Cabeça de rato em salgadinho enoja consumidora
POR Bruno Victor Toranzo
POR Bruno Victor Toranzo
É isso mesmo! Uma cabeça de rato foi encontrada em meio ao delicioso salgadinho de camarões fritos. A consumidora, premiada com o pacote da sorte, disse que tateou algo parecido a uma pele oleosa, durante o ato de pegar um dos camarões, para, posteriormente, levá-lo à boca.
- Quando olhei de perto, vi os dentes e um olho. Era exatamente como um rato, afirmou a pobre sul-coreana.
A Nongshin, maior produtora de alimentos processados sul-coreana (imagino a menor!), disse que a contaminação pode ter ocorrido fora do país, na usina de processamento do produto, localizada no gigante oriental.
Onde fica mesmo? Essa usina de processamento está na China. Chegamos ao verdadeiro ponto de discussão. Apesar de destacar, no começo, essa notícia que nos dá água na boca, os chineses e seu modelo de desenvolvimento comprovadamente insustentável é o enfoque de hoje, além de ser motivo de larga discussão no mundo inteiro.
A economia chinesa mantém um ritmo de crescimento do PIB de dois dígitos há alguns anos. Muitas cidades se transformaram em pólos de atração tecnológica e industrial. Shenzhen, por exemplo, recebeu investimentos astronômicos com a vinda das multinacionais. A capital do país, Pequim, deixou de ser essencialmente industrial para integrar o seleto grupo das imperiosas cidades.
Os chineses adotaram modelo de desenvolvimento sem preocupação com as questões ambientais. A matriz energética do país é o carvão. Mesmo recurso energético utilizado, no século XVIII, pela Inglaterra, durante a Primeira Revolução Industrial. A China é maior produtora e consumidora de carvão. Pior do que a larga utilização energética suja, está no fato do país ter se transformado em uma espécie de grande indústria do mundo. Os países desenvolvidos direcionam para lá a produção que gera maior quantidade de monóxido de carbono, dióxido de carbono e outros gases simpáticos para a natureza. O lixo também é direcionado para o país asiático, como os computadores ultrapassados. Eles são desmontados para que suas peças sejam negociadas. As indústrias pesadas poluem à vontade, salvo raras exceções, como Pequim e Shangai, cidades que tomaram medidas contra a poluição.
O meio ambiente está totalmente comprometido. A cor da água deixou de ser transparente para atingir um tom esverdeado. Em boa parte do ano, os chineses não conseguem ver o Sol. Nuvens espessas de poluição cobrem todo céu. Doenças respiratórias e alguns tipos de câncer são comuns. A população sofre com os efeitos dos poluentes.
Com esse cenário em mente, a presença de uma cabeça de rato entre os camarões fritos de um salgadinho processado na China não surpreende. O Partido Comunista não dá atenção a esses pontos, considerados apenas detalhes. Ausência de compromisso com questões ambientais e sanitárias e a conseqüente falta de fiscalização das fábricas são características marcantes da industrialização chinesa.
Devo discutir melhor a situação do país nas próximas publicações. O gigante oriental precisaria de muitas e muitas linhas pela complexidade de sua economia, de suas relações políticas e de sua interação social entre os bilhões de habitantes.
Notícia do delicioso salgadinho com rato:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u383539.shtml