segunda-feira, 31 de março de 2008

PARE E PENSE

Não deixem que as senhoras do socialismo ressuscitem
POR Bruno Victor Toranzo

Sentada em um sofá velho, todo rasgado, já sem cor, a senhora Redpast (requer tradução literal do leitor) lê um livro. Desgastada pelo tempo, apertada pelas lembranças socialistas, ela literalmente espera a hora da morte. Quando os pensamentos vêm, a tristeza os acompanha. Por que o sonho de união do socialismo não deu certo? Ela pensa em como seria se o socialismo tivesse vingado. Não haveria pobreza. Não haveria patrões. O proletariado assumiria o controle. As crianças correriam livremente para cima e para baixo. Essas ruas, tão freqüentadas pelas crianças em sua época de ouro, não guardariam a violência de hoje. Os governantes, sempre justos e sérios, dariam o exemplo na distribuição da riqueza. Ninguém passaria fome. Como o mundo seria belo.

Nada disso aconteceu. A pobre velha se culpa por ter perdido uma vida inteira nesse sonho. Um projeto de vida que nunca conseguiu vingar. Mas, mesmo assim, Fidel Castro não é culpado em seus longos devaneios. É outra vítima como ela. Muito menos culpados são os líderes soviéticos. Que mentira! Stálin jamais mataria Trotsky. Certeza que a inventora da calúnia foi a sempre maldita direita. Praga sobre os reacionários. A morte de Stálin foi um acidente de percurso, como tantos nos oitenta e poucos anos da trajetória dessa senhora.

A carcomida velhinha ainda acredita que, apesar de nenhuma nação ter desenvolvido os preceitos socialistas plenos, como prevê o grandioso Karl Marx, motivador de seus ainda semanais orgasmos, Cuba é o melhor lugar para se viver. Ela sempre relaciona as características de paraíso tropical como um suposto presente enviado por Deus pela escolha do modelo ideal de sociedade. Se Karl Marx sempre foi considerado seu marido, Fidel Castro é o amante, um homem de habilidades sexuais desconcertantes. Cada vez que relembra dos seus dois tão indispensáveis homens, a mola do sofá se manifesta. O ruído começa baixo e logo aumenta de volume.

Ao lado da senhora Redpast, personagem da publicação, o socialismo caminha para o túmulo. Na verdade, já está por lá. Desde a queda do muro de Berlim, em 1989, passando pela desintegração da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, no começo de 90, o mundo passou por alterações radicais. O capitalismo emergiu como modelo único de sociedade. A modernidade chegou a praticamente todos os cantos do planeta. E essa modernidade deixou tudo mais fácil, incluindo a relação entre as pessoas e os países. É claro que os confrontos ainda continuam, mas por outras razões. As inimizades entre Ocidente e Oriente, além do repúdio ao unilateralismo norte-americano, são razões dos desentendimentos.

O grande benefício da adoção universal do capitalismo foi a facilidade de interação entre os países e as próprias pessoas. E não só isso. Os então pequenos, na época da dualidade socialismo-capitalismo, que souberam utilizar com sapiência os fundamentos capitalistas, se deram bem. A China é um exemplo fundamental. Mesmo fechada politicamente, a economia já faz parte do contexto internacional há muito tempo. Não representava nada, vivia em intensa miséria, no contexto de controle total socialista. Algo parecido aconteceu com a Índia. A tecnologia está tirando o país da miséria para colocá-lo, quem sabe, dentro de alguns anos, no seleto grupo das nações desenvolvidas.

Aqui, no Brasil, e, em outros tantos em desenvolvimento, ocorre o mesmo processo. A unificação do modelo fez com que as nações se adequassem às regras internacionais, como forma de sobrevivência no competitivo cenário de atração de investimentos. Transparência das atividades estatais, controle dos gastos do governo, livre iniciativa, liberdade de expressão e respeito à propriedade privada são só algumas dessas regras. Adequaram-se tão bem que algumas, após nem duas décadas de controle capitalista, já pensam em atingir o nível de desenvolvimento dentro de alguns anos.

