POR Bruno Victor Toranzo
Mike Tyson está voltando. O animal tenta voltar à cena. Fique tranqüilo. Ninguém deve perder um bom pedaço da orelha para a força de sua mandíbula. A não ser que o ex-pugilista não goste do documentário sobre sua vida. Poderia sobrar para o diretor. Cuidado! Proteja suas orelhas, corajoso diretor.
O objetivo do filme, lançado no conceituado Festival de Cannes, é melhorar a imagem do agora paupérrimo Tyson. Morando no subúrbio de Las Vegas há três meses, "o mais malvado homem do planeta", aspas que o próprio lutador se designava, deve milhões de dólares para a Receita Federal. Em recente entrevista, reconheceu que errou muito ao longo de sua carreira. As drogas são seu maior fator de arrependimento.
Outro que está beijando a lona é o presidente George W. Bush. Com queda acentuada de aprovação em seu segundo mandato, a população americana está insatisfeita com os rumos que o país tomou. A verdade é que o Arbusto (Bush em inglês), palavra perfeita para expressar sua morosidade, só conseguiu a reeleição por causa dos atentados de 11 de setembro.
Os americanos estavam frágeis. A reação imediata de todo aquele sofrimento foi apoiar uma resposta militar. Ela rapidamente veio. Impensada. Nada eficiente, dizimou milhões de civis, tão inocentes quanto os alguns milhares que morreram no World Trade Center. Os verdadeiros culpados, Osama Bin Laden e sua turma, continuam foragidos.
O que aconteceu em seguida? Os Estados Unidos se tornaram impopulares no mundo inteiro. As pessoas torcem o nariz e acusam os americanos de imperialistas. A política de guerra preventiva, combater o adversário antes que ele cause algum dano, não se sustentou. Mas não porque Bush e sua turma perceberam os equívocos desse método. O real motivo está relacionado à falta de dinheiro. Os gastos do Iraque já chegaram à casa do trilhão de dólares. A ausência das verdinhas evitou possíveis ataques até mesmo aos iranianos e norte-coreanos, adversários potencialmente perigosos, incluídos na lista chamada "Eixo do Mal".
Como se não bastasse, a economia anda tirando o sono de Bush. O caos no setor imobiliário. A forte desvalorização do dólar. Os altos preços do petróleo. A queda da taxa de consumo dos americanos. E os alimentos mais caros. Problemas complicados que o próximo presidente terá de demonstrar competência para resolver.
Por falar em sucessão presidencial, o impasse continua entre os democratas. Seria Hillary ou Obama? Ninguém sabe. Apesar do candidato negro ser o favorito, a disputa das primárias continua aberta. Entre os republicanos, McCain já está garantido. Mesmo sendo o candidato da situação, ele tem chance de ganhar. No entanto, as pesquisas ainda apontam vitória democrata, qualquer que seja o candidato escolhido.