quarta-feira, 11 de março de 2009

REPORTAGEM

Intercâmbio de estudantes brasileiros cresce 30% em 2008
Países da América do Sul são opções mais baratas diante da crise global.

BRUNO TORANZO

Agências de viagem, nacionais e estrangeiras, reuniram-se no Salão do Estudante, no último fim de semana (7 e 8), em São Paulo, para apresentar ao público seus pacotes de intercâmbio. Segundo levantamento do salão, 140 mil pessoas fizeram intercâmbio em 2008, um aumento de 30% na comparação com o ano anterior. Apesar da situação econômica, as agências de viagem esperam resultados ainda melhores neste ano.

"Os viajantes estão trocando os destinos europeus pelos sul-americanos, cujos pacotes de estudos saem muito mais em conta", diz Luhana Madeira, gerente de marketing da BMI (Business Marketing International), empresa organizadora do Salão do Estudante.

Em vez de estudar espanhol, com duração de quatro semanas, em Madri, por R$ 4.500, o estudante pode escolher Buenos Aires, por exemplo, mantendo as mesmas características do curso, e diminuir a conta para R$ 2.370. Uma economia superior a R$ 2.000. Os valores destacados não consideram os custos com passagem aérea. Além da vantagem de pagar menos, os países da América do Sul permitem uma adaptação rápida aos brasileiros por ter um modo de vida próximo ao nosso.

No resto do mundo, os destinos mais baratos são Austrália, Canadá, Irlanda e Reino Unido. A moeda deles se desvalorizou frente ao dólar desde a intensificação da crise. "Percebemos, na preferência dos jovens, uma troca de Estados Unidos por Canadá. As atrações canadenses se consolidaram como uma das escolhas mais populares", revela Luhana.

Para aqueles que queiram viajar para alguns países da Europa, como Alemanha e França, além dos Estados Unidos, personagens envolvidos diretamente na crise, algumas precauções devem ser tomadas. A maior delas está na reserva de uma quantia maior de dinheiro para gastar durante a viagem. Se tiver de comer fora, opte pelos restaurantes que sigam o estilo por quilo. Dessa maneira, você escolhe a quantidade de comida e paga um preço justo por ela.

Quanto às sonhadas compras, o viajante deve fechar a mão nas duas primeiras semanas. Nada de comprar os famosos artigos da cultura local no começo da viagem. É preferível gastar com passeios a torrar o dinheiro com presentes. Deixe para comprar no final da estada, quando estiver certo de que fez tudo o que tinha para fazer.

A moradora de Santo André Andressa Guimarães viajou pouco antes de a crise estourar e sentiu, com o passar dos dias, os efeitos da explosão. "Fiquei na casa de uma americana. Ela comentava que as coisas tinham ficado difíceis", destaca Andressa. A viajante também percebeu algumas mudanças pelos lugares que passava. "Quando cheguei, a quantidade de mendigos era muito menor. A crise aumentou o número de pessoas sem casa", observou.

*Texto originalmente produzido para o Rudge Ramos Online (www.metodista.br/rronline).