Porém, o maior objetivo dessa publicação é enfatizar que as senhoras do socialismo estão se reproduzindo em mentes novas. Elas se ressuscitaram. Voltaram ao cotidiano e são cada vez mais comuns por aí. A nova geração que mantém o mesmo pensamento retrógrado, completamente ultrapassado, da senhora Redpast. E pior! Algumas dessas velhas fazem parte do ambiente acadêmico (professores e afins) e disseminam o infeliz pensamento entre os estudantes. Caso esses aprendizes tivessem concepção de mundo bem desenvolvida, não haveria grandes problemas. Mas, definitivamente, não é o que acontece. Muitos não sabem nem onde fica Cuba. É na falta de informação e, conseqüente, facilidade de manipulação, que reside o problema de cor vermelha.

quinta-feira, 27 de março de 2008

SARCASMO DA QUINTA!


FONTE: Charge de autoria do jornalista Ricardo Borges.

quarta-feira, 26 de março de 2008

NOVAS E NOVAS

Resumo dos mercados e possível discípula de Lula
POR Bruno Victor Toranzo

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, se descolou do fechamento internacional. Fechou com leve alta. Entre os dois principais motivos, está a desistência da compra da Xstrata, atual sexta maior mineradora do mundo, pela Vale. O negócio custaria US$ 90 bilhões à empresa brasileira, sendo que um terço desse valor seria pago por meio de ações preferenciais. Poucos levavam fé. Os investidores, portanto, reagiram com satisfação à notícia.

Outra grande nova que agitou o nosso mercado de cada dia, segunda razão do índice positivo, relaciona-se com o acerto da fusão entre a bolsa de mercadorias e futuros, representada pelo código de negociação BMEF3, e a bolsa de valores, ou, em outras palavras, BOVH3. Dessa união surge a terceira maior bolsa do mundo, atrás apenas da de Frankfurt, na Alemanha, e da de Chicago, cidade do ídolo Michael Jordan.

Já no resto do mundo, principalmente nos Estados Unidos, pivô da crise, o clima continua péssimo. Mais um dado de queda nas vendas de casas novas, bem como o fraco desempenho das encomendas de bens duráveis, preocuparam os extremamente receosos investidores internacionais. Resultado? Queda global dos índices.

Enquanto isso, no ambiente político, nosso presidente está demais de confiante para as eleições presidenciais. Com as municipais chegando, Lula já pensa em 2010. Que visão! Um estadista. Um fenômeno! Antes terá de evitar mais uma derrota que parece certa nas eleições da principal cidade do país, conhecida por ser a “terra da garoa”. A dúvida fica por conta da possível candidatura da excelentíssima ministra do Turismo, Martha Suplicy. Será que a “relaxa e goza” realmente lançará candidatura?

Pelo menos, Lula disse estar preparando seu sucessor. Uma fala importante. Fico mais tranqüilo. Não seguirá o modelo de perpetuação eterna no poder chavista. A sucessão democrática continuará. Resta saber se o petismo permanecerá na presidência.

É certo que terá de fazer milagre para tornar um pouco (eu disse “um pouco”) mais carismática a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Muitos nem sabem que Dilma efetivamente existe. Podem até confundir com a Marisa. É verdade. Elas até que são parecidinhas. A cirurgia plástica corre solta entre as duas.

Rumores indicam que Dilma é muito cotada para sair como candidata. Sua maior força será o amparo do presidente. Com o apoio do companheiro Lula, por incrível que pareça, ela se torna uma concorrente de respeito. Caso ganhe, Lula, mais uma vez, mostrará que sua estrela brilha.

Notícia da Folha de S. Paulo:

terça-feira, 25 de março de 2008

NOVAS E NOVAS

Cadê a oposição na política do marasmo?
POR Bruno Victor Toranzo

A política brasileira, desnutrida de acontecimentos relevantes, está estranhamente quieta. Sem grandes polêmicas em torno. Um clima de morosidade impera em Brasília. Estranho. Seria a iminência de crise econômica global a motivadora de tal comportamento? Não sei. O que todos sabem é da ineficiência de uma oposição que nem existe mais. Não seria novidade ouvir que os partidos se uniram. Sim! Estão todos juntos, em nome do bem da nação. Seria outra hipocrisia acreditar nisso, algo normal para todos nós, fiéis abobalhados que pecamos pela passividade.

Você pode lembrar dos cartões corporativos. E daí? Já passou. Faz tempo. O que aconteceu? A ministra da Igualdade Racial e Desigualdade para o Bolso do Governo caiu. Grande notícia. Ela deixou o cargo e deve voltar tão logo o bolo esfriar. Agora, a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso está sendo acusado de mesma conduta, de abusar da generosidade do cartão de crédito. Será? Ele autorizou a quebra de sigilo dos gastos do cartão corporativo no período em que esteve no governo. Veremos no que dá.

