POR Bruno Victor Toranzo
Saudade. Sentir muita falta. Sofrimento de quem não aceita a separação. O governo não consegue esquecer o charme daquela contribuição chamada CPMF (nome completo: Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). Mesmo sabendo que ela tinha data para ir embora, no último dia do ano passado, a base governista fez o máximo para que ficasse mais algum tempo.
Não conseguiu. Os opositores os separaram. Eles acabaram com uma linda história de amor. Mas, quando a separação parecia consolidada, a sensual CPMF reaparece. O governo rapidamente direciona seus olhares para ela. Agora, nós, cidadãos brasileiros, meros espectadores quando deveríamos ser os protagonistas, apenas esperamos para saber o final dessa história.
É inadmissível a insistência do governo nesse romance fracassado. Ainda mais com a arrecadação federal quebrando seguidos recordes. Foram mais de R$ 220 bilhões apenas nos quatro primeiros meses desse ano.
Aquela velha desculpa volta à cena. Novos investimentos em saúde estariam comprometidos sem os recursos advindos da antiga cobrança. Mentira. Para substituir o imposto do cheque, o governo aumentou o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) das instituições financeiras. Dessa maneira, os recursos que vinham da dengosa CPMF foram substituídos e até aumentados pelos dois palavrões citados acima. Portanto, meu leitor, falta de dinheiro não existe.
O que deveria estar em discussão é o gasto consciente dos recursos. Ao invés de propor a volta da contribuição, os brilhantes parlamentares deveriam colocar em pauta a reforma tributária. Como gostaria de ver a classe dirigente em ríspidas discussões sobre como diminuir os gastos com o funcionalismo público, além de organizar e até desonerar (por que não?) a pesada e confusa carga de impostos.