montadoras têm de diminuir o nível de poluição, bem como encontrar soluções para reduzir o consumo de petróleo.
Medidas que foram adiadas por anos. Investir em pesquisa de novas tecnologias não é tarefa fácil. Consome milhões de dólares. E muitas vezes a alternativa mais eficiente encontrada esbarra na questão do lucro. O mercado já conhece o melhor caminho, mas o retorno financeiro não é suficiente para bancar a produção em série.
Por essa razão, as montadoras costumam lançar protótipos. Uma unidade que sirva de exemplo para o mundo inteiro. Em época de discussão ambiental, nada mais previsível do que criar um carro que obedeça todos os requisitos de respeito ao meio ambiente.
Os executivos sempre dizem que a idéia é de produzir em série após uma fase inicial de testes. Período que, na maior parte dos casos, nunca chega ao final. A Audi, por exemplo, expôs o modelo A1 na Ecogerma. O objetivo é colocá-lo no mercado até 2014. Quem passa despercebido pelo estande da montadora, fica impressionado com a beleza do carro.
Mas não se trata da característica mais atrativa dele. O diferencinal está na matriz energética. Através da eletricidade, armazenada na bateria de lítio, o carro consegue circular por até 100 km. Basta que o motorista deixe o veículo ligado à tomada de casa por aproximadamente três horas, tempo suficiente para carregar a energia, da mesma maneira como fazemos com o celular.
Há muito tempo, insistimos na necessidade de automóveis que utilizem fontes alternativas de energia, consideradas limpas, com destaque para a eletricidade, para o hidrogênio e para a geração solar. Afinal de contas, os escapamentos veiculares são um dos maiores emissores de dióxido de carbono, um dos gases responsáveis pelo aquecimento global.
Resta saber se os pacotes temporário recheados de dólares de Obama e, em menor quantidade, da União Europeia, como forma de combater a crise, vão se sobrepor aos interesses da indústria do petróleo, consolidada e atuante até mesmo nos rincões do planeta.
Só para alertar o leitor: o protótipo da Audi conta com um segundo tipo de motor, movido à gasolina. De acordo com o executivo, a existência dele aumenta a potência do carro em situações que possibilitem ao motorista pisar fundo no acelerador. Resultado temporário do embate: vantagem para os interesses do petróleo, placar de um a zero para as petrolíferas.