E os grandes projetos para recuperar a insuficiente e arcaica infra-estrutura do país? Ahhhh... sim. Os investimentos do PAC (Programa de Atraso do Crescimento) devem dar conta. E ponto. Não há motivos para discussão. Os projetos já foram definidos e encaminhados para o orçamento. E continua a reclamação acerca da quantidade imensa de medidas provisórias. A vida de Chinaglia, Garibaldi e sua turma é reclamar da quantidade de serviço. Reclamam e não trabalham. Como é fácil ser parlamentar!

Voltando ao sumiço da oposição. Aborrecidamente mal organizados há muito tempo, desde os grandes períodos da insurgência da corrupção petista (com tristeza, prevejo uma volta), os tucanos e os demos continuam perdidos nas enormes avenidas da capital do país.

As eleições municipais podem representar o retorno efetivo ao cenário político. Ou tudo pode ficar ainda pior. Se depender da disputa, em São Paulo, o PSDB e o DEM podem se perder de vez na disputa pela prefeitura. Se Alckmin enfrentar Kassab, a oposição se fragmentará ainda mais (caso seja possível ficar ainda mais fraca do que efetivamente está).

Confira a notícia veiculada pela Folha de S. Paulo:

segunda-feira, 24 de março de 2008

VÍDEOS



O vídeo acima foi o ganhador, entre as opções de política, do concurso, realizado pelo YouTube, que escolheu os melhores vídeos em diversas categorias. "Stop the clash of civilizations" ("Pare o confronto de civilizações") compara as realidades ocidental e oriental com duas mulheres representando cada uma delas. Essas personagens convivem com os mesmos problemas e não são tão diferentes quanto costumam dizer. O objetivo do filme é conscientizar as pessoas da importância de uma opinião pública forte, como forma de questionar as decisões políticas tomadas pelos poderosos, como os citados Bush e Bin Laden. Vale a pena conferir também o site da instituição: http://www.avaaz.org/.

FONTE: YouTube

quinta-feira, 20 de março de 2008

NOVAS E NOVAS

Nem dalai-lama sabe o que a economia nos reserva
POR Bruno Victor Toranzo

Mais um dia de incerteza no mercado. A Bovespa fechou com leve alta. Menos mal. Os ativos da Petrobras estão valendo bem menos. Abaixo de R$ 70 cada papel. A crise derrubou as ações. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, terminou a semana abaixo dos 60 mil pontos, perto dos 55 mil. E agora? Nem dalai-lama sabe. A situação é calamitosa. Apesar da calamidade, reitero que não estamos em recessão. Não há retração, pelo menos por enquanto, do PIB norte-americano, país pivô desse mau agouro.

Enquanto isso, o governo mais democrático do mundo, o chinês, continua descendo literalmente o porrete nos tibetanos. Infelizmente, não fica no porrete. Os manifestantes do Tibete, uma das províncias (mesmo que estado para os leigos) chinesas, estão correndo risco de vida com os protestos dos últimos dias, em Lhasa. Em princípio, o motivo das seguintes e intensas manifestações foi a prisão de monges budistas, na passeata de 10 de março, data que relembra a fracassada rebelião tibetana contra o controle chinês. O exílio do líder espiritual dalai-lama aconteceu depois desse histórico ocorrido.

É claro que a intenção dos tibetanos é reconquistar a independência perdida, nos anos 50. Mesmo sendo reconhecidos pela própria China, como região autônoma, os tibetanos não concordam em continuar no mesmo território chinês. Povo ardoroso na fé, associamos constantemente sua imagem à religião. Além dos tibetanos reivindicarem a emancipação, discordam da ausência de liberdade de expressão, além da forte repressão policial chinesa.

Confira a entrevista, com dalai-lama, realizada pelos repórteres da Newsweek:

http://www.newsweek.com/id/124365

Feriado no cinema sem pentelho e Stallone
POR Bruno Victor Toranzo

Amanhã é feriado! O trânsito também irá para a praia. As ruas da capital mostrarão seu charme, sem carros barulhentos baforando fumaça para todo lado. Deve chover. Feriado é sempre assim. Chove! Se não chove, sai um sol tímido. Bem tímido. As nuvens cobrem o céu, como forma de nos mandar trabalhar. Exato. Mesmo que seja em casa, vá trabalhar. O tempo está feio. A alternativa é se dirigir ao cinema mais próximo.

