VOTO CONSCIENTE, DEMOCRACIA SAUDÁVEL
POR Bruno Victor Dela Páscoa Toranzo
POR Bruno Victor Dela Páscoa Toranzo
As eleições estão chegando. Milhões de brasileiros vão às urnas em outubro para escolher seus representantes no comando do país. Os cargos de governador de Estado, deputado estadual e federal, senador e o de maior representatividade da nação, o de presidente, passarão pelo processo democrático.
O povo brasileiro sempre apresentou como característica principal a inconstância no que tange ao interesse político. Ao longo da história de nosso país, variações de interesse são normais. Considero que o ápice da adesão popular a um governo foi durante o de Getúlio Vargas. Adesão que começou tímida em 1930, com a chegada de Vargas ao poder. Porém, o carisma do presidente e suas práticas reconhecidamente populistas conquistaram a confiança da grande maioria dos brasileiros. O brasileiro aprendeu o que é participação na vida política da nação neste período, apesar das gerações posteriores terem esquecido o significado.
A ditadura militar com seus dois partidos “rivais”, o MDB e a ARENA, foi extremamente prejudicial na evolução participativa dos brasileiros na política. A repressão à liberdade de expressão e a redução, anulação em dados momentos, dos direitos individuais assegurados pela Constituição caracterizaram o período. Considerados rebeldes pelo governo da época, José Serra, Luis Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso, entre tantos outros, brilhariam anos depois nos mais importantes cargos políticos do país.
A era da democracia foi inaugurada com a eleição de Fernando Collor de Mello. Pode se dizer que a era da frustração também. O primeiro presidente eleito de forma direta, após anos de ditadura, mostrou-se incapaz de realizar um bom trabalho e junto com seu braço direito, PC Farias, organizaram um bem estruturado esquema de corrupção. A opinião pública exigiu o processo de impeachment, aprovado pelo Congresso em 1992. Os adolescentes de rosto pintado com as cores do Brasil, exigindo o impeachment, foram um dos símbolos da queda de Collor.
Itamar Franco assumiu a presidência. O ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, começou a escrever seu nome na história econômica brasileira. O Plano Real, lançado por ele, mostrou-se um sucesso, recuperando a credibilidade nacional no mundo inteiro. O antídoto contra a alta inflação, pesadelo constante dos brasileiros no começo da década de 90, funciona com primor até os dias atuais, de governo Lula.
Os dois governos de Fernando Henrique Cardoso contaram com boa aceitação popular. No primeiro, essa popularidade foi evidente. Conseqüentemente, com a aprovação da reeleição pelo Congresso, os eleitores apostaram em FHC mais uma vez, dado o excelente trabalho realizado no campo da economia e da responsabilidade fiscal, reconhecido pelos grandes nomes da geopolítica mundial.
Eleições de 2002. Vitória petista. Luis Inácio Lula da Silva subiu a rampa do Planalto, prometendo uma verdadeira revolução social através da diminuição do poder dos banqueiros, dos grandes investidores, e da desigualdade social. Mera ilusão. O ex-metalúrgico apenas se adequou ao cenário econômico internacional, seguindo a brilhante conduta econômica dos tucanos. E a ilusão não parou por aí. Casos e mais casos de corrupção como o mensalão e os sanguessugas baixaram a credibilidade do Congresso Nacional ao nível mais baixo da curta história de nossa democracia. Pelo menos, toda essa tragédia serviu para que os cidadãos se conscientizassem muito mais politicamente, a exemplo do que ocorreu no processo de impeachment em 1992.
Vejamos realmente se o eleitorado aprendeu a exercer o direito do voto com mais responsabilidade. É necessário saber sobre o passado político de determinado candidato, fiscalizando se não tem nenhum envolvimento com a ilegalidade como fraudes e esquemas escusos. Suas propostas durante o mandato também são de extrema importância. Elejamos representantes idôneos e com vontade política para que nossa democracia possa vigorar saudavelmente.
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