Não há regime democrático sem jornalismo de qualidade
POR Bruno Toranzo
Ao longo do documentário “A Revolução Não Será Televisionada”, percebem-se os interesses dos políticos, sejam eles chavistas ou oposicionistas, em se aproveitar da cobertura jornalística. Na Venezuela ou em qualquer outro lugar do mundo, o modo de pensar de parte da classe política é a mesma. Jornalista, para essa parcela, só serve para divulgar notícias positivas da administração. Apontar os erros jamais.
Há uma clara distribuição dos veículos de comunicação na Venezuela. Os cinco canais privados, como o documentário enfatizou, reproduzem o discurso da elite, contrária ao governo Chávez.
Por outro lado, o Canal 8 tem a programação completamente voltada para o governo. Existe até mesmo um programa conduzido por Hugo Chávez que conversa, por telefone, com os venezuelanos. Não existe, portanto, a mínima preocupação com imparcialidade e isenção. A imprensa existe como apoio das classes políticas. Uma forma de mostrar apenas o que interessa.
Com essa estrutura, a participação da imprensa em um processo de eleição ou de derrubada de um presidente fica muito mais nítida. O jornalismo deixa de desempenhar o papel de observador, através do olhar crítico apurado, para se tornar participante do processo.
A RCTV (Radio Caracas Televisión), por exemplo, principal rede de televisão oposicionista, fez campanha maciça para a queda de Chávez. O documentário destacou que personagens chavistas jamais apareceriam na programação de qualquer emissora privada. Um dos princípios norteadores da profissão de jornalista é ouvir todas as pessoas envolvidas em um problema, independentemente da opinião ou visão ideológica de cada uma delas.
No Brasil, um país com instituições políticas consolidadas, apesar da praga da corrupção ser uma constante ameaça, a relação entre jornalismo e política está em processo avançado de maturidade. Diferentemente da Europa, com alguns jornais de posição ideológica aberta para a sociedade, os brasileiros não têm preferência política. A exemplo dos Estados Unidos, a grande imprensa procura analisar o comportamento de todos os partidos.
O modo de fazer jornalismo tem, por conseqüência, diferenças profundas em relação ao venezuelano. A entrevista do senador peemedebista Jarbas Vasconcelos à revista Veja mostrou as características nefastas do partido aliado ao governo.
Jarbas afirmou que a estratégia do PMDB é não ter plataforma de governo. Não existe interesse do partido em lançar um candidato à presidência, já que a aliança com a situação permite que adquira importantes cargos federais. Tal posicionamento gera perpetuação no poder. As vitórias de Sarney, no Senado, e de Temer, na Câmara, deixam tudo isso muito evidente.
Seja como for, as más línguas dizem que o senador só aceitou falar, porque deseja se candidatar para o Executivo novamente. Ou seja, seria uma forma de se tornar uma espécie de “combatente dos marajás”, como Fernando Collor representou na campanha vitoriosa para presidente.
A dinâmica, no Brasil, é justamente essa. Os políticos só se avaliam quando existe um interesse maior por trás. Aconteceu o mesmo com Roberto Jefferson, então deputado federal do PTB. Só aceitou entregar todo mundo por ter sido o primeiro a cair.
Cabe ao jornalista filtrar as denúncias efetivamente importantes para a sociedade daquelas que visam tão somente a promoção política do denunciante. Quando a notícia tem relevância para a manutenção de um ambiente democraticamente estável, com o confronto de idéias, de forma pacífica, entre as classes sociais, os jornalistas precisam transmitir a informação. Deve-se deixar, em segundo plano, o autor da denúncia, visto que, em muitos casos, seu interesse maior não é beneficiar a democracia.
Veja, na publicação abaixo, a primeira parte do documentário.
POR Bruno Toranzo
Ao longo do documentário “A Revolução Não Será Televisionada”, percebem-se os interesses dos políticos, sejam eles chavistas ou oposicionistas, em se aproveitar da cobertura jornalística. Na Venezuela ou em qualquer outro lugar do mundo, o modo de pensar de parte da classe política é a mesma. Jornalista, para essa parcela, só serve para divulgar notícias positivas da administração. Apontar os erros jamais.
Há uma clara distribuição dos veículos de comunicação na Venezuela. Os cinco canais privados, como o documentário enfatizou, reproduzem o discurso da elite, contrária ao governo Chávez.
Por outro lado, o Canal 8 tem a programação completamente voltada para o governo. Existe até mesmo um programa conduzido por Hugo Chávez que conversa, por telefone, com os venezuelanos. Não existe, portanto, a mínima preocupação com imparcialidade e isenção. A imprensa existe como apoio das classes políticas. Uma forma de mostrar apenas o que interessa.
Com essa estrutura, a participação da imprensa em um processo de eleição ou de derrubada de um presidente fica muito mais nítida. O jornalismo deixa de desempenhar o papel de observador, através do olhar crítico apurado, para se tornar participante do processo.
A RCTV (Radio Caracas Televisión), por exemplo, principal rede de televisão oposicionista, fez campanha maciça para a queda de Chávez. O documentário destacou que personagens chavistas jamais apareceriam na programação de qualquer emissora privada. Um dos princípios norteadores da profissão de jornalista é ouvir todas as pessoas envolvidas em um problema, independentemente da opinião ou visão ideológica de cada uma delas.
No Brasil, um país com instituições políticas consolidadas, apesar da praga da corrupção ser uma constante ameaça, a relação entre jornalismo e política está em processo avançado de maturidade. Diferentemente da Europa, com alguns jornais de posição ideológica aberta para a sociedade, os brasileiros não têm preferência política. A exemplo dos Estados Unidos, a grande imprensa procura analisar o comportamento de todos os partidos.
O modo de fazer jornalismo tem, por conseqüência, diferenças profundas em relação ao venezuelano. A entrevista do senador peemedebista Jarbas Vasconcelos à revista Veja mostrou as características nefastas do partido aliado ao governo.
Jarbas afirmou que a estratégia do PMDB é não ter plataforma de governo. Não existe interesse do partido em lançar um candidato à presidência, já que a aliança com a situação permite que adquira importantes cargos federais. Tal posicionamento gera perpetuação no poder. As vitórias de Sarney, no Senado, e de Temer, na Câmara, deixam tudo isso muito evidente.
Seja como for, as más línguas dizem que o senador só aceitou falar, porque deseja se candidatar para o Executivo novamente. Ou seja, seria uma forma de se tornar uma espécie de “combatente dos marajás”, como Fernando Collor representou na campanha vitoriosa para presidente.
A dinâmica, no Brasil, é justamente essa. Os políticos só se avaliam quando existe um interesse maior por trás. Aconteceu o mesmo com Roberto Jefferson, então deputado federal do PTB. Só aceitou entregar todo mundo por ter sido o primeiro a cair.
Cabe ao jornalista filtrar as denúncias efetivamente importantes para a sociedade daquelas que visam tão somente a promoção política do denunciante. Quando a notícia tem relevância para a manutenção de um ambiente democraticamente estável, com o confronto de idéias, de forma pacífica, entre as classes sociais, os jornalistas precisam transmitir a informação. Deve-se deixar, em segundo plano, o autor da denúncia, visto que, em muitos casos, seu interesse maior não é beneficiar a democracia.
Veja, na publicação abaixo, a primeira parte do documentário.