Hummmmm... o cinema e seu ambiente inspirador, uma verdadeira fonte da juventude. Que poder rejuvenescedor! Mas tem problema. O alento é pensar que tudo na vida tem problema. Aquele desesperador grupinho de crianças ou aborrescentes. Antes deles sentarem, você sabe o que te espera. Já direciona o pensamento para formular o que gritará no primeiro ato engraçado daquelas criaturas amáveis. Destaco: engraçado apenas para eles. Não há cidadão, ecoando o verdadeiro significado da palavra, que ache graça de pessoas condenadas ao fracasso pelo resto da vida. Quem grita no cinema, atrapalhando todos os outros, está fadado aos infortúnios!

Mesmo assim, aproveitarei meu feriado, em alguma sala de cinema, assistindo ao Michael Moore, à dupla Morgan Freeman e Jack Nicholson, ou, quem sabe, ao Forest Whitaker. Evitarei (isso sim!) os pentelhos do cinema e passarei longe da sessão que exibir Stallone, em Rambo IV.

quarta-feira, 19 de março de 2008

NOVAS E NOVAS

Cabeça de rato em salgadinho enoja consumidora
POR Bruno Victor Toranzo

É isso mesmo! Uma cabeça de rato foi encontrada em meio ao delicioso salgadinho de camarões fritos. A consumidora, premiada com o pacote da sorte, disse que tateou algo parecido a uma pele oleosa, durante o ato de pegar um dos camarões, para, posteriormente, levá-lo à boca.

- Quando olhei de perto, vi os dentes e um olho. Era exatamente como um rato, afirmou a pobre sul-coreana.

A Nongshin, maior produtora de alimentos processados sul-coreana (imagino a menor!), disse que a contaminação pode ter ocorrido fora do país, na usina de processamento do produto, localizada no gigante oriental.

Onde fica mesmo? Essa usina de processamento está na China. Chegamos ao verdadeiro ponto de discussão. Apesar de destacar, no começo, essa notícia que nos dá água na boca, os chineses e seu modelo de desenvolvimento comprovadamente insustentável é o enfoque de hoje, além de ser motivo de larga discussão no mundo inteiro.

A economia chinesa mantém um ritmo de crescimento do PIB de dois dígitos há alguns anos. Muitas cidades se transformaram em pólos de atração tecnológica e industrial. Shenzhen, por exemplo, recebeu investimentos astronômicos com a vinda das multinacionais. A capital do país, Pequim, deixou de ser essencialmente industrial para integrar o seleto grupo das imperiosas cidades.

Os chineses adotaram modelo de desenvolvimento sem preocupação com as questões ambientais. A matriz energética do país é o carvão. Mesmo recurso energético utilizado, no século XVIII, pela Inglaterra, durante a Primeira Revolução Industrial. A China é maior produtora e consumidora de carvão. Pior do que a larga utilização energética suja, está no fato do país ter se transformado em uma espécie de grande indústria do mundo. Os países desenvolvidos direcionam para lá a produção que gera maior quantidade de monóxido de carbono, dióxido de carbono e outros gases simpáticos para a natureza. O lixo também é direcionado para o país asiático, como os computadores ultrapassados. Eles são desmontados para que suas peças sejam negociadas. As indústrias pesadas poluem à vontade, salvo raras exceções, como Pequim e Shangai, cidades que tomaram medidas contra a poluição.

O meio ambiente está totalmente comprometido. A cor da água deixou de ser transparente para atingir um tom esverdeado. Em boa parte do ano, os chineses não conseguem ver o Sol. Nuvens espessas de poluição cobrem todo céu. Doenças respiratórias e alguns tipos de câncer são comuns. A população sofre com os efeitos dos poluentes.

Com esse cenário em mente, a presença de uma cabeça de rato entre os camarões fritos de um salgadinho processado na China não surpreende. O Partido Comunista não dá atenção a esses pontos, considerados apenas detalhes. Ausência de compromisso com questões ambientais e sanitárias e a conseqüente falta de fiscalização das fábricas são características marcantes da industrialização chinesa.

Devo discutir melhor a situação do país nas próximas publicações. O gigante oriental precisaria de muitas e muitas linhas pela complexidade de sua economia, de suas relações políticas e de sua interação social entre os bilhões de habitantes.

Notícia do delicioso salgadinho com rato:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u383539.shtml

terça-feira, 18 de março de 2008

SOBRE A IMPRENSA

Apuração incessante e direito de resposta
POR Bruno Victor Toranzo

Qual a principal característica do profissional jornalista? Seria a qualidade do texto? Não! Mais importante do que escrever bem, está a atividade inicial de qualquer reportagem: apuração incessante dos fatos. É a pesquisa, ou melhor, a perseguição incansável de fatos, dados, enfim, comprovações, que dá credibilidade ao jornalista.

O caso da escola infantil, no bairro paulistano da Aclimação, pertencente ao casal Shimada, acusado erroneamente de abuso sexual das crianças alunas, mostra o quanto a falta de compromisso, com a checagem dos rumores, acarreta equívocos grosseiros e imperdoáveis. Caso seja da vontade do leitor, pode conferir mais detalhes da problemática no livro “Caso Escola Base – os abusos da imprensa”, de Alex Ribeiro.

Na ânsia do pioneirismo na publicação das notícias, descobrindo novos e inverídicos “detalhes”, os veículos de comunicação ouviram relatos apaixonados, envoltos de emoção, completamente desesperados, das mães dos alunos supostamente abusados. E pior: tomaram como verdade absoluta. As crianças tinham espaço na grande mídia para fantasiar à vontade.

Não só os pais acusavam o casal Shimada e as outras vítimas, como a própria imprensa. Sim! A imprensa tomou partido desde as primeiras informações que apareceram. Icushiro Shimada e Maria Aparecida Shimada eram chamados literalmente de monstros pelas manchetes dos jornais. Uma verdadeira crucificação perante a sociedade. Os crucificados só tiveram direito de se manifestar quando os grandes veículos perceberam o erro, motivado pela ausência de qualquer prova concreta.

Os artigos da lei de imprensa, formulados durante o regime militar (que paradoxo!), regulam (caso isso seja realmente possível!) a atividade jornalística. Em um deles, mais precisamente o vigésimo nono, é clara a obrigatoriedade de resposta a qualquer acusado nos veículos de comunicação. A exceção fica por conta da Internet, em início de processo de criação, nos anos 60, uma brecha terrível ainda não reparada.

Tal conduta não precisaria estar na lei. Bastava apenas sensibilidade dos profissionais da época, algo também raro nos dias de hoje. Por falar nisso, o uso da emoção, na prática jornalística, é fundamental, desde que embalada pela razão e em pequenas doses, durante a escrita do texto, distanciando-se do perigoso vilão sensacionalista.

Confira todos os artigos da lei de imprensa:

segunda-feira, 17 de março de 2008

CAMINHANDO PARA A RECESSÃO?

Guerra do Iraque já torrou US$ 1,2 trilhão
POR Bruno Victor Toranzo

O número impressiona. Já passou pela casa do bilhão. Alguns dias antes do começo da invasão, o cálculo apontava para um gasto de US$ 50 bilhões. Muito menos do que o valor atual. E pensar que o país continua sem perspectiva, afundado nos confrontos étnicos. Apenas os curdos, esses sim, parecem ter aproveitado a era pós-Hussein para se desenvolver. O norte do país, local de maior concentração deles, mostra uma situação bem diferente. A economia está se estruturando, ancorada nos dólares norte-americanos. Os curdos são extremamente agradecidos aos Estados Unidos. Hoje, não precisam viver em pânico, estão livres do carrasco ditador que os amedrontava. Saddam perseguia os curdos, matava aos montes, característica de Holocausto.

Os assuntos relacionados à retirada das tropas e ao futuro do Iraque não têm mais tanta importância entre os candidatos à presidência do país. Com a possibilidade de recessão, aumentou o temor de tempos econômicos sombrios pela frente.

O centro da crise é o mercado hipotecário estadunidense. As pessoas compravam e compravam casas. Outras reformavam e reformavam seus imóveis. Outras ainda adquiriam e adquiriam casas como investimento. E contraíam e contraíam empréstimos para tudo isso. Os bancos não viam problema em fazer a festa deles e liberavam dinheiro, um verdadeiro “paizão”. Além de conceder crédito abundante, as instituições financeiras não avaliavam a renda do cliente. Não havia necessidade de comprovação de renda. Uma grande irresponsabilidade! O que aconteceu? O mais óbvio. Muitas e muitas pessoas deixaram de pagar. Os bancos desesperados não sabiam e continuam não sabendo o que fazer. E pior do que isso. Motivados pelo bom desempenho do setor, as construtoras não hesitavam em construir. Enquanto havia esse consumo doentio, estava tudo bem. Mas quando os números de compra e reforma caíram desgraçadamente, o problema maior aconteceu.

Paralelamente, a maior economia do planeta já não vinha bem das pernas. Os dois confrontos seguidos, Afeganistão e Iraque, contribuíram para aumentar as já combalidas contas. A ameaça chinesa com seus produtos muito mais baratos, fruto, em grande parte, de mão-de-obra quase escrava, também preocupa. A globalização transferiu parte da cadeia produtiva das empresas para países com mão-de-obra mais barata, como Índia, China e Tailândia. É o famoso offshore. Os americanos, principalmente os menos instruídos, ficaram sem emprego. O operador de telemarketing, profissão que não requer muita instrução, é o grande exemplo desse processo. Hoje, muitas das ligações para empresas americanas, de atendimento ao consumidor, vão parar na Índia.

No entanto, o alento dessa crise é a forte presença macroeconômica chinesa. Uma verdadeira muralha da China contra a crise que se apresenta. Temos que torcer para que a muralha não ceda. Pelo menos, ninguém espera que isso aconteça. A economia chinesa pode passar por um pequeno resfriamento, mas deve continuar crescendo a médias espetaculares. Se a indústria cresce, o consumo de matérias-primas segue o mesmo caminho. As commodities africanas e até mesmo latino-americanas continuarão, em franca expansão, para o gigante asiático. Aliás, os preços delas estão em alta devido à voracidade chinesa.

Não só a China, mas todos os BRIC, sigla que envolve os países com maior potencial de crescimento econômico – Brasil (Viva!), Rússia, Índia e China – poderão salvar a economia mundial ou, pelo menos, aliviar a doença hipotecária. Qual política terão que seguir para a salvação? Nenhuma. Basta que continuem como estão e, se possível, mesmo em meio à crise, diminuem mais ainda a distância para as nações tidas como desenvolvidas.

A situação, como você percebeu, está feia. Alguns economistas e jornalistas já consideram começo de recessão. Exemplo é Paul Krugman, economista e colunista do “The New York Times”. Apesar dos índices horripilantes, incluindo os de geração de empregos, confiança empresarial no mercado e desempenho do mercado imobiliário, acredito que ainda não chegamos ao período de retração.

Boa palavra. “Retração”. O significado de recessão é retração do PIB e, por conseqüência, dos demais índices econômicos. Isso não aconteceu. Portanto, vivemos sob período de incerteza e não de recessão. A preocupação do FED e de todo mercado é evitar essa situação. Nesse momento, podemos destacar, com certeza, um aspecto do novo ambiente macroeconômico: a era de abundância acabou.

Artigo interessante do jornalista David Leonhardt, do "The New York Times":

Mais sobre o assunto na "Folha de S. Paulo":

sexta-feira, 14 de março de 2008

VÍDEOS



"Vote Different". Esse é o nome de outro vídeo da campanha de Barack Obama. A jovem e também candidata Hillary Clinton desempenha o papel de manipuladora, controlando as mentes das pessoas que ali estão. Trata-se de uma versão de um comercial, alterada pelos simpatizantes de Obama, da Apple de 1984.

FONTE: YouTube

quinta-feira, 13 de março de 2008

NOVAS E NOVAS

Barril de petróleo bate novo recorde e atinge US$ 111
POR Bruno Victor Toranzo

O que isso significa para “el gran comandante”? Hugo Chávez está rindo sozinho com o valor do petróleo. Pode continuar financiando seu plano maquiavélico de conquistar o mundo ou, pelo menos, a América Latina. Continua hegemônico no exercício de seu regime ditatorial. E a oposição? Sumiu! Há muito tempo deixou de existir.

Enquanto o preço do petróleo continuar nesse patamar, considerado altíssimo, Chávez não tem o que temer. Com o atual comportamento da commodity, nem mesmo se o mundo ecoar em uma só voz a expressão “Por que no te callas?”, dita pelo rei espanhol Juan Carlos I, quando não agüentava mais ouvir as besteiras do comandante venezuelano, faria Chávez, de fato, silenciar.

Ele realmente tem a força. É, sem dúvida, um dos personagens mais poderosos. Temporariamente. O petróleo não será eterno. Invés de investir em melhorias reais para o povo venezuelano, escolhendo os moldes de desenvolvimento chileno ou brasileiro, Chávez insiste em gastos de caráter “populista”, como o fortalecimento exagerado do exército e o aumento do tamanho do Estado. Sem falar em outras medidas, como a desapropriação de propriedades privadas, desafiando o capital internacional.

