sexta-feira, 18 de agosto de 2006

ESMIUÇANDO A ECONOMIA

O ANTAGONISMO ENTRE OS MODELOS ORTODOXO E HETERODOXO NO CONTEXTO ECONÔMICO ATUAL
POR Bruno Victor Dela Páscoa Toranzo

O antagonismo das duas classificações desafia os estudiosos a definir qual o melhor caminho a ser seguido por uma nação. A resposta não existe. Talvez, nunca apareça solução para essa dúvida.

A lógica capitalista atual orienta-se pela visão ortodoxa/associada. Associada ao capital externo. O capitalismo liberal ortodoxo transforma em dogma as regras do capitalismo clássico. Defende a não intervenção do Estado na economia, ou seja, aprova, entre outros pontos, a desestatização. A livre-iniciativa é o regime motor do progresso. A política do Banco Central brasileiro de manter a taxa de juros SELIC alta, não gastar mais do que arrecada e procurar diminuir o tamanho do Estado, controlando as despesas e os investimentos, são medidas ortodoxas. O ortodoxo (conservador) não adota medidas de cunho nacionalista. O nacionalismo econômico é prejudicial por afastar os investidores. Os liberais não querem populistas no governo por representarem uma ameaça aos seus interesses. O populista tem o povo em suas mãos, além de desrespeitar as regras do capitalismo internacional. Em nome de estabilidade econômica (controle da inflação, menos risco de uma crise econômica grave), países em desenvolvimento como o Brasil, sacrificam os investimentos na parte social, ocasionando concentração de renda e miséria. O principal beneficiado dessa linha econômica são os bancos, com lucros recordes todos os anos. Considerando o histórico de desenvolvimento dos países do globo, é interessante notar que o capitalismo ortodoxo só obteve êxito em países desenvolvidos, já que os em desenvolvimento precisam do Estado para dirigir o investimento.

Por outro lado, estão os heterodoxos/nacionalistas. Aceitam o capital estrangeiro, mas sob certas restrições. Os setores básicos precisam ser estatais, precisam receber investimento estatal. Para investir, o Estado naturalmente interfere na economia, ferindo assim o neo-liberalismo. A Petrobras foi criada em 1953, pelo governo Vargas, e é um exemplo clássico de estatal. A riqueza que países em desenvolvimento como o Brasil produzem não se reduzem ao capital estrangeiro que se instala em suas terras. Os grandes investidores que concentram seu dinheiro em países em desenvolvimento já encontram um grande mercado consumidor como o indiano, mão-de-obra barata e abundante como o chinês e matéria-prima à vontade como a brasileira.

A classe média brasileira apóia os liberais por temer governos semi-ditatoriais como o de Chávez na Venezuela, e o de Morales na Bolívia. Teme também a volta da inflação e das crises cambiais. Com um contingente maior que a população do Chile ou do Uruguai, o posicionamento da classe média é fundamental no Brasil. Ela é responsável pelos resultados das eleições, apontada como a principal consumidora e a mais formadora de opinião entre as classes sociais.

No Brasil, a política econômica não varia. O governo de Luis Inácio Lula da Silva é o maior exemplo disso. O PT defendia, na década de 80, medidas extremamente heterodoxas como o fim do pagamento da dívida externa. Porém, quando chegou ao poder não pôde colocar em prática sua visão heterodoxa para a economia do país. A principal justificativa para a estagnação de propostas novas, no que tange as estratégias de desenvolvimento econômico, está na imposição do mercado internacional de um mesmo modelo para todos os países do planeta. Esse modelo é facilmente visualizado nos países de Terceiro Mundo, visto que as monstruosas dívidas externas e a necessidade das multinacionais aprisionam o governo, levando-o a aceitar quaisquer exigências dos grandes investidores.