segunda-feira, 21 de agosto de 2006

FATO DA SEMANA

TRÊS POSSÍVEIS NOVAS POTÊNCIAS NO FUTURO
POR Bruno Victor Dela Páscoa Toranzo

A China e a Índia abandonaram o subdesenvolvimentismo e caminham para integrar o seleto grupo dos países de Primeiro Mundo. A expectativa de alguns anos atrás era que o Brasil também estaria nas possíveis economias que se equipariam às dos grandes. No entanto, as crises financeiras, com alto índice de inflação e diminuição da renda do trabalhador, e a instabilidade política atrapalharam o processo.

O bom desempenho da balança comercial, a valorização de nossa moeda frente ao dólar, os índices controlados de inflação e a expectativa de um crescimento econômico razoável este ano despontam como fatores para colocar o Brasil, de volta, aos trilhos do progresso. A comparação Brasil-Índia-China é inevitável por serem os três países mais promissores na atual conjectura econômica mundial.

A população da China equivale a um quinto dos habitantes da Terra, 1,3 bilhão de pessoas. A maioria vive no campo, são camponeses. Desde 1980, o país tem um crescimento econômico de 10%. Já é o quarto maior exportador mundial. O PIB chinês ultrapassa 1,5 trilhão de dólares. O imenso mercado consumidor configura-se como um dos atrativos aos investidores. A mão-de-obra abundante é a responsável pelos baixos salários pagos no país. "As montadoras nos EUA pagam 37 dólares por hora trabalhada, enquanto que na China a hora de um operário do mesmo setor vale 2 dólares", informação retirada do Almanaque Abril. A moeda nacional (yuan) é muito desvalorizada frente ao dólar: a cotação mais recente indica que para comprar 1 dólar é necessário quase 8 yuans. Essa desvalorização torna os produtos chineses mais baratos, tornando-os praticamente imbatíveis no mercado global. Os Estados Unidos e a União Européia entraram com processos na OMC (Organização Mundial do Comércio), acusando a China de medidas protecionistas como manter a moeda desvalorizada para vender cada vez mais sua produção. Desde a chegada do Partido Comunista Chinês (PCCh), liderados por Mao Tsé-tung, ao poder em 1949, o regime autoritário é o vigente no país. As pessoas não têm liberdade para se manifestar e o governo é acusado de violações dos direitos humanos.

O trecho a seguir, retirado da entrevista da revista Veja com o economista indiano Vinod Thomas, datada de 26 de abril deste ano, analisa a situação chinesa: "Parte do sucesso da China tem a ver com o fato do país ainda possuir um regime autoritário, o que facilita a implementação de projetos de nível nacional com grande disciplina. Essa situação, no entanto, é insustentável a médio prazo. Para participar do mercado internacional você tem de ter práticas aceitáveis no resto do mundo".

A Índia, a exemplo da China, também ultrapassou a barreira de 1 bilhão de habitantes. A economia cresce cerca de 6% ao ano e o motivo principal é a força do seu mercado de alta tecnologia, destacando-se como o maior exportador de softwares do mundo. O PIB (dados de 2003) indiano corresponde ao montante de 570 bilhões de dólares. A educação, através do investimento apenas na educação superior, é a principal justificativa para o grande desenvolvimento. A fórmula de investir apenas na melhoria do ensino superior foi importante na geração de mão-de-obra para as empresas de alta tecnologia, porém não contribui em nada para a melhora da educação como um todo, não combatendo a essência do problema, o analfabetismo. Com uma renda per capita baixíssima (440 dólares) e uma taxa de analfabetismo assustadora (na casa de 40%), o grande desafio para chegar à classificação de potência é a inclusão social. Inclusão de 250 milhões de pobres, um Brasil inteiro de miseráveis.

Thomas, quando indagado sobre o porquê do otimismo com o Brasil, revelou: "China e Índia terão de fazer revoluções para implantar a democracia e erradicar a pobreza. Os desafios do Brasil são muito mais simples".

O Brasil possui realmente menores desafios para chegar ao tão sonhado seleto grupo. Investimento maciço na educação como fez a Coréia do Sul é imprescindível. O Ministério da Educação precisa se conscientizar que ensino de qualidade não é só para o ensino superior e dividir mais igualmente o investimento. A inclusão digital nas escolas com professores treinados para utilizar os recursos virtuais em suas aulas, facilitando o ensino, é uma boa estratégia para a melhora da educação. As Reformas Política, Previdenciária e Tributária precisam ser votadas no Congresso. A Reforma Política traria mais transparência às nossas já sólidas instituições públicas, eliminando males enraizados como o caixa 2 e os privilégios parlamentares, aperfeiçoando os mecanismos democráticos. A Reforma Previdenciária seria importante, entre outros fatores, para diminuir o déficit que atinge 5% do PIB do país. A Reforma Tributária aliviaria a carga de impostos sobre os brasileiros e diminuiria a burocracia, a lerdeza em abrir uma empresa, por exemplo. A diminuição do tamanho do Estado, controlando e cortando os gastos, contribuiria para o controle da dívida interna. A concentração de renda seria combatida, não por projetos de ajuda social, mas por uma política de crescimento sustentado da economia, criando milhões de empregos e possibilitando que cada pessoa conquiste seu espaço na sociedade.