E o que isso significa para Bush? Nada. Nada. E nada. As exportações venezuelanas de petróleo continuam a todo vapor para Washington. Chávez é insensato. Mas não tem nada de burro. Não há como cortar as negociações com os Estados Unidos. Os bushpetrodólares são muito bem-vindos. Se pararmos para pensar, os Estados Unidos financiam as excentricidades de Hugo Chávez. Eles pagam o comandante para xingar sua própria nação. E sabem disso. Mas o mercado sempre em primeiro lugar. São as leis sagradas que regem seu funcionamento. As negociações não vêem rostos, desconsideram qualquer palavra hostil, desde que tais palavras não coloquem em risco o andamento das próprias transações comerciais.

E onde o Brasil entra nessa história? Sei lá. Quem disse que entraria? Ou melhor, até sei. Entramos como o “salvador do continente”. Esse sempre foi o posicionamento dos nossos governos monges. E deu certo! Devemos sempre conversar com todos, a famosa “paz universal”. O desafio está em permanecer o mais próximo do neutro, mesmo que sempre acabamos naturalmente do lado norte-americano.

Matéria da Folha de S. Paulo:

ATENÇÃO PARA A SEMELHANÇA!

"Rivaldo sai desse lago"



O vídeo acima é um grande sucesso do YouTube. Trata-se do famoso cinema indiano, de nome "Bollywood". A legenda, em português, satiriza determinado filme gravado por lá. Mas o que essa porcaria faz no meu blog? Boa pergunta. Por uma razão: a marca mais valiosa do mundo, chamada Coca-Cola, criou um vídeo de propaganda muito, mas muito, parecido com o "Rivaldo sai desse lago".

Preste atenção para o contexto. A grife Coca-Cola Clothing surgiu de um licenciamento da Coca-Cola Brasil com um grupo têxtil brasileiro do Rio Grande do Sul. Sua popularização aconteceu recentemente durante desfile da São Paulo Fashion Week, no começo do ano. É isso mesmo! São roupas da Coca-Cola voltadas para o público jovem. Faixa de público que mais freqüenta os vídeos do YouTube, ainda mais os voltados para humor. Essa semelhança entre os vídeos seria apenas coincidência?

"Coca-Cola Clothing"



Fonte: YouTube

quarta-feira, 12 de março de 2008

NOVAS E NOVAS

Só para finalizar o post de ontem. O governador mulherengo renunciou. Resta saber se a mulher, há vinte um anos ao seu lado, não terá a mesma atitude no matrimônio.

Keynes, Friedman e um colega de profissão
POR Bruno Victor Toranzo

Destaque para o crescimento do PIB brasileiro, em 2007. Estamos acima de 5%! Fator de comemoração? Sim. Apesar do marasmo do governo, sem realizar as reformas econômicas necessárias, com destaque para a modernização do arcaico sistema tributário, a caravela Brasil segue seu rumo.

Chamo atenção para outro fator, estritamente ligado ao crescimento de nosso PIB. A participação do mercado interno, superaquecido, fervendo como as atrizes pornôs, está na dianteira do bom número apresentado. O desemprego está caindo e, por conseqüência, as pessoas estão consumindo. Sem falar da contribuição, em menor escala, do aumento de políticas incentivadoras do consumo, como o aumento do salário mínimo e os programas assistencialistas. Sim! Exatamente! O “Bolsa Família”!

O custoso programa de ajuda financiado pelo governo já chega a praticamente 60 milhões de brasileiros. Todo esse contingente ganha uma contribuição estatal a mais do Estado, no final de cada mês. Motivo de muita discussão, o “Bolsa Família” precisa ser encarado como um programa temporário de ajuda. Aliás, nem deveria ser contabilizado como fator motivador do crescimento do mercado interno. Mesmo com a sua ínfima contribuição para o aumento do consumo, todo dinheiro vem do próprio Estado. Um traço marcantemente keynesiano, em meio ao poderio neoliberal, de Milton Frieman, que domina o mundo de hoje.

Voltando ao tema principal: o crescimento do PIB atingindo 5,4%. Ahhhh... antes, preciso falar dos parcos aumentos do salário mínimo. Chegamos aos R$ 415! Uau! Que salarião! Dá para comprar até um pacote de bolacha com recheio no final do mês!

