Queda de juros é mecanismo eficiente contra crise, afirmam economistas
Especialistas defendem a redução da taxa básica para recolocar o Brasil no caminho do crescimento.
BRUNO TORANZO
O Banco Central já enxerga ausência de expansão econômica neste ano. Com a divulgação, na segunda-feira (23), do relatório Focus, que considera a opinião dos analistas do mercado, o BC calcula crescimento de 0,01% do PIB (Produto Interno Bruto). A retração de 3,6%, verificada no último trimestre de 2008, fez com que o Brasil fechasse o ano passado com crescimento de 5,1%, um patamar de respeito, mas abaixo das expectativas.
“O instrumento básico para combater a crise é a rápida diminuição da taxa de juros”, definiu Rogério Mori, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP). A última reunião do Copom, comitê do Banco Central que decide sobre o futuro dos juros, derrubou a taxa básica para 11,25%. “Enquanto os países desenvolvidos estão com juros próximos a zero, o Brasil tem a vantagem de possuir uma taxa de dois dígitos para cortar”, opinou Mori.
Quando a atividade econômica esfria, o resultado imediato é uma postura de conservadorismo dos empresários. A ordem passa a ser controlar gastos. O último mês de dezembro registrou o maior número de demissões da história. Um saldo negativo superior a 650 mil pessoas.
Em fevereiro, apesar da leve melhora, com a criação de 9,1 mil postos de trabalho com carteira assinada, não há motivos para comemorações. A indústria da transformação, por exemplo, continua demitindo: 56,4 mil pessoas perderam o emprego.
Durante uma crise econômica, a primeira medida das autoridades monetárias é derrubar a taxa de juros. Em tese, com juros menores e financiamentos mais baratos, os empresários voltam a investir na ampliação do sistema produtivo. Quanto maior a capacidade de produção, maior também será o número de trabalhadores necessários para dar conta. Esse é o ciclo que faz a economia girar, o que mantém o funcionamento do próprio capitalismo.
Mas os efeitos positivos da queda dos juros não são imediatos. “O tempo padrão para que a economia sinta os efeitos varia de quatro a seis meses”, disse Antonio Corrêa de Lacerda, professor de economia da PUC-SP. Isso porque o mercado tem que se acostumar às novas regras de crédito. Para que isso aconteça, os bancos precisam tomar a dianteira com a redução dos juros nas operações de empréstimo.
Francisco Funcia, economista e professor da Universidade de São Caetano do Sul (USCS), reconhece a importância da taxa de juros para o reaquecimento da economia. Porém, disse que somente uma conjunção de fatores vai levar o país à recuperação. “Ao lado da queda dos juros, é importante que o investimento público seja feito, por meio das ações do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)”, defendeu.
*Texto originalmente produzido para o Rudge Ramos Online (www.metodista.br/rronline).
Especialistas defendem a redução da taxa básica para recolocar o Brasil no caminho do crescimento.
BRUNO TORANZO
O Banco Central já enxerga ausência de expansão econômica neste ano. Com a divulgação, na segunda-feira (23), do relatório Focus, que considera a opinião dos analistas do mercado, o BC calcula crescimento de 0,01% do PIB (Produto Interno Bruto). A retração de 3,6%, verificada no último trimestre de 2008, fez com que o Brasil fechasse o ano passado com crescimento de 5,1%, um patamar de respeito, mas abaixo das expectativas.
“O instrumento básico para combater a crise é a rápida diminuição da taxa de juros”, definiu Rogério Mori, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP). A última reunião do Copom, comitê do Banco Central que decide sobre o futuro dos juros, derrubou a taxa básica para 11,25%. “Enquanto os países desenvolvidos estão com juros próximos a zero, o Brasil tem a vantagem de possuir uma taxa de dois dígitos para cortar”, opinou Mori.
Quando a atividade econômica esfria, o resultado imediato é uma postura de conservadorismo dos empresários. A ordem passa a ser controlar gastos. O último mês de dezembro registrou o maior número de demissões da história. Um saldo negativo superior a 650 mil pessoas.
Em fevereiro, apesar da leve melhora, com a criação de 9,1 mil postos de trabalho com carteira assinada, não há motivos para comemorações. A indústria da transformação, por exemplo, continua demitindo: 56,4 mil pessoas perderam o emprego.
Durante uma crise econômica, a primeira medida das autoridades monetárias é derrubar a taxa de juros. Em tese, com juros menores e financiamentos mais baratos, os empresários voltam a investir na ampliação do sistema produtivo. Quanto maior a capacidade de produção, maior também será o número de trabalhadores necessários para dar conta. Esse é o ciclo que faz a economia girar, o que mantém o funcionamento do próprio capitalismo.
Mas os efeitos positivos da queda dos juros não são imediatos. “O tempo padrão para que a economia sinta os efeitos varia de quatro a seis meses”, disse Antonio Corrêa de Lacerda, professor de economia da PUC-SP. Isso porque o mercado tem que se acostumar às novas regras de crédito. Para que isso aconteça, os bancos precisam tomar a dianteira com a redução dos juros nas operações de empréstimo.
Francisco Funcia, economista e professor da Universidade de São Caetano do Sul (USCS), reconhece a importância da taxa de juros para o reaquecimento da economia. Porém, disse que somente uma conjunção de fatores vai levar o país à recuperação. “Ao lado da queda dos juros, é importante que o investimento público seja feito, por meio das ações do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)”, defendeu.
*Texto originalmente produzido para o Rudge Ramos Online (www.metodista.br/rronline).