POR Bruno Victor Toranzo
Assunto recorrente nos noticiários, a inflação teria voltado, em nível global, para abocanhar o poder de compra das pessoas, em especial dos mais pobres. Não há momento melhor para trazer o desempenho do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) - veja publicação logo abaixo - ao longo dos anos. Esse é o principal medidor brasileiro da inflação, utilizado, inclusive, como uma das informações para determinar as diretrizes econômicas do Banco Central.
Para chegar ao índice, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) considera as variações dos preços do consumo das famílias moradoras em áreas urbanas com faixa salarial de 1 a 40 mínimos. A profundidade da medição é justificada por trazer os preços cobrados do consumidor, nos pagamentos feitos à vista, coletados, principalmente, nos estabelecimentos comerciais e nas prestadoras de serviços.
Todas as importantes regiões metropolitanas são levadas em conta: Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Brasília e o município de Goiânia.
O recorde inflacionário aconteceu, em 1993, quando atingiu a assustadora taxa de 2.477,15%. Dois anos depois, em 1995, o Plano Real representou a virada brasileira. A porcentagem caiu expressivamente para pouco mais de 20% ao ano. Essa nova característica econômica, de controle ferrenho da inflação, foi a principal razão para a conquista da estabilidade econômica.
Quanto aos alimentos especificamente, razão de uma das crises internacionais da atualidade, o IPCA apontou alta nacional de 9,81% no preço dos tubérculos, raízes e legumes no mês de abril. Por outro lado, cereais, leguminosas e oleaginosas caíram, na média, 3,47%.
Até agora no ano, o IPCA registra quase a metade da taxa apresentada em 2007. Apesar da preocupação do Banco Central, válida por sinal, estamos muito longe de um desequilíbrio inflacionário. Mesmo assim, Henrique Meirelles e sua equipe estão certos em planejar novos aumentos dos juros básicos (expectativa de 13,5% para o final do ano) para manter esse vilão bem longe da saudável economia brasileira.