Sem enganação! O salário, mesmo no governo Lula, continua muito baixo, aquém de qualquer expectativa. O que me causou certa indignação foi um texto, também de blog, que comparou, em dólares, os salários mínimos, nos governos FHC e Lula. Um colega de profissão, conhecido pelas entonações constantes em suas falas, escreveu que o salário mínimo quadruplicou com Lula, saindo dos US$ 60 para chegar aos US$ 240. Em primeiro lugar, é inadmissível tão ingênua comparação, advinda de um jornalista, já que o ambiente internacional de negócios, atualmente, é muito mais favorável, mesmo com a recente podridão dos imóveis nos Estados Unidos. E, em um segundo momento, interligado ao primeiro fator, aparece o câmbio, com a recente valorização do real frente à moeda de Bush.

Retornando novamente ao enfoque do texto. O que temos de nos orgulhar é a evolução crescente de nosso mercado interno. Temos, sem dúvida, uma economia muito mais sólida, ancorada nos bilhões de dólares de superávit primário acumulados nesse período de ouro da economia mundial. Estamos praticamente imunes à crise dos maus pagadores também por essa razão. Diferentemente dos anos 90, o mercado externo não é o grande comprador, o "poderoso chefão". E digo mais: deixamos de estar excessivamente atrelados comercialmente ao mercado norte-americano.

E tudo isso em meio ao neoliberalismo! Ou melhor, um neoliberalismo com feições keynesianas. Isso! O "Bolsa Família" é a cicatriz de Keynes no meio do rosto de Friedman nesse país chamado Brasil!

Caso tenha curiosidade:

terça-feira, 11 de março de 2008

NOVAS E NOVAS

Governador de Nova Iorque trai sua esposa e seu eleitorado com prostitutas
POR Bruno Victor Toranzo

A suspeita foi levantada pelos jornalistas do “The New York Times”, confirmada, dias depois, com a ajuda do bom e velho grampo telefônico. Enganado, com um agente da polícia federal na escuta, o governador revelou o quarto de hotel onde teria mais um encontro de prazeres mil. O governador democrata Eliot Spitzer, casado e pai de três filhas, relacionava-se com as mais caras prostitutas do estado, sejam elas pró ou contra seu partido. Com a moral ferida, Spitzer se desculpou publicamente e deve renunciar ao cargo.

Os democratas, preocupados com a repercussão do governador mulherengo, ainda mais agora em momento de ferrenha batalha presidencial, trataram de isolar o caso, por meio do repúdio aos atos sexuais de Spitzer. Aliás, a experiência em casos extraconjugais já esteve presente na vida dos democratas. A vítima do mais famoso deles concorre à presidência do país. Trata-se da sempre jovem candidata Hillary Clinton. Quem não se lembra das investidas, todas bem correspondidas, de Bill sobre Lewinsky, a estagiária de habilidades desconcertantes, na Casa-Branca, símbolo de respeito e hegemonia da nação do também tarado Tio Sam.

A discussão, em torno da invasão da privacidade de pessoas públicas, está longe de chegar ao fim. Deve o profissional de jornalismo investigar a vida particular das personalidades? Existe legitimidade na atividade de buscar algum podre na vida particular dessas pessoas? É legítimo, sim, que os eleitores saibam sobre o comportamento de seu representante político. Ainda mais quando o político não tem pudor nenhum em sair com meretrizes, mesmo tendo uma família para respeitar.

Reportagem do NYTimes:

VÍDEOS



Vídeo da campanha do senador Barack Obama que disputa as prévias democratas com a sempre jovem Hillary Clinton para ser nomeado candidato do partido à presidência dos Estados Unidos. A expressão "Yes, we can" representa a possibilidade de um novo Estados Unidos, recuperando principalmente a credibilidade internacional perdida durante as gestões do republicano George W. Bush.

Fonte: YouTube

segunda-feira, 10 de março de 2008

DE VOLTA!

Voltei.

Cada vez mais jornalístico. E quem disse que opinião não faz parte do jornalismo?

Voltei.

Cada vez mais bem-humorado. Textos repletos de adjetivos, sim! Viva os adjetivos!

Voltei.

Cada vez mais crítico. Tenho senso crítico aguçado! Preciso me manifestar de alguma maneira!

Voltei.

Não espero que goste, muito menos que comente. Porém, mesmo assim, dou as boas vindas!