quarta-feira, 12 de março de 2008

NOVAS E NOVAS

Só para finalizar o post de ontem. O governador mulherengo renunciou. Resta saber se a mulher, há vinte um anos ao seu lado, não terá a mesma atitude no matrimônio.

Keynes, Friedman e um colega de profissão
POR Bruno Victor Toranzo

Destaque para o crescimento do PIB brasileiro, em 2007. Estamos acima de 5%! Fator de comemoração? Sim. Apesar do marasmo do governo, sem realizar as reformas econômicas necessárias, com destaque para a modernização do arcaico sistema tributário, a caravela Brasil segue seu rumo.

Chamo atenção para outro fator, estritamente ligado ao crescimento de nosso PIB. A participação do mercado interno, superaquecido, fervendo como as atrizes pornôs, está na dianteira do bom número apresentado. O desemprego está caindo e, por conseqüência, as pessoas estão consumindo. Sem falar da contribuição, em menor escala, do aumento de políticas incentivadoras do consumo, como o aumento do salário mínimo e os programas assistencialistas. Sim! Exatamente! O “Bolsa Família”!

O custoso programa de ajuda financiado pelo governo já chega a praticamente 60 milhões de brasileiros. Todo esse contingente ganha uma contribuição estatal a mais do Estado, no final de cada mês. Motivo de muita discussão, o “Bolsa Família” precisa ser encarado como um programa temporário de ajuda. Aliás, nem deveria ser contabilizado como fator motivador do crescimento do mercado interno. Mesmo com a sua ínfima contribuição para o aumento do consumo, todo dinheiro vem do próprio Estado. Um traço marcantemente keynesiano, em meio ao poderio neoliberal, de Milton Frieman, que domina o mundo de hoje.

Voltando ao tema principal: o crescimento do PIB atingindo 5,4%. Ahhhh... antes, preciso falar dos parcos aumentos do salário mínimo. Chegamos aos R$ 415! Uau! Que salarião! Dá para comprar até um pacote de bolacha com recheio no final do mês!

Sem enganação! O salário, mesmo no governo Lula, continua muito baixo, aquém de qualquer expectativa. O que me causou certa indignação foi um texto, também de blog, que comparou, em dólares, os salários mínimos, nos governos FHC e Lula. Um colega de profissão, conhecido pelas entonações constantes em suas falas, escreveu que o salário mínimo quadruplicou com Lula, saindo dos US$ 60 para chegar aos US$ 240. Em primeiro lugar, é inadmissível tão ingênua comparação, advinda de um jornalista, já que o ambiente internacional de negócios, atualmente, é muito mais favorável, mesmo com a recente podridão dos imóveis nos Estados Unidos. E, em um segundo momento, interligado ao primeiro fator, aparece o câmbio, com a recente valorização do real frente à moeda de Bush.

Retornando novamente ao enfoque do texto. O que temos de nos orgulhar é a evolução crescente de nosso mercado interno. Temos, sem dúvida, uma economia muito mais sólida, ancorada nos bilhões de dólares de superávit primário acumulados nesse período de ouro da economia mundial. Estamos praticamente imunes à crise dos maus pagadores também por essa razão. Diferentemente dos anos 90, o mercado externo não é o grande comprador, o "poderoso chefão". E digo mais: deixamos de estar excessivamente atrelados comercialmente ao mercado norte-americano.

E tudo isso em meio ao neoliberalismo! Ou melhor, um neoliberalismo com feições keynesianas. Isso! O "Bolsa Família" é a cicatriz de Keynes no meio do rosto de Friedman nesse país chamado Brasil!

Caso tenha curiosidade: